30 de ago. de 2012

Garimpeiros brasileiros massacraram 80 índios na Amazônia venezuelana


QUARTA, 29 DE AGOSTO DE 2012
Um total de 80 índios da comunidade ianomâmi localizados no estado (venezuelano) do Amazonas foram assassinados por garimpeiros, de acordo com denúncia da Promotoria Superior de Porto Ayacucho e integrantes do HOY (Horonami Organização Ianomâmi), informa o jornal venezuelano El Nacional.
O massacre ocorreu em 5 de julho e virou notícia porque três homens da comunidade sobreviveram, pois neste dia saíram muito cedo pra caçar”, explicou Luis Sahpiwe, secretário executivo da organização.
A solicitação foi apresentada ao Ministério Público e também na sede da Defensoria do Povo, localizadas em Porto Ayacucho, capital do estado venezuelano do Amazonas.
No texto, pedem que se investigue o ocorrido, que as autoridades visitem o lugar dos fatos (a comunidade de Irotatheri, que fica a vários dias de viagem, a pé, pelo Rio Ocamo) e que o Estado acione mecanismos binacionais com o Brasil para desalojar os garimpeiros da região, mantendo vigilância por lá.
“Segundo a informação recebida, um grupo de garimpeiros brasileiros chegou à comunidade de Irotatheri (de acordo com os testemunhos de três sobreviventes que se encontravam caçando) atacando com armas de fogo e explosivos. Os sobreviventes da comunidade que se encontravam na selva escutaram ruídos de disparos, explosivos e, inclusive, a aterrissagem de um helicóptero, no qual teriam chegado os mineradores”, assinala o documento.
Sahpiwe assegurou que, de acordo com os testemunhos dos sobreviventes, o helicóptero sobrevoou muito de perto do “shabono” (espécie de oca gigante) onde vivia a comunidade, de onde começaram a disparar e incendiar a estrutura, construída principalmente de palha.
“Membros da comunidade de Hokomawe que visitavam a comunidade Irotatheri perceberam o shabono queimado, os corpos carbonizados e se encontraram com os três sobreviventes”, afirma o pedido de investigação.
O secretário executivo da HOY explicou que, com base no testemunho dos três que sobreviveram, dos três indígenas em visita e de um grupo de 14 pessoas que se transportaram até o local dos fatos, todos se apresentaram na 52ª Brigada de Infantaria da Selva e Guarnição Militar de Porto Ayacucho, e no dia 21 de agosto uma comissão se dirigiu até as comunidades indígenas que testemunharam o fato.
“Esse novo massacre ocorre justo quando no ano que vem se completam 20 anos do massacre de Haximú, na qual foram assassinados por garimpeiros 16 índios ianomâmis, em maioria mulheres, crianças e idosos”,
“Isso é um massacre contra o povo ianomâmi”, concluiu Sahpiwe.

Por Diana Lozano Perafán, El Nacional
Tradução: Gabriel Brito, Correio da Cidadania.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM QUI, 30 DE AGOSTO DE 2012

Organizações indígenas venezuelanas denunciam novo genocídio de Yanomami por garimpeiros brasileiros
[29/08/2012 10:43]

