29 de mar. de 2012

"Reflexos da Ancestralidade" mês de Abril na UERJ

Folder reflexos da_ancestralidade

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Amigos, segue o cartaz da Nossa exposição "Reflexos da Ancestralidade" que fica o mês de abril na UERJ.
Foi uma parceria com a UERJ NEArIn/INBRAPI, Instituto C&A, Instituto U'KA - Agradeço A UERJ através do professor RicardoGomes Lima, Bessa e Equipe do Pró-Índio, Acassia e sua equipe de montagem, e aos artistas Uziel Guainê do povo Maraguá - AM e Jaider Esbell Macuxi de Roraima e ao NEArIn pelos livros do acervo que estarão completando esta belíssima exposição que sera aberta ao publico as 19h do dia 02 de abril. Gostaria que os artistas protagonistas estivessem presente, mas infelizmente pela distância não virão, mas sintam-se representados pelo nosso NEArIn. Obrigado por confiarem a mim a produção.

Aos que puderem prestigiar, vamos brindar este momento ímpar!
Divulguem e procurem nossos artistas para um bate-papo e outros indígenas talentosos para que o mundo os conheçam!

Cristino Wapichana
Coordenador do NEARIN - Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do INBRAPI

Oca di Versos - Awê de Literatura Indígena no Espaço da Leitura


28 de mar. de 2012

"Conhecimento e Dignidade"




Quem estiver em Roraima no dia 30/03/2012, terá uma boa oportunidade de prestigiar o trabalho do artista indígena Jaider Esbell do Povo Macuxi - RR.
"Conhecimento e Dignidade" é uma inciativa do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do INBRAPI, Instituto UKA - Casa dos Sabres Ancestrais, Instituto Ecofuturo e UFRR - Universidade Federal de Roraima. Divulguem!





Reflexos da Ancestralidade


Os Guarani costumam dizer que o passado não está ANTES do presente, mas DENTRO do presente. Sabemos que o mundo é movido por inúmeras energias, que estão presentes desde os tempos remotos. Nossos ancestrais aprenderam a usar estas forças ao longo do tempo em vários seguimentos.
O tempo deixou suas pegadas e marcas, que hoje carregamos e continuam aqui, conosco. Somos a impressão do reflexo de uma ancestralidade, que nos confiou o legado de um tempo que não termina, que continua em nós, de um espaço que está marcado por esses passos remotos.
A morte levou nossos ancestrais para outro plano, mas o tempo preservou parte da história: o canto, a dança, a bebida tradicional e a força que faz do indígena um ser pleno no seu mundo.
Reflexos da Ancestralidade revela parte da vida e da cultura indígenas, narradas por vários autores com esta origem em livros que relatam belas histórias e a presença destes povos como sobreviventes num mundo cheio de códigos e condutas contrárias a preservação natural ou planejada do planeta.
A tradição indígena tem como princípio o respeito ao outro, que está num mesmo nível de igualdade, desde o menor ao maior dos seres. É nesta base que o mundo se equilibra, permitindo que cada um tenha, por direito, a possibilidade de viver o seu tempo, quer seja sobre ou sob a terra, no ar, nas águas ou debaixo delas.
Esta exposição revela que é com a mistura dos sentidos e da própria história, que os artistas plásticos Uziel Guainê, do povo indígena Maraguá, do Amazonas, e Jaider Esbell Macuxi, de Roraima, transportam para telas o olhar ancestral transfigurado e atualizado, advindo do tempo imemorial com seus reflexos ancestrais.
Cristino Wapichana 

27 de mar. de 2012

O evento Mundo em Movimento será apresentado no Memorial dos Povos Indígenas

Será inaugurado, dia 10 de abril, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, o evento Mundo em Movimento: Saberes Tradicionais e Novas Tecnologias. No local, serão apresentadas exposições sobre 55 etnias, incluindo as que integram o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas do Museu do Índio – PROGDOC.As mostras, que poderão ser vistas em diversos espaços do Memorial, vão exibir o universo indígena do Brasil e sua produção artística e cultural, além de uma ampla coletânea de registros audiovisuais. Os saberes e rituais das 55 etnias, serão apresentados de forma lúdica, por meio de objetos, textos, fotos, vídeos, músicas e falas. Entre as curiosidades, o público poderá conferir um corredor sonoro com 14 monitores portáteis e interatividade para escuta de 18 sonoridades – falas e cantos – indígenas.
Entre os vários grupos que serão apresentados no evento, terão destaque os Tikmũ’ũn - também conhecidos como Maxakali (MG) - pela resistência e vitalidade com que preservam os seus saberes musicais e a sua linguagem.
Na ocasião, será lançado, ainda, o Programa Indio&Arte, do Museu do Índio/ FUNAI, com a abertura de uma exposição de vendas no Espaço Galeria do Memorial dos Povos Indígenas. Ali, o público vai encontrar diversas peças como cerâmicas, cestarias, adornos e grafismos.
O Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas – PROGDOC:
O Museu do Índio (RJ) coordena, desde 2009, um esforço nacional de registro e documentação para proteger, reforçar e revitalizar as muitas línguas e culturas indígenas existentes no território brasileiro. O trabalho é divido em quatro áreas de atuação – Prodoclin, Prodocult, Prodocerv e Prodoc Som – e desenvolvido em conjunto com o Instituto Max Planck, da Holanda, e várias universidades e centros de pesquisa do País, com o apoio da Fundação Banco do Brasil e da Unesco.
O Programa Índio e Arte:
Índio e Arte é um programa de salvaguarda do patrimônio cultural indígena voltado para a preservação da cultura material dessa população. As suas ações objetivam fomentar a documentação e o registro dessa produção em projetos caracterizados pela aliança entre documentação, protagonismo indígena e comércio justo.
Evento: Mundo em Movimento
Inauguração: 10 de abril de 2012
Visitação: a partir de 11 de abril de 2012
De terça a sexta-feira, das 9 às 18horas;
Memorial dos Povos Indígenas – Eixo Monumental Oeste,
Praça do Buriti - Brasília/DF
sábados, domingos e feriados, das 10 às 18horas. Telefones: (61) 3342-1157 / 3344-1154 /
3342-1156
Grátis


http://www.museudoindio.gov.br/template_01/default.asp?ID_S=5&ID_M=1212

24 de mar. de 2012


09-08 - EMEF MAESTRO DOMINGOS BLASCO - DANIEL MUNDURUKU (convidado) from OSASCO LITERATURA on Vimeo.

Aluno da UFSCar é o primeiro índio bolsista de iniciação científica da Fapesp

Luciano Kezo cria livro didático para ensinar língua extinta a crianças de Mato Grosso

Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu
Luciano Ariobo Kezo, de 22 anos, é umas das poucas pessoas que falam umutina no mundo. Ele aprendeu a língua, considerada extinta pela Unesco, com um ancião da aldeia onde nasceu e cresceu, em Barra do Bugres, no interior de Mato Grosso. Luciano agora estuda Letras na Federal de São Carlos (UFSCar) e quer mudar a realidade de sua tribo: prepara um livro didático para ensinar umutina às crianças de Barra do Bugres. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) apostou na ideia e pela primeira vez financia um projeto realizado por um indígena.
Luciano Kezo, aluno de Letras na UFSCar - Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Luciano Kezo, aluno de Letras na UFSCar

O estudante trabalha no livro há 8 meses, orientado pela professora Maria Sílvia Martins, especialista em linguística aplicada. “O livro nasceu do interesse coletivo. Ele colabora para mim enquanto estudante e para o meu povo, que poderá ter acesso à língua”, diz Luciano.
Maria Sílvia conta que o problema das línguas indígenas aparece com frequência em suas aulas. “Os indígenas, de modo geral, estão em processo de revitalização da cultura e de recuperação de línguas que muitas vezes ficaram perdidas”, afirma. Desde 2008, a UFSCar abre um vestibular exclusivo para alunos indígenas. Oferece uma vaga em cada curso de graduação.
A publicação deve ficar pronta em abril. A ideia é que seja usada por crianças do 4.º ano do ensino fundamental. Tem exercícios bilíngues (umutina - português) e  histórias da aldeia escritas exclusivamente em umutina. Todas as ilustrações estão sendo feitas pelo próprio Luciano. “Uma preocupação nossa é fugir das imagens estereotipadas do indígena, tão presentes nos livros didáticos”, conta Maria Sílvia. “Meu maior desejo é que todos vejam o indígena da forma correta e real”, completa Luciano.
Na reserva em Barra do Bugres moram mais de 500 índios de diferentes etnias. O próprio Luciano, apesar de se identificar como umutina, é paresi por parte de pai. Há apenas uma escola indígena na região e o ensino das línguas locais depende da vontade e do esforço dos integrantes da própria aldeia.
Segundo Maria Sílvia, o objetivo é que outros indígenas sigam os passos de Luciano para fazer mais livros didáticos. “Revitalizar a língua contribui para o aumento da autoestima da população em geral, é uma ação afirmativa muito importante”, diz a professora. “E o Luciano ter recebido a bolsa da Fapesp demonstra o início de alguma coisa, é um exemplo para outros alunos.”
Luciano ainda não entrou em contato com nenhuma editora, mas quer procurar apoio no setor público e na iniciativa privada para conseguir publicar o livro. A vontade dele, no entanto, também é atingir crianças não indígenas, usando uma lei federal que prevê a inclusão de elementos da cultura indígena nos currículos de todas as escolas brasileiras. “É só início de um processo. Se as pessoas conhecerem um pouco da história do povo umutina, já estou satisfeito.”

