13 de jan. de 2021

QUESTÃO DE OPINIÃO

 

NOSSO FUTURO SERÁ A CHINA?


D

urante a campanha do último ano insisti várias vezes que não acreditava na recuperação da economia brasileira tal qual meus adversários afirmavam. Fui ridicularizado algumas vezes por insistir que a melhor maneira de fazer a cidade crescer seria através da indústria cultural, pois ela é um produto que nasce e cresce dentro de nossas fronteiras e que era importante investir em nossas potencialidades locais ao invés de esperar um “milagre”.

Se alguém ainda se lembra, os meus adversários – os dois principais – juravam “de pés juntos” que trariam para a cidade novas empresas e indústrias para explorar a mão de obra local fazendo com que houvesse uma explosão de empregos e o consequente desenvolvimento tão almejado pelos munícipes. De minha parte – e chamado de utópico – insisti que a desindustrialização estava apenas começando e que os anos vindouros seriam terrivelmente difíceis trazendo mais desemprego ou subempregos, mendicância, violência e desespero.

Como é possível saber disso àquela ocasião? Por uma simples questão de observação: há anos a indústria brasileira está em frangalhos; a construção civil, destruída; a Petrobras, desacreditada; a indústria naval, desmontada; a aviação civil, sucateada; a educação, esquecida; a ciência, vilipendiada; os direitos trabalhistas, execrados; a presidência da República sendo exercida por um lunático...Em um cenário deste, como acreditar que a formação profissional tem futuro? Como oferecer esperança para nossa juventude? Como prometer uma cidade em franco crescimento quando tudo a puxa para trás?

Eu sei que alguém vai dizer que tudo isso é culpa da pandemia e que não cabe a uma pessoa ou instituição assumir o fracasso da nação.  Mas, devo dizer, uma parte disso tudo poderia ser minimizado – e não estou falando da pandemia – caso nosso país tivesse um projeto de emergência que se preocupasse com a vida das pessoas, de todas as pessoas. E isso vale para o município que até agora não se apressou em elaborar seu próprio plano de emergência para tentar frear o avanço do vírus ou, como era de se esperar, como pretende atender a população quando a vacina for liberada.

O fato que está em nosso horizonte é que a cura virá mesmo da China. A mesma China que é, o tempo todo, atacada pelos simpatizantes do negacionismo ou dos investigadores da origem do mal. Ainda que aparentemente vários países do mundo estejam buscando a cura para poder faturar alto, é na China que estão todos os grandes laboratórios do mundo. É nela que buscam insumos químicos e tecnológicos para a elaboração do antídoto. Essa é uma realidade que foge a qualquer especulação conspiracionista.

Vale lembrar aos meus dois ou três leitores, que o governo brasileiro tenta buscar a solução para o restolho da Ford na China. É para ela que tem oferecido o que vai restar da fuga da empresa americana. Aliás, é também a China a principal fornecedora de matéria prima ao Brasil. Não, nossa bandeira nunca será vermelha. Não? Quem não percebeu que há uma supremacia chinesa em todo mundo virou um gigante adormecido que não quer acordar ou se deixou levar pelo discurso emburrecido dos que negam a quebra do monopólio capitalista dos Estados Unidos.

Claro que ainda dá tempo de reverter a derrocada total do sistema. Certamente isso não diz respeito ao nosso país porque somos a nação que nega sua capacidade de inventar o novo porque sempre acreditou em salvadores da pátria que, quase sempre, vêm com ajuda generosa dos países que nos querem a seus pés como colonizados que sempre fomos.

A solução está posta: precisamos nos descolonizar para que possamos, como a China, ter autonomia para construirmos o país que nascemos para ser. Esta é a minha opinião. E a sua, qual é?


 


30 de dez. de 2020

2021 – Uma ficção

 


Estamos vivendo os últimos dias de 2020, ano que já disseram perdido, já disseram inútil, já disseram que vai tarde. Não creio tenha sido nada disso porque ele nos fez pensar e repensar nossa presença neste cenário chamado planeta terra. Fez até alguém criar um futuro fictício denominado novo normal como se dissesse que tudo vai continuar do mesmo jeito no tempo que virá.

O futuro imediato se chama 2021. Ele está se aproximando com uma velocidade assustadora para nos dizer que nada vai ser normal. Em se tratando de Brasil já não está normal há alguns anos. Nem precisamos de epidemia para provarmos da anormalidade que se abateu sobre nós. Ela só veio para nos igualar em termos de humanidade frágil. De resto, tudo ficará mais difícil, menos empregos, menos educação, menos governo, menos arte, menos cultura. Será um ano menos, infelizmente.

No entanto, nada disso pode nos desanimar. Somos brasileiros e não desistimos nunca. Não é assim que se costuma dizer? Só que nós desistimos de sermos brasileiros algumas vezes na década que passou. Desistimos de nossa diversidade, de nossos direitos, das conquistas sociais, da democracia. A democracia que deveria ser uma bela experiência de solidariedade acabou se transformando numa epidemia de ódio, perseguição, rancor, trevas. Não, o ano de 2020 não acabou porque ele começou há anos atrás quando esquecemos nossa humanidade e aceitamos ser governados por lunáticos infelizes. O pior é que isso tem prazo de validade até 2022.

De qualquer forma é bom lembrarmos que temos a arte para revigorar nossas forças. Temos a esperança para alavancar nossas utopias. Temos vida para ameaçar a morte. Temos a ciência para lembrar que, sim, podemos vencer. Sim, podemos avançar. Sim, podemos nos libertar da opressão, do medo. Sim, podemos unir forças, criar novos campos de atuação. Podemos alimentar nossos sonhos de unidade e criar novas frentes de atuação para não deixar “a peteca cair”.

Só assim, creio, poderemos evitar que o céu desabe sobre nossas cabeças e criar novas ideias para adiar o fim do mundo.

Esta é a minha opinião.

2021: Um ano fictício


Neste vídeo, da série Questão de Opinião, faço uma crônica sobre o final do ano de 2020 e reflito sobre o que vem pela frente.

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MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...