5 de fev. de 2013
I Encontro Nacional de Estudantes Indígenas - 02 a 06 de Setembro
Prezados amigos e aliadas,
Os alunos da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - estão organizando o I ENEI - Encontro Nacional de Estudantes Indígenas - para o início de setembro.
Será um grande encontro que congregará estudantes universitários indígenas para discutir o Ensino Superior para Povos Indígenas.
Em breve serão abertas as inscrições para apresentação de trabalhos e como as pessoas poderão participar deste histórico evento. Lembro que ele está sendo todo preparado por uma comissão de estudantes indígenas com o apoio de instituições de fomento à pesquisa. Outras colaborações serão bem vindas.
Acompanhem as informações no site que está sendo construído - por indígenas universitários - especialmente para cobrir o evento.
4 de fev. de 2013
Mestres em Sustentabilidade exploram diversidade cultural dos povos indígenas
Mariana Costa/UnB Agência
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Isabel Taukane pesquisou protagonismo feminino em instituto indígena
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Mestres em Sustentabilidade exploram diversidade cultural dos povos indígenas
Primeira turma do curso, que uniu alunos indígenas e não-indígenas, debateu temas como meio ambiente, representação política, protagonismo feminino e arte
Jairo Macedo - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Jairo Macedo - Da Secretaria de Comunicação da UnB
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O estudo dos povos nativos do Brasil existe na UnB desde a sua fundação. E agora ganha novas contribuições dos recém-formados mestres em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas. São profissionais indígenas e não-indígenas, que discutem questões ligadas a tradição, gêneros, meio ambiente e reafirmam o “protagonismo e autoria indígena na vida acadêmica", na definição do professor Othon Leonardos, um dos responsáveis pela criação do curso.
“A origem dos estudos indigenistas na UnB veio ainda na sua fundação, com Darcy Ribeiro, seguiu nos anos 1970 com Roberto Cardoso de Oliveira e jamais parou”, relembrou Jaime Santana, decano de Pesquisa e Pós-Graduação. Para ele, o alto nível das dissertações da primeira turma do curso aponta para novos desdobramentos. “Trabalhamos já com a ideia de pós-graduação em estudos de línguas indígenas. São mais de 400 línguas, que precisam ser pauta acadêmica e a UnB está na ponta desse processo”.
Um exemplo dessa excelência ligada à diversidade é a aluno Maria Elenir Neves. Nascido no Rio Grande do Sul, ela é da etnia dos kaingang e especialista em da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Em sua dissertação, Maria analisou os cuidados com gestação, parto e pós-parto em sua tribo. “Décadas atrás, era difícil ouvir a voz dessas mulheres em uma tribo capitaneada pelos homens. Eram como que invisíveis e nós da saúde não sabíamos ouví-las”, afirma. Ela conta que só quando trabalhou diretamente com o parto kaingang – e todas as suas especificidades, que incluem uso de chás, banhos, bafações, dietas alimentares e resguardo – começou a ser entendida como mulher e médica pela tribo. “Minha tese atesta que só assim, com articulação e entendimento do médico da cultura do outro, podemos chegar a um denominador comum de saúde”, resume ela.
| Mariana Costa/UnB Agência |
| Maria Elenir defende articulaão entre tradição e a medicina oficial |
Filha de Mário Juruna, militante histórico, a xavante Samantha Ro’otsitsina de Carvalho Juruna herdou do pai o interesse pela luta. No mestrado, abordou o movimento indígena sob recorte do Acampamento Terra Livre (ATL), que desde 2004 ocupa Brasília anualmente, funcionando como assembleia geral e instância de decisão dos índios brasileiros. Em 2012, quando o ATL aportou no Rio+20, Samantha registrou o depoimento de 16 pessoas de 16 diferentes povos. “Essas pessoas falaram da sabedoria ancestral que está na dança, pintura, natureza e modos de produção. Me trouxeram a certeza de que a luta indígena começa na base, de dentro para fora, a partir da sabedoria e resistência dos mais velhos”, disse ela.
