30 de dez. de 2011

Mbaraká – a palavra que age

A partir de entrevistas com os xamãs nhanderu, e de registros dos seus cantos, danças e cerimônias, o filme aborda o universo dos cantos xamânicos por meio dos aspectos performáticos da palavra, da sonoridade, do gesto, da dimensão onírica e de volição mobilizada pelo canto. Se a palavra pode ser história, mito e narrativa, entre os Guarani-Kaiowá ela também é poesia e profecia: um canto de esperança em um futuro melhor.


Mbaraká – a palavra que age from Etnodoc 2009 on Vimeo.

29 de dez. de 2011

O Indígena Bu’ú Ye'pamahsã, fala da educação brasileira, lei 11645 e ÜNKUNAHPÓ

Entrevista com o indígena Bu’ú Ye’pamahsã, ator e pesquisador do documentário ÜNKUNAHPÓ:

Bu'ú
   Vocês poderão conferir em nossa entrevista como foi a pesquisa e qual objetivos deste documentário que trata da lei 11.645/08, também saber um pouco mais sobre a história de um indígena que além de ser ator é defensor dos direitos dos povos indígenas e encontrou através da arte uma maneira de divulgar sua cultura.  

Cinemartes: Como foi sua participação no documentário ÜNKUNAHPÓ ?
Bu’ú: No Momento que respondo sobre documentário estou em Manaus – Amazonas, o documentário foi filmado no estado de São Paulo, quando eu recebi o convite do Diretor Adolfo Borges, para fazer papel principal sentir um compromisso e responsabilidade o documentário ÜNKUNAHPÓ. Como faço parte na luta de implementação da lei 11.645/08 que instituí a obrigatoriedade do ensino da cultura dos povos indígenas e afro dentro das instituições de ensino, vi ótimo, quando diretor Adolfo Borges, veio convidar aceitei confirmando a minha participação. Então reunimos na ECA- Usp para falar do projeto do documentário e aproveitar para seleção do outro participante para contracenar foi escolhido o professor da Usp, ouvimos também falamos com professores universitários para ver como anda educação a metodologia cultural e os seus conhecimentos, como a dificuldade de acesso dos professores aos livros sobre povos indígenas, como está sendo o ensino e de que forma estão vendo o desafio para aplicar a lei 11.645/08, falei que queremos mais conteúdo, informações dentro disciplina história, arte e literatura entre outros.

Cinemaartes: Como foram as pesquisas para o ÜNKUNAHPÓ ?
Bu’ú: A fonte da pesquisa e produção foi nossa experiência de vida o nossos conhecimentos na prática, eu na minha caminhada com meus avôs e com meu pai aprendi o mundo espiritual, onde conhecimento é passado oralmente isso facilitou muito, a minha participação no documentária os conhecimentos dos povos indígenas, o mundo dos povos, cantos, danças, rituais e conexão ao mundo visível e invisível com seres que habitam no ventre (no olhar terra), com ajuda da minha Tia Otacila Ye’pamahsã, traduzimos o nome indígena do documentário ÜNKUNAHPÓ para português- Desenformar, levar nova informação.
Cinemaartes: Qual a importância do ÜNKUNAHPÓ?
Bu’ú: Ünkunahpó vem desenformar os alunos a educação do Brasil está na forma, no entanto informar a sociedade conscientizando para tirar da forma, as crianças precisam conhecer desde pequeno as informações da diversidade a cultura dos povos indígenas da forma como vivem, idiomas, cânticos, rituais, afinal cada povo tem sua idioma própria, crenças e entre outros, entretanto as crianças conhecendo a diversidade serão futuros defensores com respeito e bom cidadão.
   Eu Sentir a importância da gravação, apesar de poucos minutos que será exposto para sociedade que irão ver ao ver aprenderão a viver sentir e ver com outro olhar, o valor da diversidade cultural dos povos indígenas no Brasil. O documentário é um registro de suma importância no presente e para futuras gerações. Assim sendo a cultura é fonte de existência de todos os grupos étnicos no mundo, sendo assim, sentimos o valor para manter a culturas tradicionais, conscientizando a sociedade através das informações que poderão ter acesso, conhecendo a cultura de cada grupo étnico passamos a respeitar um e outros, esse é futuro que queremos para que todos vivam de harmonia no espaço onde vive. Aguardem o lançamento do ÜNKUNAHPÓ, esperamos que gostem do nosso trabalho.

Cinemaartes: Qual sua opinião sobre a lei 11645/08 ?
Bu’ú: Nossa luta e minha luta dos povos é promover a conscientização utilizando como ferramenta a lei 11.645 que abre o caminho da importância na divulgação dos valores culturais dos Povos Indígenas do Brasil, ela institui a obrigatoriedade da temática “História e cultura Afro-brasileira e Indígena” nas escolas brasileiras.
   Mas ainda tem a necessidade de formar professores a ensinarem História, Arte e literatura, nas escolas onde o podem aprender com os próprios povos indígenas, desta forma desmistificando a história os alunos poderão ter a formação que resgata a memória a construção da identidade do povo brasileiro, e me preocupo que chegue a conhecimento da sociedade a verdadeira história e contribuição dos povos Indígenas nos costumes, hábitos, no meio ambiente, na natureza, no desenvolvimento do Brasil, e até mesmo a influencia das línguas indígenas no português falado aqui no Brasil.
   A lei 11.645/08 ajuda para novas conquistas nos espaços públicos abrindo oportunidades a nossas ações que promovemos, como: Fórum, Seminários, Conferências, Congressos, Debates de defesa dos direitos Indígenas em geral, conforme garantido na Constituição de 1988, nos artigos 231 e 232 que dizem respeito aos Direitos dos Povos Indígenas a forma como vive.
   A temática que envolve os povos indígenas está em bastante evidência: nas escolas, faculdades, mídias, redes sociais, academia, organizações não governamentais e governamentais, especialmente com a aprovação da lei 11.645/08, mas ainda é pouco se pensarmos que existe um vazio muito grande nas páginas da historia do Brasil sobre os povos indígenas. Assim nos encontramos num momento único, uma chance de contar a verdade e não puramente imaginárias poéticas e fantasiosas como alguns livros didáticos que já foram publicados e estudados ao longo da existência deste modelo de educação no Brasil.

