28 de fev. de 2010

Brasília: II Conferência Nacional de Cultura

SID realiza Pré-Conferências de Culturas Populares e Culturas Indígenas SID realiza Pré-Conferências de Culturas Populares e Culturas Indígenas
O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), e dentro das etapas da II Conferência Nacional de Cultura (II CNC), realiza, de 7 a 9 de março, em Brasília, as Pré-Conferências Setoriais de Culturas Populares e Culturas Indígenas. A abertura será às 19h, do dia 7, no Museu da República e os dois eventos serão realizados numa estrutura montada na Esplanada dos Ministérios, nos dias 8 e 9. As Pré-Conferências têm caráter mobilizador, reflexivo, propositivo e elegerão os delegados para a etapa nacional da II CNC, que acontecerá de 11 a 14 de março, também em Brasília.
Planos e colegiados setoriais
Além de eleger os delegados, cujos representantes estaduais estão em fase final de seleção, sendo 10 por segmento e dois de cada macrorregião, as Pré-Conferências discutirão as diretrizes e ações que comporão os planos setoriais de Culturas Populares e de Culturas Indígenas. Também no âmbito das Pré-Conferências serão eleitos os novos membros dos Colegiados Setoriais, instância do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).
No âmbito da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, foram criados, em agosto de 2009, pelo Plenário do CNPC, os Colegiados Setoriais de Culturas Populares e Culturas Indígenas. Eles serão compostos por 15 titulares e 15 suplentes representantes da sociedade civil (três de cada macrorregião do país), além de 5 representantes titulares e 5 suplentes indicados pelo Poder Público Federal. Os eleitos e indicados exercerão mandato referente ao biênio 2010/2011.
Entre os principais pontos a serem discutidos nas Pré-Conferências de Culturas Indígenas e Culturas Populares, estão a aprovação de Minuta dos Planos Setoriais de cada segmento e a eleição, pela primeira vez, dos representantes dos Colegiados Setoriais.
Os interessados em participar da construção destes documentos podem acessar o blog geral da CNC, onde foram criados 19 blogs temáticos sobre cada segmento cultural do Ministério da Cultura, incluindo os de Culturas Populares e o de Culturas Indígenas. Os blogs servirão como veículos de divulgação de informações sobre cada um dos setores, além de agregar propostas para as plenárias da II CNC.
Colegiados vão fomentar ações para os segmentos
Os dois colegiados foram criados com o objetivo de fomentar políticas culturais para os dois segmentos. No caso das Culturas Populares, o Ministério da Cultura, por meio da SID realizou, em Brasília, nos anos de 2005 e 2006, dois Seminários Nacionais de Políticas Públicas para o setor que contou com a participação de delegações de todo o país. Também com o objetivo de promover a valorização das Culturas Populares, foram realizados o Iº e o IIº Encontro Sul-Americano das Culturas Populares (ESACP) dos quais participaram delegações da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela. O primeiro aconteceu em Brasília, de 14 a 17 de setembro de 2006. O Segundo foi realizado em Caracas, de 25 a 28 de novembro.
Os dois seminários resultaram na Carta Sul-Americana das Culturas Populares que está sendo cumprida por meio de várias ações, como a realização de três Prêmios (2007, 2008 e 2009) que contemplaram, em todo o país, 695 iniciativas desenvolvidas por mestres e grupos/comunidades formais e informais de culturas populares.
Em relação ao segmento Culturas Indígenas, a Secretaria da identidade e da Diversidade Cultural criou, no dia 19 de abril de 2005, data em que se comemora o Dia do Índio, por meio de portaria nº 62, publicada no Diário Oficial da União, Grupo de Trabalho com a missão de discutir e propor políticas públicas de cultura que contemplem os anseios e as singularidades das culturas indígenas.
Entre os principais pontos discutidos e encaminhados, até agora, pelo Grupo de Trabalho estão o fortalecimento das manifestações culturais indígenas; a valorização das culturas indígenas e a luta contra o preconceito e promoção de campanhas de divulgação; o acesso aos bens culturais do país, rompendo com a marginalidade dos povos indígenas; e a elaboração de uma política cultural indígena em parceria com os povos indígenas.
A SID também realizou dois editais de premiação, Edição Ângelo Creta (2007) e Edição Xicão Xucuru (2008) contemplando iniciativas culturais realizadas por representantes de várias etnias distribuídas entre os 220 povos indígenas existentes no país.
Representações estaduais
Acesse os links abaixo para conferir as listas dos delegados escolhidos para participar das pré-conferências:
Culturas Populares
Culturas Indígenas

Acesse a Portaria nº 4, de 3 de dezembro de 2009, que aprova a Resolução nº 2 do Comitê Executivo da II CNC, regulamentando todo o processo.
Informações e dúvidas sobre as Pré-Conferências Setoriais de Cultura podem ser obtidas pelo correio eletrônico: marcelo.manzatti@cultura.gov.br
Acesse aqui os blogs de Culturas Indígenas e Culturas Populares
http://culturadigital.br/setorialculturaspopulares
http://culturadigital.br/setorialculturasindigenas
(Heli Espíndola-Comunicação/SID)

Comunicação SID/MinC
Telefone: (61) 2024-2379
E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br
Acesse: www.cultura.gov.br/sid
Nosso Blog: blogs.cultura.gov.br/diversidade_cultural
Nosso Twitter: twitter.com/diversidademinc

23 de fev. de 2010

Ação apoiada pela ONU aproxima a escola do universo Guarani


As percepções que os estudantes têm do universo dos índios Guarani vão ser conhecidas em um concurso que rompe as fronteiras brasileiras e chega aos países que integram o Mercosul Cultural. O concurso de redação, quadrinhos, poesia e desenhos faz parte do projeto Ava Marandu – Os Guarani Convidam, uma série de ações que inclui ainda oficinas culturais nas aldeias e a ilustração da cartilha da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
Mato Grosso do Sul, região com a segunda maior população indígena do Brasil e maior população Guarani do país, com 40 mil pessoas, será o pólo irradiador do projeto, coordenado pelo Pontão de Cultura Guaicuru, com sede em Campo Grande. No Estado também será desenvolvido calendário de ações que promovem a reflexão sobre a realidade e a importância cultural dos Guarani na América do Sul.
O concurso, que incentiva o intercâmbio cultural da população não-índia com os povos indígenas tem a cooperação da ONU, Organização das Nações Unidas e articulação do Comitê Gestor de Ações Indigenistas Integradas da região da Grande Dourados. É patrocinado pela Petrobras, Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, Ministério da Cultura e Governo Federal e conta com apoio da prefeitura de Campo Grande. A idéia é fazer com que estudantes e professores possam registrar suas percepções sobre o tema e conhecer melhor as questões indígenas de Mato Grosso do Sul.
Para a pró-reitora de extensão, cultura e assuntos comunitários da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Beatriz dos Santos Landa, essa é uma grande oportunidade de intercâmbio de informações. “São concursos internacionais, abertos a todos os países do Mercosul. Isso quer dizer que alunos de diferentes níveis e contextos poderão pesquisar sobre os povos Guarani e apresentar trabalhos, que servirão de suporte para toda sociedade, com diferentes abordagens.”
O concurso de redação, poesia, quadrinhos e desenho é aberto aos alunos do ensino fundamental, médio e superior. A entrega dos trabalhos nas escolas vai até o dia 30 de março. Cada instituição de ensino fica responsável pela triagem de, no máximo, três participantes. Os trabalhos selecionados serão encaminhados ao Pontão de Cultura Guaicuru até o dia 19 de abril. O concurso vai premiar 9 alunos com laptops e também beneficia os professores e a comunidade escolar. É que além do aluno, o professor e a escola vencedora também recebem o equipamento de informática.



