30 de jul. de 2011

FELIT - FEIRA LIETRÁRIA DE SÃO BERNADO DO CAMPO

É isso mesmo! Graças ao pestígio adquirido pelas décadas de trabalho e dedicação à divulgação e a valorização da literatura infanto-juvenil brasileira, a FNLIJ foi procurada pela Prefeitura de São Bernardo do Campo para organizar a 1ª Feira Literária de São Bernardo do Campo (FELIT), um evento aos moldes do nosso tradicional Salão do Livro, mas ainda maior! O evento começa na próxima Terça-feira (2) e se encerra no dia 14 (Domingo) e vamos trazer todas as novidades e informações sobre mais um importante evento de cultura no calendário brasileiro!

DANIEL MUNDURUKU FAZ PALESTRA NA FLIT


Fiz uma palestra para professores do Estado do Tocantins nesta sexta feira, dia 29, durante a Feira Literária Internacional do Tocantins – FLIT.
Convidado pela editora FTD, desenvolvi o tema “O Banquete dos Deuses: conversa sobre o ato de educar (se)”. Foi uma deliciosa conversa sobre educação, literatura, consciência crítica, cidadania, identidade.
O público, composto em sua maioria por professores da rede estadual, participou de forma ativa fazendo interessantes interferências procurando compreender a realidade dos povos indígenas.
Daniel Munduruku em Palestra [Fotos de Tania Mara]
A palestra desenvolveu-se como um bate-papo provocativo sobre a diversidade cultural e linguística.  Procurei mostrar que nossos povos estão presentes em todos os estados brasileiros e sempre atuaram no sentido de defender o território nacional e que, em função de interesses econômicos, foram ocultados, excluídos e exterminados ao longo do processo histórico.
Após a palestra tive a oportunidade de passear pela Feira e verificar a variedade de títulos, a participação dos professores nos estandes, o atendimento dispensado ao público, as várias atividades culturais que estão sendo desenvolvidas. Tudo isso tendo como pano de fundo a literatura e seus autores.

Jovens correm com as toras
Equipes se preparam para a corrida de tora
Corrida de toras entre Xerente e Krahô
Por fim, visitei o espaço especialmente reservado para os parentes indígenas do Tocantins. Foi montada um bela casa comunal onde podem receber o público, assar peixe, fazer corrida de tora, vender sua cultura material, ritualizar sua própria literatura! Ao menos foi assim que compreendi ali a presença dos parentes Xerente, Karajá, Javaé, Krahô. É assim que entendo a literatura indígena e mesmo que para muitas pessoas seja “apenas” uma manifestação cultural, para mim é a própria literatura em movimento.

28 de jul. de 2011

REVISTA MEKUKRADJÁ - AGOSTO 2011


Pessoas queridas,
Já é possível acessar o segundo número da revista Mekukradjá.
Este segundo número traz a notícia de nossa participação na FELITSBC.
Todo e qualquer comentário será bem vindo.
Grande abraço e boa leitura a todos/as


http://issuu.com/lukewas/docs/mekukradja_agosto_pdf
Arte Indígena Atrai Público na FLIT

As pinturas corporais continuam na quinta-feira, 29, na Estação Multicultural.
Fonte: por Shelsea Shasmylla em Educação




Uma oca no meio da Praça dos Girassóis. Essa é a diversidade da Feira Literária Internacional do Tocantins - FLIT. A Estação Multicultural começou a terça-feira, 26, ofrecendo pintura corporal indígena. Cerca de 30 índios das etnias Xerente, Krahô e Apinajé estão realizando o trabalho, feito à base de urucum, jenipapo e pó de carvão.

O atrativo chama a atenção de visitantes que vem de longe, como Fernando Souza. Ele mora na capital goiana, está trabalhando na Feira e foi um dos primeiros a chegar ao Espaço. "Fiz um trabalho no qual tive que estudar bastante a cultura indígena e me apaixonei, então não podia perder essa oportunidade", destacou.

