30 de mar. de 2011

Hidrelétricas ameaçam ritual e sobrevivência de indígenas que consomem apenas peixe

Os Enawenê Nawê, do Mato Grosso, realizam todos os anos o ritual de pescaria que dura vários meses. Ritual é reconhecido pelo Iphan

Manaus, 29 de Março de 2011
ACRITICA.COM

Indígenas Enawenê Nawê estão com sua sobrevivência cultural, espiritual e física ameaçada por hidrelétricas
Indígenas Enawenê Nawê estão com sua sobrevivência cultural, espiritual e física ameaçada por hidrelétricas (Divulgação/Survival Internacional )

Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural brasileiro, o ritual Yãkwa (pescaria anual), dos indígenas Enawenê Nawê, do Mato Grosso, está com sua existência ameaçada por causa das obras de hidrelétricas previstas para a região.

Os Enawenê Nawê, diferente de outras etnias indígenas, não consomem carne vermelha, apenas proteína de peixe.

No ritual, eles armazenam o peixe para a aldeia que deve durar até a próxima pescaria, no ano seguinte. O peixe também faz parte da cultura e da manifestação espiritual deste povo.

O ritual de pescaria (que chega a durar meses) acontece sempre neste período do ano (a atividade ainda está acontecendo), mas já há preocupação com a drástica redução dos peixes no rio Juruena.

Segundo Sarah Shenker, da ong Survival Internacional, que esta semana divulgou um alerta sobre as ameaças ao ritual, os indígenas estão preocupados por causa da falta de peixe registrada nos dois últimos anos.

“Em 2011, o ritual começou há duas semanas. Ainda está acontecendo. Mas eles não sabiam se vão encontrar peixe este ano para mandar para sua aldeia”, disse Sarah, em entrevista por email ao critica.com.

De acordo com o mais recente documento divulgado pela ONG Survival Internacional, os índios Enawenê Nawê temem que as 80 hidrelétricas planejadas para a bacia do rio Juruena extinguem os peixes e, por conseguinte, sua própria existência cultural e física.

Conforme a Survival, nos anos anteriores os Enawenê Nawê foram confrontados com uma falta de alimentos catastrófica, e a empresa responsável, do grupo André Maggi, pela construção da barragem foi obrigada a comprar 3 mil kg de peixes para os índios.

Há, contudo, um temor recorrente devido ao planejamento de que novas hidrelétricas sejam construídas na área de influência do rio Juruena.

Peixes

Durante o ritial Wãkwa, os indígenas passam meses na floresta. Eles constroem complexos barramentos com madeiras para capturar peixes. Estes são defumados e transportados em canoas à sua aldeia.

A Survival reitera que o Yãkwa é uma parte vital da cultura espiritual dos índios e é crucial para sua dieta alimentar, já que, diferente de quase todos os povos indígenas, os Enawene Nawe não comem carne vermelha.

Em 2008, os Enawenê Nawê enviaram uma carta às Nações Unidas protestando contra as barragens. “Não queremos as barragens sujando nossa água, matando nossos peixes, invadindo nossas terras”.

Conforme informações da Survival, os indígenas já montaram bloqueios e invadiram um canteiro de obras de uma das barragens.

O Diretor da Survival Internacional, Stephen Corry, afirmou que se trata de uma amarga ironia que enquanto o Yãkwa é atualmente reconhecido como ritual integrante à herança cultural brasileira, ele logo poderá deixar de existir. “Todo modo de vida dos Enawenê Nawê está ameaçado”, disse.

28 de mar. de 2011

MUNDURUKANDO - Livro novo de Daniel Munduruku! Lançamento Uk`a Editorial!


























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Educadores são mediadores.
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Educadores usam o silêncio.
Professores batem a mão na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos.
Educadores são Um.

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26 de mar. de 2011

Literatura amazônica ganha duas novas obras neste fim de semana

Larissa Veloso


Os autores Zemaria Pinto e Ely Macuxi lançam seus livros em Manaus neste fim de semana.

Manaus - Dois livros com temática amazonense serão lançados neste sábado (26). 'O Conto Amazonense', do escritor paraense Zemaria Pinto, é um estudo teórico e prático sobre a arte criar contos. O lançamento acontece na Valer, na Avenida Ramos Ferreira, no Centro, às 10h. Já o professor e escritor Ely Macuxi recebe os leitores às 9h, na Livraria Paulinas, na Avenida 7 de Setembro, também no Centro.