Cinemaartes: Fale sobre como está a lei 11645 hoje? qual a realidade e se esta sendo aplicada?
Bu’ú: A realidade que não está sendo aplicada essa lei para maioria das escolas, seja por falta de informações, isso está por não aceitação das maiorias esse novo contexto da educação e a lei. Fato que alguns professores já me falaram que não tem livros sobre povos indígenas, não conhecem bem a cultura indígenas, o ponto positivo que na medida que está expandido as informações e maiorias das pessoas se alegram ao conhecer a lei 11.645/08. A lei é para receber com carinho e lembrar dos fatos que aconteceram desde a invasão dos europeus, nada mudara o passado, mas que ficara ao conhecimento da sociedade a verdadeira história, assim sendo a valorizarão a cultura do Brasil, a lei trás uma mudança para melhor para sociedade conhecer outro lado da moeda do verdadeiro, ela vem desenformar a história, tirar educação da forma, tem valor para que futura gerações tenha essas informações, assim cada um respeitará um a outro.
   Conheço publicações de livros que tratam nós povos indígenas com exclusão apenas uma pagina falando da mentira do “descobrimento” onde somos tratados com preconceitos e estereótipos e alguns livros totalmente alienados da realidade pois não levam em consideração os 511 anos de invasões, como se os povos indígenas fossem congelados no tempo e apenas meros sujeitos passivos, pobre vitimas, desqualificando assim todos os nosso saberes e anulando assim uma riqueza de conhecimentos e valores culturais e nossas histórias ancestral milenar que já tínhamos antes da invasão do Brasil. 

Cinemaartes: qual conselho você daria aos indígenas sobre a lei 11645?
Bu’ú: Já conheci dezenas de parentes que levam este debate para as escolas de todo Brasil, as vezes para sobreviver dignamente cantam , dança, vendem artesanatos e fazem palestras, e outros já estão engajados a muito tempos antes da lei existir publicaram livros, realizaram fóruns e já estão até mesmo formando os professores não índios, são verdadeiros mestres que enfrentam as mais variados obstáculos para levar nossa história aos não índios, parabéns a esses guerreiros e guerreiras. Por isso eu aconselho que se envolvam na defesa desta lei pois é fundamental que nesse processo da implementação da lei 11645/08 nossa voz seja ouvida, válida e respeitada, precisamos nós mesmo ÜNKUNAHPÓ(traduzindo para português- Desenformar, levar nova informação).

Cinemaartes: Qual conselho você daria aos profissionais da educação sobre a lei 11645 ?
Bu’ú: A lei para ser aplicada nas escolas, as pessoas que trabalham com a educação ou
interessado tem que conversar com comunidade ou aldeias para levantar as histórias e fazer parceria com município para implementação da lei, isso pela falta de livro, assim sendo estarão ouvindo a verdadeira história dos povos indígenas, nas disciplina história, arte e literatura, importante que tenha mais conteúdo para professores ter iniciativa e levar proposta para diretor da escola e conversar com pedagoga.

Cinemaartes: Qual sua opinião sobre a história do Brasil?
Bu’ú: É grande a resistência de 511 anos dos Povos indígenas no Brasil contra a invasão trágica e mais sangrenta da história de colonização cristã de todos os povos do mundo, o Brasil tem que reconhecer que no litoral brasileiro os povos indígenas que tiveram os primeiros contatos com os Portugueses invasores, mal sabiam o que viria pela frente, eram flechas contra armas de fogo, espadas, navios, doenças, uma legião de homens perversos, assassinos, gananciosos, dispostos a tudo pela riqueza fácil e rápida. Mas a historia oficial do Brasil insisti em não admitir esses fatos e que a realidade é que a catequização e a escravização dos povos foi marcada pela violência sem precedentes na história, e hoje se reproduz com racismo, discriminação e crimes, onde o movimento indígena e algumas lideranças são criminalizadas e assassinadas de Norte a SUL do Brasil, e é importante lembrar que os missões religiosas, ONGs e o próprio Governo continuam interferindo e trazendo danos irreparáveis com novos modelos de invasão e seus valores que dizem ser civilizados desenvolvido levando a destruir a nossas crenças, nossa espiritualidade, saúde milenar e continuam invadindo nossas terras ancestral.
   Antes da invasão no ano de 1500 tinha 6 milhões de indígenas, mas hoje fala-se de pouco mais de 750 mil indivíduos, aproximadamente 240 povos indígenas, falam 180 línguas e troncos lingüísticos diferentes, e lembrando que ainda existem dezenas de povos que estão sem e nem querem contatos com os não índios apesar de serem constantemente alvo de invasores, doenças, ameaças de contatos forçados por conta da expansão das fronteira agrícolas e projetos do chamado “desenvolvimento” como hidrelétricas e estradas.
   Durante a ditadura militar na década 60 foi estudado e elaborado alguns Projetos, um deles é o Projeto“Rangel” da época do governo da ditadura militar brasileira que tinha como metas expandir programas de desenvolvimento para o crescimento do Brasil, com isso tivemos massacre e muitos povos foram exterminado, e tinham como plano de chegar ao ano de 2000 sem nenhum índio vivo no Brasil, porém estamos na luta para desmistificar a verdadeira história dos povos e nossa participação no desenvolvimento do Brasil, não somos entrave para política e sim parceiros desde que respeite o mundo dos povos indígenas.

Cinemaartes: Conte sobre você, qual sua história?
Bu’ú: Sou membro do Clã Ïremirin Sararó - Fátria Patrilinear da Amazônia, o nome Bu’ú significa “tucunaré”, que é um peixe encantado dos rios Amazônicos, nome dado a guerreiros e que representa a pessoa de vida curta e brava.

   Na sociedade registrado e chamado de João Kennedy Lima Barreto, tenho 33 anos, nasci em 8 de junho de 1978, na aldeia Kayra divisa Brasil fronteira com Colômbia, no rio tiquié município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro no estado do Amazonas, onde vivi quase sem contatos com os não índios até meus 14 anos nem sabia falar português, tive que ir pra cidade estudar , conhecer o mundo de fora da aldeia pra defender nossos direitos ,sou filho de pai Ye’pamahsã e mãe Tuyuka. Aos 18 anos fui chamado pelo Exercito brasileiro.

   Estudei na Universidade Estadual do Amazonas– Faculdade Superior de Arte(não conclui), Trabalhei no Projeto Rondon: Registro Civil de Nascimento dos Povos Indígenas do amazonas 2007 até 2008. Hoje sou professor de idioma Ye’pamahsã (Tukano), Coordenei curso sobre lei 11.645 em São Paulo, m 2005 participei 1º documentário, 2008 curta - protagonista Amor e Morte no Amazonas(com direção do Alexis christu) participei do comercial Turismo Nativo do Ministério do Turismo 2010, Dirigi e escrevi peças teatrais: Sapo Taro Bekê- 2006, Tui'-Sá Kumurõ 2009, Ensinamento do Beija Flor -São Paulo 2010, Baya Porã -São Paulo 2010, Essas são minha palavras, eu sou Bu’ú Ye’pamahsã (Tukano).

 Obra: Ye'pamahsun Kum Ña'tüo'ñarõ
Também estudei e sou professo de arte plástica técnica Marchetaria e Fiz 1ª exposição sobre a Viagem Filosófica Alexandre Rodrigues Manaus, 2007 a 2ª Trançado e Cores da Amazônia 2008, 3ª na Casa de Cultura do município Itaguaí Rio de Janeiro em 2009, tenho algumas obras no Museu do Índio - RJ, na China, na Alemanha e São Paulo e Amazonas. 
Em Novembro de 2011 ganhei oPrêmio Mostra Cultura e Saúde- Do Instituto Olga Kos, na Oficina Oswald de Andrade em São Paulo, com minha obra em marchetaria: Ye'pamahsun Kum Ña'tüo'ñarõ - Um olhar Ye'pamahsun.

