27 de mai. de 2013

Estou solidário com os parentes indígenas, especialmente com os Munduruku. Gostaria que meus amigos e os amigos dos meus amigos também se unissem ao nosso grito contra estes desmandos federais em nome de um desenvolvimentismo sem nenhum caráter.
Quem tiver junto que ocupe seus lugares em nome da sobrevivência de nossas culturas ancestrais.

http://ocupacaobelomonte.wordpress.com/2013/05/27/carta-no-7-governo-federal-nos-voltamos/

26 de mai. de 2013


TU NÃO MENTES NUNCA, QUE MERDA!
Tu não mentes nunca. Isso é uma merda. Queria que tu mentisses um pouquinho apenas para seres mais humana. Gente que não mente é um saco. A mentira é saudável para a mente e para o corpo. A verdade que falas me faz mal. Revelam todos os meus defeitos de uma vez. Quis tantas vezes que dissesses uma mentira só para me agradar. Seria tão fácil e bom para mim! A verdade que dizes destrói minhas mentiras. O que queres? Por que tens sempre que desconstruir minhas ilusões? Por que jogas merda no ventilador com a porra da verdade?
Eu queria tanto que mentisses para mim! Queria que dissesses que me ama, saber por que é tão difícil arrancar de ti um “eu te amo?. Claro que sei. É por que não sabes mentir. Deve ser por isso que preferes ficar no silêncio. Queres que eu mesmo conclua, não é? Queres que eu implore para que mintas? Uma mentira tua faria muita diferença para mim. Me deixaria tão feliz! Seria tua confissão de humanidade. Te tornaria mais próxima a mim. Mas não. Tu preferes te manter à distância. Preferes te enrolar nos teus conceitos e se isolar dos mortais mentirosos, como eu. Eu queria só que dissesses que gostas de minhas piadas e que elas te faziam rir. Mas preferes chamar-me de bobo. Sabes que eu me sinto um idiota? Tu sabes tudo. É que a verdade conhece a mentira, mas a mentira não conhece a verdade. E não podes rir de minhas mentiras. Queria que dissesses que sou bonito, elegante, agradável. Que sou isso para ti. Preferes dizer que sou para tantas, para outras. Não sabes me agradar. Não sabes que sou pavão apenas para hipnotizar tua verdade e te trazer para o lugar dos mortais. Preferes dizer que minhas mentiras são o retrato do que sou. Pode ser. Eu minto porque sei que ela agrada. Minto porque ela enleva. Minto pela alegria que causa. Mesmo que efêmera, a alegria é bonita. A mentira é feia e feio é mentir, mas ela é tão mais preciosa, mais dinâmica, mais alegre que a verdade! Por isso queria tanto que mentisses para mim! Mas, merda, tu não mentes nunca! 

23 de mai. de 2013

‘Não existem índios no Brasil’, diz escritor em abertura de congresso - G1 Notícias

Repercussão da minha fala no X Congresso Nacional do Meio Ambiente em Poços de Caldas. Espero que gostem. 

Xipat Oboré (Tudo de bom)!

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Para ele, a palavra ‘índio’ surgiu de maneira equivocada e reduz os povos.

Autor de 43 livros, Daniel Munduruku abriu o evento em Poços de Caldas.


Jéssica BalbinoDo G1 Sul de Minas
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Daniel Munduruku é autor de 43 livros e falou durante abertura de Congresso (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Daniel Munduruku é autor de 43 livros e falou durante abertura de Congresso (Foto: Jéssica Balbino/ G1)


