A boa aceitação e o convite para participar da FLIT enchem o cacique Antonio Xerente de orgulho. Para ele, "é muito gratificante disseminar a cultura e não acabar a tradição".

25 de jul. de 2011

Falta difusión a literatura indígena, advierte autora

Enriqueta Lunez considera que la lengua indígena representa un reto para estudiosos y críticos

La poesía y la narrativa en lengua indígena representan un reto para los estudiosos y críticos de la literatura actual, ya que suelen ceñirse exclusivamente a los cánones provenientes del Viejo continente, opinó la poeta tzotzil, Enriqueta Lunez.
Al participar en el Primer Encuentro Regional de Mujere s indígenas en el Arte, reiteró que las dificultades que enfrentan los especialistas respecto a obras en las lenguas mexicanas se originan 'porque han sido formados en una visión etnocentrista, que se resiste a admitir en la palabra poética a lo que no se adapta al Viejo continente'.
Ante ello, dijo, 'es evidente que empezamos a cuestionar lo que nos preocupa y a tomar de manera activa responsabilidades que puedan ayudarnos a mejorar nuestro quehacer creativo'.
Pero también 'muchas de las veces somos átomos en el aire. Cada quien lucha en su trinchera, no hemos logrado consolidarnos como un grupo que luche por las expresiones culturales de los pueblos, defendiendo sus derechos y al mismo tiempo exigiendo los suyos.
'Porque si bien de nosotras depende la transmisión de la lengua también depende que sea considerado un arte y eso se logrará en la medida que unamos fuerzas y que todos los proyectos creativos en cada una de las disciplinas se realicen en perfecta maestría', agregó.
Lunez enfatizó que el trabajo de la mujer creadora indígena 'se multiplica y por ello en alguno de los casos son voces emblemáticas de espacios libres, o bien, voces que embellecen teatros nacionales e internacionales, ferias de libro y programas de radio'.
Empero, también sufren 'del desinterés social e institucional en su promoción, por lo que la cantante, poeta, escultora termina de exponer su obra para sí misma por la falta de interés de difusión institucional'.
Desde la poesía, dijo, quiero significar que es un producto emocional y cultural, porque a través un poema podemos tener una visión del mundo, una cosmovisión de la vida y a una apreciación de lo que podemos llegar a expresar.
'Comunicar e invocar a través del lenguaje forma parte de esta visión del mundo, si además la poesía proviene de una mujer, de una comunidad indígena la poesía adquiere una visión de la cultura contemporánea y la ha colocada en una posición de reto intelectual', dijo.
'Pues actualmente es un reto comprender y disfrutar la diversidad de pensamiento, de visión del mundo y de expresión linguística', manifestó. En otro tema, indicó que entre la mujer mexicana indígena 'cobra mayor fuerza en la tarea cultural, por ello provoca que la mujer entre en la disyuntiva de dedicarse a la casa de tiempo completo o a combinar su dedicación al arte y la casa'.
'Desde esta perspectiva, la mujer indígena no se preocupa solo por transmitir los haberes a los hijos, sino ahora se preocupa por enseñar y difundir su cultura, a través de su obra', concluyó.

MÉXICO |
Notimex | El Universal

cvtp

S.Bernardo apresenta Feira Literária aos profissionais de ensino

A secretária de Educação de São Bernardo, Cleuza Repulho, iniciou a apresentação da 1ª FELITSBC (Feira Literária de São Bernardo do Campo), para os profissionais da rede municipal de ensino da cidade, realizada na manhã desta segunda-feira, no Teatro Lauro Gomes. Estiveram presentes mais de 500 profissionais, entre diretores, coordenadores e orientadores pedagógicos.

Inédita na Região Metropolitana de São Paulo, a 1ª FELIT de São Bernardo será realizada no Pavilhão Vera Cruz no período de 1º a 14 de agosto, como parte dos festejos de aniversário da cidade. O evento vai proporcionar aos 85 mil alunos da rede municipal de educação, incluindo da EJA (Educação de Jovens e Adultos), acesso ao conteúdo literário das maiores e principais editoras do Brasil.
O objetivo é garantir um livro a cada aluno participante, além de assegurar que todas as escolas tenham a possibilidade de adquirir acervo para atualizar as bibliotecas escolares.

