30 de ago. de 2010

Documento Final da XXV Assembléia do Cimi Regional Rondônia

Inspirados pelo tema "A Boa Nova" construindo o diálogo inter-cultural e inter-religioso com as diferentes culturas

Nós, membros do Conselho Indigenista Missionário - Regional Rondônia, estivemos reunidos em nossa XXV Assembléia Regional, entre os dias 17 a 19 de agosto de 2010, na Casa de formação das Irmãs Catequistas Franciscanas, marcou presença Dom Moacir Grechy, Arcebispo de Porto Velho, com representantes dos Povos indígenas Arara, Wayoro, Djeoromitxi, Puruborá, da Ministra Provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas, Ir.  Clarice Berri, da CPT-RO e outros aliados das causas populares, que lutam por um mundo onde haja justiça, dignidade e cidadania.

Inspirados pelo tema “A Boa Nova”: construindo o diálogo inter-cultural e inter-religioso com as diferentes culturas”, realizamos uma análise da conjuntura sociopolítica e religiosa de nosso estado e do país, no momento da disputa eleitoral por parte dos pretendentes a ocupar cargos nos poderes executivo e legislativo na esfera estadual e federal.  Tal realidade, impõe a todos nós o imperativo de aprimorar nossa capacidade de “saber ler os sinais dos tempos”.  Para tanto, dedicamos um bom tempo ao aprofundamento de nossa espiritualidade missionária.  A partir de reflexões bíblicas, confrontando historiografia e narrativas mitológicas, fizemos uma imersão em textos antigos de povos do Oriente e socializamos experiências da cosmologia ameríndia dos povos com os quais convivemos.

Conhecedores do processo de ocupação histórica do estado de Rondônia que resultou na extinção de vários povos indígenas e consolidou a atual estrutura fundiária que privilegia o latifúndio e a concentração de terras, passamos a analisar os grandes desafios da atualidade.  O governo federal intensificou sua política desenvolvimentista através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e agora com o PAC II com forte componente energético ancorado na construção de usinas hidroelétricas.  Mais uma vez, os povos indígenas e os demais grupos sociais afetados por estes empreendimentos são vítimas desse modelo de inspiração neoliberal, restando-lhes apenas a alternativa de decidir como irão compartilhar as migalhas “compensatórias”, resultantes dos programas de mitigação dos danos culturais, sociais e ambientais.  Na prática, isso significa uma atualização das velhas formas de legitimação da usurpação dos territórios tradicionais e recursos naturais neles existentes.

Das 48 terras indígenas existentes no Estado de Rondônia apenas 21 estão demarcadas.  Mesmo assim, por terem sido reduzidas durante o procedimento demarcatório, muitas delas precisam ser revistas.  Dentre estas estão incluídos os territórios tradicionais de pelo menos 15 povos em situação de isolamento e risco de extinção.

As políticas de atenção à saúde e educação, alvo de críticas permanentes dos povos indígenas e seus apoiadores, permanecem inalteradas.  Esperamos que a criação da Secretaria de Saúde Indígena, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, possa representar uma possibilidade de mudança na atual realidade caótica de atenção à saúde indígena sobre a qual há uma responsabilidade direta da FUNASA.

As políticas governamentais voltadas para a Amazônia têm por objetivo, quase que exclusivo, favorecer os grandes empreendimentos e a expansão do agronegócio, ampliando o desmatamento para a agropecuária e a plantação de soja, cana-de-açúcar, pino e eucalipto, ocasionando as invasões de terras tradicionalmente ocupadas.  Os invasores perseguem e matam membros dos Povos Indígenas, numa evidente caracterização de ações genocidas.  Os incentivos governamentais beneficiam as empreiteiras, as empresas de energia elétrica e madeireiros internacionais, privatizando e destinando a estes, florestas para exploração por períodos de até 40 anos, a exemplo da Floresta Nacional do Jamari.