23 de mar. de 2012

Organizações divulgam manifesto contra a PEC 215

COMUNICADO À NAÇÃO SOBRE A PEC Nº 215 DE 2000

Está pronta para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados uma proposta de alteração da Constituição – PEC nº 215, de 2000. Ela pretende retirar a autonomia e competência da União na demarcação de terras indígenas, na criação de unidades de conservação e no reconhecimento de áreas remanescentes de quilombolas, para estabelecer que o Congresso Nacional deva autorizar previamente todas essas ações exclusivamente de gestão pública, próprias do Poder Executivo.

Num cenário mais otimista, se essa proposta for aprovada dificilmente serão criadas novas áreas de proteção, pois levarão anos e anos para serem analisadas previamente pelo Congresso Nacional, como querem seus defensores. Esta PEC representa um imenso retrocesso na luta dos povos indígenas e dos quilombolas pelo reconhecimento aos seus direitos históricos à terra e à cidadania.

A mudança proposta elimina a possibilidade de presença mais incisiva, objetiva e eficiente do Executivo. E é exatamente isso que querem seus defensores, porque assim a União ficará impedida de atuar imediatamente na solução dos graves e históricos problemas relacionados à questão.

Isto pode ser bom para determinados segmentos, mas trará enormes prejuízos para os povos indígenas e quilombolas, e para a sociedade em geral, que ficará desprovida de áreas social e ambientalmente protegidas.

Na perspectiva de um modelo de desenvolvimento depredador e privatista, interesses econômicos avançam sobre as terras indígenas e quilombolas, na contramão de conquistas populares de nosso recente período democrático. Aprovada, a PEC 215 será um enorme retrocesso para a democracia brasileira, um ataque direto à Constituição, e um crime contra os povos indígenas, quilombolas e as populações tradicionais, historicamente massacrados, escravizados e vilipendiados.

Finalmente, cumpre observar que, apesar de parecer favorável do seu relator, deputado Osmar Seraglio (PMDB-PR), essa iniciativa é inconstitucional. Ela fere cláusulas pétreas da nossa Carta Magna, como o art. 2º, por interferir na independência e harmonia entre os Três poderes, condicionando a validade dos atos do Presidente da República à vontade dos membros do Congresso Nacional. Também violenta os incisos I e III, § 4º, do art. 60, que vedam a deliberação sobre emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado e a separação dos Poderes.

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS
FRENTE PARLAMENTAR AMBIENTALISTA
FRENTE PARLAMENTAR DE APOIO AOS POVOS INDIGENAS
FRENTE PARLAMENTAR MISTA PELA IGUALDADE RACIAL E EM DEFESA DOS QUILOMBOLAS
CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – CIMI
COORDENAÇÃO NACIONAL DE ARTICULAÇÃO DE COMUNIDADES NEGRAS RURAIS QUILOMBOLAS – CONAQ
ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDIGENAS DO BRASIL - APIB

Brasília (DF), 14 de março de 2012

17 de mar. de 2012

Contrato de carbono entre empresa irlandesa e índios do Pará gera polêmica

Por US$ 120 milhões, empresa irlandesa compra direitos sobre créditos de carbono dos índios Munduruku, no Pará; contrato investigado pelo Ministério Público valeria por 30 anos. A Funai foi deixada de fora 
vídeo promocional da empresa Celestial Green Ventures – “verde celestial”, em português – traz imagens de uma reunião em uma localidade não identificada, na Amazônia. Em meio a fotos, com fundo musical, o irlandês Ciaran Kelly, CEO, explica: “Nós sentamos com a comunidade local, há uma discussão muito aberta, dizemos o que temos que fazer, quais são as suas responsabilidades e as nossas. Se concordamos, prosseguimos”.

O português João Borges de Andrade, chefe de operações no Brasil, aparece em fotos rodeado pela população local. “Eu gosto do contato com essas pessoas, elas são muito gentis e muito amigáveis. É emocionante”.

A Celestial Green atua em um novo setor que se fortalece nos recônditos da Amazônia brasileira: a venda créditos de carbono com base em desmatamento evitado, focado nas florestas. Por estes créditos, a empresa tem procurado indígenas de diversas etnias e teria assinado contratos com os Parintintin, do Amazonas, e Karipuna do Amapá, segundo as suas páginas no twitter e facebook.

No dia 22 de setembro do ano passado, o mesmo João Borges, da Celestial Green, foi a uma reunião a respeito de um contrato de crédito de carbono com os índios Munduruku, na Câmara Municipal de Jacareacanga, no Pará.
Assim que ficou sabendo, a missionária Izeldeti Almeida da Silva, que trabalha há dois anos com os Munduruku, correu para lá: “Fui pega de surpresa. Depois falei com um dos líderes e ele disse que fazia tempo que estavam negociando com um grupo pequeno de lideranças”.

Quando chegou à sala de reunião, diz a freira, o espaço estava cheio. Estavam todos lá: caciques, cacicas, mulheres e crianças. Muitos vestidos para guerra: pintados, com arcos e roupas tradicionais. A reunião foi fotografada pelos dois lados. “Os guerreiros e as guerreiras estavam muito brabos com o pessoal que foram falar lá em cima”, lembra o cacique Osmarino. “As guerreiras quase bateram neles”.

Segundo Izeldeti, o representante da empresa mal conseguiu falar. “Eles gritavam em voz forte que estavam cansados de ser enganados. Disseram: ‘nós sabemos cuidar da floresta, não precisa de ajuda’. As mulheres guerreiras ficaram na fila e cada uma foi falando em Munduruku. Meteram a flecha perto do coração, passavam no pescoço. O representante da empresa disse que não entendia a língua, mas que não tava gostando porque era sinal de ameaça”.
O contrato, no entanto, acabou sendo assinado naquele mesmo dia – tanto a empresa quanto os indígenas confirmam. De acordo com Izeldeti e Osmarino, porém, o contrato foi assinado contra a vontade da maioria da população Munduruku.

Os donos do carbono
Totalmente desconhecida no Brasil, a Celestial Green, sediada em Dublin, se declara proprietária dos direitos aos créditos de carbono de 20 milhões de hectares na Amazônia brasileira – o que equivale aos territórios da Suíça e da Áustria somados. Juntos, os 17 projetos da empresa na região teriam potencial para gerar mais de 6 bilhões de toneladas de créditos de carbono, segundo a própria empresa.
Os créditos por desmatamento evitado, ou REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), não são “oficiais”, ou seja, não podem ser vendidos nos mercados regulamentados pelo protocolo de Kyoto. Este protocolo só aceita, por exemplo, a venda de créditos por uma empresa de um país pobre que troque sua tecnologia por uma menos poluente; os créditos que ela deixará de emitir podem ser vendidos.

No caso das florestas, não há um mecanismo oficial que permita isso. Por isso, os créditos de carbono referentes a florestas são negociados em um mercado voluntário, que não é regulado; empresas como a Landrover, o HSBC, a Google e a DuPont compram esses créditos para sinalizar que estão fazendo algo de bom pelo meio ambiente.
O mercado é muito menor do que aquele resultante de projetos previstos por Kyoto: em 2010, o valor negociado foi de cerca de 400 milhões de dólares contra 140 bilhões de dólares do mercado “oficial”.