O relato está baseado no depoimento de três sobreviventes, que estavam na floresta no momento do ataque dos garimpeiros contra a casa coletiva da comunidade Irotatheri, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O número de mortos ainda é incerto
Depois de 20 anos do massacre realizado por garimpeiros brasileiros contra os Yanomami, no caso conhecido como Massacre de Haximú, três sobreviventes relatam nova barbárie ocorrida em julho deste ano em território venezuelano
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiam), que congrega 13 organizações indígenas da Amazônia Venezuelana, divulgou nesta segunda-feira (28), documento baseado no relato de sobreviventes Yanomami, da comunidade Irotatheri, localizada nas cabeceiras do Rio Ocamo, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O relao dá conta de que garimpeiros cercaram a casa coletiva e dispararam contra eles, posteriormente ateando fogo à casa. Os sobreviventes estavam na floresta no momento do ataque. O número de mortos ainda é incerto.
O documento faz referências ás frequentes denúncias dos Yanomami, que têm sido feitas desde 2009 aos diversos órgãos do Estado Venezuelano, sobre a crescente invasão garimpeira e o consequente aumento da violência entre os garimpeiros e os índios. Violência física, ameaças e a contaminação da água por uso de mercúrio causando a morte de vários Yanomami são alguns dos exemplos citados.
No Brasil, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o ISA vem alertando para o aumento do garimpo ilegal no território Yanomami , impulsionado pela alta do preço do ouro no mercado internacional. Soma-se a isso ainda a insuficiência das ações governamentais para coibir o garimpo, gerando um recrudescimento da violência entre garimpeiros e os Yanomami, que podeira resultar em um novo massacre de Haximu (saiba mais).
As operações de repressão ao garimpo em Terra Indígena Yanomami aumentaram no Brasil nos últimos dois anos. Em julho último, a Operação Xawara teve como foco a prisão de empresários do garimpo e de não garimpeiros, com resultados mais positivos em relação às ações de combate ocorridas até então. No entanto, estas medidas não foram suficientes para impedir a escalada da violência entre o povo Yanomami e os garimpeiros. Para tanto, é necessário continuar combatendo os empresários do garimpo em uma ação de cooperação binacional, que considere a participação dos Yanomami.
O documento da Coiam solicita ao governo da Venezuela que realize uma investigação urgente, além de adotar medidas bilaterais com o Brasil para controlar e vigiar a entrada de garimpeiros no município de Alto Ocamo, local do massacre. As organizações signatárias do documento lembram ainda que a omissão de investigar e tomar medidas eficazes, como no caso de Haximu em 1993, poderia compromenter a responsabilidade internacional do Estado Venezuelano, por permitir que agentes externos agridam os venezuelanos, no caso os Yanomami, em seu próprio território.
ISA, Instituto Socioambiental.

27 de ago. de 2012

Livro sobre educação escolar indígena no Rio Negro será lançado nesta segunda (27/8)

A partir de artigos, depoimentos e entrevistas que descrevem os processos pelos quais passaram as diferentes escolas indígenas do Rio Negro, no noroeste amazônico, a publicação resume treze anos do projeto de Educação desenvolvido pelo ISA e pela Foirn. O lançamento é nesta segunda (27) na abertura do seminário "Presença indígena da universidade", no prédio das Ciências Sociais, na Universidade de São Paulo, entre 18 e 21h

A publicação Educação Escolar Indígena do Rio Negro 1998-2011, Relatos de experiências e lições aprendidas, editado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo ISA, faz um resumo do projeto de Educação desenvolvido por ambas as instituições no Rio Negro, noroeste amazônico.
São treze anos de educação escolar indígena no Alto Rio Negro, contados ao longo de mais de 400 páginas, descrevendo os processos pelos quais passaram as diferentes escolas indígenas da região com artigos, depoimentos e entrevistas. O projeto tem apoio de longo prazo da Fundação Rainforest da Noruega, da Norad e apoio institucional da Cooperação Austríaca, do Horizont3000, Aliança pelo Clima e Fundação Gordon & Betty Moore. O projeto foi inspirador de uma ampla reforma na educação escolar na região, mas que ainda não está completa.
O livro foi organizado pela antropóloga Flora Cabalzar que trabalhou durante muitos anos no projeto, com apoio do Instituto Arapyaú. Entre 1998 e 2011, período que a publicação abrange, foram muitas as conquistas dos povos indígenas rionegrinos em relação à educação escolar, com a implantação de projetos diferenciados muito bem-sucedidos. É o caso das escolas Baniwa-Coripaco, como a Escola Pamáali, no Rio Içana, que completou dez anos em 2011, e de algumas outras como a Tuyuka Utapinopona, no Alto Rio Tiquié, que formou sua primeira turma de ensino médio em 2009, e a Tukano Yupuri, no Médio Rio Tiquié, que em 2011 também formou sua primeira turma de ensino médio.
A proposta político- pedagógica dessas escolas valoriza os conhecimentos indígenas, sem prejuízo dos conhecimentos e ciências dos “brancos”. Reaproxima as crianças e jovens dos velhos conhecedores, alfabetiza as crianças em sua língua materna e estimula o ensino por meio de pesquisas colaborativas e interculturais com a participação de pesquisadores indígenas e parcerias com universidades. A publicação será lançada em 27 de agosto, em São Paulo, na abertura do seminário "Presença Indígena na universidade", no Prédio das Ciências Sociais da USP, Sala 14, na Avenida Professor Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo. e está à venda na loja do site do ISA. O seminário é promovido em conjunto pelo Iepé com o Centro de Estudos Ameríndios e o Projeto Temático Redes Ameríndias, ambos da USP. E conta com o apoio da Fapesp, da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e da Embaixada da Noruega.