Já o concurso da Cartilha Ilustrada da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas é aberto a todas as pessoas. O melhor trabalho tem como prêmio R$ 5 mil e a publicação e distribuição de 3 mil cópias da cartilha ilustrada. As inscrições para o concurso da Cartilha Ilustrada também vão até o dia 19 de abril. Para conhecer o regulamento, basta acessar o site: http://www.pontaodeculturaguaicuru.org.br/avamarandu ou entrar em contato com o Pontão de Cultura Guaicuru: 3026-6356; 3325-1121. O Pontão de Cultura Guaicuru está localizado rua Treze de Maio, n° 727, Vila Santa Dorothéia.

Belo Monte: o Brasil promete a primeira grande hidrelétrica verde

Le Monde
Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro

Será a primeira represa gigante ecologicamente irrepreensível, é o que prometem em Brasília. O governo brasileiro deu o sinal verde no início de fevereiro para a construção do complexo hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu, no Estado do Pará. Os militantes do desenvolvimento sustentável criticam este projeto e as tribos indígenas ribeirinhas ameaçam obstruí-lo.

O aval governamental marca o epílogo de uma longa história. O projeto remonta a meados dos anos 1970. Ele previa inicialmente o funcionamento de seis usinas. Em 1989, os indígenas, hoje e então apoiados pelo cantor Sting, conduziram uma campanha mundial que obrigou o Estado a bater em retirada.

Naquele ano, a imagem da índia Tuíra brandindo uma faca contra o rosto de um engenheiro alimentou a lenda da "resistência" indígena ao programa hidrelétrico. Uma cena parecida se repetiu em 2008, quando o coordenador do projeto, que foi se explicar diante dos índios, foi esfaqueado no braço.

No meio tempo, o projeto foi rebatizado e modificado levando em conta novas obrigações ambientais e temores da população. Passou a comportar somente uma usina. A superfície das terras inundadas seria reduzida de 1.200 km² para 516 km². Com suas 29 turbinas, o complexo incluiria duas represas e um reservatório ligados por dois canais de derivação das águas do Xingu. A usina acompanharia "o curso da água", reduzindo assim o impacto ambiental.

Índios hostis

Com 11,2 mil mW de potência instalada, Belo Monte será a terceira maior represa do mundo, atrás da de Três Gargantas, na China (18 mil mW) e da de Itaipu, explorada em conjunto pelo Brasil e pelo Paraguai (14 mil mW). Ela possuirá 11% da capacidade de produção do Brasil e entrará em funcionamento em 2015. O governo estima o custo do projeto em US$ 11 bilhões (R$ 20 bilhões). A licitação será aberta em abril e dois consórcios brasileiros já estão na disputa. Preocupados em abrir mais amplamente a concorrência, o governo está encorajando um terceiro grupo industrial, GDF Suez, a entrar na corrida.

O vencedor, seja lá qual for – e é o essencial - , deverá se comprometer antecipadamente a honrar uma rígida lista de especificações acompanhada de "quarenta obrigações ambientais e sócio-econômicas". Sem isso, o projeto não poderá ser executado. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, avalia em US$ 800 milhões (R$ 1,45 bilhão) o montante dessas "compensações". Ele diz que "é a licença ambiental mais exigente da História".

Basicamente, deverão criar duas zonas de preservação das terras indígenas, e financiar uma rede de saneamento público, além de um programa de construção de escolas e hospitais. "Todas essas exigências são realizáveis, ainda que algumas sejam pesadas", observa Roberto Messias, diretor do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). O projeto atingirá 12 mil famílias rurais, sendo que muitas serão deslocadas, e a quem prometem melhores condições de vida. "Mas nenhum índio deverá deixar sua terra", garante Minc.

Os defensores do projeto argumentam que ele gerará 18 mil empregos diretos e 80 mil empregos indiretos, em uma região que se queixa de ser economicamente negligenciada, e que todos os anos colocará dezenas de milhões de dólares no bolso do Estado do Pará e da cidade mais próxima, Altamira. Os militantes ecologistas continuam céticos, e os índios, hostis. Eles lamentam que o estudo ambiental não tenha ouvido suas dúvidas, e observam que a perfuração dos dois canais de derivação levará a escavações equivalentes às obras do canal do Panamá.

Eles mencionam os riscos de emissões de gás metano, as ameaças à floresta, ao rio e à pesca tradicional, além da desordem decorrente da chegada prevista de 100 mil novos habitantes. "Será o caos", prevê o bispo do Xingu, Erwin Kräutler. Os índios acusam a Funai, a fundação federal que defende seus interesses, de "traição", pois ela deu seu consentimento ao projeto. Diversas associações entraram com ações na justiça contra o Estado.

Belo Monte é crucial, afirmam os partidários da represa, para garantir a autossuficiência do Brasil em eletricidade. Até 2017, o país precisará produzir a cada ano 4 mil mW suplementares para sustentar um crescimento econômico em torno de 5%. A hidroeletricidade, que garante 85% do fornecimento de energia no Brasil, é "limpa e renovável", enfatizam. "Seria loucura abrir mão de um recurso desses", diz Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética.

Tradução: Lana Lim

Le Monde
Uol notícias

22 de fev. de 2010

Instituto Kabu firma convênio de quase sete milhões de reais com a FUNAI

No dia dez de fevereiro de 2010 o presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Mário Augusto Fritas de Meira, assinou o convênio com o Instituto Kabu, organização dos índios Caiapós, em Novo Progresso, no valor de R$6.798.779,86 para implantar o Programa Ambiental Básico (PBA) na reserva indígena. Instituto Kabu firma convênio de quase sete milhões de reais com a  FUNAIO PBA é um componente para aliviar os impactos negativos e aperfeiçoar os impactos positivos decorrentes da obra de pavimentação da Rodovia BR 163, de forma a garantir a integridade física e cultural das comunidades dos nativos, assim como a preservação de suas terras e recursos naturais. O programa é composto por vários subprogramas, como: Coordenação e Monitoramento de Proteção e Fiscalização das Terras Indígenas; Alternativas Econômicas Sustentáveis; Educação Ambiental; Documentação e Melhoria nas Vias de Acessos (estradas vicinais). A verba será liberada em cinco parcelas anuais e o instituto coordena os trabalhos que serão realizados pelos próprios índios. O coordenador do instituto e biólogo, Luis Carlos da Silva Sampaio, está trabalhando diuturnamente para efetivar todos os convênios que atendem os subprogramas do PBA com o Governo Federal, para que estejam assinados no máximo até o mês de maio. Período em que o ministro dos transportes, Alfredo Pereira do Nascimento virá a Novo Progresso para vistoriar as obras da BR, como o PBA tem ligação direta com a pavimentação da rodovia as verbas precisam estar garantidas para o andamento dos programas como um todo.

