Fotos feitas entre agosto e novembro de 2011 foram divulgadas nesta terça-feira pela ONG Survival International. As imagens mostram índios isolados da etnia Mashco-Piro que vivem no Parque Nacional de Manú, dentro da Amazônia, no Peru.
A fotógrafa Gabriela Galli se deparou com os índios durante uma expedição em busca de pássaros da Amazônia e não teve contato com eles.
Segundo a ONG, os Mashco-Piro são uma das tribos isoladas que já foram detectadas ao redor do mundo, mas está cada vez mais difícil de encontrá-los dentro do parque. Isso porque eles entram para mata fechada com medo das atividades madeireiras e de extração de gás e petróleo.
Ainda de acordo com a Survival, o primeiro contato da população com os índios pode ser perigoso para ambas as partes. O caso do sertanista José Carlos Meirelles dos Reis Júnior, que foi atingido no rosto por uma flechada de índios isolados, exemplifica o perigo. O acidente aconteceu enquanto ele pescava rio Envira, no oeste do Acre, em julho de 2004. Ele teve de pedir resgate ao Exército, no posto da Funai.
31 de jan. de 2012
Língua indígena "M'BIÁ" será patrimônio imaterial
Um dos primeiros grupos a estabelecer contato com os europeus, no início da colonização do continente americano, a população guarani resistiu ao processo de ocupação e domínio que dizimou os povos originários na região. Para sobreviver a este processo, uma das principais formas de resistência se deu pela preservação do idioma.
O rico repertório lingüístico utilizado entre os falantes da etnia Mbyá Guarani será reconhecido como patrimônio nacional listado entre os bens culturais imateriais, acervo de expressões simbólicas protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).
Para isso, acaba de ser lançado um inventário sobre a língua dos Mbyá, durante encontro promovido pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol), órgão responsável por executar a pesquisa e instituir o levantamento entre 69 aldeias dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, áreas geográficas por onde se distribuem os integrantes desta etnia.
O levantamento sobre o sistema da língua Mbyá começou a ser realizado em 2009. Já o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), foi instituído pelo Decreto nº 7.387, em 2010. Este dialeto deriva do idioma Guarani, que está ligado à família Tupi-Guarani, que, por sua vez, pertence ao tronco lingüístico Tupi.
Para estabelecer parâmetros no contexto do plurilinguismo brasileiro, o INDL lançou seis categorias de língua, possíveis de serem inventariadas, a saber: 1) língua indígena próxima da extinção; 2) língua indígena de grande população e extensão territorial; 3) língua de imigração; 4) língua de comunidade afro-brasileira; 5) língua crioula; e, 6) língua de sinais.
O Guarani Mbyá situa-se nesta abordagem pela abrangência de seu uso. Para o levantamento deste idioma, o Ipol reuniu quase mil questionário de lideranças e chefes indígenas, além de recorrer a arquivos de banco de dados, pesquisa de campo, registro de imagens fotográficas, registro de lista de palavras, depoimentos audiovisuais e coleta de variados materiais.
De um modo geral, para o povo guarani a linguagem está intimamente vinculada à própria cultura, onde a língua e a palavra ajudam a moldar a ética, a conduta e a prática social deste grupo indígena. Para muitos estudiosos, o idioma, juntamente com a ancestralidade e os costumem são os três elementos principais da formação da identidade guarani, constituindo o “modo de ser” deste povo.
A preservação, difusão e reconhecimento do valor e da dimensão cultural da língua Mbyá, através das garantias e salvaguardas legais que dispõem os bens imateriais do patrimônio brasileiro, além contribuir para manter viva este dialeto, ainda irá ressaltar a importância da pluralidade lingüística existente no Brasil. Em nosso território, são falados mais de 200 línguas diferentes, entre as quais, 180 são indígenas, sem contar aquelas praticadas entre os falantes de grupos isolados.
De acordo com estimativas, durante a conquista e ocupação européia, havia no país cerca de mil e trezentas línguas indígenas. Os estudiosos agrupam as idiomas dos povos originários aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak, reconhecendo, entretanto, o limite desta forma de abordagem, já que existem famílias que não se relacionam a nenhuma destas categorias e outras tantas línguas que nunca foram estudadas.