ISA, Instituto Socioambiental.

http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=3649

Ministério Público Federal e NEPPI/UCDB sinalizam início de cooperação




Por Camila Emboava - 2012-08-24
Hoje (24), o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida esteve na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) em reunião com a equipe de pesquisadores e o diretor do Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas da Universidade Católica Dom Bosco (NEPPI/UCDB), Pe. George Lachnitt.


O encontro sinaliza o início de uma cooperação entre o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) e o Centro de Documentação e Biblioteca Digital Indígena Teko Arandu tendo em vista a fundamentação documental de processos de identificação para demarcação de terras indígenas. Um projeto de convênio aprovado pelo Ministério Público deve ser formalizado e assinado.

Segundo o professor da UCDB e pesquisador do NEPPI, dr. Neimar Machado, a visita de um representante do Ministério Público Federal atesta o valor histórico e também probatório dos documentos que são selecionados, organizados e disponibilizados pelo Centro de Documentação. “O Ministério Público Federal é uma instituição que tem o papel de corrigir as distorções da Justiça Brasileira e a Justiça Brasileira historicamente garantiu o direito das populações privilegiadas economicamente. Então, quando o MPF reconhece o valor de um Núcleo de Pesquisa e de um Centro de Documentação, ele atesta de maneira indireta que o trabalho realizado é sério e cientificamente relevante. Uma parceria com o Ministério Público é muito importante no sentido de legitimar nosso trabalho.”, afirma o pesquisador.

O Centro de Documentação e Biblioteca Digital Indígena Teko Arandu, que significa “viver com sabedoria” em guarani, é um projeto do NEPPI/UCDB apoiado pela Fundação Ford, Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CNPq), Ministério da Cultura, Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e Museu do Índio/FUNAI. O objetivo do projeto é promover o registro, a preservação, a divulgação e fomentar pesquisas a partir da documentação sobre os povos indígenas de Mato Grosso do Sul.

O acervo do Centro de Documentação e mais informações sobre o projeto estão disponíveis no link http://www.neppi.org/projetos/tekoarandu.php.



Fonte:http://neppi.org/noticias.php?id=867

22 de ago. de 2012

Awara Nane Putane

Awara Nane Putane -- Uma história do cipó é um curta-metragem em animação que conta o mito de origem do uso tradicional da ayahuasca, na versão da etnia yawanawa, que vive no coração da floresta amazônica, nas margens do Rio Gregório, no Es
tado do Acre. O curta é todo falado em idioma yawanawa, povo que pertence ao tronco linguistico Pano.
O roteiro e direção é de Sérgio de Carvalho, com produção de Karla Martins e Sérgio de Carvalho, Direção de Animação de Silvio Toledo e Valu Vasconcelos, Edição de Bruno Saucedo, Trilha Sonora e Mixagem de Duda Mello, Produção Indigena de Shaneihu Yawanawa, Vinnya Yawanawa e Vadé Yawanawa, Direção de Arte de Fred Marinho e Silvio Toledo, Pesquisa e Still de Talita Oliveira e Ney Ricardo, vozes de Shaneihu Yawanawa,Tika Matxuru , Nãynawa, Alda Artidor ( Dona Nega) Yawanawa,Yuva Yawanawa Kapacuru Yawanawa e Story Board de Clementino Almeida.