Frente a esta realidade, cobramos dos órgãos competentes providências urgentes no sentido de que:

1. O Governo Brasileiro cumpra o dever constitucional de demarcar e proteger todas as terras Indígenas do estado, dedicando especial atenção aos territórios ocupados pelos povos indígenas em situação de isolamento e risco de extinção, as terras dos Povos Cujubim, Wayoro, Migueleno, Puruborá, Cassupá, Salamãi, Djeoromitxi, Sabanê; promova a regularização fundiária das Terras Indígenas Karitiana, Igarapé Lourdes, Rio Branco, Tubarão Latundê, Kwazá, Guaporé em Rondônia e Vale do Guaporé e Pirineu de Souza em Mato Grosso, e realize a unificação do território tradicional do povo Oro Wari atualmente reduzido a cinco pequenas terras.

2. A FUNAI e o IBAMA atuem de forma articulada e eficiente no intuito de coibir a entrada de madeireiros e outros que invadem e exploram os recursos florestais e minerais existentes nas terras indígenas, devendo para tanto contar com o apoio do MPF e Polícia Federal.

3. O MEC e a Secretaria de Educação do Estado de Rondônia assegure sempre um processo amplo de escuta e participação de todos os povos indígenas na implementação de programas e políticas de atenção à educação escolar indígena, respeitando as deliberações das conferências estaduais e nacional.

4. O Ministério da Saúde promova ações emergenciais de prevenção e combate às endemias, a exemplo da Hepatite B, doença que tem vitimado centenas de pessoas nas comunidades indígenas, levando várias a óbito.

5. O Governo Federal respeite a Constituição Brasileira e a Convenção 169 da OIT, realizando a consulta prévia, livre e esclarecida às comunidades indígenas impactadas pelos grandes empreendimentos, respeitando suas vontades e evitando práticas autoritárias a exemplo da construção das UHEs do Madeira e do Machado, ambas integrantes do PAC, onde os povos indígenas afetados foram e estão totalmente desconsiderados.

Por fim, manifestamos nosso apoio solidário e reafirmamos nosso compromisso com os povos indígenas, e demais movimentos sociais organizados que lutam, no seu cotidiano pela construção de uma Amazônia para os amazônidas, e de um país onde sejam respeitadas as pessoas, o meio ambiente e a vida.  Numa atitude profética, denunciamos as políticas públicas governamentais que patrocinam a morte e conclamamos a todos, lutadores e lutadoras do povo, para que intensamente defendamos a vida.

Porto Velho - Rondônia, 19 de agosto de 2010.
Conselho Indigenista Missionário

1º Aniversário da Academia de Letras de Lorena - ALL

Daniel Munduruku, escritor indígena e Presidente do INBRAPI, participou da solenidade em razão do 1º aniversário da Academia de Letras de Lorena - ALL em São Paulo.
Daniel Munduruku é um dos imortais da ALL.
Fotos: Caio de Andrade










18 de ago. de 2010

Exposição revela relíquias arqueológicas na Baixada Fluminense

Gustavo AzeredoRelíquias ao alcance das mãos. Moradores da Baixada Fluminense estão tendo a oportunidade, em uma exposição itinerante, de tocar em objetos deixados por seus antepassados de mais de 6 mil anos atrás. Os vestígios históricos — que mostram que já passaram por lá índios, escravos e europeus — foram resultado do trabalho de especialistas que descobriram, até agora, 33 sítios arqueológicos na região. Supervisionadas pela Secretaria estadual de Obras, as escavações ocorreram durante as obras do Arco Metropolitano, que ligará Itaguaí a Itaboraí.

Os locais foram descobertos ao longo dos mais de 70 quilômetros de obras de construção do Arco Metropolitano. Em Duque de Caxias, foram encontrados sete sítios. Em um deles, chamado de Sambaqui do São Bento, foram localizados registros dos sambaquianos, povo que vivia em bando, de no máximo 30 pessoas, e que se alimentava, principalmente, de moluscos e frutos do mar. Muito primitivos, eles usavam pedras como ferramentas.