Diariamente, 100 ônibus irão circular pela cidade levando os alunos e professores ao evento. Para atingir toda a rede, a expectativa é que, por dia, cerca de 4 mil estudantes visitem os stands da FELITSBC.

Pela primeira vez São Bernardo realiza Feira Literária

1ª Feira Literária de São Bernardo do Campo (FELIT), idealizada pela Secretaria de Educação em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ será realizada entre os dias 1º e 14 de agosto de 2011. O evento faz parte da programação dos festejos de aniversário da cidade, ele é pioneiro na região, no qual o livro e a leitura literária terão destaque, propiciando encontro de escritores, ilustradores e editores com a comunidade. Acompanhe a programação completa pelo site:http://www.educacao.saobernardo.sp.gov.br/index.php/feiraliteraria1

23 de jul. de 2011

‎1 a 14 de agosto - 1a. Feira Literária de São Bernardo do Campo.

Nosso estande institucional estará presente divulgando a escrita indígena. Roní Mendes Wasiry, Elias Yaguakã, Olívio Olivio Jekupe, Cristino Wapichana, Graça Graúna e Daniel Munduruku estarão representando os escritores indígenas. Esperamos todos para uma visita.

20 de jul. de 2011

As histórias dos índios, por eles mesmos

Debora lerrer
Os índios, por eles mesmos
Programa nacional de bibliotecas impulsiona (ainda mais) as vendas de livros escritos por indígenas
Ameaçada por grilagem de terras, desmatamento, garimpo, obras de governos e minada pela discriminação, a cultura dos  povos indígenas brasileiros resiste (agora também) em forma de literatura e conquistando espaço no mercado editorial. Há uma boa safra de escritores indígenas dedicados à literatura infanto-juvenil e publicados por diversas editoras, inclusive grandes como Martins Fontes, Paulinas e FTD. O ano de 2011 deve  terminar com pelo menos 19 títulos novos no mercado, entre os quais A cura da terra, de Eliane Potiguara, pela Global Editora, e Mondagará, de Rony Wasiry Guará, pela Saraiva.
Esse interesse se deve, em parte,  à Lei  11.645, aprovada em 2008, que  criou a obrigatoriedade de se tratar a temática indígena  e afro-brasileira no currículo escolar brasileiro. Mas também é possível que nomes como Daniel Munduruku, Graça Graúna, Yaguarê Yamã e  Olívio Jekupé estejam  ganhando as prateleiras das livrarias do país graças a suas vendagens, turbinadas recentemente pelas compras governamentais, via PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).
A Global, com 11 livros de autores indígenas em seu catálogo, publicou o primeiro O Povo Pataxó e Suas Histórias em 1999 e depois não parou mais. Segundo seu editor, Luis Alves Junior, esses livros já vendiam bem antes da lei, tanto que alguns deles já haviam ganhado reimpressões – o livro Você se lembra, pai? de Daniel Munduruku, publicado em 2003, é um deles.
A lei chegou anos depois da  articulação de escritores indígenas em encontros nacionais, liderados pelo pioneiro Munduruku, e deflagrada há oito anos com grande apoio institucional da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. “Nós não endossamos o trabalho destes autores porque são indígenas, mas porque estão fazendo uma literatura de qualidade para as crianças”, diz Beth Serra, presidenta da Fundação.
Doutor em Educação e autor de 43 livros, a maioria dos quais infanto-juvenis, Munduruku, de 47 anos,  editou seu primeiro  livro, Histórias de Índio, em 1996, pela Companhia das Letrinhas, depois de bater em várias portas. Hoje já tem 20 edições.“Lançar livro para criança da cidade com ótica indígena era difícil. Na época, era sempre antropólogo, escritor, historiador que escrevia sobre o índio, que não tinha voz nem vez no mercado editorial”.
