Pequi é tesouro dos índios kuikuros

Eles celebram o fruto em festas onde beija-flor é o homenageado
fonte: Globo Amazônia/ Globo Rural














Uma das 14 etnias existentes no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, é a dos índios kuikuros. Há centenas de anos eles selecionam várias espécies de pequi, com as quais fazem doces sem açúcar (por conta de uma variedade adocicada naturalmente), sopa de castanha e também produzem o óleo (rico em betacaroteno), entre outros produtos. Em resumo: dominam um tesouro genético expresso em um pequi gigante, colorido e sem espinho.

A comemoração da colheita desse fruto pelos kuikuros é também uma homenagem ao beija-flor, ave que para os índios tem poderes sobrenaturais. Ou seja: agradá-la é uma maneira de evitar doenças nas pessoas e também as pragas das lavouras. Ao final das festividades têm brincadeiras e muita dança. Detalhe: todas as crianças que nascem na aldeia ganham de presente do pai um pomar de pequi. O plantio é feito durante a colheita.

Uma curiosidade: como a safra do pequi vai de novembro a dezembro, os kuikuros cuidam de armazenar a fruta de uma maneira, no mínimo, inteligente. Eles cozinham o pequi e colocam a polpa em um cesto feito de taquaras e forrado por folhas.

Isso posto, caminham mais de uma hora até chegar “no lugar de armazenagem”: a beira de um lago. Os índios fincam o cesto no fundo da água fria, que embora fermente a polpa, não a estraga. Vem portanto, do pequi, rico em vitamina A, mas também em B, C e outros micronutrientes, um dos principais ingredientes da dieta alimentar dos kuikuros.