Já no local considerado um dos mais importantes do trabalho, que começou ano passado, o Sítio Aldeia das Escravas 2, foram resgatados objetos que marcam a presença tanto do povo indígena como do europeu. Segundo a arqueóloga e coordenadora do projeto, Jandira Neto, é certo que houve uma longa ocupação nesse trecho.

— Encontramos louças europeias do século XVI e do XVIII. Isso mostra que houve uma ocupação colonial de pelo menos 300 anos — explicou Jandira.

Em Japeri, foram encontrados registros de uma aldeia tupi-guarani. No local, foi resgatada uma urna funerária usada pelos índios:

— Essa é uma das maiores urnas encontradas. No local, havia material que revelou a presença dos índios e também da colonização europeia.
Gustavo Azeredo


‘O índio que estava aqui é um parente’

A arqueóloga Jandira Neto, do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), explica como aconteceu a ocupação da Baixada Fluminense:

— Aqui viveram pessoas muito antigas como os sambaquianos e os tupi-guaranis. Depois, chega o homem branco, colonizador, que reocupa essas aldeias. Eles trazem os negros, que por meio do trabalho nos engenhos, deixam a sua cultura. A miscigenação já existe. O povo brasileiro é essa mistura, do mais antigo sambaquiano até o negro.

Porto do Barriga

Entusiasmada com o resultado das escavações dos sítios arqueológicos, Jandira enumera as conquistas obtidas a partir das obras do Arco Metropolitana do Rio de Janeiro.

— Já existiam relatos de viajantes e alguns documentos sobre a ocupação. Sabíamos, por exemplo, que existiu um porto, chamado de Porto do Barriga, mas ninguém tinha conhecimento de onde ficava exatamente. Agora, já temos uma noção da sua localização. A diferença é que temos as peças, que provam que os relatos eram verdadeiros — afirmou a arqueóloga.
Linha do tempo mostra como foi a ocupação da região

A mostra com parte dos objetos encontrados nas escavações dos sítios arqueológicos está em cartaz em Nova Iguaçu. O visitante aprende, por meio de uma de linha do tempo, como é feito o trabalho dos especialistas que buscam recontar a história da Baixada Fluminense.

No topo da terra estão objetos utilizados atualmente, que serão descobertos daqui a centenas de anos pelos futuros arqueólogos.

Após as primeiras escavações são encontrados vestígios dos povos africanos, trazidos pelos portugueses para serem escravizados no Brasil. Nesse estágio, são vistos cachimbos e ferramentas usadas pelos negros.


Em um nível anterior, estão vestígios dos europeus, que trouxeram as primeiras porcelanas e introduziram no dia a dia utensílios como o penico.
Abaixo deles estão os índios tupi-guaranis, com suas urnas funerárias e cerâmicas. Antecedendo esse nível, são encontrados objetos da tribo Itaipu, que já produzia ferramentas rudimentares para caçar e cozinhar. Finalmente, na base, estão os vestígios dos sambaquianos, com suas pedras usadas para preparar os alimentos.

Patrocinada pela Secretaria estadual de Obras, a exposição ficará em Nova Iguaçu até o dia 27 de agosto, no prédio do antigo Fórum, no Centro do município. No dia 30 de agosto, a mostra chega a Japeri. No dia 20 de setembro é a estreia na cidade de Seropédica. Por último, chega a Itaguaí, no dia 4 de outubro.

16 de ago. de 2010

Começa hoje Acampamento Terra Livre

O Acampamento Terra Livre (ATL), evento principal do movimento indígena no Brasil, será instalado nesta segunda-feira (16), e ficará montado até quinta-feira, 19 de agosto, na Aldeia Urbana Marçal de Souza, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Para apresentar a programação e fazer um balanço preliminar da situação dos direitos indígenas, haverá uma entrevista coletiva à imprensa hoje, na tenda da Plenária do evento, às 15h30. Estarão presentes representantes das organizações indígenas regionais que integram a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e membros do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI).

