31 de out. de 2012

Peixe e Gente no Ciência às 7 e meia

O Musa organiza exposição sobre a vida e a cultura dos índios Tukano e Tuyuka que habitam o Alto Rio Tiquié, no noroeste amazônico (Fotos: Juan Soler e Marcella Rufino).


Com o título de “Peixe & Gente no Alto Rio Negro: conhecimentos indígenas sobre a pesca”, o projeto Ciência às 7 e meia, do Museu da Amazônia/Musa leva no próximo dia 31 de outubro ao Teatro Direcional do Manauara Shopping, a cosmologia do povo Tukano que habita a região amazônica. Aloisio Cabalzar (ISA), Ennio Candotti (Musa), Tarcísio Barreto (Conhecedor Tukano) e Guilherme Tenório (Conhecedor Tuyuka) vão apresentar o que está sendo preparado para a exposição “Peixe e Gente”, a ser inaugurada no próximo mês, no Jardim Botânico Adolpho Ducke, na zona leste de Manaus.

      
   Fotos: Juan Gabriel Soler

A exposição “Peixe e Gente” vai abordar a cultura e as tradições do povo Tukano e ocupará cerca de 1000m2 do centro de visitação do Museu da Amazônia, na Reserva Florestal Adolpho Ducke (em duas tendas esticadas na floresta e um pavilhão). O objetivo é contribuir para a conservação das tradições e saberes indígenas, através do seu rico patrimônio material e imaterial, expresso em suas aldeias e cerimônias, cozinha e armadilhas de pesca, no alto rio Negro.

No acervo da exposição estão armadilhas de pesca (algumas gigantes, construídas por artesãos indígenas no próprio local da exposição), painéis ilustrativos sobre os principais mitos da cosmologia Tukano, relacionados com os peixes e ilustrados pelo artista indígena Feliciano Lana; painéis ilustrativos de espécies de peixes encontradas na região do alto rio Tiquié, além de uma cozinha tipicamente indígena, com artefatos tradicionais trazidos de várias comunidades do alto rio Negro.

   
Fotos: Marcella Rufino

A exposição é uma realização do Musa, com a parceria do Instituto Socioambiental (ISA). Aprovado pela Lei Rouanet, o projeto conta com o patrocínio da Bemol (Benchimol Irmão e Cia) e Sociedade Fogás Ltda. A curadoria é do antropólogo Aloisio Cabalzar, cenografia do artista plástico Zeca Nazaré, fotografias e documentários de Juan Gabriel Soler e conta com a participação do artista indígena Feliciano Lana e dos artesãos Tarcísio Borges Barreto (Tukano), Domingos Prado Marques (Tukano), Guilherme Pimentel Tenório (Tuyuka), José Pimentel (Tukano) e Luciano Barbosa (Makuna).
 
     
    Fotos: Juan gabriel Soler

Palestra: “Peixe & Gente no Alto Rio Negro: conhecimentos indígenas sobre a pesca"
Palestrante: Aloisio Cabalzar (ISA), Ennio Candotti (Musa), Tarcisio Barreto (Conhecedor Tukano) e Guilherme Tenório (Conhecedor Tuyuka)
Data: 31 de outubro de 2012
Hora: 19h30
Local: Teatro Direcional. Manauara Shopping - Av. Recife, 1300. Adrianópolis
Entrada Gratuita

TRÊS ESCOLAS INDÍGENAS DA REGIÃO AMAJARÍ PARTICIPARAM DO V INTERCULTURAL DAS ESCOLAS INDÍGENAS DO ENSINO MÉDIO


Três Escolas do Amajarí participaram do V Intercultural das Escolas do Ensino Médio “O Fruto do Nosso estudo e trabalho” Promovido pela Divisão Escolar Indígena- DIEI/SECD. Foram as Escolas Estaduais Indígenas Tuxaua Manoel Horácio- Comunidade Guariba, Tuxaua Raimundo Tenente- Comunidade Araçá e Santa Luzia- Comunidade Três Corações.