Os Guarani Mbyá mantém até hoje a plenitude e vivacidade de sua língua, que é transmitida principalmente por meio da oralidade. Para a maioria dos Mbyá mais velhos, o dialeto é a única forma de expressão verbal e, para um pequeno grupo de falantes, formado especialmente por jovens, há alguma fluência em português.
Os bens imateriais do patrimônio cultural brasileiro são definidos pela Constituição Federal como as práticas, habilidades e domínios empregados na vida social, manifestados através de saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas e nos lugares, como mercados, feiras e demais espaços onde se expressam as práticas culturais coletivas.
A partir de 2000, o Ipham adotou o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), que foi sendo testado e ampliado como principal instrumento da política de proteção aos bens culturais do país.
______________________________
(Guatá/Paulo Bogler/Com informações da Funai e do Iphan)http://kakawera.blogspot.com/2011/08/lingua-indigena-mbia-sera-patrimonio.html?spref=fb
O rico repertório lingüístico utilizado entre os falantes da etnia Mbyá Guarani será reconhecido como patrimônio nacional listado entre os bens culturais imateriais, acervo de expressões simbólicas protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).
Para isso, acaba de ser lançado um inventário sobre a língua dos Mbyá, durante encontro promovido pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol), órgão responsável por executar a pesquisa e instituir o levantamento entre 69 aldeias dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, áreas geográficas por onde se distribuem os integrantes desta etnia.
O levantamento sobre o sistema da língua Mbyá começou a ser realizado em 2009. Já o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), foi instituído pelo Decreto nº 7.387, em 2010. Este dialeto deriva do idioma Guarani, que está ligado à família Tupi-Guarani, que, por sua vez, pertence ao tronco lingüístico Tupi.
Para estabelecer parâmetros no contexto do plurilinguismo brasileiro, o INDL lançou seis categorias de língua, possíveis de serem inventariadas, a saber: 1) língua indígena próxima da extinção; 2) língua indígena de grande população e extensão territorial; 3) língua de imigração; 4) língua de comunidade afro-brasileira; 5) língua crioula; e, 6) língua de sinais.
O Guarani Mbyá situa-se nesta abordagem pela abrangência de seu uso. Para o levantamento deste idioma, o Ipol reuniu quase mil questionário de lideranças e chefes indígenas, além de recorrer a arquivos de banco de dados, pesquisa de campo, registro de imagens fotográficas, registro de lista de palavras, depoimentos audiovisuais e coleta de variados materiais.
De um modo geral, para o povo guarani a linguagem está intimamente vinculada à própria cultura, onde a língua e a palavra ajudam a moldar a ética, a conduta e a prática social deste grupo indígena. Para muitos estudiosos, o idioma, juntamente com a ancestralidade e os costumem são os três elementos principais da formação da identidade guarani, constituindo o “modo de ser” deste povo.
A preservação, difusão e reconhecimento do valor e da dimensão cultural da língua Mbyá, através das garantias e salvaguardas legais que dispõem os bens imateriais do patrimônio brasileiro, além contribuir para manter viva este dialeto, ainda irá ressaltar a importância da pluralidade lingüística existente no Brasil. Em nosso território, são falados mais de 200 línguas diferentes, entre as quais, 180 são indígenas, sem contar aquelas praticadas entre os falantes de grupos isolados.
De acordo com estimativas, durante a conquista e ocupação européia, havia no país cerca de mil e trezentas línguas indígenas. Os estudiosos agrupam as idiomas dos povos originários aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak, reconhecendo, entretanto, o limite desta forma de abordagem, já que existem famílias que não se relacionam a nenhuma destas categorias e outras tantas línguas que nunca foram estudadas.
Os Guarani Mbyá mantém até hoje a plenitude e vivacidade de sua língua, que é transmitida principalmente por meio da oralidade. Para a maioria dos Mbyá mais velhos, o dialeto é a única forma de expressão verbal e, para um pequeno grupo de falantes, formado especialmente por jovens, há alguma fluência em português.
Os bens imateriais do patrimônio cultural brasileiro são definidos pela Constituição Federal como as práticas, habilidades e domínios empregados na vida social, manifestados através de saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas e nos lugares, como mercados, feiras e demais espaços onde se expressam as práticas culturais coletivas.