De lá para cá, Munduruku já abocanhou vários prêmios nacionais e internacionais, como o “Jabuti” de 2004  pela obra Coisas de índio, da Callis Editora.
Natural de Belém (PA) mas vivendo em Lorena (SP) há mais de 20 anos, Munduruku é formado em Filosofia, com Licenciatura em História e Psicologia. Ele chegou à literatura infanto-juvenil através de suas experiências como professor e educador social de rua da Pastoral do Menor em São Paulo, onde acabava contando as histórias que escutava quando vivia entre seus parentes aldeados.
Para ele, a literatura funciona como “maracá”, o chocalho que é utilizado como instrumento de cura pelos pajés. Acredita-se que dentro dos maracás há uma voz sagrada que é a que os pajés utilizam para conversar com os espíritos que fazem a cura das pessoas que os procuram. A literatura deles teria este componente. “É nosso maracá  para a sociedade brasileira”.  Para ele, esta  geração de escritores indígenas  escreve como uma forma de “curar o Brasil”, ajudando a sociedade “a conhecer sua história e não perder de vista a contribuição que os indígenas oferecem”.
Outro “parente” de Munduruku neste movimento que usa a literatura como “arma de defesa do povo indígena” é  Olívio Jekupé, de 45 anos,que teve que abandonar o curso de Filosofia por dificuldades econômicas. Publicando desde 2001, Jekupe é autor de um total de 11 livros, o mais recente “Tekoa – conhecendo uma aldeia indígena”, pela Editora Global. Jekupé, que vive na aldeia guarani  Krucutu, em São Paulo,  prefere denominar sua literatura de “nativa” e não de “indígena”  para diferenciá-la da literatura que os outros escrevem tendo o índio como objeto. “Ela sai de dentro da gente, do que conhecemos, pois escrever sobre índio não é só escrever, é preciso conhecer e viver essa cultura”.
Relatos orais das velhas gerações indígenas
Para Munduruku foi um acaso eles terem caído no gosto do público infantil. Acabou dando certo. “Não é que a gente escrevesse para crianças, é pelo teor das histórias que a gente conta. A gente recebia essas histórias de forma oral. Caía na nossa memória. E o nosso pessoal foi começando a aprender a escrever”.
Muito do que esta geração de autores indígenas faz é verter para o papel as lendas e histórias dos povos indígenas, repletas de conteúdos éticos e morais, que eram transmitidas oralmente para suas crianças há séculos, com clara função educativa.
Por outro lado, a literatura infanto-juvenil também é mais acessível a eles por serem livros menores e relativamente mais fáceis de escrever. Afinal, esta turma só recentemente está sendo escolarizada  com a preocupação em resguardar sua identidade étnica, ou seja, “sem desprezar sua identidade, desistir de sua história e desacreditar seus sábios”, observa Munduruku.

18 de jul. de 2011

O Brasil não começa a partir de 1500 - Entrevista para a Globo News

Entrevista para o Programa Milênio - Globo News



Cinco mil anos de história. 250 povos e 180 línguas. 800 mil pessoas. 0,4% da população brasileira. Essa é a dimensão do movimento indígena de hoje. A riqueza e o conhecimento sobre a terra que hoje compreendemos como Brasil aos poucos vão se perdendo e a ideia de civilização, herdada do século XIV, coloca o índio como algo a ser assimilado ou isolado. A identidade do indígena foi, durante muito tempo, definida em termos negativos. É o preguiçoso, o que atrapalha o progresso, alguém que não está dentro dos fluxos civilizatórios do Ocidente. Daniel Munduruku mostra que há muito mais do outro lado da linha que divide nossa história e que vale a pena ir além do limite imposto pelos relatos dos conquistadores. Tanto para o indígena quanto para todos os brasileiros. A reformulação da identidade indígena renova o conceito de brasilidade e enriquece o panorama cultural do país.