Esse Intercultural teve como objetivo apresentar, socializar e articular os trabalhos e as experiências das atividades e projetos desenvolvidos pelos os alunos e professores das Escolas do Ensino Médio Regular promovendo o intercâmbio, avaliando e propor melhorias na qualidade de ensino, para fortalecer e valorizar a cultura dos povos indígenas de Roraima. Participaram 23 escolas das regiões de Surumú, Serra da Lua, Serras, Taiano, Baixo Cotingo, São Marcos, Murupu, Raposa, Amajarí.

A Escola Estadual Indígena Santa Luzia apresentou o Projeto “Viva Natureza” tendo com linha unificadora é de preservar a natureza e cultivar mais plantas para que no futuro possamos ter plantas para produzir remédios medicinais caseiros, preservar espécies de plantas medicinais.
Escola Tuxaua Manoel Horácio apresentou o“Projeto Jovens Indígenas: Promovendo a Educação Ambiental” com o objetivo de incentivar a educação ambiental aos discentes para que compreenda a natureza complexa do meio ambiente natural e do meio ambiente criado pelo homem, resultante da integração de seus aspectos biológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais.
Escola Estadual Tuxaua Raimundo Tenente teve como Titulo do Projeto “Leitura” esse projeto realizado pelos alunos sendo trabalho por áreas de conhecimento ciências sociais, comunição e arte, ciências da natureza, foram atividades realizadas em lugares sagrados da comunidade Araçá, também teve um aula de campo na Pedra Pintada e Tepequém. Com foco de preservar, conhecer e repassar as histórias contadas pelos ancestrais da comunidade.

O resultado positivo do Intercultural, no decorrer dos anos, em que foi realizado proporcionou a continuidade da implantação do ensino médio nas escolas que apresentaram demanda.
DADOS- Conforme dados do Censo Escolar (2011), comas novas implantações de Ensino Médio regula há 42 escolas 15.005, para DIEI (2012) há um total de 48 Escolas de Ensino Médio e 1.862 alunos.


Fonte: Divisão Escolar Indígena- DIEI/SECD


Escrito por: Monaliza Ribeiro <rmonalizanayara@yahoo.com.br> Profª. Da Escola Estadual Indígena Tx. Manoel Horácio- Comunidade Guariba.
http://creianp.blogspot.com.br/2012/10/tres-escolas-indigenas-da-regiao.html

27 de out. de 2012

CORTA ESSA DE SUICÍDIO!