 Minha mensagem: A liberdade e paz existe desde que cada um respeite o direito do outro não adianta cobrar direito se não respeita o direito do outro.
Bu'ú Yepamahsã

Buudahse@gmail.com  www.buuyepamahsa.blogspot.com  e  www.cinemaartes.blogspot.com
 Celular: 55 11 8286-1769

28 de dez. de 2011

Menor salário em MT é pago a uma mulher índia; apenas R$ 151,39

Keka Wernewck
do Centro Burnier Fé e Justiça




Mulheres indígenas na base da pirâmide social
Novas formas de exploração do povo da terra

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já começou a liberar os primeiros dados do Censo 2010. Um dos indicadores é o valor do rendimento nominal de homens e mulheres, com recorte de sexo, cor e raça. A pesquisa mostra que no Brasil e em Mato Grosso homens ainda recebem salários maiores que as mulheres. Em Mato Grosso, um homem recebe, em média, R$ 983,96 e as mulheres, R$ 503,20. Ou seja, R$ 480,76 a menos. E quem ganha menos são as mulheres indígenas, em média apenas R$ 151,34. Seguidas das pardas, R$ 399, 12, e pretas, R$ 437, 67. Mulheres brancas recebem R$ 685,87, ou seja, R$ 182,67 acima da média feminina. “Uma coisa que dá para perceber olhando Mato Grosso nessa perspectiva salarial e por municípios é que dos 10 municípios onde as pessoas ganham menos cinco são da Baixada Cuiabá: Barão de Melgaço, Livramento, Acorizal, Jangada e Poconé”, destaca o sociólogo Inácio Werner, da coordenação do Centro Burnier Fé e Justiça. Esses dados se referem a pessoas acima de 10 anos e que trabalham fora de casa
Para Inácio, isso indica que “apesar de estarem muito próximos da capital, não têm uma política que garanta sustentabilidade econômica e social. São sempre muito clientelistas com relação à Cuiabá. Têm muitos habitantes na zona rural, mas mesmo assim não produzem para alimentar a região, produzem só para subsistência e isso não gera renda digna, até mesmo porque a agricultura familiar não tem tido investimentos e, ao invés de produção local, as cidades preferem ir buscar alimento em Goiás ou no Paraná”.
Os outros cinco municípios são Campinápolis, Santa Terezinha (Araguaia), Cotriguaçu (Nortão), Planalto da Serra (Médio Norte) e Porto Estrela (Grande Cáceres).
Campinápolis é a cidade onde se ganha menor salário em Mato Grosso. A cidade tem muitos habitantes indígenas e o salário médio deles é de somente R$ R$ 39,33. Em Campinápolis, é alto o índice de mortes entre a população indígena.

27 de dez. de 2011

Ünkunahpó-"Desenforme" Documentário que discute aplicação da Lei 11.645/08, que determina o ensino das Culturas dos povos Indígena nas salas de aula.


Ator e pesquisador Bu'ú Yepamahsã

O Ponto de Cultura, Km 30, localizado em Embu das Artes, interior de São Paulo, já exercia atividades através da Associação de amigos de Bairro das Chácaras Batira. Por meio do trabalho, cujo objetivo é dar oportunidade para que a comunidade local efetive suas potencialidades na reflexão e construção de sua identidade, o Ponto de Cultura Km 30 é um dos vinte Pontos de Cultura que venceram o prêmio do Edital do Laboratório Cultura Viva, para a produção de quatro documentários que serão exibidos na Revista Digital Cultura Viva.


"Quando vimos o Edital, decidimos fazer algo sobre a diversidade dos Pontos de Cultura que são nossos parceiros.

Diretor Adolfo Borges, Bu'ú e Antonio

Estamos fazendo uma série de documentários sobre esses três Pontos de Cultura parceiros, e um sobre o nosso próprio Ponto, o Km 30", falou Eunice Silva, coordenadora do Ponto de Cultura Km 30.



Bu'ú e Profº Antonio Reis

"Desenforme" dá nome ao segundo documentário ou "Ünkunahpó" traduzindo da língua do povo indígena Ye´pamahsã (Tukano). Este documentário discute atividades de como aplicar a Lei 11.645/08, que determina o ensino das Culturas dos Povos Indígenas e Afro-Brasileira nas salas de aula das escolas publicas e privadas de todo o Brasil desde 2008 e como os professores devem se preparar através das artes indígnas, meio ambiente, línguas, tradições indígenas e História sobre os Povos indígenas. No documentário Também falamos das dificuldades dos professores de determinadas disciplinas, como História, que são obrigados a ensinar sobre as Culturas Indígenas e Negras, mas que não têm acesso a material ou preparo adequados para isso", falou Eunice.

As pesquisas para o Ünkunahpó contam com a colaboração do indígena Bu'ú Ye'pamahsã (ator, artista plastico e defensor da lei 11.645/08) e do Profº Dr.Antonio Reis(Doutor em História pela USP). As gravações foram realizadas em outubro de 2011, na cidade de Cotia, São Paulo- Brasil, mas ainda não tem data de seu lançamento

e-mail: pontodeculturakm30@gmail.com


mais informações: http://pontodeculturakm30embu.blogspot.com/
Veja mais/ fonte http://labculturaviva.org/node/1000

24 de dez. de 2011

Comitê Xingu Vivo - Entrevista com Gabriela Person

*Otávio Mancuso


Num belo sábado ensolarado Campinas, no interior de São Paulo, recebeu nada menos do que cinco atos espalhados por toda a cidade, artistas contra fechamento do teatro, em oposição ao aumento do salário dos vereadores, em combate à corrupção e, como não poderia faltar, um ato contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.


Quando chegamos já havia dezenas de jovens pintando cartazes em defesa do Xingu e criticando a hidroelétrica, ao som de um violão tocando músicas engajadas. O clima de companheirismo e solidariedade perpassava todos os espaços. Quando ao fundo, nos deparamos com Gabriela Person, uma garota que ao pintar o rosto e no braço Xingu Vivo para receber o premio de jovem cientista da presidenta Dilma representou, durante alguns minutos, o sentimento de jovens de todo o Brasil.


Gabriela, que tem 19 anos e é moradora de Valinhos, acabou de se formar em Meio-Ambiente na Escola Técnica Estadual Conselheiro Antonio Prado (ETECAP), colégio técnico de Campinas ligado ao Centro Paula Souza. Seu principal engajamento é através da música, ela é flautista num grupo que através da música pauta as questões ambientais.





Manifestação em Campinas contra Belo Monte


Ao lado de seu namorado, Henrique, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de São Carlos, ela se dispôs dar algumas palavras para o Juntos!.