Reportagem: Manolo Garcia

19 de fev. de 2010

'Expedição Langsdorff' mostra o Brasil do século 19

No CCBB, aventura de três artistas e um cartógrafo para desvendar nossa fauna, flora, geografia e costumes
Marina Vaz, de O Estado de S. Paulo

Hercules Florence: Vista de Santarém sobre o Rio Tapajós. Pará, 1828. Foto: Reprodução
SÃO PAULO - Entre 1821 e 1829, o rei D. João VI abandonou o Brasil, D. Pedro I assumiu o posto de regente e o país proclamou a sua independência de Portugal. Foi nesse período conturbado que uma expedição com artistas e cientistas liderados por Georg Heinrich von Langsdorff se aventurou por 17 mil km do território nacional. Quando o país ainda era praticamente uma gigantesca floresta.




Cerca de 120 aquarelas e desenhos e 36 mapas foram produzidos durante a viagem. Eles estão na mostra Expedição Langsdorff, que será aberta na terça, 23, no Centro Cultural Banco do Brasil. A maior parte das obras é inédita no país. Elas são assinadas por Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay e Hercule Florence e pelo cartógrafo Nester Rubtsov.
A expedição percorreu, em geral por rios, as províncias do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de São Paulo, do Mato Grosso, do Amazonas e do Pará. No caminho, os cerca de 40 integrantes se sujeitavam aos perigos de um território ainda pouco explorado. Taunay, por exemplo, morreu afogado e o próprio Langsdorff contraiu uma doença desconhecida que o fez enlouquecer. Nas próximas páginas, você acompanha o percurso desses aventureiros pelo interior do Brasil. Sem correr nenhum risco.

Quem foi Langsdorff
O alemão Georg Heinrich von Langsdorff (1774- 1852) formou-se em Medicina e frequentava sociedades científicas europeias. Em 1802, integrou uma expedição de volta ao mundo, sob comando de Adam Johann von Krusenstern. Naturalizado russo, Langsdorff foi nomeado pelo czar Alexandre I, em 1813, cônsul-geral no Rio de Janeiro. Lá, ele começou a idealizar uma viagem científica pelo interior do Brasil.

O cartógrafo Nester Rubtsov
O russo Nester Rubtsov (1799-1874) foi recomendado a Langsdorff por um amigo - o navegador Vassíli Golovnine - e chegou ao Brasil em 1822. Graduado pela Escola de Navegação da Frota do Báltico, ele ficou responsável pelas observações astronômicas e pela confecção de mapas e plantas. Um de seus instrumentos era o sextante, usado para estimar a altura dos astros e orientar a navegação. Na mostra, você vai ver uma peça do século 19, semelhante à que ele usava e 36 mapas e plantas feitas por ele durante a viagem, como a que retrata o Porto de Santos. Mesmo com recursos simples seus trabalhos têm uma exatidão impressionante, chegando a 95% de acerto.

Rugendas
O alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858) cursou a Academia de Belas-Artes de Munique e, com apenas 18 anos, tornou-se o primeiro artista a ingressar na expedição. No Rio de Janeiro, registrou cenas de seu contato com escravos, paisagens como o Corcovado e espécies como o sagui-da-serra.
Em 1824, Rugendas partiu com a expedição para Minas Gerais. Lá, ele registrou paisagens de cidades como Ouro Preto, e fez retratos de índios maxakali. Mas o temperamento forte do jovem desenhista gerou conflitos com Langsdorff - ele se intrometia nos assuntos do líder e duvidava de sua honestidade. No mesmo ano, Rugendas foi expulso. Ao sair, violou o contrato e levou consigo 500 desenhos (já pagos).

Taunay
Depois de passar por terras mineiras, a expedição seguiu para São Paulo. Para substituir Rugendas, Langsdorff contratou, em 1825, o francês Aimé-Adrien Taunay (1803-1828). Filho do pintor Nicolas Antoine Taunay (da Missão Artística Francesa) e tio do influente Visconde de Taunay, ele registrou o curso do Rio Cubatão, as vestimentas das mulheres paulistas e cenas da vida de homens ricos.

Florence
O francês Hercule Florence(1804-1879) chegou ao Brasil com 20 anos e se candidatou, em 1825, ao cargo de segundo-desenhista da expedição rumo a São Paulo. Considerado o inventor da fotografia (por estudos feitos em 1833, anos antes de Daguerre), seus desenhos são realistas, resultado do uso da câmara-escura.

Morte de Taunay
Em outubro de 1827, depois de se fixar em Cuiabá por quase um ano, a expedição se divide a pedido de Lagsdorff. Taunay parte rumo ao Rio Amazonas com um grupo liderado pelo botânico Ludwig Riedel. Poucos meses depois, Taunay, ansioso, tenta atravessar o Rio Guaporé sozinho, montado em um cavalo. O animal se desequilibra a cai na água. O artista é mordido por peixes e morre afogado.
Após a morte de Taunay, Florence se destaca como principal desenhista da expedição. No Mato Grosso ele se dedica a retratos de negros e de índios que habitavam as regiões de Diamantino, como os apiaká. Em 1928, Florence retratou principalmente índios manduruku das partes baixas do Rio Tapajós.

Encontro no Rio
Enquanto a frente comandada por Riedel desbravava o Amazonas, Langsdorff seguia com seu grupo pelo interior do Pará. Em 1828, Florence retratou principalmente índios manduruku (abaixo), que vivem nas partes baixas do Rio Tapajós. As duas frentes se encontraram em Belém, de onde voltaram para o Rio de Janeiro, de navio.

O fim de Langsdorff
Nos últimos anos da expedição, Langsdorff foi acometido por uma doença desconhecida, que causava surtos passageiros, durante os quais ele perdia a noção de tempo e espaço.


Entrevista com Boris Komissarov, organizador da exposição
Há mais de 30 anos, o russo Boris Komissarov, de 70 anos, professor da Universidade de São Petersburgo, ocupa-se dos estudos do acervo da Expedição Langsdorff. Abaixo, ele fala sobre a figura a quem dedicou tantos anos de sua vida.
O início - "Langsdorff não planejava organizar uma expedição tão grande porque a situação no Brasil era muito difícil, por conta do movimento pela Independência. No início, ele se concentrou em estudos próximos à sua Fazenda Mandioca, no Rio"

A ajuda russa -"A Rússia investiu uma quantia alta na Expedição Langsdorff - 330 mil rublos. Na época, o orçamento de gastos do país inteiro, para um ano todo, era de 363 milhões de rublos."