Cerca de 800 indígenas de todo o país devem se reunir no acampamento. O objetivo é analisar a atual situação dos direitos indígenas, a partir de ações e resultados das edições anteriores do ATL. A idéia é formular, por meio destas experiências e das diferentes realidades dos indígenas representados no acampamento, propostas comuns para uma nova política indigenista no Brasil, analisando os avanços e as reivindicações não atendidas pelo Estado brasileiro. As demandas junto ao governo federal serão reunidas em uma proposta de programa de governo para os Povos Indígenas.

A pauta do ATL reunirá as principais questões que afetam os povos indígenas. Entre os temas que serão discutidos estão: o impacto em terras indígenas de grandes empreendimentos, como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), hidrelétrica de Belo Monte e a Transposição do Rio São Francisco, entre outros; o direito à terra (demarcação, criminalização de lideranças, desintrusão, sustentabilidade); a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), realizada sem a consulta prévia e informada aos indígenas como previsto na Constituição e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT); e as perspectivas da Articulação Nacional dos Povos Indígenas (APIB).

Outros temas prioritários como o Estatuto dos Povos Indígenas, a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas (PNGATI), o GEF Indígena, a Secretaria Especial de Saúde Indígena e os Territórios Etnoeducacionais deverão ser tratados na perspectiva de pleitear e monitorar a sua implementação.

O ATL acontece este ano em MS para mobilizar a sociedade, os meios de comunicação, nacionais e internacionais, e o governo para a situação crítica enfrentada pelos indígenas sul mato-grossenses, principais vítimas do conflito fundiário na região. Desde o início das demarcações de terras, as comunidades indígenas vivem em constante terror, ameaçadas e perseguidas pelos grandes proprietários rurais.

O Acampamento Terra Livre (ATL) é uma realização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), instância nacional que congrega as organizações indígenas regionais, e do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), entidade composta pelas organizações indígenas e entidades indigenistas e de apoio.


15 de ago. de 2010

Índios amazônicos do Peru querem criar partido para eleições de 2011

Um dos fundadores do partido indígena no Peru

O partido diz pretender defender a floresta e os direitos indígenas
Grupos indígenas da Amazônia peruana anunciaram que planejam lançar seu próprio partido político antes das eleições no país, programadas para 2011.
Seu líder, Alberto Pizango, disse que pretende fazer campanha para proteger a floresta e os direitos dos índios dos Andes e do Amazonas.
O anúncio acontece cerca de um ano após esses grupos terem protagonizado um dos maiores levantes indígenas da história recente do Peru.
Pizango, que está em liberdade condicional, acusado de liderar o levante, disse que talvez concorra à Presidência.
Em entrevista coletiva, representantes da Aidesep (Associação Interétnica da Selva Peruana), maior organização de índios amazônicos do país, disseram que seu partido, a Aliança para uma Alternativa para a Humanidade (Aphu), nasce não apenas como um partido indígena, e sim com uma agenda nacional.
Na língua dos índios quechua, a palavra apu quer dizer "líder" ou "deus da montanha".
Durante o evento, Pizango, que tem 45 años, disse que a Aphu "tenta abraçar todos os cidadãos do Peru que defendem os bosques, a natureza e a vida no planeta Terra".
Falando à BBC, o ex-ministro do Interior do Peru Fernando Rospigliosi protestou contra o lançamento do partido e disse que Pizango "não tem qualquer chance de chegar à Presidência".
"Isto é parte do efeito Evo, pelo qual líderes que promovem a desordem e recorrem a uma série de atos violentos julgam que isso pode levá-los ao poder", afirmou. "Mas o Peru não é a Bolívia. Aqui não vai acontecer isso".
Historicamente, a população indígena na região amazônica do Peru nunca foi representada na política nacional.
Pizango disse que começou a coletar as assinaturas necessárias para que o grupo seja reconhecido como um partido político e que pretende fazer o registro formal em setembro.
Protestos
A Aidesep é uma federação que reúne mais de 60 tribos do Amazonas peruano.
No ano passado, índios protestaram violentamente contra empreendimentos ligados à extração de petróleo no Amazonas.
Pizango nega as acusações de ter liderado o levante, em que tribos bloquearam estradas perto da cidade de Bagua.
Mais de 30 pessoas morreram nos confrontos entre índios e policiais. Entre os mortos, segundo relatos, estariam 24 policiais.
Pizango fugiu para a Nicarágua para evitar a prisão, mas retornou ao Peru em maio e está em liberdade condicional.
O governo peruano estima que haja 400 mil índios na Amazônia peruana, mas Pizango afirma que eles são em torno de um milhão.
Ao contrário do que ocorre na Bolívia e no Equador, a grande população indígena do Peru não tem um papel ativo na política nacional peruana nos tempos modernos.
Em junho último, o presidente do país, Alan Garcia, se recusou a assinar uma lei que daria aos povos indígenas mais poder para suspender projetos envolvendo mineração e extração de petróleo em suas terras.
A lei foi aprovada pelo Congresso, mas Garcia disse que não poderia deixar comunidades indígenas interromperem o desenvolvimento que beneficiaria a todos os peruanos.