Juntos!: Primeiro você poderia se apresentar para a gente?





Gabriela: Eu sou a Gabriela Person, estudei na Etecap e lá desenvolvi meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre embalagens ecológicas para mudas. Foi exatamente este TCC que inscrevi no Prêmio Jovem Cientista e acabei ganhando. Por isso, eu tive a oportunidade de receber o prêmio da mão da Presidenta e nesse dia eu não pude ficar quieta.


J: Como você começou a tomar contato com o movimento do Xingu Vivo contra Belo Monte?


G: Isso aí está em todo lugar, na mídia… Eu me preocupo com tudo sobre natureza, meio ambiente, inclusive com o Xingu. Eu escolhi esse tema porque é agora ou nunca, sabe? Eu tinha que me manifestar sobre isso, não podia perder a oportunidade.


J: Nesse primeiro contato com o tema do Xingu você já havia visto alguma manifestação?


G: Só pela internet.


J: Você já havia participado de algum protesto, ou manifestação?


G: Sobre o Xingu não. Só da Serra dos Cocais em Valinhos que é bem mais local, tá um problemão lá… o que resta de verde na cidade estão querendo destruir para fazer condomínios, aí protestamos contra isso.


J: E quem te incentivou a se manifestar na hora de receber prêmio, como você teve a ideia de pintar o corpo?


G: Eu fiquei pensando Como vou fazer isso?” porque não tinha como falar, acho que seria meio agressivo. Eu fiquei pensando em usar uma camiseta que expressasse minha opinião, mas não tinha como, eu tinha que usar roupa social. Aí eu pensei “Já sei, vou pintar minha cara de índio, passar alguma coisa vermelha e escrever no braço”. Eu só contei para minha mãe, porque se eu contasse para outra pessoa poderia não acontecer. Ela me incentivou bastante e isso foi no dia 5 à noite, sendo que o evento seria no dia 6. Foi “pá pum”, assim. Falei com você também (Gabriela se dirige ao namorado) – ele estava me incentivando pela internet também.





J: Qual foi a reação dos seus outros colegas ganhadores?


G: Eu estava com a minha professora orientadora do meu lado e pedi para ela escrever no meu braço; ela não quis, não queria se responsabilizar. A diretora da ETECAP estava lá também e meio que ignorou, não falou nada. A Cibele, que ganhou em segundo lugar na categoria Categoria Estudante do Ensino Superior, achou super legal, virou minha fã, mas de resto o pessoal não comentou. O pessoal do prêmio deu uma ignorada.


J: E depois chegaram a comentar alguma coisa com você na ETECAP?


G: Na verdade, como eu já terminei o curso e não voltei na ETECAP depois do dia da entrega do prêmio, o pessoal comentou comigo pelo facebook mesmo.


J: E qual foi a sua reação depois de conseguir levar a pauta do Xingu para os principais jornais do país?


G: Eu fiquei muito surpresa. Ele (seu namorado) me mandou uma mensagem mostrando que havia saído no estadão… Como assim tinha saído no estadão?! Teve muita repercussão. Eu achei muito legal! E eu fiquei surpresa, porque eu achei que não ia dar nada. E a galera ficou muito feliz, todo mundo falou “Você me representou lá!” e ficou muito feliz com isso.


J: E qual foi a sua avaliação sobre o prêmio e o protesto?


G: O Prêmio foi importante, eu fiquei bem feliz, mas não estava me sentindo bem de ganhar um prêmio sobre sustentabilidade das mãos da presidenta e na frente de tanta gente que não liga realmente para o Meio Ambiente… Eu estava muito preocupada com isso e me sentindo um tanto hipócrita… Sempre defendi a natureza, ganhei um prêmio de sustentabilidade e iria lá pra não fazer nada? Eu não ia conseguir dormir! Foi muito melhor ter feito o que eu fiz do que só ganhar o prêmio, como os outros que ganharam e saíram. Eu fiz embalagens ecológicas… hãã que legal, sabe?!


J: E o próximo passo, qual é? O que você acha que podemos fazer para mudar a situação?


G: A situação está mudando. Tá vendo esse movimento aqui? Eu achei que viria mais gente, mas se todos nós nos unirmos, eu tenho certeza que podemos transformar. Não podemos parar de nos movimentar.


Apesar dos noticiários se contentarem em quererem saber apenas a reposta da Dilma sobre parar as obras de Belo Monte, o que esta corajosa jovem nos mostra é o anunciar da nossa primavera, onde indignados de todo o Brasil estão querendo um basta a este modelo de desenvolvimento que não respeita o Meio-Ambiente ou as pessoas. Águas para a vida e não para a morte!
*Juntos! Campinas



23 de dez. de 2011

Pare Belo Monte - Vídeo

Pare Belo Monte!
Salve o Rio Xingu!

Pequenos agricultores apostam na agroecologia contra transgênicos


Como alternativa à disseminação de sementes transgênicas pelas multinacionais da produção de alimentos, pequenos agricultores apostam na agroecologia.
Cerca de 74 % da tecnologia transgênica é de propriedade de empresas como Syngenta, Bayer, Monsanto, Basf, Du Pont e Dow AgroSciences. O agrônomo Gabriel Fernandes explica que existem perigos em todo esse controle tecnológico por essas empresas.
Segundo ele, que integra a AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, o monopólio do mercado faz com que estas multinacionais direcionem quais sementes serão plantadas. Gabriel afirma que esta realidade acaba tendo influência nas definições do governo.
Ele ainda ressalta que as pesquisas sobre as sementes transgênicas nem sempre consideram todos os riscos da tecnologia. O vínculo com a empresa de sementes transgênicas, por exemplo, prejudica a autonomia dos pequenos agricultores.
Como alternativa, pequenos agricultores trabalham com as sementes crioulas, que são melhoradas com o tempo e repassadas de geração em geração. Além de não exigirem muitos recursos financeiros, são as que melhor se adaptam a cada região, já que se aperfeiçoam por seleção natural.
Os agricultores discutem sobre a perspectiva agroecológica e sobre como a agricultura familiar trabalha com sementes crioulas, também chamadas de sementes da paixão, caipiras, nativas, locais.
http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=8445

18 de dez. de 2011

Família acusa polícia de ter espancado indígena em Nova Olinda do Norte

A família do indígena da etnia maraguá, Franquimar Pereira da Silva, 26, que morreu na noite de sábado (26), em um hospital do município de Nova Olinda do Norte (a 135 quilômetros de Manaus), suspeita que ele tenha sido vítima de espancamento, dentro da delegacia do município.

O índio estava preso por tráfico de drogas há aproximadamente três meses.

O primo da vítima, Kalebe Seixas Reis, 31, disse que o indígena foi levado ainda na tarde de sexta-feira (25), para o Hospital Doutor Galo Ibanes Penaranda, passando mal, e após ser atendido e medicado, voltou para o 43º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde estava detido.