A relação com pintores - "Na época, não existia fotografia e o papel do pintor era importante para o registro de tudo. Mas eles não eram pessoas ‘da ciência’, o que dificultava essa relação. Acho que Florence inventou a fotografia pensando na dificuldade que Langsdorff tinha com pintores típicos. (Risos.)"

CCBB. R. Álvares Penteado, 112, Centro, 3113-3651. 10h/20h (fecha 2ª). Abre 3ª (23). Grátis. Até 25/4.

Cultura e Lazer
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19/02/2010 14:22
Ação apoiada pela ONU aproxima a escola do universo Guarani
 
Pontão de Cultura Guaicuru/IZ
As percepções que os estudantes têm do universo dos índios Guarani vão ser conhecidas em um concurso que rompe as fronteiras brasileiras e chega aos países que integram o Mercosul. O concurso de redação, quadrinhos, poesia e desenhos faz parte do projeto "Ava Marandu – Os Guarani Convidam", uma série de ações que inclui ainda oficinas culturais nas aldeias e a ilustração da cartilha da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
Mato Grosso do Sul, região com a segunda maior população indígena do Brasil e maior população Guarani do país, com 40 mil pessoas, será o pólo irradiador do projeto, coordenado pelo Pontão de Cultura Guaicuru, com sede em Campo Grande. No Estado também será desenvolvido calendário de ações que promovem a reflexão sobre a realidade e a importância cultural dos Guarani na América do Sul.
O concurso, que incentiva o intercâmbio cultural da população não-índia com os povos indígenas tem a cooperação da ONU, Organização das Nações Unidas e articulação do Comitê Gestor de Ações Indigenistas Integradas da região da Grande Dourados. É patrocinado pela Petrobras, Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, Ministério da Cultura e Governo Federal e conta com apoio da prefeitura de Campo Grande. A idéia é fazer com que estudantes e professores possam registrar suas percepções sobre o tema e conhecer melhor as questões indígenas de Mato Grosso do Sul.
Para a pró-reitora de extensão, cultura e assuntos comunitários da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Beatriz dos Santos Landa, essa é uma grande oportunidade de intercâmbio de informações. “São concursos internacionais, abertos a todos os países do Mercosul. Isso quer dizer que alunos de diferentes níveis e contextos poderão pesquisar sobre os povos Guarani e apresentar trabalhos, que servirão de suporte para toda sociedade, com diferentes abordagens.”
O concurso de redação, poesia, quadrinhos e desenho é aberto aos alunos do ensino fundamental, médio e superior. A entrega dos trabalhos nas escolas vai até o dia 30 de março. Cada instituição de ensino fica responsável pela triagem de, no máximo, três participantes. Os trabalhos selecionados serão encaminhados ao Pontão de Cultura Guaicuru até o dia 19 de abril. O concurso vai premiar 9 alunos com laptops e também beneficia os professores e a comunidade escolar. É que além do aluno, o professor e a escola vencedora também recebem o equipamento de informática.
Já o concurso da Cartilha Ilustrada da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas é aberto a todas as pessoas. O melhor trabalho tem como prêmio R$ 5 mil e a publicação e distribuição de 3 mil cópias da cartilha ilustrada. As inscrições para o concurso da Cartilha Ilustrada também vão até o dia 19 de abril. Para conhecer o regulamento, basta acessar o site:
http://www.pontaodeculturaguaicuru.org.br/avamarandu ou entrar em contato com o Pontão de Cultura Guaicuru: 3026-6356; 3325-1121. O Pontão de Cultura Guaicuru está localizado rua Treze de Maio, n° 727, Vila Santa Dorothéia.

Ação apoiada pela ONU aproxima a escola do universo Guarani


Cultura e Lazer






 
Pontão de Cultura Guaicuru/IZ
As percepções que os estudantes têm do universo dos índios Guarani vão ser conhecidas em um concurso que rompe as fronteiras brasileiras e chega aos países que integram o Mercosul. O concurso de redação, quadrinhos, poesia e desenhos faz parte do projeto "Ava Marandu – Os Guarani Convidam", uma série de ações que inclui ainda oficinas culturais nas aldeias e a ilustração da cartilha da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
Mato Grosso do Sul, região com a segunda maior população indígena do Brasil e maior população Guarani do país, com 40 mil pessoas, será o pólo irradiador do projeto, coordenado pelo Pontão de Cultura Guaicuru, com sede em Campo Grande. No Estado também será desenvolvido calendário de ações que promovem a reflexão sobre a realidade e a importância cultural dos Guarani na América do Sul.
O concurso, que incentiva o intercâmbio cultural da população não-índia com os povos indígenas tem a cooperação da ONU, Organização das Nações Unidas e articulação do Comitê Gestor de Ações Indigenistas Integradas da região da Grande Dourados. É patrocinado pela Petrobras, Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, Ministério da Cultura e Governo Federal e conta com apoio da prefeitura de Campo Grande. A idéia é fazer com que estudantes e professores possam registrar suas percepções sobre o tema e conhecer melhor as questões indígenas de Mato Grosso do Sul.
Para a pró-reitora de extensão, cultura e assuntos comunitários da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Beatriz dos Santos Landa, essa é uma grande oportunidade de intercâmbio de informações. “São concursos internacionais, abertos a todos os países do Mercosul. Isso quer dizer que alunos de diferentes níveis e contextos poderão pesquisar sobre os povos Guarani e apresentar trabalhos, que servirão de suporte para toda sociedade, com diferentes abordagens.”
O concurso de redação, poesia, quadrinhos e desenho é aberto aos alunos do ensino fundamental, médio e superior. A entrega dos trabalhos nas escolas vai até o dia 30 de março. Cada instituição de ensino fica responsável pela triagem de, no máximo, três participantes. Os trabalhos selecionados serão encaminhados ao Pontão de Cultura Guaicuru até o dia 19 de abril. O concurso vai premiar 9 alunos com laptops e também beneficia os professores e a comunidade escolar. É que além do aluno, o professor e a escola vencedora também recebem o equipamento de informática.
Já o concurso da Cartilha Ilustrada da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas é aberto a todas as pessoas. O melhor trabalho tem como prêmio R$ 5 mil e a publicação e distribuição de 3 mil cópias da cartilha ilustrada. As inscrições para o concurso da Cartilha Ilustrada também vão até o dia 19 de abril. Para conhecer o regulamento, basta acessar o site:
http://www.pontaodeculturaguaicuru.org.br/avamarandu ou entrar em contato com o Pontão de Cultura Guaicuru: 3026-6356; 3325-1121. O Pontão de Cultura Guaicuru está localizado rua Treze de Maio, n° 727, Vila Santa Dorothéia.

11 de fev. de 2010

ESTUDO MOSTRA AUSÊNCIA DE HIPERTENSÃO EM INDÍGENAS QUE NÃO INGEREM SAL


Os índios yanomamis, que raramente incluem sal em sua dieta, não são portadores de hipertensão e, mesmo quando envelhecem, não há aumento da pressão arterial, enquanto nos Estados Unidos a redução de 3 gramas no consumo diário de sal evitaria entre 60 e 120 mil casos anuais de doença coronária.