Fonte: BBC Brasil

12 de ago. de 2010

Brasil enfrenta `epidemia´ de queimadas em 2010

Este ano de 2010 tem sido uma verdadeira temporada de queimadas no Brasil, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Só em julho foram registrados 9.230 focos de calor no país, um aumento de 194% em relação ao mesmo período de 2009 - é a maior taxa de incidência de incêndios desde 2005.

Mato Grosso, com 3.444 focos, Tocantins, Pará e Maranhão lideram o ranking entre 1º de julho e 10 de agosto. No acumulado do ano, os registros de possíveis queimadas tiveram salto de 72%, de acordo com levantamento do satélite NOAA 15, indicado pelo Inpe.

Segundo o meteorologista José Felipe Farias, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (Cptec), as condições climáticas estão favoráveis ao surgimento de incêndios. "Temos temperaturas mais altas, com menos umidade. O ar mais seco torna o ambiente propenso às queimadas", explicou ao jornal Folha de S.Paulo.

O analista ambiental Raoni Merisse, do Instituto Chico Mendes, atribuiu a maioria dos focos na unidade à ação de invasores, como pescadores ilegais. Já a Funai (Fundação Nacional do Índio) relacionou o aumento dos focos de calor em áreas indígenas a práticas de manejo do território, descartando a ação de invasores.

Áreas protegidas

Os dados do Instituto Chico Mendes mostram que o fogo avança também sobre áreas protegidas. Foram ao menos 3.040 focos em 110 unidades de conservação em julho, o que abrange 12 parques nacionais e 57 áreas indígenas.

A ilha do Bananal (TO) concentra quase 40% dos focos registrados em áreas protegidas no período. A região mais afetada é o Parque Indígena do Araguaia, que abriga as etnias carajá e javaé.

Um parque nacional que também fica na ilha teve 336 focos. Uma equipe de 14 brigadistas da unidade deflagrará nesta quarta-feira, 11 de agosto, uma operação de emergência a fim de combater os incêndios na área.

Alerta ambiental

O governo do Acre decretou estado de alerta ambiental em razão dos incêndios florestais e queimadas fora de controle. A quantidade de focos cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação a 2009. De acordo com a Agência de Notícias do Acre, o decreto levou em consideração uma advertência do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA) e foi firmado em encontro extraordinário do grupo.

O ar sem umidade, com previsão de frio e ventos, pode tornar mais grave as condições na área rural e nas cidades. O decreto criou também a Sala de Situação, que funcionará no gabinete do governador e acompanhará a situação em tempo real.