A partir de 2000, o Ipham adotou o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), que foi sendo testado e ampliado como principal instrumento da política de proteção aos bens culturais do país.
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(Guatá/Paulo Bogler/Com informações da Funai e do Iphan)http://kakawera.blogspot.com/2011/08/lingua-indigena-mbia-sera-patrimonio.html?spref=fb
AQUECIMENTO GLOBAL
Olivio Jekupé
Por isso essas palavras estão chegando também nas aldeias indígenas. Sei que nosso povo indígena tem muito a contribuir com isso, porque se formos falar a verdade, não somos os causadores desse aquecimento global, não somos os inventores dessas grandes máquinas poluidoras, não somos nós os destruidores da floresta, não somos nós que poluímos os rios com venenos, mas nem por isso devemos ficar de fora desse acontecimento. Temos que educar nossos filhos a continuarem amando nossa mãe terra, e tudo o que nela existe, porque ela nos dá tudo e continuaremos precisando dela sempre. Sendo assim, um bom filho tem que continuar amando sua mãe, e a mãe continuará amando seus filhos.
Por isso cabe a nós índios, seja guarani ou de outro povo, nós que moramos nas aldeias, devemos continuar amando nossa mãe natureza e ao mesmo tempo continuar ensinando nossos filhos a seguirem o mesmo caminho, pois um povo que não ama a mãe natureza, tem o poder de destruí-la, por isso, é importante que nunca devemos deixar que isso aconteça. E a missão de um pai indígena é de grande valor, de grande responsabilidade, de dar continuidade na cultura da preservação da floresta, dos rios e tantas outras coisas mais.
Mas sei que muitos às vezes sentem vergonha de ser índio e queriam viver como o povo da cidade, andar bem vestido, ter seu carro e outras coisas mais. Mas uma coisa eu digo, feliz do índio, que não tem vergonha de ser quem é, mesmo não tendo estudado, nem tendo tanto dinheiro, nem sendo uma pessoa de reconhecimento na mídia, mas que vive feliz no seu mundo, ao lado do seu povo e da mãe natureza que lhe dá tudo.
Mas nem por ver que o mundo sofre por tantas coisas, eu nunca desisti de acreditar nos seres humanos. Acredito que no futuro, meus filhos, meus netos (os seus também) poderão ter uma vida melhor, vejo que muitos das grandes cidades também estão começando a valorizar muito mais a mãe natureza, nas escolas se comenta muito sobre o problema do aquecimento global, nas televisões e nas revistas. E por isso acredito que a sociedade está vendo o que poderá acontecer num futuro bem próximo. E como muitos estão assustados com isso, vejo que as crianças irão aprender a amar a mãe natureza com mais carinho, e é através deles que acredito que poderemos ter um mundo melhor, para nós índios, negros, asiáticos. Enfim a todos.
ESCRITOR E POETA e membro do NEARIN— LIVROS: 500 anos de angustia, Iarandu o cão fanlante, Xereko arandu a morte de kretã, Verá o contador de história, Arandu Ymanguare, O saci verdadeiro, Ajuda do saci, Indiografie publicado na Itália, Tekoa conhecendo uma aldeia indigena, A mulher que virou urutau. www.oliviojekupe.blogspot.com www.ocadasletras.com.br |
30 de jan. de 2012
'Os índios são, sim, muito sofisticados', diz Cao Hamburger
Diretor fala sobre 'Xingu' filme que exibirá, dia 15, em Berlim
MARILIA NEUSTEIN - O Estado de S.Paulo
Paulo Giandalia/AE
'Belo Monte é algo muito retrógrado e reacionário', diz Cao Hamburger
Na época (2008) o cineasta ficou um tanto reticente. Porém, depois de pesquisar sobre a vida dos sertanistas e a cultura indígena, topou o desafio. E foi de forma apaixonada e entusiasmante que o diretor contou à coluna sobre os bastidores de Xingu, longa-metragem recentemente selecionado para o Festival de Berlim. "Eu tinha medo de fazer uma coisa que ficasse muito nacionalista ou chapa-branca", explica. "Mas, depois de pesquisar sobre a vida deles e sobre o universo indígena, foi uma experiência transformadora".