Esses estudos, o primeiro antigo, feito por pesquisadores brasileiros, e o segundo recém-publicado pelo “New England Journal of Medicine” foram citados pelo professor Joel C. Heimann, da Faculdade de Medicina da USP, para justificar a campanha pela redução do uso do sal, uma das prioridades da Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC.

Heimann, da cadeira de “Clínica Médica” da USP, foi convocado pelo diretor de Promoção à Saúde Cardiovascular da SBC, Dikran Armaganijan, para se engajar na campanha cujo objetivo final é reduzir o consumo “per capita” de sal para no máximo seis gramas por dia por pessoa.

Dikran explica que o consumo de sal é elevado não apenas no Brasil, mas também em outras regiões do mundo, tanto que em Nova York, a própria Prefeitura iniciou uma campanha para reduzir o consumo de sal. O problema, diz ele, é que o sal de sódio aumenta a pressão arterial e essa hipertensão pode levar tanto ao infarto como ao acidente vascular cerebral, e a doenças renais. As necessidades orgânicas de sal são inferiores às comumente ingeridas, diariamente pela população.

O abuso do sal é muito antigo, já que o produto era usado para preservar alimentos numa época em que não havia geladeiras nem conservantes. Era usado para o pagamento dos soldados na Roma antiga, tanto que do sal deriva o nome de salário, usado até hoje. Atualmente, porém, diz o professor Heimann, há sucedâneos do sal que contém pouco ou nenhum sódio, substituindo tal sal por potássio, que não provoca hipertensão, e certos temperos como pimenta, cebola, cebolinha e alho melhoram o sabor dos alimentos, sem os inconvenientes do sal de cozinha.

Ainda segundo Dikran, o excesso de sal é um dos responsáveis pelo alto número de mortes decorrentes de doenças cardíacas, que causam 315 mil óbitos por ano no Brasil. Para ele, o principal problema são os alimentos industrializados e de cadeias de “fast food”, que contém sal em excesso. Se for possível conscientizar as indústrias que produzem embutidos, as churrascarias e até mesmo os fabricantes de biscoitos e de pizzas pré-assadas de que podem reduzir a quantidade de sal sem afetar o paladar e o sabor dos alimentos, um número muito grande de pessoas deixará de morrer do coração, pois hoje 25% dos adultos brasileiros têm hipertensão arterial, sendo que, grande parte ignora a existência da doença e, mesmo parte dos que sabem, não usam medicamentos para controlar a pressão.

5 de fev. de 2010

Exemplo de jornalismo manco

A matéria "No mesmo lado", publicada na sexta-feira 29/1) no jornal A Gazeta, de Vitória (ES), renova a imagem discriminatória que o agronegócio da celulose construiu sobre as populações indígenas no Espírito Santo. Afirmando que hoje índios e empresa estão "do mesmo lado", o texto não fornece informações éticas e adequadas historicamente sobre a questão indígena no Espírito Santo, ocultando os inúmeros casos de violação de direitos humanos infligidos aos indígenas em função dos pleitos pelos seus territórios.

Em tom genérico e bastante preconceituoso, o texto não fornece informações à população sobre o conflito dos indígenas por suas terras, mas, pelo contrário, acirra a imagem negativa que o negócio da celulose construiu ao longo de 40 anos de exploração das terras indígenas e quilombolas.

O cronista diz que a luta indígena tem "origem na esperteza de alguns e na má fé de outros, incentivados pela motivação ideológica de terceiros". Por outro lado, a empresa já foi condenada judicialmente por racismo e discriminação e outro cronista do jornal A Gazeta foi condenado pela justiça por ato injurioso e discriminação dos indígenas. Diante da imobilidade da justiça, os atos de resistência à opressão do Estado foram classificadas por ele como "ações violentas dos indígenas que queriam mais terras ou mais dinheiro". Em contrapartida, as conquistas advindas da persistência das reivindicações pelos direitos indígenas foram classificadas por ele como "um gesto de boa vontade" da empresa.

A lição dos indígenas

Permanece o tom discriminatório contra os direitos destas populações sem uma razão que não o espírito racista que quer apagar a história do povo brasileiro e impor formas não democráticas. O texto está incorreto ao afirmar que a "novela [sic] começou dez anos depois de o Grupo Aracruz se instalar na região após ter adquirido as terras das famílias que lá moravam, quase todas elas descendentes de italianos". Não é demais lembrar que historicamente as populações indígenas no estado sempre estiveram às voltas com a defesa dos seus direitos, como mostram os estudos históricos do século 18 e 19 que registram massacres de indígenas em diferentes momentos.

Ademais, só é possível entender a raiva e as injúrias dos cronistas coloniais capixabas se levarmos em conta que eles fazem parte do "apagão democrático" do atual governo, cuja marca é invisibilização dos direitos sociais e sua transformação em "questão de polícia", em função de uma pauta comprometida com a predação da natureza. Apenas assim é possível entender por que o cronista afirma que os índios, "ao invés de trabalhar para assegurar o seu sustento, como fazem as pessoas de bem [sic], preferem se valer de movimentos de motivação política para obter benefícios de legitimidade duvidosa".

A busca por direitos por parte dos indígenas e quilombolas nos dá uma lição importante, pois, como afirmou o cacique Toninho Guarani, "se a população não sabe mais quais sãos seus direitos, nós, povos indígenas, sabemos". Neste sentido, só é possível pensar o sucesso dos indígenas como uma vitória da sociedade brasileira sobre as formas de discriminação racial. A vitória não é da empresa, como sugere o título dado pelo cronista, mas dos indígenas que nos ensinam que a realização democrática é uma luta árdua contra interesses, estes sim, que se aproveitaram de conjunturas políticas da ditadura militar e da corrupção para expropriar milhares de pessoas de seus direitos.

Interesses antidemocráticos

A luta indígena e quilombola é parte importante da resistência ao modelo que associa capital e política e varre para debaixo do tapete os danos sociais e ambientais que as gerações futuras ainda vão nos cobrar severamente. Se há alguma "legitimidade duvidosa" na questão indígena, ela é a forma pela qual o agronegócio da celulose se implantou e multiplicou em terras capixabas, como começou a demonstrar a CPI da Celulose, arquivada antes mesmo de apresentar qualquer conclusão.

Finalmente, o papel dos jornais deve ser a informação e a capacidade de equalizar os diferentes pontos de vista da sociedade, expressando sua diversidade, mas defendendo o respeito aos direitos humanos. Um jornalismo manco não tem nenhuma fundação senão servir a interesses antidemocráticos. Um jornalismo manco é incapaz de imaginar a defesa dos direitos humanos que, negados, condena todos a formas obscuras de vida social.