(EcoDesenvolvimento.org)

11 de ago. de 2010

População indígena do Xingu começa acampamento contra construção da usina

Com o objetivo de trazer a tona os impactos gerados pelos grandes projetos do governo federal previstos para a Amazônia, com o enfoque na construção da hidrelétrica Belo Monte, cerca de 500 lideranças de movimentos indígenas e populares estão acampadas no município de Altamira desde a tarde de segunda-feira. Durante as atividades que acontecem na Orla do Cais do Porto será divulgado um documento final com os posicionamentos dos povos indígenas para a região, assim como uma agenda comum de lutas entre os movimentos sociais.

Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) do governo federal e tem custo estimado em R$ 16 bilhões. Porém, de acordo com as lideranças do acampamento, sua construção causará fortes impactos ao meio ambiente e as populações tradicionais da região. Altamira, que fica na região oeste do Pará, será um dos municípios mais atingidos, caso a obra seja concluída.


De acordo com o representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em entrevista ao jornal Brasil de Fato, a proposta do acampamento é articular diferentes forças sociais e criar uma agenda para definir ações futuras contra os grandes projetos previstos para a Amazônia.


Segundo o representante do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e um dos acampados, Moisés da Costa Ribeiro, durante todo o ato serão debatidos estratégias de posicionamento sobre esses projetos. 
Promovido pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) entre os dias 26 e 29 de abril deste ano, o Seminário Nacional: os impactos dos grandes projetos na Amazônia e as mudanças na legislação ambiental e fundiária, reuniu cerca de 150 lideranças de entidades, organizações, movimentos e pastorais sociais em Belém (PA).


Durante os quatro dias de estudos e debates, foram abordados temas como a história, o contexto e as perspectivas para a Amazônia, além de relatados depoimentos sobre os impactos já causados e as experiências de resistências das populações e dos povos da região.
Dentre os encaminhamentos deste encontro, uma luta conjunta dos movimentos sociais contra a Belo Monte também foi firmada como compromisso. Por isso, é importante que todos os participantes do Seminário Nacional da Amazônia estejam juntos, engajados nesta luta que é comum de todos nós.

Fonte: 24 News

10 de ago. de 2010

Defensoria quer tombar o antigo Museu do Índio

Marcelo Dutra

 Antigo museu em ruínas
RIO - A Defensoria Pública da União decidiu, nesta segunda-feira, após reportagem do GLOBO publicada no domingo, que vai pedir ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o tombamento do antigo Museu do Índio, no Maracanã. O prédio está em ruínas, e a área abriga, no momento, cerca de 20 índios de várias etnias.
Contudo, há investidores interessados em transformá-la em um estacionamento ou mesmo um shopping center.
De acordo com o defensor público André Ordacgy, titular do Ofício de Direito Humanos e Tutela Coletiva, os índios têm direitos constitucionais que garantem a preservação de seus valores culturais:
- Se o prédio for tombado, o poder público terá que restaurá-lo e preservá-lo. Com isso, ele cumprirá sua função cultural de origem. Também, caso a área seja habitável, está descartada a remoção destes indígenas- garantiu.

Fonte: O Globo

9 de ago. de 2010

Hoje é Dia Internacional dos Povos Indígenas



Angop
Nações Unidas defendem a  promoção e protecção dos direitos dos povos indígenas do Mundo
Nações Unidas defendem a promoção e protecção dos direitos dos povos indígenas do Mundo

 Luanda – Assinala-se hoje, 09 de Agosto, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, proclamado, em Dezembro de 1994, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Foram muitos os motivos que levaram a essa decisão, mas a razão fundamental foi o reconhecimento, pela Assembleia, da necessidade de as Nações Unidas se situarem de uma forma clara e firme na vanguarda da promoção e protecção dos direitos dos povos indígenas do Mundo.
 Essa promoção e protecção tem como objectivo pôr fim à sua marginalização, à extrema pobreza, à expropriação das suas terras ancestrais e às outras violações graves dos direitos humanos de que tinham sido e continuam a ser alvo.