Isabel Taukane, da etnia bakairi, da região de Piratininga (Mato Grosso), uniu gênero e sustentabilidade ao estudar o Instituto Yukamaniru, organização local composta por 30 mulheres que executa projetos ambientais. “Nossa terra sofre com arrendamentos, que devastam a mata e prejudicam a água de nascentes. Por isso, temos viveiros de plantas em que trabalhamos continuamente, sob recursos próprios e alguma ajuda governamental”, explica ela. Cristiane Portela, pesquisadora associada ao Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), presente na banca examinadora, ressalta a singularidade do trabalho: “Essas mulheres buscaram o protagonismo em uma comunidade ainda muito machista, demonstrando habilidade sócio-política e ressignificando mitos de sua cultura. Ao estudá-las, Isabel trouxe a questão de gênero, já tão moderna, para dentro do debate indígena”.
| Mariana Costa/UnB Agência |
| Erlon de Jesus estudou manifestações festivas dos caboclos |
LACUNAS - Formada em Propaganda e Marketing, Isabel Taukane fez o mestrado indígena para complementar sua formação. “Na UnB, preenchi essas lacunas ao encontrar um diálogo de saberes, em que podemos refletir sobre a contribuição dos povos indígenas para a sociedade brasileira, bem como da apropriação das questões não-indígenas para as aldeia", diz. "É uma troca”. Essa necessidade também preocupava o historiador baiano Erlon Fábio de Jesus, que defendeu tese sobre a permanência dos tupinambá em Olivença, no sul da Bahia. “Minha relação com a cultura indígena vem da minha própria família, formada por gente de Olivença que se miscigenou e foi morar nos bairros periféricos da cidade", afirma. "Meu trabalho não seria possível em outras universidades, cujo coronelismo branco não se interessa pelo tema. Na UnB, sim, pude falar não só do índio visto de fora, mas também ter aulas junto a eles, aprender e conviver em seus espaços”. Em campo, Erlon esteve junto a escolas e festas indígenas, dois pontos de reafirmação de identidade tupinambá. “A escola indígena estudada apresenta em seu projeto político-pedagógico a questão da luta pelo território, uma inovação dentro do projeto educacional. Da mesma forma, a Puxada do Mastro de São Sebastião, festa de cablocos que relacionam com a natureza e religiosidade, é um momento de revigoração da cultura e delimitação de espaço”, disse.
Graduado em Teologia e Gestão Ambiental, Chicoepab Suruí é outro que trouxe a academia para sua tribo. Os paiter suruí de Rondônia, tiveram quase 10% de suas terras degradadas em função de retirada ilegal de árvores, plantação de café e arroz, e implantação de pasto para gado. Em 2003, a associação indígena Metareilá diagnosticou o território e capitaneou o Plano 50 Anos Suruí de reflorestamento. “Estudei o impacto na percepção de meu povo dali em diante”, explica Chicoepab, “e vi que houve não só uma mudança ambiental, mas de consciência. Isso porque envolveu as famílias como um todo, desde a escolha do que plantar até a colheita”. Mais que isso, a tribo enxergou possibilidades econômicas nessa nova etapa. “Podemos aproveitar a floresta com ela em pé, produzindo medicamentos tradicionais, artesanato e frutos para comercialização”, avalia ele.
| Mariana Costa/UnB Agência |
| Chicoepab: duas graduações e um mestrado na defesa da terra |
AUDIOVISUAL – A musicista Verônica Aldé trabalhou junto a um projeto-piloto do Museu do Índio, proposto pela Funai do Rio de Janeiro, de registro e documentação dos cantos indígenas. “O projeto é uma via para pensar a implantação de políticas públicas para salvaguarda dos cantos indígenas, ainda inexistentes no Brasil”, explica. Em vídeo de 30 minutos, produto final do mestrado, Verônica Aldé deu voz a emocionantes depoimentos de mestres krahô do Tocantins, que demonstram a música na tribo. “O som não tem significado apenas em si mesmo, mas também na carga religiosa que traz. Além disso, há educação e sustentabilidade na força que os rituais dão para a relação diária com a terra. Cada planta tem sua canção”, exemplifica.
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
31 de jan. de 2013
Tese completa e com revisão das notas pele silenciosa, pele sonora
O objetivo desta tese de doutoramento é investigar a construção da
identidade do índio pela perspectiva ocidental (de tradição européia) e pela perspectiva
indígena, nas literaturas brasileira e norte-americana. Assim, estudamos textos
produzidos no Brasil e nos Estados Unidos da América por escritores vinculados à
tradição literária ocidental, do período colonial ao século XX, e pelo próprio índio, nas
contra-narrativas do final do século XX. Ao longo de cinco séculos de dominação da
América, o colonizador europeu construiu uma representação etnocêntrica do índio
que ainda hoje preenche o imaginário ocidental. Lido e traduzido pelo olhar do outro,
o ameríndio tem sua identidade elaborada a partir de eixos de representação europeus e
de estereótipos. No entanto, o índio não ficou silencioso desde seu encontro com o
colonizador; sua voz de resistência tem se manifestado há séculos por meio de
multimodalidades discursivas que também constroem representações da identidade
indígena.
30 de jan. de 2013
DA MÁQUINA DE ROUBAR ALMAS À MAQUINA DE REGISTRAR MEMÓRIAS
Naine Terena
Eu já me transformei em imagem. Mesmo que eu morra vocês irão me ver.(pajé do Povo HuniKui, no vídeo Já me transformei em imagem).