O projeto foi selecionado pelo Edital de Fomento ao Curta Metragem do MINC/SAV e teve apoio cultural do Governo do Estadodo Acre, por meio do DERACRE e Fundação de Comunicação e Cultura Elias Mansour, Fundaçãode Cultura Municipal Garibaldi Brasil, Funerária São João Batista, ABD&C Acre, Wave Produções e VT Publicidade.

http://www.youtube.com/watch?v=Lv0ixdL4UE0

17 de ago. de 2012

Governo de São Paulo anuncia novos editais para o PROAC

           Governo do Estado de São Paulo anuncia R$ 21,3 milhões para incentivo a projetos culturais A Secretaria de Estado da Cultura anuncia a liberação de R$ 21,3 milhões para incentivo à produção artística independente. Tanto o Programa de Ação Cultural (ProAC-Editais), quanto o Prêmio Estímulo ao Longa Metragem são realizados com verba do orçamento da Secretaria, contabilizando R$ 13,3 milhões. Já o Programa de Incentivo ao Cinema Paulista utiliza recursos de incentivo fiscal, de R$ 8 milhões, disponibilizados pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) por meio das leis federais do Audiovisual e Rouanet. Estão sendo lançados 20 editais do ProAC, que ao todo contabilizam investimento de R$ 12,3 milhões. Os concursos contemplam seis expressões artísticas, sendo elas artes visuais, patrimônio cultural, literatura, diversidade cultural, música e audiovisual. Diversas novidades foram implementadas com o objetivo de aprimorar o programa. Discussões com a classe artística possibilitaram ajustes que visam atender às demandas culturais, tanto do público quanto dos produtores artísticos.
         No segmento de literatura, uma das novidades é o edital focado na realização de saraus literários. Para este concurso serão destinados, ao todo, R$ 120 mil, sendo que três projetos serão contemplados e receberão, cada um, incentivo financeiro de R$ 40 mil. Ainda na área de literatura, outro concurso inédito fomenta projetos de ocupação para bibliotecas municipais. Serão selecionados sete projetos que apresentem atividades como leituras dirigidas, palestras, cursos, debates, entre outros. O investimento total será de R$ 280 mil, sendo que cada projeto premiado receberá R$ 40 mil. Outros três concursos também beneficiam publicações de primeiras obras literárias, criação e tradução, além de histórias em quadrinhos. O investimento total para o segmento de literatura é de R$ 1,05 milhão – ao todo, 40 projetos serão contemplados. 
         Os editais de música também receberam ajustes. Neste ano, os três concursos destinados a esta linguagem artística foram divididos por estilos: popular instrumental, erudito e canção. Os editais contemplam as modalidades gravação de disco inédito e circulação de espetáculo. Ao todo, R$ 2,2 milhões serão dedicados à música e 35 projetos premiados. 
         O concurso destinado à conservação de patrimônio cultural foi aprimorado para atender a demandas específicas. Neste ano, serão contemplados três projetos para restauração de imóveis tombados pelo Condephaat. Os três edifícios a serem restaurados estão pré-determinados no edital ProAC Nº 23. Ao todo, o investimento para o segmento é de R$ 1 milhão. 
         As artes visuais terão três editais: um para produção e exposição de obras; outro para produção de livro de artista; e o último para apoio a espaços idenpendentes de criação. Vinte projetos no total, juntando os três editais, dividirão investimento de R$ 900 mil. 
 Para os artistas de cinema, a novidade fica por conta de um edital destinado à difusão de longa metragem.             Outros dois concursos beneficiam projetos de finalização de longa metragem e telefilmes, este último realizado em parceria com a TV Cultura. 