Autor de 43 livros, o indígena Daniel Munduruku foi o palestrante convidado para a abertura do 10º Congresso do Meio Ambiente em Poços de Caldas (MG) nesta quarta-feira (22). O índio, que é doutor em educação e cursa pós-doutorado em literatura na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), falou sobre a ‘Mãe Terra e a Questão Indígena’  durante um bate-papo com os congressistas.
Em uma saudação na língua do povo ao qual pertence, abriu a fala e brincando, pediu licença a quem estava no ambiente. “Bom dia a todos os amigos aqui presentes, espero que este encontro seja tão bom para vocês como vai ser para mim”, saudou, em uma referência aos ancestrais. “Nossos avós diziam que quando vamos encontrar alguém, temos que ir com o coração aberto e alegre para que o encontro seja bom, desejando que as pessoas que estão no lugar se sintam da mesma forma”, pontuou, ao lembrar que estar conectado com o meio ambiente é estar conectado com a poesia do universo.
A luta pelo meio ambiente é a luta de todo povo brasileiro"
Daniel Munduruku
escritor e doutor
 “Vou falar de outras tantas coisas que não são meio ambiente, mas também são. Quero olhar nos olhos e conversar. Para começar, vou destacar que não sou índio e que não existem índios no Brasil. O que existem são povos. Eu sou Munduruku e pertencer a um povo é ter participação dentro de uma tradição ancestral brasileira. Quando eu digo que não existem índios, quero dizer que existe uma diversidade muito grande de ancestralidade. São pelo menos 250 povos indígenas e são faladas pelo menos 180 línguas no Brasil”, disse.
Para ele, a palavra ‘índio’ surgiu de maneira equivocada e reduz os povos. “Está ligada a uma série de conceitos e pré-conceitos. Normalmente ela está vinculada a coisas negativas, embora haja muito romantismo na história, a maioria do pensamento quer dizer que o  índio é um ser fora de moda, atrasado no tempo e selvagem. Alguém que está atrapalhando o progresso e continuamos reproduzindo um estereótipo que foi sendo passado ao longo da nossa história”, criticou."
Público vindo de várias partes do Brasil debateu durante palestra (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Público vindo de várias partes do Brasil debateu
durante palestra (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
O bate-papo foi permeado por lembranças do indígena, que contou histórias sobre a própria vida, a fase de transição entre infância e adolescência e a perda do avô, que segundo ele, na tradição Munduruku, é quem transmite os ensinamentos dentro de uma família ou tribo. Com isso, ele chegou à dúvida dos presentes que era: como começou a escrever e se tornou acadêmico. “Quando meu avô morreu, me fez entender o que era ser Munduruku e eu sempre quis lembrar dele assim. Queria ser como ele, um contador de histórias. Demorei para saber como seria meu caminho, se seria na tribo ou na cidade, mas optei pela cidade e pela vida acadêmica e hoje estou aqui,  transmitindo estas histórias que são tão cheias de sabedoria de vida e de meio ambiente”, pontuou.
Em relação ao meio ambiente e aos questionamentos feitos pelo público, o indígena destacou a questão da evolução humana e no Brasil a construção de barragens. “O povo Munduruku está sofrendo com a construção das barragens, seja em Belomonte, seja em Rondônia, enfim, eles estão lutando para viver. A natureza e o ambiente que os índios vivem fazem parte da humanidade deles. Eles lutam para se manterem e lutam por um Brasil inteiro que não tem a consciência de perceber isso. A luta pelo meio ambiente é a luta de todo povo brasileiro”, finalizou.

Fonte: G1 Notícias

10° EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas - 12 de Junho de 2013

Prezados\as já começaram os preparativos para o 10 ° EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas.
Confiram a programação que preparamos para vocês comemorarem conosco uma década de EEAI.
Divulgue em sua rede.

Esperamos por você, traga sua família.

Xipat Oboré (Tudo de bom)!







20 de mai. de 2013

Sesc Santana e X Congresso Nacional do Meio Ambiente de Poços de Caldas.