Numa referência realizada ao trabalho do fotografo Boggiane, em terras do povo kadiweu em 1934, Pavel Fricova e Yvonna Frici, escrevem sobre os retratos tirados pelo fotografo na aldeia, comentando sobre as relações mutuas, as desconfianças dos kadiweus para com a máquina fotográfica e o medo de perder ‘sua alma’ (1997). Pensando nesta observação, refletimos sobre uma das muitas trajetórias percorridas pelos povos indígenas brasileiros, num longo processo de manutenção da cultura. Se por muitas décadas acreditava-se que os índios seriam extintos e perderiam totalmente a sua cultura, vemos o processo de adaptação, assimilação e apropriação de elementos da cultura não indígena com o intuito de manter os costumes. Se a entrada das tecnologias (em especial a televisão) oferecem alto risco por causa dos valores transmitidos aos mais jovens, com o tempo os próprios indígenas conseguiram vislumbrar a utilização desses meios para mostrarem-se ao mundo e para si mesmo.
É o que diz o pajé Huni Kui no vídeo Já me transformei em imagem, Isaac Dias, liderança Terena, em Quem chorará por nós, e tantos outros anciãos que posicionam-se em frente a câmera para realizar suas narrativas. Com características orais, os povos indígenas vêm demonstrando cada vez mais afinidade com os equipamentos de áudio e vídeo. Isaac visualizou a utilização do registro de parte de sua memória na escola indígena de sua aldeia. Ele comenta durante as gravações de sua ‘entrevista’ que falaria naquele momento por que sabia que os realizadores deixariam uma cópia na escola: “Eu comecei a escrever (as memórias) e não enxergo mais. Mas se a senhora vai deixar uma cópia na escola, fica mais fácil”.Dois fatores são importantes na utilização dos equipamentos (ao meu ver) – o primeiro esta relacionado a preocupação com o registro da memória, da manutenção da cultura, da transmissão cultural; o segundo com a necessidade de se apresentar ao mundo dos não indígenas, para que estes entendam, compreendam e respeitem o sistema de vida indígena.
Se na década de 30 os kadiwéu (e talvez outros povos) temiam a captura da alma pelos equipamentos, hoje esse temor se transformou a ponto de que cada povo manipule seu equipamento e capture parte da alma que queiram que seja capturada. O domínio dos equipamentos pelos próprios indígenas lhes dão autonomia para que registrem apenas o que querem que seja registrado. Que divulguem apenas o que pensam que deve ser importante ser divulgado. É a autonomia tecnológica dos povos contemporâneos. Walter Benjamin escreve que o filme não deve ser considerado um mero instrumento de registro e reprodução, ele é autoral e capaz de representar o mundo. Neste caso, o mundo que os povos indígenas querem representar e apresentar (faça então uma reflexão mais apurada, o que se vê sobre índios nas tv´s brasileiras? Com que freqüência? como são apresentados?)
Podemos lembrar ainda alguns trechos escritos por Arlindo Machado, sobre como os diversos grupos indígenas estão aprendendo a dominar criativamente as modernas tecnologias de enunciação para utilizá-las em seu benefício – seja como registro de suas memórias, seja como luta política. Escreve Machado:
[...] vem sendo incorporado por algumas nações indígenas não apenas como instrumento de registro passivo de suas tradições, mas também de luta política. Para os povos sem tradição escrita como é o caso dos índios, o vídeo se converteu rapidamente numa forma de escritura que lhes permite comunicar-se rapidamente com outras tribos, registrar a ação dos emissários nas instituições de poder (como forma de prestar conta à tribo posteriormente) e angariar a adesão ou a solidariedade de instituições protecionistas ou ecológicas internacionais.
Os indígenas deixam de aparecer como objetos passivos, para garantir a preservação não mais da pureza étnica ou cultural, mas de sua autonomia política e de sua opção por um modelo de vida diferenciado, sem apelar para a estereotipação, mas identificando-se como índios perante os brancos, como povos diferenciados por tradições próprias, e sendo sujeitos de registros - antes o que era realizado pelo olhar do outro, agora se torna elemento para a visualização de si mesmo (Arlindo Machado).
Diante de tudo isso, penso que talvez, o temor não fosse pela máquina roubar suas almas, mas sim de não poderem escolher quais partes de suas almas gostariam que fossem resguardadas.
A citação foi lida e retirada do livro Fotografia e Antropologia – olhares fora-dentro de Rosane de Andrade.