Segundo Kalebe, na noite de sábado, a família recebeu uma ligação dizendo que Franquimar tinha sido levado novamente para o hospital e já tinha chegado no local morto.

“Acreditamos que ele foi espancado e morreu em consequência disso porque estava cheio de hematomas pelo corpo. No hospital inicialmente disseram para família que ele morreu vítima de um ataque cardíaco, mas como vimos as marcas da agressão ficamos desconfiados”, contou.

Os familiares da vítima, enterrada na tarde de ontem, disseram que após receberem o laudo pericial vão tomar as medida cabíveis para que o fato seja apurado. “Quando tivermos o documento na mão, vamos procurar a Justiça, para que isso não fique impune”, exclamou o primo.

Segundo informações do investigador Elizanildo Soares, o indígena estava preso na delegacia desde o dia 24, quando foi recapturado pela polícia, após fugir do presído do município, no último dia 23. O investigador disse, ainda, que Franquimar estava muito debilitado após ficar escondido no matagal e que as marcas pelo corpo da vítima são em consequência da fuga.

O coordenador-geral da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Ferrarezi, disse que vai entrar em contato com a delegacia de Nova Olinda do Norte para apurar os fatos e saber o que aconteceu. “Vamos investigar e apurar os fatos”, relatou.

Fonte: Em Tempo Online

14 de dez. de 2011

Universidade de Ponta Grossa realiza Vestibular dos Povos Indígenas

Kavigtãnh; Fekanh; Nênvánh; Kaninsãnh; Kamigprag; Kri Tej Vanh. Os nomes e sobrenomes impronunciáveis para o ‘homem branco’ são uma das características do Vestibular dos Povos Indígenas, que, em sua 11ª edição, reúne 329 candidatos na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O concurso é organizado pela Comissão Universidade para os Índios (CUIA), que congrega as instituições de ensino superior público do Paraná (universidades estaduais e a Universidade Federal do Paraná) e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI).

Nesta quarta-feira (14), na Central de Salas de Aula, no Campus de Uvaranas, os índios fizeram a prova oral. Passaram por uma entrevista prévia; depois receberam um texto para leitura e posterior indagação por parte dos componentes da banca. As respostas deveriam ser dadas na língua portuguesa. Para esta quinta-feira (15), a partir das 14 horas, estão programadas as provas objetivas, língua estrangeira (espanhol ou inglês) ou língua indígena (guarani ou caingangue) e redação. Na prova de redação, entre outros quesitos, será avaliada a capacidade de escrever um texto de acordo com a modalidade da norma padrão da língua portuguesa.

O professor José Roberto Vasconcelos Galdino, membro da CUIA e presidente da 11ª edição do Vestibular dos Povos Indígenas, explica que, a cada ano, uma das instituições que compõem a comissão sedia as provas. Cada universidade estadual (UEPG, UEL, UEM, Unicentro, Unioeste, Uenp e Unespar) oferta seis vagas suplementares em seus diversos cursos, para indígenas nativos do Paraná; enquanto a Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece 10 vagas para indígenas de todo território nacional. O candidato escolhe o curso e a universidade em que deseja estudar após a sua aprovação.

A maioria dos candidatos quer obter o diploma de ensino superior para atuação na própria comunidade indígena. Valdecir Mendes Rodrigues, 40 anos, da aldeia Guarani de Laranjinha (Santa Amélia), por exemplo, pretende cursar Agronomia, para aumentar a produtividade do pequeno pedaço de terra da sua comunidade. São 226 pessoas que dividem espaço em 117 alqueires. “Apesar de ser pouca terra, acredito que com mais conhecimento poderei ajudar a aumentar a produção, para subsistência da própria tribo”, diz, lembrando que o trabalho na terra faz parte da cultura indígena.

A caingangue Angélica Rodrigues Morais, 19 anos, de São Jerônimo da Serra, quer cursar Medicina, também com o objetivo de atuar junto a sua comunidade. Ela cursou o ensino médio da escola pública e não vê problemas quanto a uma eventual dificuldade para acompanhar os colegas de universidade, muitos oriundos da rede particular de ensino e, teoricamente, com mais condições de acompanhar os conteúdos do curso. “Tudo depende da força de vontade. Se você tem objetivo, você consegue chegar lá”, filosofa a candidata.

Edenilson Felix, 24 anos, índio guarani da comunidade de Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, vive uma situação diferenciada. Ele já foi aprovado no Vestibular dos Povos Indígenas, cursando Pedagogia, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Porém, por motivos familiares, teve que abandonar o curso no ano passado. Como não traçou a matrícula, foi considerado desistente. Para prosseguir, teve que fazer novo vestibular. Com formação no Magistério, Edenilson é professor do Estado, lecionando nas séries iniciais da escola da própria comunidade.

A situação de Cintia Amaral, 25 anos, caingangue, da aldeia de Barão de Antonina (próxima a Londrina), também é diferenciada. Ela quer mudar de curso e de universidade. Aprovada há dois anos em Educação Física, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), agora ela quer fazer Pedagogia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Segundo ela, a mudança se deve ao apoio maior dado aos índios na universidade maringaense. “Alguns colegas me disseram que lá existe um envolvimento maior da universidade com as comunidades indígenas”.

A avaliação sistemática do processo de inclusão e permanência dos indígenas, o desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão envolvendo os índios e a sensibilização da comunidade acadêmica acerca da questão indígena estão entre as atribuições da CUIA instituída pela Lei Estadual nº 13.134/2001 (e modificada pela Lei Estadual 14.995 de 2006). Atualmente, a comissão é presidida pela professora Ana Elisa de Castro Freitas, da UFPR.
Áudio:

Minha Prece de Natal

Deus-Mãe não despreza a força da/o mulher/homem que reza
 Daniel Munduruku
Quando eu era criança e corria pelado pela aldeia não sabia o que era natal. Não sabia o que poderiam ser aqueles dias corridos, coloridos e felizes que as pessoas das grandes cidades viviam.
Na escola meus colegas sempre falavam que era uma época de pedir presente para um certo pai de todos – que se chamava Noel – e que andava pelo mundo todo entregando presentes para os bons meninos e meninas. Foi nessa época que ouvi a primeira vez que alguém pode ser bom ou ruim.
Sempre fui ruim. Ao menos pensava assim, pois o tal pai de todos quase nada deixava para mim. Mas eu não ficava triste não. Corria para o mato e fabricava meus próprios brinquedos na tentativa de ser um bom menino para o ano vindouro. Cresci acreditando no pai de todos da mesma forma que acreditava na mula-sem-cabeça, no curupira e na matinta-perera. Ele fazia parte do meu imaginário e acreditava que ele vivia – apesar de ser feio por parecer com um poodle – no meio da mata com as outras entidades da floresta.
Depois que fiquei grande – e já vivendo na cidade – descobri que o Pai de todos era, na verdade, um grande sentimento de solidariedade que percorria a todos na época de fim de ano. Esse sentimento era propagado pela igreja através das grandes celebrações litúrgicas que preparavam o advento do Menino, filho do Pai de Todos. Foi nessa época que me senti irmão do mundo, de todos os homens e mulheres do mundo. Era como eu me sentia: membro de uma grande família. E uma família sempre celebra com os seus. E era assim que entendia as festas do final de ano. Havia troca de presentes, símbolos do kairós – o tempo que se chama hoje. Havia a partilha do pão, do abraço, do afeto, do carinho. Ágape, amor que não cabe em si. Amor que se entrega, como o menino-deus que veio cumprir sua missão.
Hoje, mais curtido pelo tempo indelével, continuo acreditando na magia que se instaura no coração do ser humano. Do mesmo jeito que creio na existência do curupira, da matinta-perera, na boiúna ou no negrinho do pastoreio. Creio na necessidade do encontro, do encanto e da partilha. Creio no poder do silêncio e da reza, do mesmo jeito que creio nos passos das danças sagradas, na coreografia da natureza e no bailar silencioso dos astros e estrelas que estão lá ainda que não estejam mais.
Confesso, porém, que está difícil resistir à tentação de “jogar a toalha”, “entregar o jogo” e virar as costas ao tabuleiro. Nessas horas – e elas estão cada vez mais constantes – só me resta ajoelhar-me diante do Filho-menino e dizer o texto-testemunho de Tania, minha esposa há tantos anos:

Minha prece
(Tania Mara de Aquino Costa)
Querida Senhora
Venho com toda a minha humanidade
Dizer que estou aqui
Não sei bem o porquê.
Sinto que venho só pela Senhora
E por seu filho querido
Não sei o que pedir
Por isso não vou pedir nada
Apenas espero sua intercessão
Junto ao seu filho
Ele sabe do que preciso, portanto saberá o que fazer por mim.

Sabe, minha Senhora,
Eu estou num estado sem vontade
Uma preguiça no sentir, no ser.
Creio que estou em estado de choque
Um estado que me paralisa.
Só venho aqui porque, apesar de tudo,
Minha alma sente saudades suas e de seu filho
Mesmo assim, não tenho muito a dizer.
Por isso, digo apenas:
Que estou aqui!

13 de dez. de 2011

II Feira Estadual da Agricultura Familiar e Economia Solidária

Foto Ilustração
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Será realizada em Campo Grande entre os dias 15 e 18 de dezembro a II Feira Estadual da Agricultura Familiar e Economia Solidária, na Praça do Rádio Clube. Também na mesma pauta, acontecerá a I Feira Estadual dos Povos Indígenas no Cerrado/MS. A abertura da Feira está prevista para às 20 horas. 
Promoção do conceito da Economia Solidária

A Feira tem como objetivos promover a dar visibilidade a Agricultura Familiar, aos Povos Indígenas e aos Empreendimentos Econômicos Solidários - (EES) e alternativas econômicas solidárias em geral.

A promoção e venda de produtos oriundos dos grupos envolvidos, a integração dos empreendimentos, a valorização da cultura local e regional, o lazer e cultura, a formação para os empreendimentos e o fortalecimento do movimento no MS também são objetivos do evento. 

Programação - Atrações

Entre as atividades programada para a Feira estão oficinas de formação, exposição e venda de produtos, Praça de Alimentação, espaço de leitura, espaço de recreação infantil, banco comunitário/feira de trocas, desfile de modas – Tema Cerrado – Olhares, Vida e Arte no Cerrado, shows, danças, teatro e diversas atrações culturais (grupos locais e regionais)

Estrutura

Para o funcionamento da Feira estão sendo previstas montagem de 25 tendas 5mx5m para 100 empreendimentos, para as oficinas – 2 tendas de 10mx10m, banheiros químicos, Palco da Praça – Som e Iluminação, água potável, segurança e limpeza de forma autogestionária. 

Produtos que poderão ser expostos

Os produtos e serviços que estarão disponíveis na Feira devem ser oriundos, obrigatoriamente, da agricultura familiar, dos grupos indígenas e outros empreendimentos da economia solidária.

Não será permitida a exposição e revenda de produtos de empresas ou indústrias que não pertençam aos grupos acima citados. Na Praça de Alimentação será permitida a venda de refrigerantes e cerveja, porém serão priorizados os empreendimentos que dos estandes – Dia 18/12/11 a partir das 13:00. 

Realização

A Feira está sendo organizada pelo Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado - CEPPEC e A Casa Verde (Projeto Gestão em Rede – MDA/SAF). Instituto Marista de Solidariedade (Projeto Nacional de Comercialização Solidária - MTE/SENAES); Fórum Estadual de Economia Solidária – FEES/MS; Ministério do Desenvolvimento Agrário – SAF e Ministério do Trabalho e Emprego – SENAES. 

Aquidauana será representada através de grupos coordenados pela gerência municipal de Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, do gerente Cipriano Mendes e sob orientação técnica de Maria Castro. 
Carlos Cabral com informações Agecom

Indígenas voltam a denunciar irregularidades na construção de hidrelétricas no Tapajós

Usinas estão sendo construídas sem consulta a povos impactados e deverão atingir locais sagrados de Terras Indígenas, como cemitérios. Lideranças afirmam que autorizações foram concedidas sem avaliação de impactos e estudos sobre componente indígena. Elas afirmam que comunidades estão sendo coagidas a participar das reuniões sobre medidas de mitigação e compensação de danos que desconhecem