Por Sandro Silva


Fonte: Observatório da Imprensa

4 de fev. de 2010

ENTREVISTA: DANIEL MUNDURUKU

[Daniel Munduruku, referência da literatura indígena brasileira]
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Autor de mais de 30 livros sobre a cultura dos povos nativos, Daniel Munduruku é considerado um dos mais influentes escritores da atual literatura indígena produzida no Brasil. Formado em filosofia, com licenciatura em história e psicologia, e doutorando em educação pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que a escola brasileira ainda reproduz uma visão meticulosamente construída pelos colonizadores no século 16. Visão que, segundo ele, seria responsável pelo preconceito contra os índios.
.Presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), ONG voltada para a proteção dos conhecimentos tradicionais das aldeias, Munduruku foi também professor da rede estadual e particular de ensino, onde lecionou para crianças e adolescentes. Dentre os livros que escreveu para o público infanto-juvenil estão Coisas de Índio, O Sinal do Pajé e Meu Vô Apolinário – que ganhou menção honrosa do Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância, da Unesco.
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Em O Banquete dos Deuses – Conversa sobre a origem e a cultura brasileira, escrito em 2000 e relançado este ano pela editora Global, o autor se debruça sobre a problemática do preconceito em sala de aula, investiga as origens da visão deturpada que os professores fazem a respeito dos povos indígenas e aponta caminhos para uma educação humanista no Brasil. “Minha principal preocupação é libertar as crianças do preconceito”, diz.
.Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, Daniel Munduruku é constantemente convidado a ministrar palestras e oficinas culturais na Europa e mantém um blog na internet (aqui). Nascido a 28 de fevereiro de 1964, em Belém do Pará, é casado com Tânia Mara, com quem tem três filhos, Gabriela, Lucas e Beatriz. Falei com ele desde sua casa, na cidade de Lorena, interior de São Paulo.
.Bruno Ribeiro – Em seu livro O Banquete dos Deuses, você aborda o problema do preconceito contra o índio. De onde vem a dificuldade de aceitarmos ou assumirmos a cultura indígena como sendo parte da cultura nacional, ou seja, de nossa própria identidade?
Daniel Munduruku –
Este livro foi escrito para apoiar os professores em sala de aula e ajudá-los a entender o que são os povos indígenas. É um suporte didático e filosófico que busca entender o Brasil de uma forma carinhosa, mas crítica. A meu ver, o grande problema do brasileiro é ter vergonha da sua ancestralidade, porque a nossa ancestralidade evoca os povos indígenas e africanos. Quando o povo se olha no espelho, vê um passado que ele renega, porque foi educado para renegar.
.O preconceito, neste caso, seria fruto da educação que recebemos em casa e na escola?Durante muito tempo, a educação foi um instrumento importante na estratégia do Estado brasileiro de negar a existência dos povos indígenas. Somos educados para repetir a imagem do indígena transmitida no século 16, ou seja, uma imagem que reforça a visão estereotipada criada pelos colonizadores.
.Como você, quando estudante, absorvia a imagem negativa que era transmitida pela escola a respeito dos índios?Frequentei a escola durante a ditadura militar, na década de 1970. Naquela época, as informações que eu tinha em sala de aula insinuavam que índio era atrasado, que índio era pobre, que índio era selvagem... Isso chegava até mim com um impacto muito violento. Passei a ter vergonha da minha cara, do meu cabelo, da minha origem... Eu não queria mais ser índio.
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Você diz que a visão negativa do indígena foi reforçada pelo regime militar. Por quê?
O governo via o indígena como um atraso ao progresso do País quando começou a abrir estradas na Amazônia. Porque os povos indígenas estavam em áreas onde as estradas tinham que passar ou porque estavam em terras que o governo havia vendido para investidores estrangeiros. Era preciso exterminar os índios para que a Amazônia se “modernizasse”. Aqueles que eles não conseguiam exterminar, tinham que ser “incorporados” à sociedade, ou seja, tinham que ser “educados” como brancos, tinham que ser “civilizados” à força. O discurso não era explícito, mas a escola reproduzia esta ideia.
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E essa ideia persiste até hoje?Até hoje. Costumo dizer que o Brasil é um país adolescente. Não é velho como a Europa, mas também não é mais criança. É um adolescente e, como tal, está vivendo uma crise de identidade.
.Você acabou de contar que também viveu uma crise de identidade na adolescência, quando passou a ter vergonha de sua origem. Como foi que resgatou o orgulho e passou a valorizar a sua cultura?Nas idas e vindas da aldeia para a cidade – eu estudava em Belém do Pará – fui entendendo que havia um abismo cultural entre as duas realidades. Eu vi que até podia abandonar a aldeia, mas não podia abandonar a minha raiz. Quem mudou a visão negativa que eu fazia de mim mesmo foi meu avô Apolinário. É claro que não foi da noite para o dia, mas o avô foi mostrando, às vezes com sábias palavras, às vezes apenas com o silêncio, que aquela era a minha família e que longe dela eu seria infeliz. Com meu avô aprendi o valor da ancestralidade.
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De que forma o Estado e os professores poderiam trabalhar para combater o preconceito?
O governo Lula tem feito a sua parte. Por exemplo: a lei que obriga as escolas a incluírem a história afro-brasileira e indígena na grade curricular. Os efeitos dessa lei não podem ser sentidos ainda, mas a médio prazo teremos uma geração menos preconceituosa, com mais consciência crítica. Agora, é preciso entender que escola não é tudo na vida. Ela ajuda a gente a compreender melhor o mundo, mas de nada serve se continuar formando apenas para o mercado de trabalho. Se queremos transformar a realidade, temos que passar por outro tipo de experiência que a escola não ensina.
.Que outra experiência seria esta?Aprendi com meu povo que educar é fazer sonhar. Na sociedade moderna ocidental, os sonhos ficam presos dentro das crianças. Porque, para a sociedade, aprender é ficar trancado numa sala ouvindo alguém falar um monte de coisas que não interessam. A escola da cidade não ensina ninguém a ser bom. Ela ensina a criança a competir, ou seja, não educa para a vida, mas para o mercado. É a educação familiar que vai fazer um homem ser bom.
.Uma boa educação passa pela consciência ambiental?Não acredito nisso. Porque a própria ideia de “sustentabilidade” está baseada na culpa. Ter uma “consciência ambiental” significa que vocês consideram o meio ambiente como algo a ser explorado. Não há meios mais ou menos nocivos de explorar a natureza. Vocês teriam que mudar radicalmente a visão que têm de progresso, desenvolvimento, consumo e propriedade. O ser humano precisa se sentir integrado ao planeta Terra.
.É cada vez maior a presença de novas tecnologias nas aldeias. Como os jovens indígenas estão lidando com a internet e a televisão? Estes meios representam uma ameaça à ancestralidade?Em termos, porque a internet e a televisão estão contaminadas pelo preconceito, pelos padrões estéticos e pelos valores da cidade. Mas não podemos apenas condenar a tecnologia, pois ela também ajuda a melhorar a vida nas aldeias. Hoje os indígenas não precisam mais sair de casa para ter acesso à informação, como eu tive que fazer no passado. Eles usam a internet, estão conectados com o mundo lá fora, mas continuam mantendo a sua cultura porque estão inseridos no cotidiano da aldeia. Conheço indígenas universitários que moram na cidade e mantém uma cabeça totalmente ancestral. A maioria manifesta o desejo de voltar para a aldeia depois de se formar.
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As pessoas ainda se surpreendem ao descobrir que um índio pode frequentar a universidade e ter carro, internet e celular?Sim, muitas pessoas ainda pensam no índio como um ser selvagem, que anda nu no meio do mato e, às vezes, come carne humana para não perder o costume (risos). No livro, conto uma situação que vivi no metrô de São Paulo. Peguei a conversa de duas senhoras, atrás de mim, que tentavam descobrir se eu era índio ou não. Uma delas apostou com a outra que eu não era índio porque estava usando calça jeans e relógio (risos).
.Você é um dos mais destacados autores indígenas da atualidade. Qual é o espaço que a sua literatura ocupa hoje no Brasil?
Estou satisfeito com a visibilidade que o mercado está dando para a literatura indígena em geral. Mas é importante dizer que estamos conquistando espaço não porque somos “exóticos”, mas porque escrevemos bem. A literatura indígena tem qualidade e vem sendo reconhecida pela sociedade. Atualmente, no Brasil, temos cerca de 30 autores indígenas de significância.
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É uma obrigação ou uma necessidade o engajamento político e social dos autores indígenas?É bom lembrar que muitos antropólogos, antes de nós, escreveram livros voltados para a defesa da causa indígena. Valorizamos os seus esforços, mas, quando falamos de literatura indígena, estamos falando de indígenas que escrevem o que vivem na pele. Ela nasce quando os índios começam a assumir seu papel na sociedade. É natural que seja engajada, pois durante muito tempo nossa voz não foi ouvida. Mas isso não é uma regra. Tanto que a maioria dos nossos livros é voltada para o público infanto-juvenil.
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O que a literatura indígena tem a nos ensinar?A gente tem uma preocupação em educar a sociedade, em fazer com que ela perca seus preconceitos e passe a olhar o índio como um igual, como parte do povo brasileiro. Por isso, a nossa literatura não pode ser superficial, ela tem que inserir o leitor no cerne da cultura indígena. Nós colocamos a nossa riqueza a serviço da Nação. Se hoje o Brasil tem a Amazônia em pé, com toda a sua exuberância, não é por causa dos empresários, das ONGs ou do governo. A Amazônia continua viva porque ali tem índio. Os povos indígenas tem outra relação com a terra e podem oferecer uma saída para o mundo. 
 