Prêmio Estímulo ao Curta Metragem 
A secretaria de Estado da Cultura disponibiliza neste ano R$ 960 mil para o Prêmio Estímulo ao Curta Metragem, que irá premiar 12 projetos por meio de edital. Os selecionados receberão, cada um, R$ 80 mil para a execução do plano de trabalho apresentado. 

Programa de Fomento ao Cinema Paulista 
 O Programa de Fomento ao Cinema Paulista regula a concessão de patrocínios de empresas paulistas a projetos culturais que utilizam as leis federais do Audiovisual e Rouanet. Cabe à Secretaria de Estado da Cultura realizar todo o processo seletivo dos proponentes. A verba disponível atualmente, de R$ 8 milhões no total, é disponibilizada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) por meio das leis federais do Audiovisual e Rouanet. O Programa contempla projetos nos gêneros ficção, animação e documentário.

14 de ago. de 2012

Congresso Nacional terá que ouvir comunidades afetadas pela construção de Belo Monte.

Brasília - A liberação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte só vai acontecer depois que o Congresso Nacional realizar e aprovar a consulta às comunidades afetadas. De acordo com o desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que relatou o processo que determinou a paralisação das obras, os parlamentares também terão que editar um novo decreto legislativo
 autorizando as obras em Belo Monte.

“Não estamos combatendo o projeto de aceleração do governo. Mas não pode ser um processo ditatorial”, disse o desembargador. A empresa Norte Energia, responsável pela obra, deverá ser notificada entre hoje (14) e amanhã (15) e poderá recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou na segunda-feira (13) a paralisação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Se a empresa Norte Energia não cumprir a determinação, pagará multa diária de R$ 500 mil. A decisão foi tomada pela 5ª Turma do TRF1, em embargo de declaração apresentado pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA).

O relator do embargo de declaração alegou que o Congresso Nacional deveria ter determinado que as comunidades afetadas fossem ouvidas antes de editar o decreto legislativo, em 2005, autorizando a obra, e não depois. “Só em um regime de ditadura tudo era póstumo. Não se pode se admitir estudos póstumos, a Constituição Federal diz que os estudos têm que ser prévios”. Segundo ele, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também determina a consulta prévia aos povos que seriam atingidos pela obra.

Souza Prudente disse que a opinião das comunidades afetadas deverá ser levada em consideração no processo de liberação da obra. “A propriedade para o índio é diferente para o branco. O índio tem uma visão mística da propriedade, onde ali está seu avatar. E a Constituição Federal garante isso”.

Outra omissão, segundo Souza Prudente, foi na decisão anterior do TRF1, que considerou que o Supremo teria declarado a constitucionalidade do decreto legislativo do Congresso Nacional. Houve, segundo o magistrado, apenas uma decisão da então presidenta do STF, Ellen Gracie, sobre a questão.

Fonte:agencia brasil. ebc.com.

13 de ago. de 2012

Daniel Munduruku participa da segunda edição do Projeto Literatura Viva promovida pelo SESI

Foi realizada entre os dias 06 e 09 de agosto a segunda edição do Projeto Literatura Viva organizado pelo SESI de São Paulo.
O autor indígena Daniel Munduruku foi novamente convidado e esteve nas unidades de Campinas, Indaiatuba e Itú onde palestrou para estudantes do EJA - Educação de Jovens e Adultos.
Durante duas horas o autor conversou sobre literatura, contou sua trajetória literária e respondeu perguntas do público que participou com muita atenção e envolvimento.
Abaixo estão algumas fotos dos eventos.
Unidade Campinas II - 07/08

Unidade Campinas II - 07/08

Unidade Campinas II - 07/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Indaiatuba - 08/08