A partir da década de 1970, os povos indígenas se redescobriram como um movimento pan-indígena. Surgiram a UNI (União das Nações Indígenas), o COIAB, (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a Aliança dos Povos da Floresta e muitos outros movimentos e ONGs. O índio ganhou status de ator político, com reivindicações, expectativas e consciente de suas particularidades. Munduruku diz que os indígenas querem estar dentro do Brasil, mas querem manter suas crenças, sua espiritualidade, suas tradições. Querem contribuir para o crescimento do país de forma ativa, ao invés de serem carregados para o futuro. É o que falta para a democracia brasileira deixar de ser um ensaio, como coloca nosso entrevistado.

Daniel Munduruku é um educador. Ele percebeu que a melhor maneira de reescrever nosso passado é transformar quem vai pensar o Brasil no futuro. Ele recebe crianças em seu sítio para transmitir um pouco da cultura indígena e é autor de mais de 40 livros infantis. Ao estabelecer um diálogo entre essas várias histórias que se entrelaçam, ele abre espaço para um Brasil mais inclusivo e consciente de suas origens.

http://g1.globo.com/platb/globo-news-milenio/2011/07/12/o-brasil-nao-comeca-a-partir-de-1500/

16 de jul. de 2011

Depoimento emocionante da educadora Gislene de Freitas


Olá Daniel!
 
     Me chamo Gislene, sou pedagoga, mas trabalho como dinamizadora de biblioteca devido a uma perda auditiva. Nesse trabalho tenho contato com vários livros, inclusive os seus. Foi através desse contato que senti vontade de entrar em contato com você para partilhar meus sentimentos com relação às suas histórias, sua vida. Apesar de sermos de culturas diferentes, quando lia suas histórias eu ia sentindo o cheiro da terra, ouvindo o vento batendo nas folhas das árvores, sentindo a água fria do córrego, a fome que a gente sente depois desse banho e a comida gostosa feita no fogão de lenha preparada pela minha mãe. Ah, como era bom quando a família reunia em volta do calor do fogão de lenha e contávamos intermináveis histórias de família, quantas risadas, quanto calor humano. Quando pequena, como tinha piolhos (É uma pena que as crianças de hoje não pegam piolhos como nós!)  e por isso nós primos ou irmãos catávamos uns nos outros, ou às vezes nossa mãe nos colocava no colo para catar e enquanto isso quantas conversas e quantas vezes dormia no colo ouvindo as conversas dos adultos.
     Meu pai foi uma pessoa que sempre morou na roça, sempre plantou, criava animais, dependia da natureza e por isso a amava, a valorizava. Por isso também nos ensinou sempre a cuidar da mesma ( prefiro não usar o termo "preservar" ), porque cuidar é zelar, zelar é  atitude de quem ama e isso nosso pai nos ensinou. Ele nos passou isso não só com palavras, mas com atitudes, gestos, com a própria vida. A maneira como ele lidava com os animais, de como nos falava dos tempos da chuva e do frio, de como se plantava na terra e por causa de tudo isso, o nosso respeito, amor pelas coisas da natureza aumentava em nós. 
Meu coração hoje dói, Daniel, porque quem não viveu e não vive essa experiência com a natureza, penso que terá mais dificuldade de respeitá-la. Dia 07 desse mês levamos os alunos da nossa escola ( Colégio Estadual Rui Barbosa - Inhumas- GO) ao Memorial do Cerrado da PUC de Goiás. Durante a visita eu observava como a maioria dos alunos não interagia com amor, respeito com a natureza ali presente. Parece que existe dois mundos: o da cidade e do campo e que um vive sem o outro. Quando li o relato de Heloisa Prieto em seu livro "Um estranho sonho de futuro" a respeito da viagem de seu filho Lucas eu concordei plenamente com ela quando diz  que todo jovem deveria fazer essa experiência. Penso Daniel, que quanto mais o homem se distancia da natureza, quanto mais não lhe é permitido experienciar esses momentos em que nós experiementamos, mais o homem se desumaniza.
     Outro fato que gostei muito é o de você escrever histórias para crianças. É preciso que essa mentalidade de que índio é menos inteligente, é fragil e por isso até parece que não é gente, imagem essa que é muitas vezes é passada nos livros didáticos e na mídia, tem que acabar e suas histórias, sua pessoa, seu trabalho com certeza vem desmistificar essa imagem. Voltando mais uma vez a lembrança de meu pai, lembro que quando ele assistia alguma coisa na TV sobre os índios, uma das várias coisas que ele gostava e falava era o modo como os indios tratam as crianças. Nosso pai nunca nos bateu, sempre agachava para falar conosco, sempre nos ouvia atentamente quando falávamos com ele. Sua maneira de ser nos marcou profundamente na personalidade de todos nós os filhos. 
     Despeço-me agradecendo sua atenção! Será que seria possível pensarmos num contato entre você e nossos alunos?
Abraços
Gislene de Freitas.