2 de fev. de 2010

Medo, violência e abandono = Aldeias de Dourados


Wilson Matos da Silva*

No dia 20 de dezembro de 2009, a comunidade indígena da Aldeia Jaguapiru foi às urnas para eleger seus representantes com o objetivo expurgar pseudo-líderes impostos a nós índios, por instituições governamentais que têm o dever institucional de zelar pelo bem comum dos nossos povos.
Os falsos líderes são membros da nossa comunidade, cooptados ou arregimentados com objetivos diversos, quais sejam: massa de manobra, "sinuelos" a serviço de currais eleitorais, e, pasmem, até para legitimar desmandos e desvios perpetrados em detrimento do bem estar das comunidades indígenas. Um desses exemplos foram as casas de chocolate: o prédio que abrigava a Escola Estadual Guateka, feito de pau a pique coberta com sapé que durou pouco mais de dois anos (substituída por uma de alvenaria, neste governo).
A comunidade participou em massa e escolheu a chapa vencedora composta apenas por jovens todos com curso superior. O estranho é que as jovens lideranças estão encontrando dificuldades com autoridades constituídas que fazem ouvidos moucos aos reclamos dos nossos líderes constituídos por nós através do sufrágio secreto e universal. Até parece que não querem que as comunidades indígenas superem os desafios, ou que possamos ser um dia auto-suficiente na resolução dos conflitos que afligem a nossa comunidade. Uma coisa é certa, esses jovens eleitos com o nosso voto para nos representar, não serão massa de manobra ou farão pose de satisfeito com as políticas publicas, em troca de migalhas (favores), quando a comunidade enfrenta o mais profundo abandono.
Enquanto os pseudo-líderes, "reconhecidos" pelas instituições oficiais brincavam de liderar uma comunidade de 13 mil índios, nas Aldeias de Dourados, alguns agravantes revelados pela ONU passavam de altos níveis a níveis alarmantes de mortalidade infantil, desnutrição, HIV/Aids, violência ceifando vidas e mutilando jovens, políticas de assimilação e desapropriação de terras, marginalização e abusos, injustiças que atingem nossos povos de todas as idades, mas muito intensamente a vida de crianças, adolescentes e jovens. Os jovens são sem dúvida os que mais sofrem com racismo, discriminação e ausência de recursos básicos de sobrevivência.
Além dos desafios que os povos indígenas brasileiros têm que driblar diariamente, a juventude indígena encara ainda problemas que minam suas perspectivas de vida, como altos índices de suicídio, obstáculos à promoção da identidade e da tradição das nossas comunidades, dificuldade de acesso à educação e impasses linguísticos, econômicos e culturais. Esse é o quadro apontado pelo estudo "A situação dos povos indígenas no mundo", lançado pela ONU em janeiro.
Escrito por peritos independentes – especialistas em temáticas indígenas ligadas a áreas como direitos humanos, educação, saúde, meio ambiente, entre outras – o relatório apresenta de forma circunstanciada o grau de pobreza e abandono dos povos indígenas no Brasil, revela que 38% dos 750 mil índios brasileiros vivem em situação de extrema pobreza.
Para Marcos Terena, "Se os povos indígenas têm um território demarcado e garantido, isso gera tranqüilidade para a tribo e para os que vivem ao redor dela. Apesar de alguns avanços nesse campo no Brasil, o sistema jurídico ainda não faz uma análise da lei costumeira indígena, onde cada comunidade interpreta de forma particular e o que seja a idéia de direito, de propriedade. Ignorar essas singularidades gera uma agressão aos princípios dos direitos humanos, do direito à vida, já que, sem terra, não há vida para os indígenas".
A ineficácia do governo é justificada, muitas vezes, pela falta de recursos financeiros para a demarcação das terras indígenas. Isso é mais uma falácia e revela a má vontade política em resolver a situação de maneira ágil, uma vez que a destinação de recursos orçamentários é proporcional aos interesses envolvidos em cada rubrica. No governo Lula, sobram recursos para financiar obras do PAC, ou para socorrer bancos e empresas privadas em momentos de crise, enquanto os recursos para a demarcação das terras indígenas são pífios, bem como, as destinações orçamentárias para as políticas de saúde, educação, seguridade social da maioria da população brasileira que vive em precárias condições sociais.