Unidade Itu - 09/08

Unidade Itu - 09/08

Unidade Itu - 09/08

Unidade Itu - 09/08

Unidade Itu - 09/08



Unidade Itu - 09/08

Unidade Itu - 09/08

11 de ago. de 2012

Rádio ONU entrevista Daniel Munduruku no dia Internacional dos Povos Indígenas


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Daniel Munduruku. Foto: Arquivo Pessoal.
Nascido em Belém do Pará, o indígena é doutor em educação pela Universidade de São Paulo, mestre em antropologia e autor de livros infantis sobre culturas nativas.
Daniel Munduruku foi um dos primeiros indígenas a conquistar o título de doutor no Brasil. Nesta entrevista à Rádio ONU, de São Carlos, ele fala sobre a relação entre globalização e novas mídias para o fim do preconceito.
O escritor também destaca um pouco da filosofia da sua tribo: segundo Daniel, os mundurukus vivem o tempo presente e procuram não fazer planos para o futuro.
Nesta entrevista para marcar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, ele fala também sobre a valorização da cultura nativa.
Acompanhe a conversa com Leda Letra.
Tempo: 10’49”

Parte 1 Ouvir / BaixarParte 2 Ouvir / Baixar

10 de ago. de 2012

36% dos índios brasileiros vivem em área urbana, aponta IBGE


Pesquisa mostra que população indígena cresceu 205% desde 1991


Os índios no Brasil somam 896,9 mil pessoas, de 305 etnias, que falam 274 línguas indígenas, segundo dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostra que menos da metade (36,2%) vive na área urbana. A situação é o inverso da de 2000, quando mais da metade estava em área urbana (52%).

Com base nos dados do Censo 2010, o IBGE revela que a população indígena no país cresceu 205% desde 1991, quando foi feito o primeiro levantamento no modelo atual. Á época, os índios somavam 294 mil. O número chegou a 734 mil no Censo de 2000, 150% de aumento na comparação com 1991. Em abril, o IBGE já havia divulgado dados preliminares, mostrando que a população indígena no Rio Grande do Sul caiu 15% entre 2000 e 2010.

Na avaliação do IBGE, a explicação para o crescimento da população indígena pode estar na queda da taxa de fecundidade das mulheres em áreas rurais, apesar de o índice de 2010 não estar fechado ainda. Entre 1991 e 2000, essa taxa passou de 6,4 filhos por mulher para 5,8.

Outro fator que pode explicar o aumento do número de índios é o processos de etnogênese, quando há "reconstrução das comunidades indígenas", que supostamente não existiam mais, explica o professor de antropologia da Universidade de Campinas (Unicamp), José Maurício Arruti.

Os dados do IBGE indicam que a maioria dos índios (57,7%) vive em 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo até o dia 31 de dezembro de 2010, período de avaliação da pesquisa. Essas áreas equivalem a 12,5% do território nacional, sendo que maior parte fica na Região Norte - a mais populosa em indígenas (342 mil). Já na Região Sudeste, 84% dos 99,1 mil índios estão fora das terras originárias. Em seguida vem o Nordeste (54%).

Para chegar ao número total de índios, o IBGE somou aqueles que se autodeclararam indígenas (817,9 mil) com 78,9 mil que vivem em terras indígenas, mas não tinham optado por essa classificação ao responder à pergunta sobre cor ou raça. Para esse grupo, foi feita uma segunda pergunta, indagando se o entrevistado se considerava índio. O objetivo foi evitar distorções.

A responsável pela pesquisa, Nilza Pereira, explicou que a categoria índios foi inventada pela população não índia e, por isso, alguns se confundiram na autodeclaração e não se disseram indígenas em um primeiro momento.

— Para o índio, ele é um xavante, um kaiapó, da cor parda, verde e até marrom — justificou.

A terra indígena mais populosa no país é a Yanomami, com 25,7 mil habitantes (5% do total) distribuídos entre o Amazonas e Roraima. Já a etnia Tikúna (AM) é mais numerosa, com 46 mil indivíduos, sendo 39,3 mil na terra indígena e os demais fora. Em seguida, vem a etnia Guarani Kaiowá (MS), com 43 mil índios, dos quais 35 mil estão na terra indígena e 8,1 mil vivem fora.

O Censo 2010 também revelou que 37,4% índios com mais de 5 anos de idade falam línguas indígenas, apesar de anos de contato com não índios. Cerca de 120 mil não falam português.

