28 de mar. de 2012

Reflexos da Ancestralidade


Os Guarani costumam dizer que o passado não está ANTES do presente, mas DENTRO do presente. Sabemos que o mundo é movido por inúmeras energias, que estão presentes desde os tempos remotos. Nossos ancestrais aprenderam a usar estas forças ao longo do tempo em vários seguimentos.
O tempo deixou suas pegadas e marcas, que hoje carregamos e continuam aqui, conosco. Somos a impressão do reflexo de uma ancestralidade, que nos confiou o legado de um tempo que não termina, que continua em nós, de um espaço que está marcado por esses passos remotos.
A morte levou nossos ancestrais para outro plano, mas o tempo preservou parte da história: o canto, a dança, a bebida tradicional e a força que faz do indígena um ser pleno no seu mundo.
Reflexos da Ancestralidade revela parte da vida e da cultura indígenas, narradas por vários autores com esta origem em livros que relatam belas histórias e a presença destes povos como sobreviventes num mundo cheio de códigos e condutas contrárias a preservação natural ou planejada do planeta.
A tradição indígena tem como princípio o respeito ao outro, que está num mesmo nível de igualdade, desde o menor ao maior dos seres. É nesta base que o mundo se equilibra, permitindo que cada um tenha, por direito, a possibilidade de viver o seu tempo, quer seja sobre ou sob a terra, no ar, nas águas ou debaixo delas.
Esta exposição revela que é com a mistura dos sentidos e da própria história, que os artistas plásticos Uziel Guainê, do povo indígena Maraguá, do Amazonas, e Jaider Esbell Macuxi, de Roraima, transportam para telas o olhar ancestral transfigurado e atualizado, advindo do tempo imemorial com seus reflexos ancestrais.
Cristino Wapichana 

27 de mar. de 2012

O evento Mundo em Movimento será apresentado no Memorial dos Povos Indígenas

Será inaugurado, dia 10 de abril, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, o evento Mundo em Movimento: Saberes Tradicionais e Novas Tecnologias. No local, serão apresentadas exposições sobre 55 etnias, incluindo as que integram o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas do Museu do Índio – PROGDOC.As mostras, que poderão ser vistas em diversos espaços do Memorial, vão exibir o universo indígena do Brasil e sua produção artística e cultural, além de uma ampla coletânea de registros audiovisuais. Os saberes e rituais das 55 etnias, serão apresentados de forma lúdica, por meio de objetos, textos, fotos, vídeos, músicas e falas. Entre as curiosidades, o público poderá conferir um corredor sonoro com 14 monitores portáteis e interatividade para escuta de 18 sonoridades – falas e cantos – indígenas.
Entre os vários grupos que serão apresentados no evento, terão destaque os Tikmũ’ũn - também conhecidos como Maxakali (MG) - pela resistência e vitalidade com que preservam os seus saberes musicais e a sua linguagem.
Na ocasião, será lançado, ainda, o Programa Indio&Arte, do Museu do Índio/ FUNAI, com a abertura de uma exposição de vendas no Espaço Galeria do Memorial dos Povos Indígenas. Ali, o público vai encontrar diversas peças como cerâmicas, cestarias, adornos e grafismos.
O Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas – PROGDOC:
O Museu do Índio (RJ) coordena, desde 2009, um esforço nacional de registro e documentação para proteger, reforçar e revitalizar as muitas línguas e culturas indígenas existentes no território brasileiro. O trabalho é divido em quatro áreas de atuação – Prodoclin, Prodocult, Prodocerv e Prodoc Som – e desenvolvido em conjunto com o Instituto Max Planck, da Holanda, e várias universidades e centros de pesquisa do País, com o apoio da Fundação Banco do Brasil e da Unesco.
O Programa Índio e Arte:
Índio e Arte é um programa de salvaguarda do patrimônio cultural indígena voltado para a preservação da cultura material dessa população. As suas ações objetivam fomentar a documentação e o registro dessa produção em projetos caracterizados pela aliança entre documentação, protagonismo indígena e comércio justo.
Evento: Mundo em Movimento
Inauguração: 10 de abril de 2012
Visitação: a partir de 11 de abril de 2012
De terça a sexta-feira, das 9 às 18horas;
Memorial dos Povos Indígenas – Eixo Monumental Oeste,
Praça do Buriti - Brasília/DF
sábados, domingos e feriados, das 10 às 18horas. Telefones: (61) 3342-1157 / 3344-1154 /
3342-1156
Grátis