*Índio residente na Aldeia Jaguapirú, Advogado, Pós-graduado em Direito Constitucional, Coordenador Regional do (ODIN/MS) Observatório Nacional de Direitos Indígenas. E-mail matosadv@yahoo.com.br

Jornal O Progresso

Índios recorrem à ONU para frear transposição do Rio São Francisco

"O impacto dessas obras em nossos povos ameaça nossa sobrevivência", afirmou Manuel Uilton dos Santos, líder do povo Tuxá"
 
  01/02/10 às 18:26  |  Agência Estado

Índios brasileiros e ONGs pedem à ONU ajuda para frear as obras de transposição do Rio São Francisco. Hoje, o grupo entregou a relatores das Nações Unidas um estudo sobre o impacto ambiental e social do projeto e apelou para que a entidade pressione o Supremo Tribunal Federal para que suspenda as obras e avalie a posição dos indígenas.
 e integrante do grupo que viajou até Genebra. A delegação ainda contou com membros da Comissão Nacional dos Professores Indígenas, do Conselho Indigenista Missionário e da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, entre outras entidades.

Os relatores da ONU avaliarão agora os documentos entregues pelo grupo, que indicam que 15% das obras já foram concluídas. Uma das medidas possíveis é a de questionar o governo por meio de uma carta, exigindo explicações. "A estratégia do STF é o de adiar ao máximo o debate sobre a transposição e, enquanto isso, permitir que as obras continuem sendo realizadas", acusou Saulo Ferreira Feitosa, do Conselho Indigenista Missionário.

Entre as conclusões do estudo está a acusação de que oito mil índios já tiveram suas terras alagadas ou destruídas. O grupo entregou a denúncia também à Organização Internacional do Trabalho (OIT), acusando o governo de violar regras estabelecidas de consultas a grupos afetados por projetos. "Não fomos consultados sobre o projeto", garantiu o líder do povo Tuxá.

Segundo o estudo entregue à ONU, 33 povos indígenas vivem na bacia do Rio São Francisco e podem ser afetados pelas obras.

Enchente atinge acampamento indígena em MS

Alagamento contaminou água de poços abertos pelos índios.
Fazendeiros donos da terra ajudam com a alimentação.
Do G1, em São Paulo, com informações da TV Morena

Enchente atinge acampamento indígena em Mato Grosso do Sul (Foto: Reprodução/TV Morena)




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Índios que estão acampados há cinco meses às margens da BR-163, no município de Rio Brilhante (MS), enfrentam prejuízos com o excesso de chuva. Muitas barracas foram atingidas pela enchente.

Os donos da área que eles ocupam ajudam com a alimentação. Com o alagamento, a água dos poços abertos pelos índios e que era usada na alimentação ficou contaminada.

“Existe um desnível muito grande, eles estão dentro de um buraco”, diz o produtor rural José das Neves Junior.

Muitas famílias perderam tudo, até documentos. Os índios abriram uma valeta para tentar escoar a água do acampamento.


A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que as famílias estão recebendo assistência. Duas vezes por mês são enviadas cestas básicas ao acampamento.

As famílias permanecem no local até o termino de um estudo antropológico que vai determinar se é possível demarcar uma reserva indígena na região. O trabalho deve ser concluído até o final de 2010.

Reação de índios e ribeirinhos à construção de usina no Xingu é imprevisível, diz bispo

O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Erwin Kräutler, afirmou hoje (1º) que é imprevisível a reação dos povos indígenas e das populações ribeirinhas contrárias ao projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, se a usina for realmente construída no Rio Xingu, no Pará. "Esse povo vai chorar, vai gritar, vai se levantar", disse o bispo, durante debate sobre a construção da usina.De acordo com dom Erwin, que também é bispo de Xingu, não se descarta a possibilidade de os índios e os ribeirinhos recorrerem à violência para protestar contra a remoção da área, por causa do alagamento de suas casas. "Eu peço a Deus que a violencia não aconteça", afirmou o religioso.
A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, é um dos principais projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.
Dom Erwin disse que, para os índios, sair da região teria um impacto ainda maior do que para os ribeirinhos, devido à relação cultural que eles têm com a terra. "Transferência de povos indígenas é horrível", afirmou. "Arranca-se um povo de um lugar que habitaram por milhares de anos. Não é possível, eles não têm o direito de fazer isso", completou.
Para o bispo, a construção da hidrelétrica é mais uma forma de explorar as riquezas do estado sem foco no desenvolvimento local, como ocorre com a mineração, a extração de madeira e a criação de gado. "O que a família paraense normal está ganhando com aquilo tudo, neste momento, neste segundo? Não sei quantos comboios de minério seguem para o Porto de São Luís, no Maranhão, levando minério pelo mundo afora. E nós com uma mão na frente e outra atrás", reclamou.
O bispo duvida, inclusive, dos postos de trabalho que, segundo os defensores do projeto, serão criados com a instalação do empreendimento. "Esse negócio de empregos diretos e indiretos, isso para mim é falácia, eu não acredito", ressaltou. "Está claro que, hoje em dia, uma construção dessas não vai dar tanto emprego porque tudo é feito por máquinas."
Ele criticou também a maneira como alguns agentes do governo apresentam o empreendimento aos indígenas. "Esse povo que está no alto escalão não tem didática para trabalhar com os povos indígenas. Eles pensam que podem falar como se estivesse em uma faculdade de engenharia." Essa falta de tato foi, segundo dom Erwin, um dos motivos pelos quais um engenheiro da Eletrobrás foi agredido com um facão em uma audiência com diversas etnias sobre a usina, em maio de 2008.
O bispo citou ainda a expressão "forças demoníacas", segundo ele, usada em setembro pelo Minas e Energia, Edison Lobão, para se referir aos que são contra o projeto da usina. Para dom Erwin, trata-se de uma fala racista.
Por ser de interesse das grandes empreiteiras, que fariam a obra, e das mineradoras, que usariam a energia, diz o bispo, tenta-se construir a usina a qualquer custo, apesar de existirem outras opções. "O sujeito histórico é o projeto. Onde esse sujeito histórico tem que ser realizado, aparece um povo indígena. É preciso uma solução para esse povo, mas não se questiona o projeto. Aí é que está o erro de lógica." Como opções, ele apontou o uso das energias eólica e solar e a modernização de hidrelétricas mais antigas para que produzam mais.


1 de fev. de 2010

PARA AMPLA DIVULGAÇÃO


O edital do Vestibular para Indigenas na UFMG, para 2010 está  aprovado e pedimos que seja amplamente divulgado.
A UFMG assinou convênio com a FUNAI e com a SECAD para garantir os recursos necessários para bolsas e outras despesas dos cursos.
São 12 vagas, duas em cada um dos seguintes cursos:
Medicina, Odontologia, Enfermagem, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Agronomia.

Atenção para os prazos e documentos exigidos:

INSCRIÇÕES: 21 de janeiro a 09 de fevereiro de 2010 - no site da UFMG/ COPEVE (Comissão Permanente de Vestibular), www.ufmg.br/copeve.
Não haverá taxa de inscrição.  Deve ser preparada também documentação a ser enviada pelo correio.

PROVAS: 07 de março de 2010, em Belo Horizonte, Campus da UFMG na Pampulha. 

INFORMAÇÕES:
Secretaria do FIEI (Formação Intercultural de Educadores Indígenas)
Tel: 31- 3409-6371
Tel: 31- 3409-6368

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...