A produção por si só, relata Cao, foi digna de uma aventura. Queimadas, carros atolados e até acidente aéreo (sem vítimas) assolaram a equipe, instalada entre o Tocantins e o Parque Nacional do Xingu. As dificuldades, no entanto, foram anestesiadas pela experiência de intercâmbio da equipe com os índios - que, inclusive, trabalharam nas filmagens, no elenco e na parte técnica: "Eles são muito evoluídos e sofisticados. Não deram muita bola para a evolução tecnológica, como a gente, mas evoluíram de uma outra maneira, que, para nós, é difícil de entender", conta.
A seguir, os melhores momentos da conversa.
Fazer um longa-metragem sobre os irmãos Villas-Bôas era um desejo antigo?
Na verdade, não. Foi um presente. O filho do Orlando Villas-Bôas, Noel, procurou a O2 e o Fernando Meirelles. Ele nos mostrou que essa história estava se perdendo, que ninguém se lembrava mais do pai e dos tios. O Fernando leu o livro, se encantou e perguntou se eu me interessava.
Você aceitou de bate-pronto?
A princípio, fiquei um pouco receoso, porque conhecia muito pouco da história deles. E tinha medo de fazer uma coisa que ficasse muito nacionalista ou chapa-branca. Então, fui pesquisar e também me encantei. Cada irmão com sua personalidade, a química entre eles, o lado humanista. Achei a história maravilhosa. Quando fui me aprofundar na pesquisa do universo indígena, foi uma experiência transformadora.
Como assim, transformadora?
Difícil falar. Sempre pode soar um pouco místico. Então, não falo muito do que eu sinto, porque é meio difícil de explicar. Mas foi transformador no sentido de que, de certa forma, passei a enxergar o mundo por outra ótica. A cultura indígena é muito sofisticada. Diferentemente do que se fala no senso comum e preconceituoso - que eles são selvagens, que vivem pelados -, os índios são, sim, muito evoluídos e sofisticados. Não deram muita bola para a evolução tecnológica, como a gente. Evoluíram de outra maneira - que, para nós, é difícil de entender. Mas vai caindo a ficha e, quando você percebe, quer absorver o máximo que consegue da cultura deles.
Alguns índios participaram não só como atores, mas na produção do filme. Como foi essa experiência para vocês?
Nós fomos muito bem recebidos pelos povos que moram no Xingu. E também por onde passamos, como, por exemplo, o Tocantins. Tivemos muito cuidado com essa aproximação. O projeto começou dois anos antes das filmagens: fomos três vezes ao parque antes de filmar. Muito do roteiro, inclusive, foi feito a partir de conversas com os povos indígenas. Queríamos que o filme tivesse muito o ponto de vista deles também. E isso deu aos índios uma confiança no filme que a gente estava fazendo. Eles se interessam muito. Alguns já tinham feito cursos de vídeo, oficinas. Já haviam tido contato com o mundo audiovisual. Então, aproveitamos para fazer esse intercâmbio.
Você acredita que falta informação sobre a cultura indígena?
É um abandono completo. O mais chocante, para mim, foi perceber o preconceito que a sociedade brasileira nutre em relação à cultura indígena e contra os índios. A gente costuma dizer que o Brasil é um país aberto, que vivemos pacificamente, mas há um preconceito contra o índio e é profundamente cruel. Eles são discriminados em vários níveis. Sofrem preconceito racial e são até ameaçados. Muitas vezes, morrem.
Como você vê essa manifestação preconceituosa? Acho que, além de cruel e profundamente injusto, o preconceito é um grande desperdício. A cultura indígena, a meu ver, é um bem que o País tem. É uma maneira diferente de estar no mundo. Temos a prepotência de achar que o ser humano é o dono do planeta e superior, algo que os povos indígenas não têm.
E o que você acha da construção de Belo Monte?
