23 de abr. de 2012

“O DIA DO ÍNDIO É UMA FARSA CRIADA COM BOA INTENÇÃO”


Autor de mais de 40 livros infantojuvenis adotados em escolas de todo o país, Daniel Munduruku fala nesta entrevista sobre preconceitos à cultura indígena e sobre a educação para a diversidade.
Há anos vivendo entre cidades e aldeias, Daniel Munduruku ajuda índios e não índios a se conhecerem melhor. Esta definição, publicada na contracapa de O segredo da chuva (Editora Ática, 2003), dá o tom da produção literária do autor. Formado em Filosofia, História e Psicologia, além de doutor em Educação pela USP, ao longo de sua trajetória Munduruku tem conjugado tradição e contemporaneidade, sempre defendendo “a educação que dê sentido ao nosso estar no mundo”.
Batizado com sobrenome de branco, Monteiro Costa, Daniel nasceu em 1964 em Belém (PA). Cresceu vivenciando o preconceito que os indígenas sofrem na sociedade brasileira: se quando criança a figura do nativo selvagem assombrava a visão dos índios apresentada por seus professores, quando adulto percebeu-se encarado como “índio que deu certo” – percepção que é uma afronta, como ele gosta de salientar, por reforçar estigmas e “destacar quem se sobressai numa certa atividade e desmerecer, e muito, todos aqueles que também lutam, se esforçam e contribuem para o desenvolvimento da sociedade”. A seguir, o nosso bate-papo com Munduruku:
Como avalia a visão do indígena apresentada nas escolas brasileiras? Ainda há muitos estereótipos?
Todos os estereótipos são repetidos à exaustão. A escola está parada no tempo, muito embora sua função seja trazer novos elementos para que os jovens, sempre ávidos por renovação, possam pensar meios de fugir aos pré-conceitos que carregam consigo. O caminho ainda é longo, enquanto os indígenas continuam sendo pouco compreendidos e aceitos.
As datas comemorativas são uma forma de retomar grupos ou fatos históricos e de forçar a reflexão sobre eles. O que pensa a respeito do Dia do Índio?
O Dia do Índio é uma farsa criada com boa intenção. É preciso repensar o conceito do “índio”, de acordo com o novo momento que estamos vivendo. Há um entendimento ultrapassado, que precisa ser atualizado, sobretudo para o bem do povo brasileiro.
Em suas viagens Brasil afora, como observa a educação para a diversidade?
Minha experiência tem me mostrado disparidades entre educadores, de Norte a Sul do Brasil. Tem me mostrado como a formação deles é falha quando tenta oferecer uma educação para a cidadania. Vejo que as crianças e os jovens estão ansiosos por conhecimento que lhes mostrem um caminho novo, diferente, ousado, mas infelizmente não o encontram nas escolas ou nos professores, por vários motivos – o principal deles é o fato de os educadores não se sentirem motivados para exercerem a profissão, dado o descaso com que são tratados pelo poder público.
Como a literatura indígena, da qual você é um dos principais representantes, tem combatido estas falhas de formação?
O grande mérito da literatura indígena está no fato de trazer novas leituras da sociedade brasileira. Ao dizer que os povos indígenas são defensores naturais da natureza, ela se contrapõe à ideia de desenvolvimento trazido puramente pela lógica do agronegócio, por exemplo, ou pela construção de grandes empreendimentos como hidrelétricas. A literatura indígena questiona conceitos como esses, dados ou impostos.
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Trecho de O segredo da chuva, de Daniel Munduruku, com ilustrações de Marilda Castanha:
“– Quem está aí? É amigo ou inimigo?
Silêncio. Apenas o eco da voz de Lua. Parecia que toda a natureza estava acompanhando o medo dos dois. Lua repetiu mais duas vezes o seu apelo, mas não obteve nenhuma resposta. Encolheu-se ainda mais na moita, fazendo gestos para Tawé subir numa árvore e tentar ver algum movimento estranho. O amigo obedeceu. Arrastou-se pelo chão até uma árvore de muitos galhos e foi subindo sorrateiramente até a copa. Mas qual não foi o seu susto quando se deparou com uma enorme onça! Ela o olhava fixamente como que dizendo que faria sua primeira refeição do dia. Tawé apavourou-se. Não viu mais nada, e deixou-se cair num galho mais abaixo.”
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Para saber mais
Daniel Munduruku possui um blog, no qual publica notícias dos povos indígenas, artigos, opiniões, resenhas de livros que lê e que recomenda: www.danielmunduruku.blogspot.com.

http://blog.aticascipione.com.br/diversidade/o-dia-do-indio-e-uma-farsa-criada-com-boa-intencao-daniel-munduruku

19 de abr. de 2012

Começa no Rio o 14º Salão do Livro Infantil e Juvenil



Um dos dados que mais assustaram quando a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil foi apresentada em março diz respeito ao uso que a população faz das bibliotecas. Ou melhor, ao não uso. Só 7% dos brasileiros vão com frequência a uma e a maioria, 20%, respondeu que iria se houvesse mais livros novos. O problema, no entanto, não é novo e desde que criou o Salão do Livro para Criança e Jovem, há 14 anos, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) vem tentando dar a sua contribuição para que as escolas renovem os acervos. Assim, já estariam a meio caminho andado da formação de leitores, o objetivo maior da feira.


Por isso, quem ganha incentivo da prefeitura carioca para comprar livros nas edições anuais do evento - a de 2012 começou nesta quarta no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio -, são as escolas.