José Ribamar Bessa Freire
28/10/2012 - Diário do Amazonas


Foi assim. No primeiro século da era cristã, os Guarani saíram da região amazônica, onde viviam, e caminharam em direção ao Cone Sul. Depois de longas andanças, ocuparam terras que hoje estão dentro de vários estados nacionais: Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. Os vestígios arqueológicos e linguísticos que foram deixando ao longo do caminho permitiram que os pesquisadores reconstruíssem essa rota e estabelecessem datas prováveis do percurso feito.  
Dois mil anos depois, um italiano, nascido em 1948, em Toscana, atravessou o oceano Atlântico com sua família, veio para Porto Alegre, de lá para Curitiba, se naturalizou brasileiro e se instalou, finalmente, em Mato Grosso do Sul, onde encontrou os Guarani, que lá vivem há quase dois milênios. O italiano recém-chegado se tornou governador do Estado. Seu nome: André Puccinelli (PMDB - vixe, vixe).
A migração estrangeira ajudou a construir nosso país, quando conviveu em paz com os que aqui estavam há muitos séculos, sem atropelá-los. Muitos estrangeiros, honrados, trouxeram trabalho, riqueza e cultura e compartilharam o que tinham e o que produziam com o resto da sociedade que os acolheu. Ensinaram a aprenderam. Mudaram e foram mudados. Benditos estrangeiros que plasmaram a alma brasileira!  
No entanto, não foi isso o que sempre aconteceu em Mato Grosso do Sul. Lá, desde 1915, fazendeiros, pecuaristas e agronegociantes, quando chegaram, encontraram as terras ocupadas por índios. Consideraram as terras indígenas como "devolutas" e começaram a expulsar os que ali viviam, num processo que se acelerou nas últimas décadas. Foi aí que os invasores, representados hoje, no campo político, por André Puccinelli, colocaram seus documentos pra fora e, machistas, ordenaram autoritariamente:
- Deite que eu vou lhe usar!
Usaram a terra em proveito próprio, da mesma forma que o coronel Jesuíno, interpretado por José Wilker, usou a Sinhazinha na minissérie Gabriela: sem nenhum agrado, sem qualquer respeito. Com dose cavalar de brutalidade, desmataram, queimaram, exploraram os recursos naturais, abusaram dos agrotóxicos, colheram safras bilionárias de soja, cana e celulose, extraíram minério, poluíram rios e privatizaram a natureza para fins turísticos. Pensaram só neles, no lucro, e não na terra e na qualidade da vida, nem compartilharam com a sociedade, que ficou mais empobrecida.
Flor da terra
O resultado desastroso do uso da terra foi lamentado pelos líderes e professores Kaiowá em carta de 17 de março de 2007:
 - O fogo da morte passou no corpo da terra, secando suas veias. O ardume do fogo torra sua pele. A mata chora e depois morre. O veneno intoxica. O lixo sufoca. A pisada do boi magoa o solo. O trator revira a terra. Fora de nossas terras, ouvimos seu choro e sua morte sem termos como socorrer a Vida.  
Para os Guarani, o que aconteceu foi um estupro, ferindo de morte a sinhazinha natureza. A relação deles com a terra é amorosa, eles não se consideram donos da terra, mas parceiros dela. Ela é o tekoha, o lugar onde cultivam o modo de ser guarani, o nhanderekó. "Guardamos com a terra" - diz o kaiowá Tonico Benites - "um forte sentimento religioso de pertencimento ao território".
O professor guarani Marcos Moreira, quando foi meu aluno no curso de formação de professores, entrevistou o velho Alexandre Acosta, da aldeia de Cantagalo (RS) que, entre outras coisas, falou:
- Esta terra que pisamos é um ser vivo, é gente, é nosso irmão. Tem corpo, tem veias, tem sangue. É por isso que o Guarani respeita a terra, que é também um Guarani. O Guarani não polui a água, pois o rio é o sangue de um Karai. Esta terra tem vida, só que muita gente não percebe. É uma pessoa, tem alma. Quando um Guarani entra na mata e precisa cortar uma árvore, ele conversa com ela, pede licença, pois sabe que se trata de um ser vivo, de uma pessoa, que é nosso parente e está acima de nós.
Os líderes Kaiowá reforçam essa relação com a terra quando lembram, na carta citada, que o criador do mundo criou o povo Guarani para ter alguém que admirasse toda o esplendor da natureza."O nosso povo foi destinado em sua origem como humanidade a viver, usufruir e cuidar deste lugar, de modo recíproco e mútuo" - escreve o kaiowá Tonico Benites, doutorando em antropologia. "Por isso, nós somos a flor da terra, como falamos em nossa língua: Yvy Poty" - completam os líderes Kaiowá.
Se a terra é um parente, a relação com ela deve ser de troca equilibrada, de solidariedade. É como a mãe que dá o leite para o filho. Ela dá, sem pensar em cobrar. Ela não cobra nada, mas socialmente espera que um dia, se precisar, o filho vai retribuir.