A parte teórica do livro de Zemaria Pinto conta com um guia de leitura e um pequeno manual de iniciação para leitores e interessados na arte de fazer contos. O autor define conto como uma história bem definida, com poucos personagens, tempo e ação muito concentrados, passados num só ambiente (Ao contrário de um romance, no qual o espaço e o tempo são ampliados).

Na parte prática, um capítulo dedicado ao conto no amazonas, o leitor encontra histórias como 'Baíra e sua namorada', uma narrativa baseada na mitologia dos índios Cauaiua-Parintintin.

Já em 'Ipaty, o curumim selvagem', do professor e escritor indígena Ely Macuxi narra as aventuras do pequeno Ipaty. O dia-a-dia dos Macuxi, que vivem nas serras de Roraima, perto da fronteira com a Venezuela, é contado pelo próprio curumim, mesclando suas histórias com os mitos e tradições da tribo.

Para o autor, a intenção é levar aos leitores informações sobre este povo, do qual é descendente, de forma lúdica, e mostrando que é possível usufruir dos recursos naturais sem destruí-los. O livro é ilustrado por Maurício Negro, que é pesquisador de culturas indígenas.

Caravana literária promove a cultura dos povos indígenas em Manaus

 Foto: Eraldo Lopes 
Kleiton Renzo . portal@d24am.com

Em Manaus, os escritores realizam o primeiro movimento no Centro de Educação de Tempo Integral/Ceti “Gilberto Mestrinho”, no bairro do Educandos, zona Sul da capital.

Manaus - A cidade de Manaus recebe nesta quinta-feira (25) a Caravana Mekukradja: Literatura Indígena em Movimento, promovida pela Fundação Nacional das Artes (Funarte) e através da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (Seduc-AM) a caravana leva ao conhecimento dos estudantes a literatura produzida por escritores indígenas.

Em Manaus, os escritores realizam o primeiro movimento no Centro de Educação de Tempo Integral/Ceti “Gilberto Mestrinho”, no bairro do Educandos, zona Sul, onde além da apresentaçao bibliográfica, serão desenvolvidas oficinas de cultura indígena, ciclo de palestras e saraus literários.

As atividades de hoje serão desenvolvidas em três horários, pela manhã (de 9h às 11h) e à tarde (14h às 17h) para os alunos do ensino médio de diversas escolas da área central de Manaus, com apresentação dos llivros e uma conversa para apresentar os convidados do caravana.

Vozes

Os estudantes poderão conhecer a história de profissionais das etnias Terena, Macuxi e Munduruku. Entre eles a escritora e mestranda de História, Rosi Whaikon, o escritor e Doutor em Educação, Daniel Munduruku, a radialista e doutoranda em Educação, Naine Terena, o professor e poeta, Roni Wasiri, a poetisa e mestranda em Geografia, Márcia Vieira, e também o professor, Eli Macuxi.

À noite, de 19h20 às 21h30, será realizada palestra com o coordenador da Caravana Mekukradja, Daniel Munduruku, sobre a Lei N° 11.645 de março de 2008, que inclui na grade curricular de ensino fundamental e médio a "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena".

Para Daniel Munduruku, a aplicação da lei que institui a disciplina indígena e afro-brasileira no currículo dos alunos não é "nenhum presente", é antes de tudo, uma vitória "pela luta dos velhos que começou há 300, 500 anos atrás".

"Isso é uma luta muito antiga, e tão pouco nenhum presente. É uma conquista, porque os indígenas nunca conseguiram nada de mão beijada. E acredito que é fundamental para o desenvolvimento dessas crianças, conhecer a ancestralidade do povo em que vive", diz

Para sexta-feira (26) está programado um Sarau Literário, das 19h30 às 22h, aberto ao público, onde os livros e poesias indígenas serão discutidos pelos participantes.

"Nosso objetivo principal é colocar esses estudantes frente à uma literatura indígena, não somente feita de livros, mas de movimento dos corpos, pela música, pela dança. O livro, serve apenas como um produto de todas as nossas criações", explica Danile Manduruku.

