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Índios recorrem à ONU para frear transposição do Rio São Francisco

"O impacto dessas obras em nossos povos ameaça nossa sobrevivência", afirmou Manuel Uilton dos Santos, líder do povo Tuxá"
 
  01/02/10 às 18:26  |  Agência Estado

Índios brasileiros e ONGs pedem à ONU ajuda para frear as obras de transposição do Rio São Francisco. Hoje, o grupo entregou a relatores das Nações Unidas um estudo sobre o impacto ambiental e social do projeto e apelou para que a entidade pressione o Supremo Tribunal Federal para que suspenda as obras e avalie a posição dos indígenas.
 e integrante do grupo que viajou até Genebra. A delegação ainda contou com membros da Comissão Nacional dos Professores Indígenas, do Conselho Indigenista Missionário e da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, entre outras entidades.

Os relatores da ONU avaliarão agora os documentos entregues pelo grupo, que indicam que 15% das obras já foram concluídas. Uma das medidas possíveis é a de questionar o governo por meio de uma carta, exigindo explicações. "A estratégia do STF é o de adiar ao máximo o debate sobre a transposição e, enquanto isso, permitir que as obras continuem sendo realizadas", acusou Saulo Ferreira Feitosa, do Conselho Indigenista Missionário.

Entre as conclusões do estudo está a acusação de que oito mil índios já tiveram suas terras alagadas ou destruídas. O grupo entregou a denúncia também à Organização Internacional do Trabalho (OIT), acusando o governo de violar regras estabelecidas de consultas a grupos afetados por projetos. "Não fomos consultados sobre o projeto", garantiu o líder do povo Tuxá.

Segundo o estudo entregue à ONU, 33 povos indígenas vivem na bacia do Rio São Francisco e podem ser afetados pelas obras.

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…