Na esteira da corrida pelo invisível – créditos de carbono que deixaria de ser emitido por desmatamento – a irlandesa Celestial Green se adiantou: realizou diversas negociações rápidas e à margem de qualquer órgão federal. A empresa promete avaliar o potencial de créditos de carbono depois; mas já garante sua posse sobre eles, por contrato, e o acesso às terras para avaliação.

Os Munduruku
A proposta aos Munduruku foi feita em junho do ano passado. Segundo relatos dos indígenas, a oferta dividiu o grupo. A Celestial Green oferecia 4 milhões de dólares por ano, ao longo de 30 anos, pelos créditos de carbono dos 2,3 milhões de hectares da terra indígena – num total máximo de US$120 milhões. Em troca, teria todos os direitos sobre os créditos de carbono e mais “outros certificados e benefícios” a serem obtidos “com a biodiversidade”.

“Primeiro, ele [representante da Celestial Green] falou que o projeto é para defender os povos indígenas. Disse que não podia mais mexer na terra, nem branco nem indígena. Quando ouvi essa conversa, era bom”, conta Osmarino Manhoari Munduruku, cacique de uma das 111 aldeias onde vivem mais de 6 mil Munduruku.
“Depois, ele mandou o papel para associação. Nós vimos que, onde esse projeto tá, não pode fazer roça, nem caçar, nem pescar. Hoje estamos acostumados de plantar mandioca, batata, cana, batata doce, banana. A gente pesca, caça, tira madeira quando precisa. Mas eles dizem que não podia mais, eles mesmos iam dar o dinheiro para comprar os alimentos. E os indígenas não pode mais fazer nada, nada, nada. Aí a maioria achou que não é certo”.

A Pública teve acesso ao texto do contrato enviado por lideranças indígenas ao CIMI, Conselho Indigenista Missionário, depois das primeiras gestões da empresa. O documento revela claramente as linhas gerais buscadas pela empresa no acordo.

“Este contrato concede à empresa o direito de realizar todas as análises e estudos técnicos, incluindo acesso sem restrições a toda a área, aos seus agentes e representantes”, diz o documento. Se as áreas negociadas não se adequassem à captação de carbono, o contrato seria invalidado. De qualquer maneira, a empresa teria assegurado o direito de fazer um levantamento detalhado de toda a área dos Munduruku.

O contrato vetava qualquer modificação no ambiente: “O proprietário compromete-se a não efetuar quaisquer obras na área do contrato, ou outra atividade que venha a alterar a qualidade de carbono captado ou que contribua de alguma forma para afetar negativamente a imagem da empresa ou do projeto”.

Outro ponto polêmico garantia à empresa “direitos sobre os créditos de carbono obtidos, com quaisquer metodologias utilizadas”, além de “todos os direitos de quaisquer certificados ou benefícios que se venha a obter através da biodiversidade desta área”.

Além disso, os Munduruku deixariam de receber o pagamento caso não submetessem suas atividades ao crivo da Celestial Green: “O proprietário compromete-se a manter a propriedade em conformidade com as metodologias estabelecidas pela empresa”. O valor, contido num anexo, chama a atenção: 4 milhões de dólares por ano, chegando a um valor total de 120 milhões de dólares.

Segundo especialistas consultados pela reportagem, dificilmente um contrato assim teria validade legal. Primeiro, porque parte de princípios jurídicos errados. O texto analisado se refere aos Mundurukus como “proprietários”, quando as terras indígenas pertencem à União.
Depois, porque viola princípios de exclusividade de uso dada aos indígenas em terra homologada. “É totalmente ilegal. A empresa se coloca como dona dos recursos naturais e se atribui o direito de entrar quando bem entender para fiscalizar. Em algumas cláusulas, ela quer fazer o papel do Estado”, afirma João Camerini, advogado da ONG Terra de Direitos.

Para o antropólogo Miguel Aparicio, coordenador do Programa Operação Amazônia Nativa, o caso dos Munduruku deve servir de alerta para o governo. “É uma manifestação aberta da postura dos ‘biopiratas do carbono’. As cláusulas ignoram o direito indígena de usufruto exclusivo sobre suas terras, reconhecido pela Constituição Federal. O contrato proposto merece a intervenção urgente do poder público brasileiro”.

Como o mercado de crédito de carbono é novo, o governo brasileiro ainda não criou parâmetros para regular essas negociações. Mas, dada a urgência da questão, 15 entidades e movimentos ligados às populações indígenas elaboraram uma carta de Princípios e Critérios Socioambientais de REDD. Alguns desses princípios são a participação de toda a população afetada no processo de decisão e a transparência sobre os detalhes do contrato e do mercado em que estão entrando.

O caso dos Munduruku foi denunciado em setembro no ano passado no blog da ativista ambiental Telma Monteiro. O procurador Cláudio Henrique Dias, do Ministério Público Federal de Santarém, abriu um procedimento administrativo para investigar o caso. Ele pediu a cópia do contrato à Associação Pussuru, que representa os Munduruku, e acionou a Funai.

A Funai não quis se pronunciar nessa reportagem mas prometeu uma entrevista com o presidente Márcio Meira para a semana que vem.

Corretores de carbono, xeretas, piratas?
Antônio José do Nascimento Fernandes, mestre em Química pela Universidade Federal do Amazonas e conselheiro-secretário do Instituto Amazônia Livre, pensa diferente. O Instituto mantém um projeto com a Celestial Green de “monitoramento e levantamento dos dados das florestas, das comunidades, do que pode ser desmatado daqui a 20, 30 anos”.

Para ele, que trabalha com a empresa há cerca de um ano, o contrato assinado com os Munduruku não limita o uso da terra pelos índios: “A única coisa que fala no contrato é que eles [os índios] devem preservar os recursos e que todo uso deve ser informado”.
E como isso será informado? Segundo Antônio, o plano é elaborar um conselho formado “pelas instituições financeiras, pelos representantes indígenas e pela Instituição Amazônia Livre”, para deliberar sobre isso.  “Não é de cima para baixo. É um projeto de igual pra igual. É uma troca mútua, porque eles consomem, mas sabem que [os recursos] podem acabar”.

A Celestial Green não é exatamente uma empresa transparente. O site da empresa, que está em construção há alguns meses, não traz mais do que uma descrição genérica, embora declare que há três anos a empresa vem negociando com prefeituras, proprietários de terra e tribos indígenas da Amazônia.

Os objetivos declarados dos projetos da Celestial, comandada pelo irlandês Ciaran Kelly, são: “alcançar lucratividade para todos os investidores”, “proteger áreas da floresta em risco dos efeitos devastadores da extração ilegal de madeira, mineração ilegal e queimadas”, “proteger a biodiversidade presente nessas áreas e conduzir atividades importantes de coleta de dados”, além de “fornecer empregos, educação e cuidado médico básico para os habitantes das áreas dos projetos”.

Segundo o site, os projetos estão em negociação com investidores no Panamá, Ásia, Vietnã, Malásia, Coreia do Sul e China. A parte que promete ao visitante “descubra mais sobre nossos projetos” está em construção. Não há mais detalhes.

Em 27 de junho de 2011, a empresa anunciou vagamente ter “aumentado a sua base de contratos na Amazônia brasileira”. “A Celestial Green Ventures PLC aumentou o tamanho de sua base de terras contratadas em 1.203.226 de hectares (um aumento de 6,5%) com a assinatura de 5 novos contratos garantindo à empresa a produção de qualquer tipo de carbono nestas terras pelos próximos 30 anos”.
Segundo o release, a empresa se listou na bolsa Deutsche Boerse, em Frankfurt, com a missão de dobrar a área contratada para 40 milhões de hectares (duas Suíças, duas Áustrias).

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, a companhia anunciou pelo seu twitternovos contratos com as prefeituras de São Gabriel da Cachoeira, Boca do Acre e Apuí, no Amazonas, totalizando 11 milhões de hectares cujo carbono também ficará à sua disposição.

O projeto "Borba"
A empresa tem um caso que é apresentado como bem-sucedido: o chamado “projeto Borba”. O projeto, acordado com o prefeito de Borba, município de 20 mil habitantes no sul do Amazonas em 2010, não teve até hoje os créditos validados – uma empresa escocesa, a Ecometrica, está ainda desenvolvendo uma metodologia para medir e validar os créditos gerados, ou o tanto de carbono que não será jogado no ar pela proteção das áreas. “Um comunicado oficial será emitido na hora certa”, limita-se a dizer a empresa.