Elizabeth Serra, secretária-geral da entidade e idealizadora do Salão, conta que foram distribuídos 1.400 cartões com crédito variando de R$ 600 a R$ 900 para que o representante da escola vá lá e compre as obras. As crianças, no entanto, não saem de mãos abanando. A FNLIJ dá um livro por aluno. São esperados 25 mil estudantes e um público total de 40 mil visitantes até o dia 29.

A biblioteca é referência também na hora de organizar a programação. Há quatro espalhadas pela feira, separadas por faixa etária (bebês, crianças, jovens e educadores). Nelas, são realizados encontros com os autores e leituras mediadas pelos monitores - aqui, Elizabeth faz questão de frisar que não se trata de uma leitura dramatizada, com pessoas fantasiadas, mas sim do contato direto com o livro e a história. Também será possível só ficar por ali lendo ou brincado com as obras.

Entre os autores convidados está a argentina Maria Teresa Andruetto, que acaba de ganhar o Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio internacional de literatura infanto-juvenil. Ziraldo, Pedro Bandeira, Thalita Rebouças, Ana Maria Machado, Ilan Brenman, Carla Caruso, Henrique Rodrigues e Rui de Oliveira também estão entre os convidados do evento, que presta homenagem a Bartolomeu Campos de Queirós e à literatura mexicana e vai custar R$ 1,3 milhão. A ilustração terá espaço de destaque. Fernando Vilela, Lúcia Hiratsuka, Jô Oliveira, Roger Mello, entre outros, desenham ao vivo enquanto Rosinha Campos explica o processo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

16 de abr. de 2012

A 1ª Bienal de Brasília reúne nesta segunda Brasil, Argentina e África

Redação - 16.04.2012 às 08:41:00
BRASÍLIA (O REPÓRTER) - A Bienal do Livro em Brasília será ponto de encontro de três nações que vão dividir as mesas de debate desta segunda-feira(16). Brasil, Argentina e África iniciam a troca de informações ainda nesta manhã.
Daniel Munduruku abre o programa com palestra sobre a produção literária indígena no Brasil. Autor de 34 livros sobre lendas e histórias indígenas, nascido em Belém e mestre em antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), Munduruku se especializou em literatura infantojuvenil. O amazonense Marcio Souza, que encerra a programação do dia no Café Literário, também tem a história como matéria-prima para ensaios, críticas e romances.
Autor de tetratologia romanceada sobre a história do Grão Pará e de Mad Maria, sobre aconstrução  da estrada de ferro Madeira-Mamoré, Souza vai falar sobre a presença da Região Norte na literatura brasileira. “Ela tem uma atuação bastante marcante no quadro da culturabrasileira, mas é de certo modo invisível”.

Presença brasileira em Bogotá



A imortal Nélida Piñon e o jornalista Zuenir Ventura estão entre os escritores brasileiros que marcarão presença na Feira do Livro de Bogotá (Colômbia), dedicada ao Brasil, a partir do dia 18 deste mês.
A música brasileira também fará parte programação. Marcelo Jeneci, Fernanda Takai, Mariana Aydar e quarteto Radamés Gnatallisão alguns dos artistasconfirmados. Pedro Luis divirá o palco com o uruguaio Fernando Cabrera. Exposições e shows levarão acultura brasileira a teatros, centros culturais e universidades de Bogotá.

Nélida Piñon 
Nélida Piñon 

Outros nomes de peso que estarão presentes são na feira: Marina Colasanti, Silviano Santiago, Ziraldo, Fernando Vilela, Cristóvão Tezza, Affonso Romano de Sant?Anna, Adriana Lisboa, Roger Mello, Daniel Galera e Daniel Munduruku.

Autores brasileiros distinguidos

Palestras e exposições de livros vão marcar este ano a homenagem aos "homens de letras" brasileiros na feira na Colômbia
Fotografia: AFP
A Feira Internacional do Livro de Bogotá, na Colômbia, que abre dia 18, vai homenagear o Brasil com debates, leituras, palestras e exposições, com objectivo de mostrar a pluralidade e a diversidade cultural.
Na sua 25ª edição, a feira é considerada como o acontecimento editorial e cultural mais importante da Colômbia e é uma fonte de negócios para o sector editorial. Junta livreiros, distribuidores, editores, leitores nacionais e internacionais.
O Brasil, com uma vasta delegação, cujos escritores convidados vão ser homenageados, leva à feira dez mil livros em português e em espanhol. Entre os 50 escritores e ilustradores brasileiros seleccionados pela curadora Guiomar de Grammont estão nomes como Nélida Piñon, Marina Colasanti, Zuenir Ventura, Silviano Santiago, Ziraldo, Fernando Vilela, Cristóvão Tezza, Affonso Romano de Sant’Anna, Adriana Lisboa, Roger Mello, Daniel Galera e Daniel Munduruku.
A culinária do Brasil também vai ser apresentada na feira, que conta ainda com uma área para crianças, além de livrarias.
A música brasileira também integra a programação. Marcelo Jeneci, Fernanda Takai, Mariana Aydar e quarteto Radamés Gnatalli são alguns dos artistas confirmados.  Na feira vai haver espaço ainda para o intercâmbio cultural, em que o brasileiro Pedro Luís vai subir ao palco com o uruguaio Fernando Cabrera.
Exposições e espectáculos (música e teatro) vão ser apresentados em centros culturais e universidades de Bogotá, estando já aberta ao público a mostra “O Lugar do Escritor”, de Eder Chiodetto, patente no Centro Cultural García Márquez. 
Os visitantes da feira vão poder conhecer vida e obra de Clarice Lispector e Cora Coralina. 

A feira, criada em 1988, reúne escritores, artistas, editores e livreiros e visitantes, na maior parte dos casos, da América Latina, Caraíbas e dos Estados Unidos.

Fonte: Jornal de Angola

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...