Prezados/as,
Amanhã estarei no Sesc Santana a partir das 14h30 para bate papo com as crianças do Projeto Curumim.
Conferir no link: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=245926
Na quarta feira farei a conferência de abertura do X Congresso Nacional do Meio Ambiente de Poços de Caldas.
http://meioambientepocos.com.br/portal/


19 de mai. de 2013

SOLIDÃO




Solidão é coisa séria. Hoje me sinto só. Há um vazio que mora em mim como nunca senti antes. Não sei. Acho que sempre fui um solitário. Me deu vontade de fumar um cigarro só para ver que formato a fumaça irá criar. Isso é coisa de solitário.
A solidão pode ser um grande remédio. Normalmente é uma doença. Ela forma uma espécie de condicionamento mental do qual não se consegue sair com facilidade.
Tenho medo da solidão, como tenho medo do Deus que tudo vê. Talvez seja pelo fato de que Deus e a solidão sejam a mesma coisa. Não existe a solidão por si só, nem Deus. Existe, talvez, o estar só, aquele momento em que não desejamos ver ou ouvir quem quer que seja. Acho que estou só. Minha mente vagueia por caminhos hostis e me abandona na hora exata de ver a pessoa amada.

15 de mai. de 2013

Você "falar" minha língua?

Estava eu numa cerimônia política em que se discutiria a implantação de políticas públicas para os indígenas da cidade de São Paulo. Eu havia sido convidado, junto com os parentes guarani da capital, para fazermos parte daquele evento. Eu coloquei um blazer bem confortável, pois fazia frio. Enfeitei minha cabeça com um belo cocar que havia trazido de minha aldeia dias antes. Aproveitei que os parentes guarani estavam todos pintados com sua marca tradicional e fiz em mim uma pintura característica de meu povo. Assim me apresentei. A cerimônia correu uma maravilha e todos estávamos relativamente contentes com o desfecho e a hora era de comemoração pela conquista alcançada. E foi aí que aconteceu uma cena muito surreal, coisa que se contarem a gente não acredita. Vou contar, pois a vivi. Olívio Jekupé, escritor Guarani, e eu nos postamos de pé para observar o movimento que aquela hora estava bastante frenético. No palco do evento algumas atrações se revezavam mostrando a diversidade de manifestações culturais. Eram grupos do movimento negro, de culturas populares, ciganos, entre outros. Ficamos ali meio encolhidos e por conta do frio cruzei meus braços numa pose a lá touro sentado. Fiquei assim imperturbável por alguns minutos até que me dei conta que à minha frente estava postada uma senhora que me observava com cara de quem não estava entendendo nada. Me olhava como se mirasse uma escultura grega de carne e osso. Quando dei por mim e percebi a situação, fiz uma cara bem sisuda, minha melhor cara de mau e a fitei. Ela levou tamanho susto que deu um passo para trás. Depois foi se achegando até que criou coragem para falar. - Você fala a minha língua? Não estranhei a pergunta. Afinal, neste trabalho que desenvolvo há muito anos, aprendi não estranhar nada especialmente quando a pergunta é feita por crianças. Mas neste caso, balancei. E resolvi não responder. Pior que isso: ignorei como se não fosse comigo. Permaneci ali, de pé e com os braços cruzados exercitando minha fama de mau. A senhora continuava postada à minha frente. Não arredou pé e também não demorou muito para que meus amigos que estavam por perto se aproximassem ainda mais para ver o desenrolar da cena. Alguns já até riam tentando adivinhar o desfecho. De repente, a senhora – que não devia ter mais de um metro e meio de altura e tinha cabelos vermelhos – voltou ao “ataque” falando um pouco mais alto, mais lento e acompanhada de mímica. - Você fala a minha língua? Tive que fazer um esforço danado para não soltar uma sonora gargalhada. A cena era muito cômica e os parentes indígenas já não se aguentavam mais. Mesmo Olívio – que sabia o que eu estava pretendendo – não interferiu e deixou rolar. Para variar fiquei imóvel diante da pequena senhora que continuava sem acreditar que estava diante de um “selvagem” que sequer sabia se articular em português. Mas ela precisava tirar a prova dos nove. - Você falar [gestos, mímicas, trejeitos bocais] minha língua? Nessa altura ninguém mais se aguentava. Sequer acreditavam naquilo acontecendo. Vendo que não conseguia arrancar de mim uma única palavra em português, a nobre senhora apenas virou-se para o Olívio Jekupé e disse: - Acho que ele não ouve direito. E foi embora sem esperar nenhuma explicação.