Segundo um release que foi apagado do site, o projeto Borba consistiu na assinatura de um contrato com a prefeitura do município, intermediado pela ONG FEAMA – Fundação Ecológica de Amazônia – ONG capitaneada pelo brasileiro Romeu Cordeiro da Silva. A FEAMA não tem site na internet, nem telefone de contato.

O acordo dava direitos a créditos de uma área de 1.333.578 hectares, cerca de 1/3 do município. Procurados pela Pública, nem o secretário de administração da prefeitura, Ricardo José Sá de Souza, nem o secretário de Meio Ambiente sabiam do acordo.

Finalmente a Pública conseguiu conversar com o prefeito Antonio José Muniz Cavalcante, que não explicou por que seus secretários não foram informados do caso.
“A Celestial Green apareceu, falou com a associação de municípios. Como temos uma reserva municipal, fizemos um contrato que dá direito de eles negociarem o carbono nesta área. Vieram no município, fizeram um projeto e coletaram bastante material. Mas não tivemos benefícios. Esse contrato já está até quebrado, porque o prazo deve estar vencido. E como não tivemos retorno, pelo menos no que propuseram a nos pagar, nada foi desembolsado”.

Apesar dos créditos de Borba não terem sido validados – e, aparentemente à revelia da prefeitura – a Industry RE, companhia britânica de investimentos anunciou em 7 de junho de 2011 a compra de 1 milhão desses créditos para serem revendidos a outras empresas. A empresa afirma, numa brochura, que vai cobrar 10 libras por cada crédito de carbono.

A Industry RE fornece créditos de carbono para o grupo Guardian Media Group, que detém o jornal britânico Guardian. Além disso, mantém o simpático site My Tree Frog, no qual cada pessoa pode comprar créditos de carbono de onde quiser, “anulando” assim as suas próprias pegadas ecológicas.

Segundo o diretor Ian Hamilton afirmou no início de março ao site econômico Point Carbon News, os créditos de Borba seriam usados para aliviar as emissões de uma subsidiária da Coca-cola no Oriente Médio e uma unidade da gigante eletrônica japonesa Canon.

Uma brochura da IndustryRE que tenta vender esses créditos de Borba afirma que a Celestial Green tem acesso a uma área de 18.192.193 de hectares por 30 anos, incluindo acordo com diversas prefeituras no estado do Amazonas. Os maiores terrenos estão no estado do Amazonas: 2.954.902 hectares em Barcelos, 1.066.862 hectares em Caruari; 1.761.189 hectares em Manicoré, e 1.440.585 hectares em Canutama – além de Borba, claro.

Segundo o documento, os projetos da Industry RE não focam apenas os créditos de carbono, mas pretendem “expandir os parâmetros” para incluir o desenvolvimento de energia e água limpa, reflorestamento, manejo sustentável de florestas e conservação.

Além disso, a Celestial Green possui 10 mil hectares em Rondônia, terra adquirida do Capital First Merchant Bank Ltda. Mas isso é outra história.

De vinis e ouro à sonhada preservação do meio ambiente
O “projeto Rondônia” é o mais antigo da Celestial Green Ventures, aliás Celestial Green Investments (CGI), uma empresa de investimentos sediada em Kent, na Inglaterra, que tem como CEO o mesmo irlandês Ciaran Kelly.

O projeto baseia-se em uma área de 10 mil hectares em Rondônia e foi detalhadamente descrito em um documento – registrado junto ao Security and Exchange Comission, comissão financeira dos Estados Unidos – de compra de ações da CGI pela empresa de investimento Apollo Capital, com sede em Miami – da qual Ciaran Kelly era um dos diretores.

Antes de investir em negócios sustentáveis, a Apollo Capital chegou a prensar vinis e copiar CDs e DVDs. No seu site registra investimentos milionários em bonds do banco central da Venezuela, da Petrobras e também em exploração de quartzo na Bahia.

Essa área em Rondônia, localizada no município de Machadinho d’Oeste, é adjacente à terra indígena dos Cinta Larga e foi comprada pela Apollo Capital da empresa brasileira Capital First Merchant Bank Ltda junto com a concessão para exploração de ouro e diamantes, fato celebrado em seu site.

Meses depois, Apollo e Celestial Green mudaram de idéia: decidiram não fazer a mineração da área e vender os créditos de carbono não emitido por não ter explorado o local. 
“A Celestial Green acredita que o desenvolvimento de operações de mineração teriam um impacto ecológico catastrófico”, diz o documento de registro. Créditos de carbono do “projeto Rondônia” estão disponíveis para os usuários do site Tree Frog. Quem quiser aliviar sua pegada ecológica, é só clicar.

"Our people"
Nem mesmo a equipe que compõe a empresa consta do site da Celestial Green. Quando a Pública começou a investigar a CG, a empresa listava 29 pessoas como sua equipe, incluindo diversos brasileiros. Dois dias depois, a lista sumiu.

A Pública tentou entrar em contato com alguns desses supostos funcionários. Na tarde de quinta-feira, conversou com o professor Eder Zanetti, doutorando em manejo florestal pela UFPR, um consultor experiente em projetos de crédito de carbono. Eder foi responsável pela área de mudanças climáticas globais e serviços ambientais das florestas no Centro Nacional de Pesquisas Florestais da Embrapa.

Ao celular, perguntado sobre suas relações com a empresa irlandesa, ele se mostrou surpreso: “Não tenho conhecimento, não. Nunca vi nem falar esse nome [Celestial Green]”. Segundo ele, a sua consultoria foi procurada por “diversas empresas internacionais querendo fazer negócio com terra indígena aqui no Brasil”. A procura, nos últimos dois anos, tem aumentado. “Mas não estou fazendo consultoria para nenhum projeto no momento”.

Mais tarde, por email, Zanetti confirmou: “De fato não consegui entender a natureza do meu envolvimento com a referida empresa. Eu não saberia dizer nem se ela é séria ou não, porque não consegui navegar no site para ver quem são os proprietários. Definitivamente não sou funcionário deles”.

Outro brasileiro listado no site explicou que atua como consultor em um projeto da CG. Vivaldo Campbell de Araújo foi delegado do IBDF – atual Ibama – de 1971 a 1978. Ele conta que não sabia que seu nome estava no site, mas havia pedido reserva. Não queria ser listado como membro da empresa. “Porque você sabe, tem muita especulação”.
Segundo ele, faz cerca de oito meses que ele é consultor de um projeto de manejo sustentável que pretende “mostrar as alternativas de manter o carbono, mas alterar as florestas pelas espécies mais valiosas”.

Contrato questionado
A Pública procurou repetidamente a Celestial Green. Por telefone, a funcionária Paula Cofré, brasileira nascida no Chile, explicou que o CEO Ciaran Kelly não dá entrevistas pelo telefone – apenas por email. Formada em jornalismo pela PUC do Paraná, Paula trabalha há cerca de 6 meses na empresa. Foi contratada inicialmente como secretária e hoje é “administradora sênior e assistente pessoal do CEO”. Segundo ela, o representante português João Borges não costuma dar entrevistas.

Paula confirmou a assinatura do contrato entre a Celestial Green e os Mundukuru e disse que a empresa não conta com um escritório no Brasil. “Temos pessoas trabalhando em Manaus, mas ainda não abriram (um escritório)”. A Pública enviou a minuta de contrato obtida pelo CIMI, pedindo que a empresa confirmasse se havia alguma diferença quanto ao contrato assinado. “Eu sei que eles não costumam dar detalhes sobre os contratos, tipo valor, essas coisas”, explicou Paula.

Finalmente o CEO respondeu – sem responder: “Podemos afirmar categoricamente que os contratos da CGV PLC têm sempre o cabeçalho com os detalhes da empresa, são assinados em cada página por um representante da empresa, são autenticados e também contêm um carimbo da companhia”.

Pouco depois, Antônio José do Nascimento Fernandes, do Instituto Amazônia Livre, uma ONG que trabalha com a Celestial Green em alguns projetos, ligou para a Pública e leu o anexo 1 do contrato, confirmando que se trata do mesmo texto – inclusive reafirmando os valores acordados.

Na sua entrevista em papel timbrado, Ciaran afirmou que “a Celestial Green Ventures não pode divulgar nenhum acordo financeiro que tenha sido feito com nossos parceiros”. Mas prometeu: “no final de julho de 2012, nosso primeiro ano completo de finanças será apresentado”.