15 de jul. de 2011

Documentário contra a construção de Belo Monte conquista público de Paulínia

Personagem do filme, Índia da tribo xipaia lidera movimento contra a barragem que afetará a vida dos habitantes e os ecossistemas da região


Jornal do Brasil
Carlos Helí de Almeida, de Paulínia

A obra mais controversa da gestão Dilma Rousseff, herdada do governo Lula, acaba de ganhar um poderoso instrumento de oposição. Exibido na noite desta quarta-feira, dia 13, na competição do 4º Festival de Paulínia, À margem do Xingu – Vozes não consideradas  se propõe justamente a isso: servir de veículo para a versão daqueles que ficaram de fora do debate sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Floresta Amazônica paraense, em um trecho do rio Xingu.
Dirigido pelo espanhol Damià Puig, o filme percorre cidades ribeirinhas que serão direta ou indiretamente afetadas pelo represamento do rio, e colhe depoimentos de moradores, agricultores e  indígenas que habitam ou trabalham na região. Também ouve especialistas da áreas ambientais, técnicos e sociais sobre o projeto polêmico, que ganhou licença do Ibama mês passado depois de diversos confrontos do governo com o órgão, que resultou na troca de sua diretoria.

Juma Xipaia no palco do Theatro Municipal de Paulínia: protesto contra a hidroelétrica
Juma Xipaia no palco do Theatro Municipal de Paulínia: protesto contra a hidroelétrica

“Antes de Belo Monte, a nossa região vivia abandonada, esquecida pelo estado e pelos políticos. Só lembraram da gente quando precisaram de energia para alimentar a indústria que exporta os minérios da região para o exterior”, protestou Juma Xipaia, jovem índia da tribo xipaia e presidente da Associação dos Indígenas Moradores de Altamira-PA (Aima), durante a coletiva do longa-metragem produzido pelo brasileiro Rafael Salazar.
Personagem do documentário de Puig, Juma já havia conquistado a plateia que lotou o Theatro Municipal de Paulínia para a primeira projeção de À margem do Xingu, na noite anterior. “Não tenho qualquer pretensão de fazer carreira pública. A política brasileira é corrupta e muito suja. Nosso trabalho (de resistência) é o que me fortalece. Estou feliz por poder estar aqui representando a minha aldeia, lá de Tucamã”, contou Juma.
Concluído em janeiro de 2010, no momento em que a licença prévia que permitiria o leilão da usina de Belo Monte tramitava no Congresso, o documentário amplia o debate sobre o represamento dos rios amazônicos para a construção de hidroelétricas e o impacto delas no meio ambiente. À margem do Xingu também será exibido em comunidades da região amazônica, cineclubes, universidade, escolas e eventos relacionados a problemática ambiental.

Jornal do Brasil

14 de jul. de 2011

MT: Disputa de terra gera conflitos entre índios xavantes e moradores


Xavantes cobram cumprimento da decisão do Tribunal Regional Federal, que determinou saída dos ocupantes não índios da reserva em 2010.