http://www.museudoindio.gov.br/template_01/default.asp?ID_S=5&ID_M=1212

24 de mar. de 2012


09-08 - EMEF MAESTRO DOMINGOS BLASCO - DANIEL MUNDURUKU (convidado) from OSASCO LITERATURA on Vimeo.

Aluno da UFSCar é o primeiro índio bolsista de iniciação científica da Fapesp

Luciano Kezo cria livro didático para ensinar língua extinta a crianças de Mato Grosso

Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu
Luciano Ariobo Kezo, de 22 anos, é umas das poucas pessoas que falam umutina no mundo. Ele aprendeu a língua, considerada extinta pela Unesco, com um ancião da aldeia onde nasceu e cresceu, em Barra do Bugres, no interior de Mato Grosso. Luciano agora estuda Letras na Federal de São Carlos (UFSCar) e quer mudar a realidade de sua tribo: prepara um livro didático para ensinar umutina às crianças de Barra do Bugres. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) apostou na ideia e pela primeira vez financia um projeto realizado por um indígena.
Luciano Kezo, aluno de Letras na UFSCar - Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Luciano Kezo, aluno de Letras na UFSCar

O estudante trabalha no livro há 8 meses, orientado pela professora Maria Sílvia Martins, especialista em linguística aplicada. “O livro nasceu do interesse coletivo. Ele colabora para mim enquanto estudante e para o meu povo, que poderá ter acesso à língua”, diz Luciano.
Maria Sílvia conta que o problema das línguas indígenas aparece com frequência em suas aulas. “Os indígenas, de modo geral, estão em processo de revitalização da cultura e de recuperação de línguas que muitas vezes ficaram perdidas”, afirma. Desde 2008, a UFSCar abre um vestibular exclusivo para alunos indígenas. Oferece uma vaga em cada curso de graduação.
A publicação deve ficar pronta em abril. A ideia é que seja usada por crianças do 4.º ano do ensino fundamental. Tem exercícios bilíngues (umutina - português) e  histórias da aldeia escritas exclusivamente em umutina. Todas as ilustrações estão sendo feitas pelo próprio Luciano. “Uma preocupação nossa é fugir das imagens estereotipadas do indígena, tão presentes nos livros didáticos”, conta Maria Sílvia. “Meu maior desejo é que todos vejam o indígena da forma correta e real”, completa Luciano.
Na reserva em Barra do Bugres moram mais de 500 índios de diferentes etnias. O próprio Luciano, apesar de se identificar como umutina, é paresi por parte de pai. Há apenas uma escola indígena na região e o ensino das línguas locais depende da vontade e do esforço dos integrantes da própria aldeia.
Segundo Maria Sílvia, o objetivo é que outros indígenas sigam os passos de Luciano para fazer mais livros didáticos. “Revitalizar a língua contribui para o aumento da autoestima da população em geral, é uma ação afirmativa muito importante”, diz a professora. “E o Luciano ter recebido a bolsa da Fapesp demonstra o início de alguma coisa, é um exemplo para outros alunos.”
Luciano ainda não entrou em contato com nenhuma editora, mas quer procurar apoio no setor público e na iniciativa privada para conseguir publicar o livro. A vontade dele, no entanto, também é atingir crianças não indígenas, usando uma lei federal que prevê a inclusão de elementos da cultura indígena nos currículos de todas as escolas brasileiras. “É só início de um processo. Se as pessoas conhecerem um pouco da história do povo umutina, já estou satisfeito.”

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...