A Pública vai esperar pra ver.
(Por Natalia Viana, Ana Aranha, Jessica Mota e Carlos Arthur França, A Pública, 09/03/2012)
http://ambienteja.info/ver_cliente.asp?id=175458 

13 de mar. de 2012

Relatório da ONU alerta para o impacto da mudança climática na oferta de água e propõe abordagem holística

Planeta Sustentável - 12/03/2012 às 21:00











O destaque do primeiro dia do 6º Fórum Mundial da Água, que acontece em Marselha, foi a apresentação do 4º Relatório do Programa de Avaliação Mundial da Água (WWAP), da ONU. Intitulado “Gerir a Água em Condições de Incerteza e de Risco”, o estudo é uma referência fundamental na elaboração de políticas hídricas, pois é a única avaliação da situação da água em nível planetário. Elaborado por 29 agências da ONU capitaneadas pela UNESCO, com a colaboração de mais de 200 parceiros (ONGs e entidades privadas), o relatório traz um balanço e indica caminhos para as soluções ao problema da escassez da água.
Além do contínuo crescimento da demanda por este recurso vital, o documento destaca o impacto da mudança climática no problema da água. Secas consecutivas, inundações, furacões e o aquecimento global são quatro aspectos-chave da mudança climática que têm impacto na questão da água. Os regimes hidrológicos mudaram profundamente nas últimas décadas e por isso o passado não serve mais como ferramenta para prever o futuro.
“É fundamental, portanto, desenvolver resiliência em relação à mudança climática, intensificando os estudos sobre o tema e compartilhando suas conclusões com todos os países”, afirmou Michel Jarraud, presidente da ONU-Água, durante a apresentação do relatório.
Limitada, fragmentada e previsível, a atual maneira de gerir a água é um fracasso – aponta o documento. Por isso, grande parte do relatório trata do processo decisório em condições de incerteza crescente, mostrando que governantes, empresários e líderes da sociedade civil deverão tomar decisões fundamentadas nos conhecimentos adquiridos a partir de análises sistemáticas de indicadores, cenários futuros e outros métodos similares.
A gravidade da situação impõe, segundo o estudo, uma abordagem holística, com a ação concertada dos governos nacionais reconhecendo a importância das externalidades e do papel que desempenham na qualidade, na utilização e na gestão dos recursos hídricos do planeta.

Palestras sobre Literatura e Educação indígena serão ministradas em Aquidauana


Dando continuidade as ações do Projeto Vucapanavó, nesta semana Aquidauana recebe as palestras da Professora Doutora Circe Bittencourt e do escritor e doutor Daniel Munduruku. As palestras acontecem no dia 15 de março as 19h na Universidade Católica Dom Bosco e é destinada á educadores, pesquisadores e interessados no tema.
Daniel Munduruku é hoje o maior nome da literatura indígena com mais de 40 obras publicadas. Em sua palestra ele falará um pouco sobre a importância da produção literária escrita por indígenas em todo o país. Já Circe Bittencourt é professora aposentada da USP e atualmente leciona na Pontifica Universidade Católica de São Paulo, onde coordena o Projeto Momentos e lugares da Educação Indígena, vinculado ao Observatório da Educação Indígena do MEC. Bittencourt é referência quando se fala em materiais didáticos e história da Educação. Ambos vem até Aquidauana para ampliar os horizontes no contexto da educação, seja a indígena ou a não indígena.
 O Projeto Vucapanavó é patrocinado pelo Petrobras Cultural,  Ministério da Cultura através da Lei Rouanet e conta com apoio da Prefeitura Municipal de Aquidauana, através da Gerência de Educação. Na primeira etapa, o projeto realizou as oficinas de Fotografia e Vídeo para professores de língua e arte Terena. Participaram 30 professores das cinco escolas indígenas municipais, que tiveram como produto final, vídeos e fotos relacionados a cultura e o cotidiano do Povo Terena. Cada grupo de professores escolheu um tema pertinente a sua área de atuação e que possam localizar estudantes e pesquisadores acerca da cultura Terena. Foram eles: Ervas medicinais, Tecnologias nas comunidades Terena, Residências Terena, Oficinas de Fotografia e Vídeo e Artesanados produzidos pelos Terena hoje. Após finalizados, esses materiais serão expostos na cidade de Aquidauana.

Informações: (65) 8418-0343

Senadores defendem criação de Secretaria Nacional dos Povos Indígenas

Comentário DM: Esta tem sido uma reivindicação antiga dos Povos Indígenas brasileiros. Está na hora de o Brasil - com B maiúsculo - assumir de uma vez por todas seu caráter pluriétnico e isso passa pelo tratamento igualitário, democrático e específico de sua população nativa. O desafio de criar algo desse porte enfrentará muitas forças contrárias. Afinal, a defesa do patrimônio cultural, ambiental e social brasileiro é algo que não interessa aos grandes financiadores das milionárias campanhas eleitorais.

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12/03/12, 11:09
O
Brasil precisa de uma Secretaria Nacional dos Povos Indígenas, com status de ministério e sustentação política capaz de unificar as ações públicas direcionadas a esse segmento da população brasileira. A posição foi defendida pelos senadores Vicentinho Alves (PR-TO) e Paulo Paim (PT-RS), em debate realizado nesta segunda-feira (12) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Na audiência pública, que discutiu as causas de suicídios de índios Carajás, no Tocantins, Vicentinho Alves lembrou conquistas das secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e de Políticas para as Mulheres e defendeu órgão semelhante para as comunidades indígenas.
– O Brasil avançou e precisamos avançar nas políticas públicas para povos indígenas. É preciso reorganizar o modelo atual e criar uma secretaria diretamente ligada à Presidência da República, com um líder indígena à frente – disse o senador por Tocantins.
Paim se associou ao colega na defesa da nova pasta e concordou que o futuro secretário seja escolhido pelas lideranças indígenas.
A criação da Secretaria Nacional dos Povos Indígenas foi defendida por Marcos Terena, membro da Cátedra Indígena InternacionalPara ele, o trabalho hoje centralizado na Fundação Nacional do Índio (Funai) teria maior força e efetividade se fosse coordenado por uma secretaria com status ministerial.
Esporte
Outra proposta defendida na audiência pública foi a implementação, nas aldeias Carajás da Ilha do Bananal, de projeto do Ministério do Esporte que prevê a inclusão social por meio da promoção de atividades esportivas. Preocupado com os sucessivos suicídios ocorridos entre jovens índios no Tocantins, Marcos Terena se dispôs a buscar apoio do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para que o projeto chegue aos Carajás ainda neste ano.
No encerramento dos debates, Vicentinho Alves apelou ao governo federal por apoio na busca de soluções urgentes para pôr fim às tragédias que vitimam jovens indígenas, não apenas no Tocantins, mas em todo o país. Ele se somou a Paulo Paim para anunciar a apresentação de emendas parlamentares ao Orçamento da União com o propósito de financiar ações que ampliem as oportunidades nas aldeias.
Fonte: JL/Agência Senado

10 de mar. de 2012

Empresa irlandesa compra direitos sobre terra indígena à revelia da FUNAI

 Contrato teria sido assinado contra a vontade da maioria da população Munduruku

 O vídeo promocional da empresa Celestial Green Ventures – “verde celestial”, em português” – traz imagens de uma reunião em uma localidade não identificada, na Amazônia. Em meio a fotos, com fundo musical, o irlandês Ciaran Kelly, CEO, explica: “Nós sentamos com a comunidade local, há uma discussão muito aberta, dizemos o que temos que fazer, quais são as suas responsabilidades e as nossas. Se concordamos, prosseguimos”.
O português João Borges de Andrade, chefe de operações no Brasil, aparece em fotos rodeado pela população local. “Eu gosto do contato com essas pessoas, elas são muito gentis e muito amigáveis. É emocionante”.
Agência Pública