Os povos considerados índios isolados, pelas limitações da própria política de contato, com objetivo de preservá-los, não foram entrevistados e não estão contabilizados no Censo 2010.


AGÊNCIA BRASIL

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IV Encontro de Educação Superior Indígena do Paraná

O IV Encontro de Educação Superior Indígena do Paraná, a ser realizado entre os dias 19 e 21 de Setembro de 2012, visa oportunizar espaço para a divulgação e a apropriação de saberes no campo da Educação Indígena, promovendo a troca de experiências entre os docentes/pesquisadores, profissionais, estudantes indígenas e não-indígenas de graduação e pós-graduação.

Mais informações: http://eventos.unicentro.br/encontroindigena2012/index.php





























7 de ago. de 2012

A chegada dos brancos - Narrativas Indígenas


A chegada dos brancos













antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (sócio-fundador do ISA) apresenta e analisa as narrativasKrenakYanomamiSateré-Mawé, Tupinambá, KuikuroDesanaZo'éBaré  e Wapishana

A história em outros termos

As narrativas indígenas aqui publicadas dispensariam qualquer apresentação - quanto mais uma assinada por um branco -, não fosse o fato de que seu destinatário somos precisamente nós, os brancos. É apenas por isso que não me parece impróprio introduzi-las, fazendo votos de que elas nos possam abrir os ouvidos, e reavivar a memória. Escutemos pois o que dizem os Desana, os Baré, os Mawé, todos esses que viemos a chamar, por esquecimento, “índios”, como quem diz os outros, quando fomos nós que nos tornamos outros. Os que foram esquecidos não esqueceram.

Outras Leituras

Leia também o texto Os termos da outra história do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro


O que se lê aqui é a história destes quinhentos anos, uma história que pensamos conhecer - mas contada em outros termos. Não é, para começar, uma história (dos índios) contada pelos brancos, mas uma história (dos brancos) contada pelos índios. Uma história, ou melhor dizendo, várias. Pois estas histórias impressionam pela diversidade: diversidade das posições enunciativas, dos contextos discursivos, dos gêneros de fala, dos recursos semânticos, dos registros epistêmicos, dos processos de textualização. Fala-se aqui do passado “imemorial”, mas também do ontem e do amanhã; falam vozes muito distantes, outras muito próximas; falam povos com experiência secular dos brancos, outros cujo “contato” conosco é coextensivo ao tempo de vida do narrador; contam-se o que chamaríamos 'mitos', como se contam memórias pessoais, inscrevem-se fragmentos de conversas, e depoimentos formais, e entrevistas, e conferências; diz-se o que se diz há muito, e diz-se o que nunca foi dito; conta-se muito do que contamos, mas de modo bem diferente. Conta-se, em suma; mas também explica-se, critica-se, lamenta-se, justifica-se, reivindica-se, pergunta-se. Há muito o que dizer.

Tal impressão de heterogeneidade emerge não apenas da relação entre as narrativas, mas de muitas delas em si mesmas, em particular daquelas que buscam o fio que liga o presente ou o passado recente às condições gerais de possibilidade do mundo. Os personagens “históricos” (isto é, que figuram em nossos mitos históricos) coexistem sem solução de continuidade ontológica com personagens “míticos”; temas clássicos da tradição indígena pan-americana refletem, absorvem e transformam motivos igualmente clássicos da mitologia do Velho Mundo; juízos etnográficos profundos sobre a sociedade dos brancos buscam sua justificação em amplas caracterizações antropológicas e cosmológicas. Há, dir-se-ia, de tudo. Exatamente como na história que conhecemos, aliás, cuja heterogeneidade é apenas menos sensível a nossos olhos e ouvidos, acostumados que estão às nossas próprias convenções narrativas, onde coabitam escalas temporais incomensuráveis, e aos nossos saltos “naturais” entre múltiplos registros discursivos.