13 de mai. de 2013

UFSCar promove colóquio sobre Literatura Indígena


Segunda edição do Caxiri na Cuia aborda oralidade, escrita e filmografia dos povos brasileiros
publicado em 07/05/2013 18:12 | Da Redação K3
Começa nesta quarta-feira (8) e segue até sábado (11) na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena. O objetivo do encontro é ampliar o debate a respeito da literatura e da cultura indígena na universidade e também entre professores dos ensinos Fundamental e Médio.
O colóquio também pretende celebrar a resistência da memória indígena e contará com convidados locais, como professores e estudantes indígenas de graduação e pós-graduação de diversos cursos da UFSCar, além de convidados nacionais e internacionais, como líderes indígenas, escritores, jornalistas, poetas, cineastas, músicos e pesquisadores.
A programação conta com mesas de debates que irão discutir temas 

UFSCar tem cerca de cem alunos indígenas
Foto: João Moura
como a literatura indígena, sua oralidade e escrita, além da importância dessa literatura e da cultura indígena no ensino de primeiro, segundo e terceiro graus. Também haverá espaço para a filmografia indígena e para um sarau musical com a participação dos convidados e de graduandos indígenas da UFSCar.
As atividades do II Caxiri na Cuia acontecem na UFSCar e no SESC Ribeirão Preto, onde, além de uma mesa de discussão, também será lançada a exposição "Daniel Munduruku e Outras Gentes", que aborda a literatura indígena produzida por diferentes povos. Daniel Munduruku, protagonista da exposição, é escritor e aluno do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit) da UFSCar. Utilizando-se de recursos cenográficos, tecnológicos e elementos lúdicos, a exposição apresenta a vida e a obra de Daniel e coloca o visitante em contato direto com os temas abordados pelo autor que, como um autêntico representante das sociedades indígenas brasileiras, faz lembrar, por meio da exposição, que as comunidades indígenas estão vivas e se organizam para manterem suas raízes e suas tradições.
Confira a programação completa do colóquio na página da UFSCar na internet. Os interessados em participar do evento, que é gratuito, devem realizar as inscrições nos locais das atividades.

Fonte: K3

UFSCAR PROMOVE COLÓQUIO SOBRE LITERATURA INDÍGENA


Segunda edição do Caxiri na Cuia aborda oralidade, escrita e filmografia dos povos brasileiros
publicado em 07/05/2013 18:12 | Da Redação K3
Começa nesta quarta-feira (8) e segue até sábado (11) na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena. O objetivo do encontro é ampliar o debate a respeito da literatura e da cultura indígena na universidade e também entre professores dos ensinos Fundamental e Médio.
O colóquio também pretende celebrar a resistência da memória indígena e contará com convidados locais, como professores e estudantes indígenas de graduação e pós-graduação de diversos cursos da UFSCar, além de convidados nacionais e internacionais, como líderes indígenas, escritores, jornalistas, poetas, cineastas, músicos e pesquisadores.
A programação conta com mesas de debates que irão discutir temas 

UFSCar tem cerca de cem alunos indígenas
Foto: João Moura
como a literatura indígena, sua oralidade e escrita, além da importância dessa literatura e da cultura indígena no ensino de primeiro, segundo e terceiro graus. Também haverá espaço para a filmografia indígena e para um sarau musical com a participação dos convidados e de graduandos indígenas da UFSCar.
As atividades do II Caxiri na Cuia acontecem na UFSCar e no SESC Ribeirão Preto, onde, além de uma mesa de discussão, também será lançada a exposição "Daniel Munduruku e Outras Gentes", que aborda a literatura indígena produzida por diferentes povos. Daniel Munduruku, protagonista da exposição, é escritor e aluno do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit) da UFSCar. Utilizando-se de recursos cenográficos, tecnológicos e elementos lúdicos, a exposição apresenta a vida e a obra de Daniel e coloca o visitante em contato direto com os temas abordados pelo autor que, como um autêntico representante das sociedades indígenas brasileiras, faz lembrar, por meio da exposição, que as comunidades indígenas estão vivas e se organizam para manterem suas raízes e suas tradições.
Confira a programação completa do colóquio na página da UFSCar na internet. Os interessados em participar do evento, que é gratuito, devem realizar as inscrições nos locais das atividades.