A disputa pela terra pôs em lados opostos índios xavantes e moradores de uma região do nordeste de Mato Grosso.
O motivo é a posse de uma reserva indígena, ocupada há 46 anos por agricultores e comerciantes.

 A Justiça Federal determinou que eles deixem o local, mas a ordem não foi cumprida. Os confrontos têm causado prejuízos e tensão na reserva.

Os xavantes atacaram fazendas localizadas dentro da área a ser desocupada, onde casas foram demolidas e incendiadas.
Francisco Silva foi surpreendido com a chegada de 60 guerreiros, segundo ele.

"Tocaram fogo nas duas casas que tinha. Queimaram tudo de imediato. Chegaram com a gasolina dizendo ‘tirem os trens que vamos por fogo’. Me atacaram, me amarraram e me carregam por 600 metros nas costas", contou Francisco.

Os xavantes cobram o cumprimento da decisão do Tribunal Regional Federal, que determinou em outubro de 2010 a saída da reserva de todos os ocupantes não índios.

"Se demorar muito, nós vamos invadir outra fazenda. Se sair guerra, é guerra. Nós vamos morrer por causa da terra", afirmou o cacique Damião.

Dom Pedro Casaldáliga vive na região há 40 anos e disse que os xavantes foram retirados da área em 1966. Fotos mostram grupos indígenas embarcando em aviões da FAB, sendo levado para outra aldeia a 400 km do local, mas em 2003 eles decidiram voltar e encontraram a terra toda ocupada.

“É uma verdadeira devastação. Eles foram arrancados da terra e transportados pela FAB. Então, essa deportação foi oficial”, lembrou Dom Pedro

Funai, Incra e Polícia Federal elaboraram um plano para a retirada dos fazendeiros, que ainda vai ser avaliado pela Justiça. A reserva Maraiwatsede se estende pelos municípios de Alto Boa Vista e São Felix do Araguaia, ao nordeste de Mato Grosso e tem 165 mil hectares ocupados por centenas de fazendas e sítios.

Dentro da terra indígena também existe um povoado onde vivem quase três mil pessoas. Pela decisão judicial, todos deverão sair. No vilarejo há escolas, comércio, posto de combustível e silos de armazenagem de grãos.

“Tem uns R$ 10 milhões de investimentos. Beneficiamos mil sacos de arroz por dia”, conta a empresária Delcristiana Moresco.

O empresário Roberto Soares da Silva é dono de um posto de combustíveis e disse ter investido mais de R$ 800 mil. Os moradores não índios mostram as escrituras das áreas registradas até em cartório. "Eu gastei R$ 84 mil. Estou com 68 anos. Vou para onde?”, indagou um morador.

Para o Ministério Público Federal, esses documentos não têm valor. “Já se reconheceu que esta área foi, de fato, invadida. Estão todos cientes de que ali se tratava de uma área indígena", explicou a procuradora da República, Débora Duprat.

O governo de Mato Grosso ofereceu para a Funai um parque estadual preservado para transferir os xavantes e manter os moradores na área. “Nós oferecemos essa área e vamos ajudar a montar a estrutura, como dissemos. Agora, a forma legal, a Funai e o Ministério da Justiça que resolva. Eles que criaram o problema na região", afirmou o governado do Mato Grosso Silva Barbosa...

Mas os xavantes recusaram a oferta e rasgaram a lei que autorizou o governador a negociar a troca da área. O Ministério da Justiça reafirmou que o plano de desocupação está em fase final de elaboração. Depois de pronto, terá de ser apresentado à Justiça Federal.





Fonte: G1 / Jornal Nacional

Encerrado Colóquio latino nas Casa das Américas


Havana, 14 jul (Prensa Latina) A literatura, o teatro e as artes plásticas como expressão de identidade cultural centrarão hoje os debates da sessão final do I Coloquio internacional sobre a presença latina nos Estados Unidos.