Não é difícil perceber, entretanto, a presença de um grande tema que atravessa muitos dos textos a seguir. Pois a diversidade aparente reflete, ou antes, refrata uma convicção fundamental. Esta diz: os índios são anteriores aos brancos, na ordem do parentesco e na ordem do território. Os brancos não chegaram aqui, eles saíram daqui; não descobriram os índios, mas encobriram a si mesmos, até voltarem para o que pensaram ser um encontro com o desconhecido, mas que não foi senão um reencontro com o olvidado. Somos, recordam-nos os Desana, seus irmãos mais moços. Abandonamos nossos maiores no princípio dos tempos, e muito mais tarde (apenas quinhentos anos atrás), acreditamos tê-los descoberto. Os que vieram a ser chamados índios são aquele fragmento da humanidade originária que decidiu, para o melhor ou para o pior, não seguir conosco. O retorno dos brancos era esperado - estava previsto -, mas se esperava, talvez, um pouco mais deles: que se comportassem como parentes que retornam, não como algozes; que partilhassem o que haviam aprendido lá aonde foram morar, não que voltassem para tomar o pouco que aos índios coubera; que seu engenho não tivesse sido adquirido às custas da sabedoria, que sua arte não lhes houvesse embaralhado o entendimento, que sua escrita não fosse usada para calar a voz dos que ficaram.

O que dizem, então, estas narrativas, é que a relação com os brancos sempre existiu. Não houve nem há “contato” que não fosse ou seja uma atualização - por mais que desastrosa - de uma virtualidade traçada no discurso das origens. Ailton Krenak observa agudamente que "o encontro e o contato entre nossas culturas e nossos povos, ele nem começou ainda e às vezes parece que ele já terminou". Mas vale também, e pelas mesmas razões, o inverso: ele jamais começou, pois ele estava lá antes do começo. No começo foi o desencontro, e este ainda não terminou, quinhentos anos passados.
Mas quinhentos anos não é nada, conclui Ailton. É verdade. Sobretudo para quem tem boa memória, para aqueles cujo pensamento não está, como fulmina Davi Kopenawa, cheio de vertigem e de esquecimento. Possamos ao menos lembrar daqui para a frente, nós que somos verdadeiramente “muito esquecidos”.
 [Outubro, 2000]

2 de ago. de 2012

Índios expõem necessidades em município do AM


Em Maués, nas regiões do Marau e Urupadi existem 47 comunidades indígenas, onde vivem cerca de 5,5 mil índios Sateré, quase metade da etnia em todo o Estado

    Inclusão digital nas aldeias, bolsa estudantil para os jovens universitários que precisam se deslocar para estudar na sede do município, além de ações que proporcionem melhoria na qualidade de vida, são algumas das necessidades apresentadas por aproximadamente 100 indígenas, da etnia sateré mawé, das regiões do Marau e Urupadi, no município de Maués – localizado a 260 quilômetros de Manaus.  
    O líder indígena Jacimar Sateré, 30, explicou que os índios que moram na zona rural e estudam na sede do município enfrentam dificuldades em relação ao transporte, alimentação e moradia, na semana em que precisam dormir na cidade, para assistir às aulas. Ele afirma que a situação coloca em risco a conclusão do curso superior, que é oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Maués.
    “Muitos estudantes acabam desistindo de ir para as aulas, já que precisam arcar com as despesas e não tem informatização para a realização de seus trabalhos acadêmicos”, ressaltou.
    Atualmente, 33 indígenas cursam o sétimo período da graduação de Pedagogia, na UEA. Segundo Sateré, os estudantes fazem parte da primeira turma do curso, proveniente da região indígena. O líder destacou que faltam políticas públicas, voltadas para as comunidades.
    “Os índios também são cidadãos e não podem ser tratados com inferioridade. Não somos bestas como muita gente pensa”, afirmou.
    Nas regiões do Marau e Urupadi existem 47 comunidades indígenas, onde vivem cerca de 5,5 mil índios Sateré, quase metade da etnia em todo o Estado.

    MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

      Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...