Enquanto os olhos do País estão voltados para usina de Belo Monte (PA), o governo federal tenta acelerar a construção de seis barragens no Teles Pires, um dos formadores do rio Tapajós, entre o sudoeste do Pará e o norte do Mato Grosso. Para toda a bacia, o plano é instalar um total de 16 barragens.
Devem ser impactados mais de 10 mil indígenas Kaiabi, Mundurucu e Apiacás que vivem às margens dos rios da região e dependem deles para sobreviver, nas TIs (Terras Indígenas) Munduruku, Kayabi e Sai Cinza.
Na TI Munduruku, as usinas Teles-Pires, São Manoel, Foz do Apiacás, Colíder e Chacorão alagarão sítios arqueológicos e lugares sagrados, como cemitérios e a cachoeira das Sete Quedas, onde acontece a desova dos principais peixes consumidos por índios e ribeirinhos na região.
No dia 1º de dezembro, lideranças dos três povos reunidas na aldeia Kururuzinho, na TI Kayabi, elaboraram uma carta, endereçada ao governo federal, na qual denunciam uma série de ilegalidades cometidas nos processos de licenciamento ambiental e federal das hidrelétricas.
De acordo com o documento, os direitos dessas populações estão sendo desrespeitados no planejamento e execução das obras. As irregularidades vão desde a ausência de informações, consulta e diálogo com os povos indígenas afetados, até a concessão ilegal de autorizações ambientais, como as licenças prévia e de instalação da usina Teles-Pires sem que seus impactos tenham sido avaliados e sem que tenham sido elaborados e aprovados pela Funai (Fundação Nacional do Índio) os estudos sobre o componente indígena do projeto.
Os indígenas afirmam que estão sendo coagidos a participar das reuniões sobre PBA (Plano Básico Ambiental) para discutir medidas de mitigação e compensação de danos que desconhecem.
O MPF (Ministério Público Federal) começou a questionar na Justiça as irregularidades originadas na pressa com a qual as hidrelétricas estão sendo implantadas. Nem todos os empreendimentos estão sendo licenciados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), como deve ser em casos onde há TIs envolvidas, o que tem aumentado o grau de incerteza e desinformação sobre os processos.
“A violação dos direitos indígenas é flagrante e chocante”, avalia Biviany Rojas, advogada do ISA. “Só agora, na fase de implantação, é que os povos indígenas atingidos estão sendo informados (e não adequadamente) das características dos empreendimentos. Ainda não foram apresentados e discutidos estudos de impactos com eles, nem elaboradas análises sobre o impacto acumulativo de tantas barragens. Mesmo assim, governo e empresas pressionam para que os indígenas aceitem planos de compensação e mitigação de impactos”, critica Rojas.
As lideranças indígenas dizem que estão dispostas a lutar por seus direitos até suas últimas consequências. “Não trocamos as riquezas naturais de nossos rios e os espíritos de nossos antepassados por promessas de demarcação de nossas terras – que já é o nosso direito – nem por espelhinhos e bugigangas”, afirmam na carta (veja a íntegra do documento).
No dia 13/11, os Kayabi divulgaram carta em que denunciam a ação do governo federal para apressar a construção da hidrelétrica de São Manoel sem consultar adequadamente as populações atingidas (saiba mais).

ISA, Instituto Socioambiental.

Divisão do Pará cortará sete terras indígenas; entidade vê ameaça a povos


Carajás - Ato de apoio à criação do Estado do Carajás no bairro da Liberdade, periferia de Marabá. A passeata foi convocada pelo Facebook  
A possível divisão do Estado do Pará em três novas unidades cortaria pelo menos sete terras indígenas situadas na porção central do Estado. Tomando por base o mapa da Funai (Fundação Nacional do Índio), as divisas dos novos Estados passariam por cima das terras Kayapó, Menkragnoti, Apyterewa, Araweté, Trincheira Bacajá, Koatinemo e Ituna-Itatá.
Segundo Marcos Antonio Reis, 35, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Pará e Amapá, na região de Carajás todos os povos indígenas são favoráveis à divisão, exceto os Akarãtika-Tejê, conhecidos como Gavião da Montanha. A etnia divide a reserva Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, com outros dois povos, o Gavião Kyikatejê e o Gavião Paraketejê.

Belém - Ponto de embarque e desembarque de pescadores na baía de Guajará; local está tomado por lixo e urubus Mais Carlos Madeiro/UOL
“Os Akarãtika-Tejê perderam todas as suas terras por conta da Hidrelétrica de Tucuruí na década de 70. Atualmente, travam uma luta política contra a Eletronorte para que não seja construída a hidrelétrica de Marabá e são contra a duplicação da ferrovia da Vale (Estrada de Ferro Carajás), que corta a reserva delas. Eles acham que a divisão obecede a interesses de mineradoras e políticos aliados delas e, por isso, são contra”, diz Reis.
Caso a divisão ocorra, o Estado do Carajás terá 36,4% do território ocupado por terras indígenas e áreas de proteção ambiental. Em Tapajós, o percentual sobe para 73,5%. Na avaliação do Cimi, a divisão do Pará incentivaria os produtores rurais e mineradoras a avançar sobre estas áreas, além de dificultar a demarcação de novas terras. Há, na região de Carajás, pelo menos 15 processos envolvendo a demarcação de reservas.
“Essas duas regiões concentram a maior riqueza mineral do país. A nossa leitura é que haverá pressão sobre essas terras protegidas, o que aumentaria o desmatamento nessas regiões”, afirma o missionário.
Reis diz que o Cimi está tentando convencer os indígenas da sua avaliação, mas estes estariam mais inclinados a se seduzirem pelas “promessas de políticos”. “Por mais que a gente tente levar as informações, eles são facilmente ludibriados por políticos locais, que fazem promessas de investimento e dizem que a divisão é a única alternativa.”
Segundo o Cimi, há cerca de 5.000 indígenas em Carajás e 30 mil no Tapajós. O coordenador afirma que a posição dos indígenas na região tapajoara é, em geral, diferente da verificada em Carajás. “Ali, os povos indígenas são ressurgidos, ou seja, passaram anos negando seu passado e depois de um tempo resolveram reviver sua identidade e buscar o direito à terra. A maioria é contrária à divisão”, afirma.

Sabia que em 1709 o Brasil era dividido em apenas sete Estados?




12 de dez. de 2011

Índios de Juara foram principais destaques em evento cultural na capital do estado

Entre os dias 23 e 26 deste mês de novembro aconteceu no Palácio da Instrução em Cuiabá, a 02ª Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT-2011). No evento foram apresentadas oficinas, seminários, palestras, manifestações de diversas etnias e venda de livros.

Quinze índios da aldeia Munduruku do município de Juara participaram do evento. Na feira, os juarenses fizeram várias apresentações culturais, demonstrando através da arte, a literatura que não é escrita, como: a dança, desenhos, canto e desenho corporal, demonstrando que os povos índios não fazem muita separação entre os saberes.

Marcelo Manhuari, professor da escola Krixi Barampô da aldeia Munduruku de Juara, disse que essa é uma oportunidade de adquirir conhecimentos, não somente na teoria, mas sim na prática.

Daniel Munduruku, escritor renomado do Brasil em entrevista a reportagem da Rádio Tucunaré, disse que o evento cultural contribui para demonstrar as riquezas indígenas, fazendo com que haja uma diversidade cultural entre os povos. O escritor que já tem 42 livros falou ainda que os governos federal e estadual compram seus livros e envia para as bibliotecas, fazendo com que os alunos se aprofundem nos conhecimentos dos índios.

Segundo Oscemário Daltro, secretário adjunto da secretaria de cultura do estado, a feira visa valorizar a produção literária e científica dos índios, contribuindo na formação da identidade do povo brasileiro.

Vários autores indígenas de todo o Brasil participaram do evento cultural, não somente para mostrar o potencial literário, mas também a arte e a cultura.

Fonte: Acesse Notícias

Caminhos para a literatura indígena são debatidos durante a FLIMT

Redação 24 Horas News


Cumprindo o objetivo dos projetos Encontro da Literatura Indígena e Conversando sobre Literatura e Cultura indígena, a II Feira do Livro indígena de Mato Grosso (Flimt) abriu espaço para que os participantes debatessem o tema. Em duas reuniões realizadas durante a FLIMT, escritores, artistas e lideranças indígenas presentes falaram dos caminhos para a literatura indígena, a preservação da memória e cultura tradicional. 
 