"Tudo isso é frescura" - dizem os fazendeiros e pecuaristas que pensam como o coronel Jesuíno: a terra é pra ser usada. E ponto final. Portanto, o conflito não é apenas fundiário, mas cultural, com proporções tão graves que a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, considera essa como "a maior tragédia conhecida na história indígena em todo o mundo". É que os Guarani decidiram defender a terra ferida e para isso realizaram um movimento de ocupação pacífica do território tradicional localizado à margem de cinco rios: Brilhantes, Dourados, Apa, Iguatemi e Hovy.
Apenas uma pequena parte do antigo território, que lhes permita sobreviver dignamente, é reivindicada. É o caso da comunidade Pyelito Kue-Mbarakay, no extremo sul do Estado, onde vivem 170 Kaiowá, dentro da fazenda Cambará, às margens do rio Hovy, município de Iguatemi (MS). A comunidade está cercado por pistoleiros e lá já ocorreram recentemente 4 mortes, duas por espancamento e tortura dos jagunços e duas por suicídio.
Somos Kaiowá       
Um juiz federal, Sergio Henrique Bonacheia, determinou, em setembro último, a expulsão dos índios. Ele afirmou que não interessa "se as terras em litígio são ou foram tradicionalmente ocupadas pelos índios ou se o título dominial do autor é ou foi formado de maneira ilegítima". Os índios vão ter que sair - decidiu o magistrado.
O Ministério Público Federal e a Funai recorreram ao Tribunal Regional Federal contra tal decisão. Os índios se rebelaram, escreveram uma carta anunciando que dessa forma o juiz está decretando a morte coletiva, que ele  pode enviar os tratores para cavar um grande buraco e enterrar os corpos de todos eles: 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças,  que eles ali ficam, como um ato de resistência, para morrer na terra onde estão enterrados seus avós.
O suicídio coletivo - assim a carta foi interpretada - teve enorme difusão nas redes sociais e ampla repercussão internacional, "com o silêncio aterrador" da mídia nacional, como lembrou Bob Fernandes, autor de um dos três artigos esclarecedores e informativos. Os outros dois foram de Eliane Brum e de Tonico Benites.
Construiu-se rapidamente nas redes sociais uma corrente de solidariedade, com sugestões para a realização de atos de protestos em muitas cidades brasileiras. "Nós todos somos Kaiowá" - disseram, parodiando um slogan que ficou célebre em maio de 1968, na França: "Nous sommes tous des juifs allemands".  Um desses atos, marcado para hoje, domingo, dia 28, será no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, onde está instalada uma exposição sobre a vida da atriz Regina Duarte, proprietária de uma fazenda em MS e considerada porta-voz dos fazendeiros, por uma declaração infeliz que deu.
Diante da gravidade dos fatos, o governo federal convocou reunião de emergência para a próxima segunda-feira, com a participação de vários órgãos governamentais. A possibilidade de se efetivar o suicídio coletivo dos Kayowá se apoia em dados oficiais do Ministério da Saúde: nos últimos onze anos, entre 2.000 e 2011, ocorreram 555 suicídios, uma das taxas mais altas do mundo.
Se a tragédia acontecer, uma pergunta vai ter que ser respondida: suicídio coletivo? Será mesmo? A ideia de suicídio é, num certo sentido muito cômoda, porque isenta de culpa a terceiros. Mas se você é levado por alguém a se matar, trata-se de suicídio ou de uma forma de homicídio? O artigo 122 do Código Penal Brasileiro estabelece pena de reclusão para o agente que, através de ato, induz ou instiga alguém a se suicidar ou presta-lhe auxílio para que o faça. Quem pode ser incriminado neste caso?
A pergunta deve ser feita ao governador Puccinelli, implicado pela Operação Uragano da Polícia Federal num esquema ilegal de pagamento de propinas a deputados e desembargadores, que em maio de 2010, durante a abertura da Expoagro, em Dourados, incitou os fazendeiros contra os índios. A pergunta pode ser repassada também à senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que em artigo, ontem, na Folha de São Paulo, teve o descaro de escrever, com certa dose de cinismo e de deboche:
- "Se a Funai pensa, por exemplo, que são necessárias mais terras para os indígenas pela ocorrência da explosão demográfica em certa região, nada mais fácil do que comprar terras e distribuí-las".
O discurso da senadora  - convenhamos - é transparente, porque evidencia a relação exclusivamente mercantil que têm com a terra, ela e aqueles que ela representa e da qual é porta-voz. Mostra ainda que ela não é capaz de entender a relação amorosa e religiosa dos Guarani com a terra. O coronel Jesuíno, certamente, assinaria embaixo de tal discurso.