Fonte: K3

10 de mai. de 2013

Colóquio sobre literatura indígena acontece na UFSCar

IDe 8 a 11 de maio, acontece na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o "II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena". Com o objetivo de ampliar o debate a respeito da literatura e da cultura indígena na Universidade e também entre professores dos ensinos Fundamental e Médio, será abordado o tema "Oralidade, escrita e filmografia indígena brasileira: construindo diálogos". O mesmo evento envolve o "I Encontro sobre literatura e cultura indígena no currículo escolar".
Todos os interessados em refletir sobre os caminhos da literatura indígena nos dias atuais estão convidados a participar. O Colóquio, que também tem como objetivo celebrar a resistência da memória indígena, contará com convidados locais, como professores e estudantes indígenas de graduação e pós-graduação de diversos cursos da UFSCar, além de convidados nacionais e internacionais, como líderes indígenas, escritores, jornalistas, poetas, cineastas, músicos e pesquisadores.

A programação conta com mesas de debates que irão discutir temas como a literatura indígena, sua oralidade e escrita, além da importância dessa literatura e da cultura indígena no ensino de primeiro, segundo e terceiro graus. A relação entre a literatura indígena brasileira com a chamada literatura Mapuche, escrita indígena chilena, também será abordada.

Visando apresentar o modo como os indígenas têm buscado atualizar a memória ancestral pelo domínio das tecnologias ocidentais, com foco na produção de filmes feitos por eles, a filmografia indígena também fará parte do "II Caxiri na Cuia". Um Sarau Musical com a participação dos convidados e também de graduandos indígenas da UFSCar fará parte da programação.

As atividades do "II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena", acontecem na UFSCar e no SESC Ribeirão Preto, onde, além de uma mesa de discussão, também será lançada a exposição "Daniel Munduruku e Outras Gentes", que aborda a literatura indígena produzida por diferentes povos e que vem sendo protagonizada pelo escritor Daniel Munduruku, aluno do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit) da UFSCar. Utilizando-se de recursos cenográficos, tecnológicos e elementos lúdicos, a exposição apresenta a vida e a obra de Daniel e coloca o visitante em contato direto com os temas abordados pelo autor que, como um autêntico representante das sociedades indígenas brasileiras, faz lembrar, por meio da exposição, que as comunidades indígenas estão vivas e se organizam para manterem suas raízes e suas tradições.

Segundo a professora Maria Silvia Cintra Martins, docente do Departamento de Letras (DL) da UFSCar e coordenadora do evento, o "Caxiri na Cuia" visa mostrar a relação entre a tradição e as tecnologias como movimento de continuidade e renovação. "Queremos desconstruir estereótipos e mostrar que a cultura indígena vem se atualizando", relata Maria Silvia.

A programação completa do "II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena" está disponível no site da UFSCar, em www.ufscar.br. Os interessados em participar do evento, que é gratuito, devem realizar as inscrições nos locais das atividades. Haverá certificados de participação. O Colóquio é uma realização do Grupo de Pesquisa "Linguagens, Etnicidades e Estilos em Transição" (LEETRA) ligado ao PPGLit do DL. Mais informações pelo email grupo.leetra@gmail.com

4 de mai. de 2013

USANDO A PALAVRA CERTA PRA DOUTOR NÃO RECLAMAR



Mundurukando três

Na reflexão anterior falei sobre os equívocos que cercam a palavra índio. Fiz uma provocação e tenho certeza que muitas pessoas, especialmente professores, ficaram com a “pulga atrás da orelha”. Se assim aconteceu, alcancei meu objetivo. A inquietação é já um principio de mudança. Ficar incomodado com os saberes engessados em nossa mente ao longo dos séculos é uma atitude sábia de quem se percebe parte do todo.