A proclamação deste Dia foi, sem dúvida, importante, mas foi apenas o prelúdio de um acontecimento ainda mais marcante, a adopção, pela Assembleia, da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

A Declaração é um elemento que visa garantir os direitos humanos dos povos indígenas. Estabelece um quadro em que os Estados podem construir ou reconstruir as suas relações com os povos.
 Constitui o resultado de mais de duas décadas de negociações e proporciona uma oportunidade vital para que os Estados e os povos indígenas reforcem as suas relações, promovam a reconciliação e velem para que os erros do passado não se repitam.

Por ocasião da data, as Nações Unidas reconhecem as realizações das populações indígenas do mundo, que ascendem a mais de 370 milhões de pessoas e estão espalhadas por cerca de 70 países.
 As populações indígenas do mundo preservaram uma vasta quantidade da história cultural da humanidade. Os povos indígenas falam a maioria das línguas mundiais. Herdaram e passaram adiante um rico conhecimento, formas artísticas e tradições religiosas e culturais.

Neste ano, o foco será a celebração dos cineastas indígenas, em conexão com o tema da Sessão de 2010 do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, “Desenvolvimento com cultura e identidade”.

Em sua mensagem por ocasião da data, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, destacou que os povos indígenas sofrem com o racismo, saúde precária e pobreza desproporcional.

“Em muitas sociedades, suas línguas, religiões e tradições culturais são estigmatizadas e rejeitadas. O primeiro relatório da ONU sobre o Estado dos Povos Indígenas do Mundo, de Janeiro de 2010, apresentou estatísticas alarmantes. Em alguns países, povos indígenas estão 600 vezes mais vulneráveis a contraírem tuberculose em relação ao resto da população. Em outros, uma criança indígena tem a expectativa de vida 20 anos menor do que seus compatriotas não-indígenas”, disse Ban Ki-Moon

Segundo a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, existem motivos para celebrar o progresso alcançado ao tornar os direitos humanos uma realidade para os povos indígenas.
Ela destacou que o Dia Internacional dos Povos Indígenas também é uma ocasião para lembrar que “não há espaço para a complacência. As constantes violações dos direitos dos povos indígenas, em todas as regiões do mundo, merecem nossa atenção e acção máximas”.

A data foi declarada pela Assembleia Geral da ONU para ser comemorada todos os anos durante a Primeira Década Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (1995-2004). Em 2004, a Assembleia proclamou a Segunda Década Internacional, 2005-2015, com o tema “Uma Década de Acção e Dignidade”.