http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1004

18 de out. de 2012

Literatura nativa escrita por índios


Por Olívio Jecupé

[Escritor de literatura nativa e poeta. Presidente da Associação Guarani Nhe´e Porã, morador da aldeia Krukutu, São Paulo- Parelheiros-SP]



Sei que no passado por exemplo nos anos de 1970 não se conhecia autores indígenas com livros publicados no Brasil, mas hoje está muito diferente porque temos vários escritores indígenas que escrevem e têm livros publicados, ou textos em revistas. Isso é muito bom porque mostramos ao mundo que não somos só contadores de história oral, mas pessoas capacitadas que têm a sabedoria de escrever belas histórias. Por isso hoje podemos ver grandes escritores indígenas, como, Darlene Taukane, Manoel Moura, Giselda Jerá, Jeguaka Mirim, Adão Tataendy, Cristino Wapichana, Eliane Potiguara, Jaime Dessano, Rosi Tapuia, e tantos outros que poderia mostrar aqui nesse texto. 

Sendo assim, acredito que a literatura nativa escrita por nós, é muito importante porque vai chegar até os não índios e fará com que a sociedade conheça melhor os povos indígenas, e com isso vai valorizar mais a gente em geral. 

E nossa escrita mostrará ao mundo a nossa capacidade de escrever, pois o povo indígena sempre foi mal visto como incapaz. E através dela, podemos mostrar que nós também somos capazes de termos nossos livros publicados. 

Quando eu iniciei a escrever em 1984, eu não conhecia nenhum escritor indígena com livro publicado, aliás as editoras não davam muito valor sobre isso, e agora parece que está mudando essa mentalidade, pois as editoras estão publicando mais livros sobre o tema indígena. Isso é bom porque com a nova lei 11.645, onde terá que falar sobre os povos indígenas, os professores terão mais assunto para discutir, e melhor, mais conhecimento para ser discutido nas salas de aula. Sei que antes os professores falavam sobre os povos indígenas, mas não tinha muitos livros sobre essa questão. Por isso, nós índios temos que escrever mesmo, e com sabedoria, porque, levaremos nosso conhecimento ao mundo. 
Também, quero dizer que será importante para nossas aldeias, porque nas aldeias chega muitos livros enviados pelas secretarias de educação, mas livros que não é sobre índios. E a partir de agora eles poderão enviar livros de autores indígenas, para que as crianças tenham mais conhecimento sobre os temas que chegarem.
Mas sei que muitos na cidade acham engraçado ver um índio escritor com livros publicados, muitos viam o índio como atrasado, agora que escrevem, vêem com outro preconceito, até dizem que não são índios porque índio é contador de história oral. E nós índios temos que entender que na sociedade não indígena nem todos entenderão nosso ponto de vista, mas devemos escrever mesmo recebendo críticas deles porque muitos outros irão nos entender e nos valorizar.
Aliás, antes eu sofri muito por não ser entendido, e hoje muitos me valorizam e juntos valorizam nosso povo indígena, é que a sociedade é complexa, se um índio faz uma coisa errada, eles dizem que os índios são assim, por isso, quando eles valorizam um índio escritor, aí valorizam os índios.
Também gostaria de dizer que hoje mudou muito no Brasil, temos escolas dentro da própria aldeia e nossas crianças aprendem a ler e escrever, aliás, nas duas línguas, português e na língua nativa, por exemplo, na aldeia krukutu, onde moro, escrevem em guarani e português. E nossas crianças continuam ouvindo história oral junto com seus pais, e, sendo assim, surgirão muitos autores e que poderão publicar livros também, e acredito que em breve teremos muitos escritores indígenas, o que facilitará mais a sociedade a nos compreender melhor. Como exemplo, eu tenho alguns filhos e quero citar um exemplo, tenho um que se chama Jeguaka Mirim, que nasceu em 2001 e desde pequeno ele gostava de ouvir história e sempre eu contava alguma pra ele antes de dormir, aí com 6 anos ele entrou na escola e logo aprendeu a ler, com isso ele começou a ler meus livros, isso me deixou contente, porque vi que gostava de ler, aí com oito anos ele pegou um caderno e começou a escrever algo, depois ele quis digitar no notebook, e pude ver que ele tinha talento para escrever, agora posso dizer que ele é escritor, e já tem um contrato assinado com uma editora e em breve o Brasil irá conhecer o pequeno guarani escritor. Por isso, sei que outros kurumins no Brasil poderão publicar um livro também, e por isso que é importante que a sociedade apoie os povos indígenas escritores.
E como eu sou escritor gostaria de comentar um pouco de cada livro, primeiro que falarei é:

  • 500 anos de Angústia: é um livro de poesias e que pelo título dá pra perceber que é uma critica aos 5oo anos de sofrimento por tantos problemas sofridos nesses séculos de invasão. 
  • Verá o contador de história: é um livro em que eu uso um kunumi-menino e que tem o dom de criar e contar histórias, pois muitos sempre imaginam que os velhos são os contadores , mas na verdade quem conta história já nasce com esse talento. 
  • Iarandu o cão falante: já nesse livro eu mostro algo interessante, pois muitos dizem que os animais não pensam, e através de um cachorro que é iarandu, um gênio, irá conversar com um garoto e trocará ideias filosóficas e quem ler esse livro poderá entender melhor os cachorros. 
  • Xerekó arandu a morte de Kretã: esse livro mostra a história de um dos maiores líderes, foi o primeiro vereador do Brasil, e lutou muito para defender seu povo e em 1980, a mando de quem não queria o bem dos índios, mandaram matá-lo. É um livro emocionante e choro todas as vezes que leio. 
  • O saci verdadeiro: quero dizer que o saci é um personagem indígena e que tem duas pernas e é o protetor da floresta, é conhecido como Kamba'i ou Jaxy Jatere. E sou o primeiro no Brasil a escrever essa história desse personagem. 
  • Ajuda do Saci: mostro uma aldeia em que não havia escola e um dos kunumi deseja estudar e aí para realizar seu sonho irá morar na cidade de uma família amiga, ficará lá três anos, até que acontecerá algo triste com ele e ficará paraplégico e terá que voltar para a aldeia e sua tristeza chega até o Saci (Jaxy Jaterê) - e nisso vocês conhecerão um pouco mais sobre o que acontecerá depois, é um livro que está traduzido em guarani. 
  • Arandu ymanguaré: esse livro é pequeno mas grande nas ideias, e nele tem um pequeno momento de perguntas e respostas e algumas histórias, fico feliz por ter recebido muitos elogios dos que leram esse trabalho e espero que você também se sinta feliz ao ler. 
  • Indiografie: esse livro foi publicado na Itália e fiz o lançamento em Roma e outras cidades. Eu havia sido convidado para publicar um livro e nisso resolvi que fosse uma coletânea e aí convidei outros autores indígenas para fazer parte, achei importante porque acredito que os leitores de lá iam gostar muito dessa ideia. E gostaram mesmo, disseram eles nos eventos que fiz. -Literatura escrita pelos povos indígenas: Nesse livro eu tento mostrar um pouco de minhas experiências que tive desde que iniciei a escrever nos anos de 1984 e como anda hoje a literatura nativa escrita por mim e outros autores -Tekoa conhecendo uma aldeia indígena: Nesse livro eu uso um menino da cidade que deseja conhecer uma aldeia e no tempo que ele vai ficar na aldeia, irá conhecer o dia a dia de uma comunidade, e volta feliz por conhecer uma cultura diferente da sua e notará que o índio não é inferior, mas diferente culturalmente. 
  • A mulher que virou urutau: Esse livro é um mito contado nas aldeias guarani, nele mostra a história do lua e a história de uma moça que se apaixonou por ele. É um livro bilíngue, em português e guarani.

Publicado em: Caxiri na Cuia - UFSCAR

1 de out. de 2012

O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990) - Tese de Doutorado de Daniel Munduruku



Caros/caras,
Minha tese de doutorado foi publicada pela editora Paulinas.
Quem desejar adquirir, é só seguir os procedimentos listados abaixo.
Daniel Munduruku

O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990) - Tese de Doutorado de Daniel Munduruku
Ed. Paulinas
Preço: R$ 22,00
Frete: Grátis

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2.       Destinatário:

3.       Depósito em conta: BANCO DO BRASIL
                                 TITULAR: DM PROJETOS ESPECIAIS LTDA                                     
                                 AG 0857-5 - CC 14005-8
4.       Confirmação do depósito

5.      Envio do livro após confirmação do depósito - Recebimento de 1 até 7 dias.

Pós-graduação Lato Sensu em EDUCAÇÃO DIVERSIDADE E CULTURAS INDÍGENAS


MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...