Especialistas de México, Cuba, Argentina e a nação nortenha dissertarão sobre o papel do Latino Artists Round Table e o editorial Sino na produção e divulgação da cultura dessa etnia em Nova York, onde é a cada vez mais forte a presença destes emigrantes.

Sobre identidade e resistência, vista através da obra de Octavio Paz, falará a pesquisadora da Universidade de Guanajuato, Ofelia López, que comentou com Prensa Latina que na obra do escritor mexicano estão apresentem suas visões e experiências como emigrado nos Estados Unidos.

Agregou que a obra do ensaísta e poeta, Prêmio Nobel de Literatura, é muito ampla e abarca diferentes etapas de seu cotidiano criativo. "Como sucede com todos os grandes escritores contemporâneos, seus textos não se subtraem de sua origem, nem de sua própria experiência como indivíduo", defendeu.

López referiu-se, ademais, ao forte trabalho que desenvolve México no resgate e conservação de suas tradições e o legado pré hispânico dos indígenas, herança que inclui a presença ativa de 64 línguas.

Também aludiu ao esforço das autoridades educativas em seu afã de recuperar as tradições, com vistas a que os mexicanos as conheçam mais e se acerquem a elas.

O programa de clausura inclui a apresentação de uma monografia que recolhe estudos sobre os latinos nos Estados Unidos, bem como um concerto de jazz a cargo de Ruy López-Nussa e seu projeto A Academia, na sala Che Guevara de Casa das Américas.

ag/npgbj

VIOLÊNCIA CONTRA OS POVOS INDÍGENAS: MS lidera assassinatos

Pontos centrais do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil e em Rondônia.

As ocorrências de violências e violações de direitos contra os povos indígenas não cessam. Mais uma vez, e pelo terceiro ano consecutivo, o número de assassinatos registrados chega a 60. Amaioria ocorreu em Mato Grosso do Sul, com 34 casos.

O relatório relata 92 casos de violência contra o patrimônio deixando claro que a situação conflituosa vivida pelos indígenas brasileiros está intimamente ligada ao modelo desenvolvimentista adotado pelo país e a falta de acesso a terra. O pano de fundo das violências cometidas contra os povos indígenas, bem como a violação de seus direitos, é o desrespeito à Demarcação de suas terras; Morosidade dos órgãos oficiais na regularização destas terras, áreas que se encontram super povoadas, populações confinadas em um só território, são entre tantas outras as principais fontes de conflitos, mortes e desesperança dos povos em suas comunidades.
Neste relatório, a violência sofrida pelos povos indígenas em Rondônia, destaca-se violência contra o patrimônio, sendo das 322 terras indígenas sem providência em nível nacional, 24 está em Rondônia. Isso significa que mais da metade dos povos indígenas de Rondônia estão fora dos seus territórios tradicionais, pois Rondônia soma-se 54 povos contatados e 15 povos em situação de isolamento e risco de extinção (sem contato), destes, 05 estão no complexo do madeira.
Das 20 terras indígenas regularizadas em Rondônia, ainda sofrem violência de invasões, posseiros, exploração ilegal de recursos naturais, entre outros.
Dos outros tipos de violência contidos no relatório, em Rondônia está relacionado a violência por omissão do poder público: A) violência contra a pessoa, que se destaca a questão da desassistência na área da saúde (com 04 casos de mortes, sendo 03 na região de Guajará-Mirim, onde se apresenta uma população de aproximadamente cinco mil pessoas, destacando-se como agravante o alto índice de hepatite B e C); B) desassistência na área da Educação Escolar Indígena (01 caso relatado, onde envolve 40 alunos).
O relatório mostra ainda violência quanto a negação dos direitos por partes dos órgãos competentes, como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria, entre outros.

Com este relatório o Conselho Indigenista Missionário quer mais uma vez afirmar seu compromisso com os povos indígenas no Brasil e em Rondônia na defesa de sua dignidade e de seus direitos inalienáveis e sagrados.

Cimi RO.

Porto Velho, 12 de julho de 2011.

12 de jul. de 2011

Feira Literária Internacional do Tocantins

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...