Acho que vai mexer no fluxo do rio Xingu, e esse rio, como todos que banham aquela região, é muito sensível. Se mexer lá, não sei como isso vai influenciar o habitat dos peixes, que são a principal fonte de alimentação dos povos do Xingu. Acho um retrato do que vem acontecendo com o Brasil desde 1500. Agora seria a hora de repensar o modelo de desenvolvimento que queremos e mudar esse paradigma. É algo muito retrógrado e reacionário. Tendo consequência direta, ou não, no parque, é um símbolo, porque o Xingu é essa luta pela contenção do poder destruidor da civilização. Então, é uma oportunidade que se perde de entrar no século 21 liderando um novo pensamento político, econômico e de desenvolvimento da humanidade e do planeta. Acho uma pena que não haja uma reflexão maior.
Você comentou que há no filme uma cena da Transamazônica...
É uma grande coincidência. No mesmo lugar onde está sendo construído Belo Monte tem uma cena, no filme, do presidente Médici, que foi o general do período mais duro da ditadura, inaugurando (no mesmo município) a placa que marcou o começo da construção da Transamazônica. Projeto que resultou em um completo fiasco. Foram rios de dinheiro jogados fora, muita floresta destruída, muitas doenças levadas aos povos locais, um desastre. Agora, no mesmo lugar, outra obra também faraônica.
O Noel Villas-Bôas chegou a interferir no filme?
Não. Tivemos liberdade total. Ele não viu o filme nem leu o roteiro. Ele e dona Marina (mulher de Orlando Villas-Bôas) abriram o arquivo da família. Mas também pesquisamos muito em campo. Falamos com pessoas que trabalharam com eles - médicos, sertanistas, peões.
O que, na sua opinião, representa o legado dos irmãos Villas-Bôas?
Apesar de eu sempre desconfiar muito dessa coisa de herói, concordo com a Elena Soarez, roteirista do filme, que costuma brincar: "Se você acha que o Brasil não tem heróis, venha assistir Xingu". E nós fizemos questão de mostrá-los, no filme, humanos, com todas as suas contradições, paixões e idiossincrasias. Esses são os verdadeiros heróis, não precisam ser idealizados.
E a escolha do elenco?
Para fazer três irmãos é sempre difícil a escolha. Além dos atores serem bons, era preciso que fossem parecidos com os personagens e tivessem essa química de irmãos. Fiquei muito satisfeito, o trio é perfeito.
Qual é agora a sua expectativa para Berlim?
Ver se os alemães vão se emocionar tanto quanto quem já viu o filme no Brasil.
E como é fazer cinema no Brasil hoje?
Minha geração perdeu dez anos. Quando estávamos prontos para começar a fazer longas-metragens, nos anos 90, veio o Plano Collor, acabou com a Embrafilme e não pôs nada no lugar. Então, para nós, criticar os mecanismos atuais é muito difícil. Porque são os únicos que temos, e que permitiram nossa produção. Tem um esforço da classe e das políticas públicas para aperfeiçoar o mecanismo. Espero que melhore.
Você é cinéfilo?
Gosto muito de cinema, mas também de TV. Fui criado com a televisão. A música do Arnaldo define bem: "A televisão me deixou burro, muito burro demais/agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais", (risos). Isso é a minha geração escrita. Eu faço televisão e adoro. E não vejo nenhum problema em criar para ambas as linguagens. Uma coisa é complementar da outra.
Você assiste a reality shows?
Não. Inclusive não entendo qual é a graça e o destaque que esses programas têm na mídia e na vida das pessoas. Até acho que o reality pode ser um formato interessantes, mas esses que estão aí não me atraem.
Fale um pouco sobre seus projetos futuros.
Estou desenvolvendo um longa sobre índios que, ainda hoje, nunca tiveram contato com a civilização. São chamados de isolados. É inacreditável - e me vi impelido a fazer esse filme.
28 de jan. de 2012
Vídeo nas Aldeias 25 Anos
O livro Vídeo nas Aldeias 25 Anos já está à venda. Pode ser encomendado pelo catálogo on-line do site, pela Livraria Cultura, ou loja do Instituto Socio-ambiental). O Livro conta a história do projeto com vários povos indígenas no Brasil, é bilingue (inglês+português) e é acompanhado de 2 DVDs com dez filmes representando várias etapas do trabalho do projeto, além de trazer um belo ensaio fotográfico, numa excelente impressão de arte. Um produto feito com carinho celebrando a história do Vídeo nas Aldeias, e o cinema indígena brasileiro.
http://
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