Reunião entre representantes da Celestial Green Ventures com a população local
A Celestial Green atua em um novo setor que se fortalece nos recônditos da Amazônia brasileira: a venda de créditos de carbono com base em desmatamento evitado, focado nas florestas. Por estes créditos, a empresa tem procurado indígenas de diversas etnias e teria assinado contratos com os Parintintin, do Amazonas, e Karipuna do Amapá, segundo as suas páginas no Twitter e Facebook.
No dia 22 de setembro do ano passado, o mesmo João Borges, da Celestial Green, foi a uma reunião a respeito de um contrato de crédito de carbono com os índios Munduruku, na Câmara Municipal de Jareacanga, no Pará. Assim que ficou sabendo, a missionária Izeldeti Almeida da Silva, que trabalha há dois anos com os Munduruku, correu para lá: “Fui pega de surpresa. Depois falei com um dos líderes e ele disse que fazia tempo que estavam negociando com um grupo pequeno de lideranças”.
Quando chegou à sala de reunião, diz a freira, o espaço estava cheio. Estavam todos lá: caciques, cacicas, mulheres e crianças. Muitos vestidos para guerra: pintados, com arcos e roupas tradicionais. A reunião foi fotografada pelos dois lados. “Os guerreiros e as guerreiras estavam muito brabos com o pessoal que foram falar lá em cima”, lembra o cacique Osmarino. “As guerreiras quase bateram neles”.
Segundo Izeldeti, o representante da empresa mal conseguiu falar. “Eles gritavam em voz forte que estavam cansados de ser enganados. Disseram: ‘nós sabemos cuidar da floresta, não precisa de ajuda’. As mulheres guerreiras ficaram na fila e cada uma foi falando em Munduruku. Meteram a flecha perto do coração, passavam no pescoço. O representante da empresa disse que não entendia a língua, mas que não tava gostando porque era sinal de ameaça”. O contrato, no entanto, acabou sendo assinado naquele mesmo dia – tanto a empresa quanto os indígenas confirmam.
De acordo com Izeldeti e Osmarino, porém, o contrato foi assinado contra a vontade da maioria da população Munduruku.
Os donos do carbono
Totalmente desconhecida no Brasil, a Celestial Green, sediada em Dublin, se declara proprietária dos direitos aos créditos de carbono de 20 milhões de hectares na Amazônia brasileira – o que equivale aos territórios da Suíça e da Áustria somados. Juntos, os 17 projetos da empresa na região teriam potencial para gerar mais de 6 bilhões de toneladas de créditos de carbono, segundo a própria empresa.
Os créditos por desmatamento evitado, ou REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), não são “oficiais”, ou seja, não podem ser vendidos nos mercados regulamentados pelo protocolo de Kyoto. Este protocolo só aceita, por exemplo, a venda de créditos por uma empresa de um país pobre que troque sua tecnologia por uma menos poluente; os créditos que ela deixará de emitir podem ser vendidos. No caso das florestas, não há um mecanismo oficial que permita isso.
Por isso, os créditos de carbono referentes a florestas são negociados em um mercado voluntário, que não é regulado; empresas como a Landrover, o HSBC, a Google e a DuPont compram esses créditos para sinalizar que estão fazendo algo de bom pelo meio ambiente. O mercado é muito menor do que aquele resultante de projetos previstos por Kyoto: em 2010, o valor negociado foi de cerca de 400 milhões de dólares contra 140 bilhões de dólares do mercado “oficial”.
Na esteira da corrida pelo invisível – créditos de carbono que deixariam de ser emitido por desmatamento – a irlandesa Celestial Green se adiantou: realizou diversas negociações rápidas e à margem de qualquer órgão federal. A empresa promete avaliar o potencial de créditos de carbono depois; mas já garante sua posse sobre eles, por contrato, e o acesso às terras para avaliação.
Agência Pública

Comunidade indígena durante a reunião com representantes da empresa
Os Munduruku
A primeira proposta aos Munduruku foi feita em junho do ano passado. Segundo relatos dos indígenas, a oferta dividiu o grupo. A Celestial Green oferecia 4 milhões de dólares por ano, ao longo de 30 anos, pelos créditos de carbono dos 2,3 milhões de hectares da terra indígena. Em troca, teria todos os direitos sobre os créditos de carbono e mais “outros certificados e benefícios” a serem obtidos “com a biodiversidade”.
“Primeiro, ele [representante da Celestial Green] falou que o projeto é para defender os povos indígenas. Disse que não podia mais mexer na terra, nem branco nem indígena. Quando ouvi essa conversa, era bom”, conta Osmarino Manhoari Munduruku, cacique de uma das 111 aldeias onde vivem mais de 6 mil Munduruku. “Depois, ele mandou o papel para associação. Nós vimos que, onde esse projeto tá, não pode fazer roça, nem caçar, nem pescar. Hoje estamos acostumados de plantar mandioca, batata, cana, batata doce, banana. A gente pesca, caça, tira madeira quando precisa. Mas eles dizem que não podia mais, eles mesmos iam dar o dinheiro para comprar os alimentos. E os indígenas não pode mais fazer nada, nada, nada. Aí a maioria achou que não é certo”.
A Pública teve acesso a uma proposta inicial enviada por lideranças indígenas ao CIMI, Conselho Indigenista Missionário, depois das primeiras gestões da empresa. O documento revela claramente as linhas gerais buscadas pela empresa no acordo.
“Este contrato concede à empresa o direito de realizar todas as análises e estudos técnicos, incluindo acesso sem restrições a toda a área, aos seus agentes e representantes”, diz o documento. Se as áreas negociadas não se adequassem à captação de carbono, o contrato seria invalidado. De qualquer maneira, a empresa teria assegurado o direito de fazer um levantamento detalhado de toda a área dos Munduruku.
O contrato vetava qualquer modificação no ambiente: “O proprietário compromete-se a não efetuar quaisquer obras na área do contrato, ou outra atividade que venha a alterar a qualidade de carbono captado ou que contribua de alguma forma para afetar negativamente a imagem da empresa ou do projeto”.
Além disso, os Munduruku deixariam de receber o pagamento caso não submetessem suas atividades ao crivo da Celestial Green: “O proprietário compromete-se a manter a propriedade em conformidade com as metodologias estabelecidas pela empresa”. O valor, contido num anexo, chama a atenção: 4 milhões de dólares por ano, chegando a um valor total de 120 milhões de dólares.
Segundo especialistas consultados pela reportagem, dificilmente um contrato assim teria validade legal. Primeiro, porque parte de princípios jurídicos errados. O texto analisado se refere aos Mundurukus como “proprietários”, quando as terras indígenas pertencem à União. Depois, porque viola princípios de exclusividade de uso dada aos indígenas em terra homologada. “É totalmente ilegal. A empresa se coloca como dona dos recursos naturais e se atribui o direito de entrar quando bem entender para fiscalizar. Em algumas cláusulas, ela quer fazer o papel do Estado”, afirma João Camerini, advogado da ONG Terra de Direitos.
Para o antropólogo Miguel Aparicio, coordenador do Programa Operação Amazônia Nativa, o caso dos Munduruku deve servir de alerta para o governo. “É uma manifestação aberta da postura dos ‘biopiratas do carbono’. As cláusulas ignoram o direito indígena de usufruto exclusivo sobre suas terras, reconhecido pela Constituição Federal. O contrato proposto merece a intervenção urgente do poder público brasileiro”.
Como o mercado de crédito de carbono é novo, o governo brasileiro ainda não criou parâmetros para regular essas negociações. Mas, dada a urgência da questão, 15 entidades e movimentos ligados às populações indígenas elaboraram uma carta de Princípios e Critérios Socioambientais de REDD. Alguns desses princípios são a participação de toda a população afetada no processo de decisão e a transparência sobre os detalhes do contrato e do mercado em que estão entrando.
O caso dos Munduruku foi denunciado em setembro no ano passado no blog da ativista ambiental Telma Monteiro.  O procurador Cláudio Henrique Dias, do Ministério Público Federal de Santarém, abriu um procedimento administrativo para investigar o caso. Ele pediu a cópia do contrato à Associação Pussuru, que representa os Munduruku, e acionou a Funai.
A FUNAI não quis se pronunciar nessa reportagem mas prometeu uma entrevista com o presidente Márcio Meira para a semana que vem.
Agência Pública