Semana Indígena

De acordo com o Gerente de Educação Indígena da Seduc, Alva Rosa, A Caravana Mekukradja marca o início da 'Semana Indígena' que o estado pretende realizar em abril nas escolas da rede de ensino.

A programação está prevista para iniciar em 8 de abril, e se estenderá até o dia 15, em todas as escolas da rede estadual de Manaus e em escolas de oitos municipios, são eles São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Eirunepé, Barreirinha e Manicoré.

"Iremos discutir nas escolas o tema 'Educação Escolar Indígena: Um Novo Olhar Rumo à Transformação" e em cada dia será feito uma palestra, sobre o assunto. Até o dia 19 de abril, quando será realizado um grande encontro com representantes do MEC, do conselho nacional de Educação Indígena de Brasília, e mais o Conselho de Educação Indígena do Amazonas", comenta Alva Rosa.



Matéria completa: D24AM.COM

22 de mar. de 2011

‘Caravana Mekukradjá’ difunde literatura indígena na Amazônia

Projeto que busca divulgar a literatura produzida pelos povos indígenas promove encontro entre autores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus

JONY CLAY BORGES


Daniel Munduruku é um dos autores que participa da caravana (Reprodução)


Já há bastante tempo os povos indígenas do Brasil superaram as barreiras da língua e dos costumes e instituíram representantes também na literatura do País. Vários desses representantes participam da “Caravana Mekukradjá – Literatura indígena em movimento”, que chega a Manaus nesta quinta-feira (24).

A iniciativa, que busca difundir a literatura produzida pelos povos indígenas, promoverá oficinas e um sarau literário com escritores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus na Escola Estadual Professor Gilberto Mestrinho, em Educandos.

A programação da “Caravana Mekukradjá” começa na quinta, com duas oficinas voltadas para alunos do Ensino Fundamental (das 9h às 11h) e do Ensino Médio (das 14h às 17h).

No mesmo dia, das 19h20 às 21h30, haverá um bate-papo com universitários e professores com o objetivo de discutir a Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura indígena nas escolas do País.

Na sexta-feira, dia 25, das 19h30 às 22h, será realizado um sarau literário, aberto ao público em geral, em que os escritores indígenas e o público participante terão um momento de diálogo e de descontração.

“A ideia (do sarau) é ser um momento não acadêmico. Vamos ter recitação, canto, dança, música, essa diversidade toda”, adianta o escritor Daniel Munduruku, coordenador da “Caravana Mekukradjá”.

Além dele, que também é Doutor em Educação, participam da ação Ely Macuxi, escritor, professor e assessor em Educação em Manaus; Naine Terena, radialista, produtora cultural e doutoranda em Educação; Rony Wasiri Guará, professor, poeta, artista plástico e contador de histórias; e Rosi Whaikon, escritora e mestranda em Antropologia Social.

Além da palavra
De acordo com Daniel, a iniciativa – contemplada com Bolsa de Circulação Literária pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) – busca levar pessoas de todas as idades a vivenciar “uma literatura que não é apenas escrita, mas também vivida”.

“Mesclamos debates com oficinas para crianças e jovens. Por meio delas queremos que eles convivam com a gente, para perceber que a literatura não se resuma à parte escrita, mas a literatura dos povos indígenas é sobretudo ritual, é feita de ritos, palavras, oralidade, dança, canto”, declara o escritor.

A ideia de movimento, que marca a caravana, caracteriza a literatura produzida pelos povos indígenas, na visão de Daniel.

“Queremos mostrar uma literatura que se move, feita pelo movimento dos corpos das pessoas, dos grupos indígenas, e que eventualmente usa também a plataforma escrita”, destaca o autor.

No ensino
O escritor Ely Macuxi destaca a importância de se debater a Lei 11.645/2008, o que está na pauta do evento. “Geralmente há muita desinformação com relação às questões da cultura indígena.Procuraremos informá-los e trabalhar dando orientações visando permitir que eles transmitam um conhecimento mais real sobre a questão indígena”, destaca o autor, lembrando que a legislação que obriga a inclusão de história e cultura indígenas no currículo escolar já está em vigor.

“Todos os professores já deveriam ter recebido essa formação, mas sabemos que isso não aconteceu ainda. Por conta disso realizamos esses encontros em todo o Brasil”.

Fonte: Acrítica UOL

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...