É sabido que esta palavra tem, às vezes, um quê de inocência em quem a usa. Tem quem a utiliza conscientemente também. Sabe que se trata de uma atitude política e fica mais fácil para os interlocutores entenderem do que estão falando. Aliás, esta palavra foi devidamente utilizada pelo movimento indígena no início dos anos 1970. Foi uma forma de mostrar consciência étnica. Antes disso não havia uma consciência pan-indígena por parte dos povos nativos. Eram grupos isolados em suas demandas políticas e sociais. Cada grupo lutava por suas próprias necessidades de sobrevivência. Somente depois que começaram a encontrar os outros grupos durante as famosas assembléias indígenas – patrocinadas pela Igreja católica, através do recém criado Conselho Indigenista Missionário – CIMI – é que as lideranças passaram a ter clareza de que se tratavam de problemas comuns a todos os grupos. A partir disso o termo índio passou a ter uma ressignificação política interessante. Notem, no entanto, que foi um termo usado na relação política com o estado brasileiro. Cada grupo continuou a se chamar pela própria denominação tradicional. Isso não significou abrir mão do jeito próprio de se chamar. Quando muito, chamavam para os outros grupos ou pessoas indígenas utilizando o termo parente.

Aqui caberia outra reflexão que deverá vir brevemente. No entanto, devo deixar claro que o termo parente é usado pelos indígenas para todos os seres (vivos ou não-vivos). Chamar alguém de parente é colocá-lo numa rede de relações que se confunde com a própria compreensão cosmológica ancestral. Mesmo na língua portuguesa podemos observar que se trata de uma palavra que une concepções (par+ente) que denota um envolvimento que permite compreendermos que dois ou mais seres se juntam numa rede consangüínea. Do ponto de vista indígena isso vai além da consaguinidade e se insere numa cosmologia cuja crença coloca todos os seres (entes) numa teia de relações. Somente neste contexto é possível compreender a intrínseca relação dos indígenas com a natureza. Isso é, no entanto, assunto para outra conversa.

Até aqui tenho usado outra palavra para referir-me aos povos ancestrais. Ora eu uso nativo, ora indígena. Qual seria a certa? Ambas estão correta para referir-se a uma pessoa pertencente ao um povo ancestral. Por incrível que possa parecer não há relação direta entre as palavras índio e indígena, embora o senso comum tenha sempre nos levado a crer nisso. Basta um olhadela num bom dicionário que logo se perceberá que há variações em uma e noutra palavra. No duro mesmo os dicionários têm alguma dificuldade em definir com precisão o que seria o termo índio. Quando muito dizem que é como foram chamados os primeiros habitantes do Brasil. Isso, no entanto, não é uma definição é um apelido e apelido é o que se dá para quem parece ser diferente de nós ou ter alguma deficiência que achamos que não temos. Por este caminho veremos que não há conceitos relativo ao termo índio, apenas preconceito: selvagem, atrasado, preguiçoso, canibal, estorvo, bugre são alguns deles. E foram estas visões equivocadas que chegaram aos nossos dias com a força da palavra.

Por outro lado o termo indígena significa “aquele que pertence ao lugar”, “originário”, “original do lugar”. Se pode notar, assim, que é muito mais interessante reportar-se a alguém que vem de um povo ancestral pelo termo indígena que índio. Neste sentido eu sou um indígena Munduruku e com isso quero afirmar meu pertencimento a uma tradição específica com todo o lado positivo e o negativo que essa tradição carrega e deixar claro que a generalização é uma forma grotesca de chamar alguém, pois empobrece a experiência de humanidade que o grupo fez e faz. É desqualificar o modus vivendisdos povos indígenas e isso não é justo e saudável.