Mais em: http://oraculocomunica.blogspot.com.br/p/artigos-e-textos.html
Eu já me transformei em imagem. Mesmo que eu morra vocês irão me ver.(pajé do Povo HuniKui, no vídeo Já me transformei em imagem).
Numa referência realizada ao trabalho do fotografo Boggiane, em terras do povo kadiweu em 1934, Pavel Fricova e Yvonna Frici, escrevem sobre os retratos tirados pelo fotografo na aldeia, comentando sobre as relações mutuas, as desconfianças dos kadiweus para com a máquina fotográfica e o medo de perder ‘sua alma’ (1997). Pensando nesta observação, refletimos sobre uma das muitas trajetórias percorridas pelos povos indígenas brasileiros, num longo processo de manutenção da cultura. Se por muitas décadas acreditava-se que os índios seriam extintos e perderiam totalmente a sua cultura, vemos o processo de adaptação, assimilação e apropriação de elementos da cultura não indígena com o intuito de manter os costumes. Se a entrada das tecnologias (em especial a televisão) oferecem alto risco por causa dos valores transmitidos aos mais jovens, com o tempo os próprios indígenas conseguiram vislumbrar a utilização desses meios para mostrarem-se ao mundo e para si mesmo.
É o que diz o pajé Huni Kui no vídeo Já me transformei em imagem, Isaac Dias, liderança Terena, em Quem chorará por nós, e tantos outros anciãos que posicionam-se em frente a câmera para realizar suas narrativas. Com características orais, os povos indígenas vêm demonstrando cada vez mais afinidade com os equipamentos de áudio e vídeo. Isaac visualizou a utilização do registro de parte de sua memória na escola indígena de sua aldeia. Ele comenta durante as gravações de sua ‘entrevista’ que falaria naquele momento por que sabia que os realizadores deixariam uma cópia na escola: “Eu comecei a escrever (as memórias) e não enxergo mais. Mas se a senhora vai deixar uma cópia na escola, fica mais fácil”.Dois fatores são importantes na utilização dos equipamentos (ao meu ver) – o primeiro esta relacionado a preocupação com o registro da memória, da manutenção da cultura, da transmissão cultural; o segundo com a necessidade de se apresentar ao mundo dos não indígenas, para que estes entendam, compreendam e respeitem o sistema de vida indígena.
Se na década de 30 os kadiwéu (e talvez outros povos) temiam a captura da alma pelos equipamentos, hoje esse temor se transformou a ponto de que cada povo manipule seu equipamento e capture parte da alma que queiram que seja capturada. O domínio dos equipamentos pelos próprios indígenas lhes dão autonomia para que registrem apenas o que querem que seja registrado. Que divulguem apenas o que pensam que deve ser importante ser divulgado. É a autonomia tecnológica dos povos contemporâneos. Walter Benjamin escreve que o filme não deve ser considerado um mero instrumento de registro e reprodução, ele é autoral e capaz de representar o mundo. Neste caso, o mundo que os povos indígenas querem representar e apresentar (faça então uma reflexão mais apurada, o que se vê sobre índios nas tv´s brasileiras? Com que freqüência? como são apresentados?)
Podemos lembrar ainda alguns trechos escritos por Arlindo Machado, sobre como os diversos grupos indígenas estão aprendendo a dominar criativamente as modernas tecnologias de enunciação para utilizá-las em seu benefício – seja como registro de suas memórias, seja como luta política. Escreve Machado:
[...] vem sendo incorporado por algumas nações indígenas não apenas como instrumento de registro passivo de suas tradições, mas também de luta política. Para os povos sem tradição escrita como é o caso dos índios, o vídeo se converteu rapidamente numa forma de escritura que lhes permite comunicar-se rapidamente com outras tribos, registrar a ação dos emissários nas instituições de poder (como forma de prestar conta à tribo posteriormente) e angariar a adesão ou a solidariedade de instituições protecionistas ou ecológicas internacionais.
Os indígenas deixam de aparecer como objetos passivos, para garantir a preservação não mais da pureza étnica ou cultural, mas de sua autonomia política e de sua opção por um modelo de vida diferenciado, sem apelar para a estereotipação, mas identificando-se como índios perante os brancos, como povos diferenciados por tradições próprias, e sendo sujeitos de registros - antes o que era realizado pelo olhar do outro, agora se torna elemento para a visualização de si mesmo (Arlindo Machado).
Diante de tudo isso, penso que talvez, o temor não fosse pela máquina roubar suas almas, mas sim de não poderem escolher quais partes de suas almas gostariam que fossem resguardadas.
A citação foi lida e retirada do livro Fotografia e Antropologia – olhares fora-dentro de Rosane de Andrade.
Mais em: http://oraculocomunica.blogspot.com.br/p/artigos-e-textos.html
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