Samira Marcos, do povo Xavante, ressaltou a importância de eventos como a FLIMT: "A Feira é muito importante para nós do povo índigena, é a partir dela que as pessoas começam a se conscientizar sobre a nossa realidade. Ela destaca a presença do cacique Raoni, como uma forma de fortalecer a luta dos povos indígenas por políticas publicas mais consistentes no setor cultural. “A presença dele veio pra fortalecer a nossa Feira e a luta dele em relação as terras indigenas, manter e preservar a cultura indigena e tudo o que isso agrega”. 
 
A Escritora Maria Inês do Espírito Santo, veio do Rio de Janeiro contribuir e conhecer de perto a única Feira do Pais voltada para a temática indígena. Para ela, a FLIMT trouxe a confirmação da importância da cultura como o maior instrumento de resistência. Ao final do encontro, os presentes reafirmaram a necessidade de mais políticas publicas para a valorização da cultura indígena, a capacitação, fomento e preparação e novos protagonistas para a divulgação e valorização dos povos indígenas no estado e no pais.
 

10 de dez. de 2011


Acadêmica Ana Maria Machado é eleita, por unanimidade, a nova Presidente da ABL

Academia Brasileira de Letras elegeu, por unanimidade, no dia 8 de dezembro a Diretoria que ficará à frente da instituição no próximo ano. A Acadêmica Ana Maria Machado será a Presidente. Ela substituirá o Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça,  que dirigiu a ABL nos biênios 2006/07 e 2010/11.
Os demais eleitos são: Secretário-Geral: Geraldo Holanda Cavalcanti; Primeiro-Secretário:Domício Proença Filho; Segundo-Secretário: Marco Lucchesi;  Tesoureiro: Evanildo Cavalcante Bechara. Ao fim da sessão, o Presidente Marcos Vinicios Vilaça anunciou a nova Diretoria.
Segunda mulher eleita Presidente da ABL – antes foi a Acadêmica Nélida Piñon, em 1997, ano do centenário da Academia – a escritora Ana Maria Machado, assim que foi confirmada sua vitória, afirmou: “Daremos continuidade à linha de atividades voltadas para a promoção dos melhores valores da cultura nacional e da língua portuguesa. A dinâmica da Casa será a mesma iniciada pelas gestões anteriores. Independentemente disso, dirigiremos nossa ênfase para duas celebrações   em particular: o centenário de morte do Barão do Rio Branco, e a celebração do centenário de nascimento de Jorge Amado".
A solenidade de posse da nova Diretoria para o exercício de 2011 será realizada no dia 15 de dezembro, quinta-feira, às 17h, no Salão Nobre do Petit Trianon.

8 de dez. de 2011

O NEARIN E A II FLIMT 2011


           A cidade de Cuibá-MT foi sede da 2ª Feira do Livro Indígena do Estado do Mato Grosso - FLIMT, realizada pelo governo do Estado do Mato Grosso, através da Secretaria Estadual de Cultura, secretaria de educação em parceria com o Núcleo de Escritores e Artistas Indígena (NEARIN) e o Instituto U’ka, entre outras instituições. O evento aconteceu nos dias 23 a 26 de novembro de 2011, tendo como tema central “Literatura Indígena e as novas tecnologias da Momória”.
                             
A Feira foi um espetáculo de interculturalidade, em que indígenas de povos diversos falaram sobre suas experiências, suas formas de organização e estratégias de resistência e de valorização cultural, entre elas, a produção literária. As mesas redondas compostas por escritores indígenas e não-indígenas contaram com a participação e intervenção direta do público presente, estabelecendo uma relação dialógica de ensino-aprendizado pautado pela cultura da paz e do respeito à diversidade de povos.

Uma das presenças marcantes na FLIMT 2011 foi a do cacique Raoni, que sempre cercado por admiradores e pela imprensa, visitou o stand do NEARIN e foi presenteado com vários livros autografados, produzidos por escritores indígenas. Na apresentação das “Sábias Palavras” no auditório do Palácio da Instrução, o cacique abordou sobre a luta histórica dos povos indígenas, denunciou os grandes projetos em terras indígenas e alertou sobre os riscos e impactos sócio-ambientais dos grandes projetos nas comunidades indígenas e nas demais localidades, assim como os impactos nos ecossistemas naturais. Raoni deu destaque ao desastre anunciado por ocasião da propalada construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no norte do país. O Cacique ressaltou ainda a importância do maior engajamento dos escritores, estudantes e intelectuais indígenas contra todo tipo de ação que ameaça os povos indígenas e a reprodução da vida no planeta.

No momento seguinte, Raoni realizou uma conversa fechada com os escritores indígenas presentes na Feira, deixando uma mensagem de perseverança e de estímulo pela continuidade da defesa dos direitos dos povos indígenas e pela defesa da mãe da terra. O Cacique acolheu os indígenas presentes anunciando que “estarei aqui durante toda a Feira acompanhado vocês nas atividades, pois considero que vocês todos são meus filhos e minhas filhas”.

O encontro dos escritores indígenas com o cacique Raoni possibilitou a consolidação da parceria do NEARIN com as lutas do visionário Cacique, bem como deixou esboçadas algumas ações conjuntas para o futuro próximo, como a produção, publicação e difusão de documentos voltados à sociedade brasileira e aos governantes pela defesa dos direitos dos povos indígenas no país.

A FLIMT oportunizou durante quatro dias o debate sobre temas diversos, entre os quais a importância da memória e da oralidade indígena para a produção da literatura indígena, as políticas públicas voltadas aos povos indígenas, o movimento indígena brasileiro, a organização das mulheres indígenas, os povos indígenas e a educação nacional e a necessidade dos indígenas se apossarem das novas tecnologias como instrumento de resistência, afirmação e valorização da cultura desses povos.

Além dos debates, ocorreram lançamentos de livros e exposição de obras literárias de escritores indígenas, exibição de documentários, exposição de artesanatos indígenas, exposição de fotografias do cotidiano indígena, oficinas de pintura corporal, contação de histórias indígenas e saraus culturais.

A realização da Feira proporcionou também o encontro entre os escritores indígenas e a troca de experiências entre eles, bem como a interação dos escritores indígenas com o público não-indígena, estimulando a interculturalidade respeitosa.

A FLIMT foi encerrada com apresentações musicais, recitação de poesias e a leitura da Carta das Mulheres Indígenas à comunidade nacional e à presidenta Dilma Russef.

A avaliação do NEARIN é que a FLIMT 2011 foi uma conquista e uma grande oportunidade de fortalecimento do projeto nacional de difusão da Literatura Indígena, no sentido da valorização dos saberes e das histórias indígenas. A Feira possibilitou também a abertura de novos diálogos do público com os escritores indígenas e novas reflexões desses escritores sobre o seu ofício e seu compromisso com as raízes ancestrais.

Por Edson Kaiapó – Doutorando em Educação pela PUC SP.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...