Outra palavrinha traiçoeira e corriqueiramente usada para identificar os povos indígenas é tribo. É comum as pessoas me abordarem com a pergunta: qual é sua tribo? Normalmente fico sem jeito e acabo respondendo da maneira tradicional sem muita explicação. Sei que é um conceito entrevado na mente das pessoas e que só vai sair mediante muita explicação por muito tempo.

Afinal, o que tem de errado com a palavra? A antiga ideia de que nossos povos são dependentes de um Povo maior. A palavra triboestá inserida na compreensão de que somos pequenos grupos incapazes de viver sem a intervenção do estado. Ser tribo é estar sob o domínio de um senhor ao qual se deve reverenciar. Observem que essa é a lógica colonial, a lógica do poder, a lógica da dominação. É, portanto, um tratamento jocoso para tão gloriosos povos que deveriam ser tratados com status de nações uma vez que têm autonomia suficiente para viver de forma independente do estado brasileiro. É claro que não é isso que se deseja, mas seria fundamental que ao menos fossem tratados com garbo.

Se não pode chamá-los de tribo, como chamá-los? Povo. É assim que se deveria tratá-los. Um povo tem como característica sua independência política, religiosa, econômica e cultural. Nossa gente indígena tem isso de sobra e ainda que estejamos vivendo “à beira do abismo” trazido pelo contato, podemos afirmar com convicção que somos povos íntegros em sua composição e queremos estar a serviço do Brasil.

Uma última palavra: são os “índios”, brasileiros? Que tal desentortar o pensamento e inverter a pergunta: serão os brasileiros, “índios”? Será que a ordem dos fatores irá alterar o produto? Não saberia dizer, mas o que observo é que há um abismo entre o ser e o não-ser ou entre o não-ser e o ser. Nesse duelo, os indígenas têm levado a pior.

Xipat Oboré (Tudo de bom)

Daniel Munduruku

Acesse: Crônicas

2 de mai. de 2013

Caravana leva literatura indígena para todo país

Caravana Mekukradjá cumpre sua missão em Cuiabá- MT. Feira do Livro Indígena - FLIMT, foi tema de reunião.



Cuiabá recebeu na última semana a Caravana Mekukradjá - literatura indígena em Movimento. A caravana tem percorrido diferentes estados do país com a missão de divulgar a literatura produzida por indígenas e dessa forma, também romper estereótipos tão presentes acerca dos povos indígenas.
Em Cuiabá estiveram presentes Daniel Munduruku, Cristino Wapixana, Rony Wassiri e o Grupo cultural Munduruku do município de Juara.
Com mais de três anos de existência a Caravana realiza contações de histórias, rodas de conversas e saraus literários que envolvem muita música e poesia. Em 2013 a Caravana conta com o apoio do Instituto C&A e de parceiros locais, como foi o caso de Mato Grosso, onde o Sesi, levou o grupo até suas unidades escolares.

Feira do Livro indígena de Mato Grosso

Na passagem por Cuiabá os autores indígenas também puderam se reunir com membros do Instituto Usina, Instituto UKA e visitar a Secretaria de Estado de Cultura. Diversos temas foram abordados, dentre eles, a realização da terceira Flimt - Feira do Livro indígena de Mato Grosso.

A data para a realização do evento ainda está sendo definida, porém é provável que se realize em novembro de 2013. Com o tema A sabedoria das Matas ecoando da cidade, a FLIMT pretende reuniar além de escritores indígenas, artistas, lideranças espirituais e anciãos. Segundo Daniel Munduruku, é importante a valorização dos personagens local. É preciso realizar um amplo debate com as universidades que mantém indígenas em seus cursos e principalmente com os anciões.

Naine Terena

Matéria original: http://oraculocomunica.blogspot.com.br/2013/04/destaque.html




MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...