4 de ago. de 2010

MITOS NA TERRA VERMELHA
Por Daniel Munduruku

Há alguns dias atrás Tania e eu estivemos na aldeia Guarani Krukutu em São Paulo. Saímos bem cedo de Lorena a fim de encontrar uns amigos para um bate papo muito interessante sobre literatura, mitologia e cinema.
Esta aldeia fica localizada no extremo sul de São Paulo às margens da represa Billings. Ali estão localizadas duas aldeias Guarani que buscam sobreviver apesar das transformações urbanísticas e as invasões que foram acontecendo ao longo do tempo “encurralando” seus moradores mais antigos para áreas de terras muito pequenas.
Na aldeia Tenondé Porã, mais próxima de Parelheiros, moram cerca de 900 pessoas espremidas em 26 hectares de terra. Seus moradores são oriundos de diferentes lugares e trazem na bagagem, além da história de lutas pela sobrevivência, rica espiritualidade, rituais ancestrais e uma valente teimosia em permanecerem vivos salvaguardando o uso de sua língua tradicional. Nem mesmo a proximidade com o centro urbano e dependência econômica com relação à cidade tem tirado o firme propósito dessa gente em manter sua identidade ancestral.
http://www.culturaguarani.org.br/imgs/mapaguia.gifO mesmo se pode dizer da aldeia que visitamos. Ela é um pouco mais afastada do centro urbano e está localizada em 06 hectares de terra que foram demarcados há não muito tempo. Sua população aproximada é de 300 pessoas em sua grande maioria crianças que aprendem o português apenas depois de terem sido alfabetizadas em Guarani, sua língua natal. Para sobreviver tiram da “billings” produtos da pesca; organizam visitas guiadas; vendem artesanato confeccionado em madeira e palha e recebem ajudas dos programas sociais de diferentes entidades e dos governos municipal, estadual e federal.
Eu já os conheço há 20 anos. Frequento o local desde que cheguei a São Paulo e com eles desenvolvi alguns projetos e tive a felicidade de participar de lindos rituais ancestrais e também de presenciar verdadeiros milagres do cotidiano.
Foi neste lugar que decidimos organizar uma conversa sobre literatura, cinema, mitologia. A ideia partiu de minha amiga Heloisa Prieto, escritora renomada e grande parceira de projetos literários e da vida. Aceitei logo de cara. Imediatamente fizemos contato com o escritor indígena Olívio Jekupé, morador da aldeia e presidente da Associação Guarani Nhe´ê Porã. Logo aceitou. Aí partimos para o ataque sobre quem convidar para falar sobre os temas em questão. Vimos logo que tínhamos as pessoas certas quando nos deparamos com o Marcos Martinho dos Santos, um dos maiores especialistas em letras clássicas do mundo. Ele é professor na USP e na Sorbonne e viaja pelo mundo falando sobre o tema. Também ele se dispôs a nos acompanhar aceitando falar sobre a metodologia de compilação dos mitos realizada pelos gregos clássicos. Não era uma fala acadêmica, mas informativa. Nosso desejo era que os indígenas pudessem compreender como é importante e necessária a organização de acervos para posteriores consultas e registros. E isso ele fez com a competência dos homens simples. Fez isso narrando mitos clássicos de forma vívida embriagando os presentes com o desejo de narrar seus próprios mitos, criando uma atmosfera de partilha, de envolvimento, de totalidade. Ali, os mitos foram definidos como um grande quebra cabeças simbólicos só possíveis de serem compreendidos em sua totalidade quando se alcança a maturidade humana e http://www.grupoparisfilmes.com.br/banco_arquivos/imagens/TERRA%20VERMELHA/Terra-Vermelha-web.jpgcósmica.
Para falar de cinema convidamos o roteirista e cineasta Luiz Bolognesi. Entre outros trabalhos escreveu o roteiro do filme Terra Vermelha (filme que fez e faz mais sucesso no exterior que aqui). O filme conta os motivos que levam os jovens guaranis de Dourados ao suicídio. Naquela região do Mato Grosso do Sul se concentra o maior índice per capita de suicídio no mundo. Este leitmotiv foi a mola propulsora que fez o diretor italiano Marco Bechis a montar o projeto que culminou num lindo trabalho cinematográfico.
Coube ao jovem e talentoso roteirista nos contar como se deu o trabalho com a comunidade Kaiowá, Guaranis daquela região. Para nossa surpresa nos falou que o roteiro foi construído com os próprios atores que eram todos do local (com exceção dos papéis que cabiam a atores não indígenas, obviamente) e que houve improvisações surpreendentes e por conta disso ele tinha que reescrever o roteiro vezes sem conta.
IMG_0306         Esta conversa toda aconteceu depois que assistimos ao filme. É realmente chocante, emocionante e, para não exagerar, uma aula de etnologia e humanidade dada pelos próprios indígenas guaranis. Acho que vale uma aula nas escolas de cada cidade brasileira. Nosso país precisa contar a história sobre outro enfoque. Eis aí um rico material de apoio.
Ainda nos deparamos com gratas surpresas de ver crianças participando com muita atenção desta que seria uma “conversa de adulto”. Tania a tudo registrava, seja pela lente de sua memória, sua atenção e sua participação ou pela lente de sua câmera que captou momentos muito mágicos deste lindo dia de aprendizado e alegria, como o rosto atento do pequeno curumim que se dividia entre assistir ao filme e ler um livro que carregava para todos os lugares onde fosse.
O sol já se punha quando nos despedimos de nossos anfitriões que não escondiam a satisfação de ter-nos recebido e partilhado conosco a alegria de serem filhos desta Terra Vermelha.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...