Na reunião de setembro de 2011, a comunidade indígena se manifestou contra o acordo
Corretores de carbono, xeretas, piratas?
Antônio José do Nascimento Fernandes, mestre em Química pela Universidade Federal do Amazonas e conselheiro-secretário do Instituto Amazônia Livre, pensa diferente. O Instituto mantém um projeto com a Celestial Green de “monitoramento e levantamento dos dados das florestas, das comunidades, do que pode ser desmatado daqui a 20, 30 anos”.
Para ele, que trabalha com a empresa há cerca de um ano, o contrato assinado com os Munduruku não limita o uso da terra pelos índios: “A única coisa que fala no contrato é que eles [os índios] devem preservar os recursos e que todo uso deve ser informado”. E como isso será informado? Segundo Antônio, o plano é elaborar um conselho formado “pelas instituições financeiras, pelos representantes indígenas e pela Instituição Amazônia Livre”, para deliberar sobre isso.  “Não é de cima para baixo. É um projeto de igual pra igual. É uma troca mútua, porque eles consomem, mas sabem que [os recursos] podem acabar”.
A Celestial Green não é exatamente uma empresa transparente. O site da empresa, que está em construção há alguns meses, não traz mais do que uma descrição genérica, embora declare que há três anos a empresa vem negociando com prefeituras, proprietários de terra e tribos indígenas da Amazônia.
Os objetivos declarados dos projetos da Celestial, comandada pelo irlandês Ciaran Kelly, são: “alcançar lucratividade para todos os investidores”, “proteger áreas da floresta em risco dos efeitos devastadores da extração ilegal de madeira, mineração ilegal e queimadas”, “proteger a biodiversidade presente nessas áreas e conduzir atividades importantes de coleta de dados”, além de “fornecer empregos, educação e cuidado médico básico para os habitantes das áreas dos projetos”.
Segundo o site, os projetos estão em negociação com investidores no Panama, Ásia, Vietnã, Malásia, Coreia do Sul e China.
A parte que promete ao visitante “descubra mais sobre nossos projetos” está em construção. Não há mais detalhes.
Em 27 de junho de 2011, a empresa anunciou vagamente ter “aumentado a sua base de contratos na Amazônia brasileira”. “A Celestial Green Ventures PLC aumentou o tamanho de sua base de terras contratadas em 1.203.226 de hectares (um aumento de 6,5%) com a assinatura de 5 novos contratos garantindo à empresa a produção de qualquer tipo de carbono nestas terras pelos próximos 30 anos”. Segundo o release, a empresa se listou na bolsa Deutsche Boerse, em Frankfurt, com a missão de dobrar a área contratada para 40 milhões de hectares (duas Suíças, duas Áustrias).
Mais recentemente, em fevereiro deste ano, a companhia anunciou pelo seu twitter novos contratos com as prefeituras de São Gabriel da Cachoeira, Boca do Acre e Apuí, no Amazonas, totalizando 11 milhões de hectares cujo carbono também ficará à sua disposição.
Agência Pública

Fotos divulgadas pela empresa mostram "bom relacionamento" entre as partes envolvidas
O projeto “Borba”
A empresa tem um caso que é apresentado como bem-sucedido: o chamado “projeto Borba”. O projeto, acordado com o prefeito de Borba, município de 20 mil habitantes no sul do Amazonas em 2010, não teve até hoje os créditos validados – uma empresa escocesa, a Ecometrica, está ainda desenvolvendo uma metodologia para medir e validar os créditos gerados, ou o tanto de carbono que não será jogado no ar pela proteção das áreas. “Um comunicado oficial será emitido na hora certa”, limita-se a dizer a empresa.
Segundo um release que foi apagado do site, o projeto Borba consistiu na assinatura de um contrato com a prefeitura do município, intermediado pela ONG FEAMA – Fundação Ecológica de Amazônia – ONG capitaneada pelo brasileiro Romeu Cordeiro da Silva. A FEAMA não tem site na internet, nem telefone de contato.
O acordo dava direitos a créditos de uma área de 1.333.578 hectares, cerca de 1/3 do município.
Procurados pela Pública, nem o secretário de administração da prefeitura, Ricardo José Sá de Souza, nem o secretário de Meio Ambiente sabiam do acordo. Finalmente a Pública conseguiu converser com o prefeito Antonio José Muniz Cavalcante, que não explicou por que seus secretários não foram informados do caso. “A Celestial Green apareceu, falou com a associação de municípios. Como temos uma reserva municipal, fizemos um contrato que dá direito de eles negociarem o carbono nesta área. Vieram no município, fizeram um projeto e coletaram bastante material. Mas não tivemos benefícios. Esse contrato já está até quebrado, porque o prazo deve estar vencido. E como não tivemos retorno, pelo menos no que propuseram a nos pagar, nada foi desembolsado”.
Apesar dos créditos de Borba não terem sido validados – e, aparentemente à revelia da prefeitura – a Industry RE, companhia britânica de investimentos anunciou em 7 de junho de 2001 a compra de 1 milhão desses créditos para serem revendidos a outras empresas. O valor não foi informado.
A Industry RE fornece créditos de carbono para o grupo Guardian Media Group, que detém o jornal britânico Guardian. Além disso, mantém o simpático site My Tree Frog, no qual cada pessoa pode comprar créditos de carbono de onde quiser, “anulando” assim as suas próprias pegadas ecológicas.
Segundo o diretor Ian Hamilton afirmou no início de março ao site econômico Point Carbon News, os créditos de Borba seriam usados para aliviar as emissões de uma subsidiária da Coca-cola no Oriente Médio e uma unidade da gigante eltrônica japonesa Canon.
Uma brochura da IndustryRE que tenta vender esses créditos de Borba afirma que a Celestial Green tem acesso a uma área de 18.192.193 de hectares por 30 anos, incluindo acordo com diversas prefeituras no estado do Amazonas. Os maiores terrenos estão no estado do Amazonas: 2.954.902 hectares em Barcelos, 1.066.862 hectares em Caruari; 1.761.189 hectares em Manicoré, e 1.440.585 hectares em Canutama – além de Borba, claro.
Segundo o documento, os projetos da Industry RE não focam apenas os créditos de carbono, mas pretendem “expandir os parâmetros” para incluir o desenvolvimento de energia e água limpa, reflorestamento, manejo sustentável de florestas e conservação.
Além disso, a Celestial Green possui 10 mil hectares em Rondônia, terra adquirida do Capital First Merchant Bank Ltda. Mas isso é outra história.De vinis e ouro à sonhada preservação do meio ambiente.
O “projeto Rondônia” é o mais antigo da Celestial Green Ventures, aliás Celestial Green Investments (CGI), uma empresa de investimentos sediada em Kent que tem como CEO o mesmo irlandês Ciaran Kelly.
O projeto baseia-se em uma área de 10 mil hectares em Rondônia e foi detalhadamente descrito em um documento – registrado junto a US Security and Exchange Comission – de compra de ações da CGI pela empresa de investimento Apollo Capital, com sede em Miami – da qual Ciaran Kelly era um dos diretores. Antes de investir em negócios sustentáveis, a Apollo Capital chegou a prensar vinis e copiar CDs e DVDs e registra investimentos milionários em bonds do banco central da Venezuela, da Petrobras e também em exploração de quartzo na Bahia.
Essa área em Rondônia, localizada no município de Machadinho d’Oeste, é adjacente à terra indígena dos Cinta Larga e foi comprada pela Apollo Capital (site) da empresa brasileira Capital First Merchant Bank Ltda junto com a concessão para exploração de ouro e diamantes, fato celebrado em seu site.
Meses depois, Apollo e Celestial Green mudaram idéia: decidiram não fazer a mineração da área e vender os créditos por não ter explorado o local.  “A Celestial Green acredita que o desenvolvimento de operações de mineração teriam um impacto ecológico catastrófico”, diz o documento de registro. O projeto Rondônia está disponível para os usuários do site Tree Frog. Quem quiser aliviar sua pegada ecológica, é só clicar.
“Our people”
Nem mesmo a equipe que compõe a empresa consta do site da Celestial Green. Quando a Pública começou a investigar a CG, a empresa listava 29 pessoas como sua equipe, incluindo diversos brasileiros. Dois dias depois, a lista sumiu.
A Pública tentou entrar em contato com alguns desses supostos funcionários. Na tarde de quinta-feira, conversou com o professor Eder Zanetti, doutorando em manejo florestal pela UFPR, um consultor experiente em projetos de crédito de carbono, Eder foi responsável pela área de mudanças climáticas globais e serviços ambientais das florestas no Centro Nacional de Pesquisas Florestais da Embrapa.
Ao celular, perguntado sobre suas relações com a empresa irlandesa, ele se mostrou surpreso: “Não tenho conhecimento, não. Nunca vi nem falar esse nome [Celestial Green]”. Segundo ele, a sua consultoria foi procurada por “diversas empresas internacionais querendo fazer negócio com terra indígena aqui no Brasil”. A procura, nos últimos dois anos, tem aumentado. “Mas não estou fazendo consultoria para nenhum projeto no momento”.
Mais tarde, por email, Zanetti confirmou: “De fato não consegui entender a natureza do meu envolvimento com a referida empresa. Eu não saberia dizer nem se ela é séria ou não, porque não consegui navegar no site para ver quem são os proprietários. Definitivamente não sou funcionário deles”.
Outro brasileiro listado no site explicou que atua como consultor em um projeto da CG. Vivaldo Campbell de Araújo foi delegado do IBDF – atual Ibama – de 1971 a 1978. Ele conta que não sabia que seu nome estava no site, mas havia pedido reserva. Não queria ser listado como membro da empresa. “Porque você sabe, tem muita especulação”. Segundo ele, faz cerca de oito meses que ele é consultor de um projeto de manejo sustentável que pretende “mostrar as alternativas de manter o carbono, mas alterar as florestas pelas espécies mais valiosas”.
Contrato questionado
Por telefone, Paula Cofré, brasileira nascida no Chile, explicou que o CEO Ciaranm Kelly não dá entrevistas pelo telefone – apenas por email. Formada em jornalismo pela PUC do Paraná, Paula trabalha há cerca de 6 meses na empresa. Foi contratada inicialmente como secretária e hoje é “administradora sênior e assistente pessoal do CEO”. Segundo ela, o representante português João Borges não costuma dar entrevistas.
Paula confirmou a assinatura do contrato entre a Celestial Green e os Mundukuru e disse que a empresa não conta com um escritório no Brasil. “Temos pessoas trabalhando em Manaus, mas ainda não abriram (um escritório)”. A Pública enviou a minuta de contrato obtida pelo CIMI, pedindo que a empresa confirmasse se havia alguma diferença quanto ao contrato assinado. “Eu sei que eles não costumam dar detalhes sobre os contratos, tipo valor, essas coisas”, explicou Paula.Finalmente o CEO respondeu – sem responder: “Podemos afirmar categoricamente que os contratos da CGV PLC têm sempre o cabeçalho com os detalhes da empresa, são assinados em cada página por um representante da empresa, são autenticados e também contêm um carimbo da companhia”. Pouco depois, o funcionário Antônio José do nascimento Fernandes ligou para a Pública e leu o anexo 1 do contrato, confirmando que se trata do mesmo texto – e confimando, inclusive os valores acordados.
Na sua entrevista em papel timbrado, Ciaran afirmou que “a Celestial Green Ventures não pode divulgar nenhum acordo financeiro que tenha sido feito com nossos parceiros”. Mas prometeu: “no final de julho de 2012, nosso primeiro ano completo de finanças será apresentado”. A Pública vai esperar pra ver.
*Reportagem publicada originalmente na Agência Pública.

9 de mar. de 2012

Mortes de indígenas corresponde a 25% dos homicídios em Dourados

Maryuska Pavão



Manifestantes levaram faixas com nomes de vítimas da violência - Eliel Oliveira/Diário MS


Aconteceu na manhã desta sexta-feira uma passeata organizada por lideranças indígenas das aldeias de Dourados, reivindicando por mais segurança, denominada “Passeata pela Paz nas Aldeias”.

De acordo com dados da Polícia Civil neste primeiro trimestres do ano já foram registrados 11 mortes de indígenas, o que corresponde a 25% dos homicídios registrados.

Segundo Emerson Machado, coordenador de comunicação do AJI - Ação dos Jovens Indígenas de Dourados, os indígenas estão reivindicam por iluminação nas aldeias, melhorias na saúde e na educação. “Estamos isolados. A maioria dos indígenas na cidade, são jovens, e eles estão se matando, e nem o Ministério Público e nem o governo estão fazendo nada, estão sendo omissos”, afirmou Emerson.

De acordo com informações do MPF uma assessora do Ministério Público atendeu os indígenas e recebeu as reivindicações deles.

Muitas crianças caracterizadas estiveram na passeata - Foto: Eliel Oliveira/Diário MS

Foto: Eliel Oliveira/Diário MS

Fonte: Diário MS 

Ecad quer cobrar direitos autorais de blogueiros

Blog Caligraffiti recebeu um e-mail de cobrança do Ecad por reproduzir vídeos do Youtube e Vimeo
09/03/2012

Igor Ojeda

Na terça-feira, 28 de fevereiro, os criadores do blog Caligraffiti receberam um e-mail que os deixou surpresos. O remetente era o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão responsável por coletar os pagamentos referentes a direitos autorais e repassá-los aos autores de músicas em todo o país. A mensagem informava aos blogueiros que eles teriam de pagar pelos vídeos do Youtube e Vimeo postados no site.
Blog sobre design, arte, tecnologia e cultura, o Caligraffiti recebe entre 1 mil e 1.500 acessos diários, mas não tem fins comerciais e seus colaboradores não recebem nenhum tipo de salário ou apoio financeiro. Assim mesmo, o Ecad quer cobrar do site R$ 352,59 mensais. Uno de Oliveira, um dos responsáveis pelo conteúdo da página, pediu informações sobre tal cobrança ao próprio Ecad. Recebeu a resposta de que o Caligraffiti havia sido classificado na categoria de webcasting, ou seja, sites que transmitem programas originários da própria internet.
Ainda na semana passada, orientado por um advogado, Uno decidiu tirar o blog do ar enquanto a situação não fosse resolvida. Na sexta-feira, 2 de março, no entanto, o site voltou à ativa com um desabafo do rapaz. No texto, ele explica aos leitores o motivo de o Caligraffiti ter ficado fora do ar e critica as leis brasileiras sobre direitos autorais: “E pasmem, a nossa legislação atual compactua e protege o Ecad a fazer esse tipo de cobrança. Não temos saída, a não ser colocar a boca no mundo e cobrar leis mais flexíveis quando o assunto é internet.”
O Ecad tem a seu favor a Lei de Direitos Autorais (lei 9.610/98), que é objeto de ampla discussão nacional, por conta do conteúdo defasado frente às novas demandas do mundo digital. A legislação obrigaria toda pessoa física ou jurídica que transmite músicas publicamente a efetuar o recolhimento dos direitos autorais junto ao órgão. Na visão do Ecad, o conceito de transmissão estabelecido na lei 9.610/98 incluiria a internet.
Pablo Ortellado, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each-USP), contesta. Segundo ele, o direito do Ecad de defender a execução pública na rede é juridicamente controverso, pois a reprodução artística nesse tipo de meio de comunicação seria sujeita a outro tipo de direito autoral. “Eles tanto sabem que é controverso que cobram um valor relativamente pequeno”, afirma.
Em um post no Twitter, Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons Brasil, classificou a cobrança como ilegal. “Quem faz o streaming é o Youtube e não o blog que incorporou o vídeo. Como se isso não bastasse, a lei brasileira NÃO autoriza o Ecad a fazer cobrança por webcasting. A questão está no judiciário há anos e o Ecad sabe disso. Haja má-fé”, protestou.
Para Ortellado, ainda que o órgão tivesse esse direito, seria controversa a faculdade de enviar cobranças a determinados sites, pois estes estariam incluídos nas exceções estabelecidas pela lei, que lista os casos em que se permite reproduzir uma obrar sem ter que pagar por direitos autorais ou obter autorização do autor. “No ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) interpretou que tais limitações da aplicação da lei, previstas em seu artigo 46, são apenas exemplos. Ou seja, em uma interpretação mais flexível, esses exemplos podem ser expandidos e incluírem sites sem fins lucrativos”, explica o professor da USP.
No texto publicado no dia 2, Uno lembra que o Caligraffiti não é uma empresa nem possui fluxo de caixa; o projeto é bancado pelos próprios colaboradores, que “acreditam em poder contribuir com a evolução do design nacional”. “Conversamos com muita gente – blogueiros, advogados especializados e formadores de opinião – e todos concordam que esse tipo de atitude inibiria a blogosfera brasileira, que utiliza muito material compartilhado de grandes canais de vídeo online. Por opiniões unânimes decidimos recolocar o site no ar e encarar a briga, caso realmente eles queiram isso”, explica Uno em seu post.
O texto publicado no Caligraffiti termina com a conclusão de que o blog não pode se abster de compartilhar o que achar interessante. “É contra a liberdade de expressão e totalmente contra alguns dos mais importantes princípios do Caligraffiti: divulgação, compartilhamento e discussão de assuntos relativos ao design, arte e cultura.”
Nesta quarta-feira (7), a hashtag “Ecad” chegou ao topo dos Trending Topics do Twitter no Brasil.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...