29 de nov. de 2013

26 de nov. de 2013

Daniel Munduruku lança livro na Feira do Livro de Mato Grosso


Fotos: Julio Rocha

Registro fotográfico do lançamento do meu mais novo livro "O Olho da Águia", na Feira do Livro de Mato Grosso. Confiram!
Xipat Oboré (Tudo de bom)!
#DanielMunduruku
www.institutouka.org www.institutouka.blogspot.com

Notícias sobre os povos indígenas

Artigos que valem a pena serem lidos para entender a realidade dos povos indígenas brasileiros
___________________________________________

O fio que dá sentido à vida

Damiana agradeceu o modesto socorro que lhe oferecemos e se afastou com a família. É uma mulher miúda, como seus parentesguaranis-kaiowás. No momento, lidera o que restou de sua aldeia: a filha dela, dois adolescentes de idade indefinida e três crianças, além do cachorrinho que só percebi porque ganiu quando alguém pisou nele, no escuro.
A reportagem é de Maria Rita Kehl, publicada no jornal Folha de S. Paulo, 24-11-2013.
O menino de oito anos segurava uma lança um pouco mais alta que ele; o adolescente maior, uma borduna. Será este talvez todo o arsenal de guerra que ainda possuem. Devem saber que as armas não teriam serventia para enfrentar um pistoleiro. Muito menos um bando. Vulneráveis desse jeito --e ainda resistentes. Até o fim. Que convicção sustenta a valentia deles?

Ficamos ainda do lado de fora vendo o grupo sumir na escuridão. Percebi que tinham arrastado uma árvore seca, que até eu sou capaz de remover, para simular um bloqueio à porteira de entrada.
Nosso reforço consistiu em levar lanternas e alguns celulares carregados para que pudessem chamar por socorro --vindo da parte de quem? De nós quatro? Da polícia? --caso os capangas do fazendeiro decidissem cumprir as ameaças que fizeram por três vezes, durante o domingo [10/11].
Do outro lado da estrada, os faróis dos caminhões iluminavam de passagem os fantasmas dos casebres em que eles viviam antes de entrar na fazenda. Se não era para entrarem de volta na terra que o fazendeiro tomara, por que tocaram fogo nas casas dos índios no acostamento?
Essa pergunta é a mais fácil de responder: maldade. Para mostrar quem manda. Além de manchar a perfeição monótona da soja, a simples presença de um acampamento indígena na beira da estrada arranha o sentimento de soberania do fazendeiro.
Não se trata de estética: o esqueleto dos casebres calcinados é muito mais feio do que a presença de gente inofensiva, mas persistente. Vai ver, o que incomoda é justo essa persistência a desafiar a lei do mais forte. A única lei que todos reconhecem na região. Menos os índios.
A razão dos guarani para permanecer na terra é um pouco mais sofisticada. Eles não admitem abandonar seus mortos. Que por sua vez foram assassinados porque se recusavam a abandonar a terra de seus mortos mais antigos --e assim por diante. O fio que dá sentido à vida deles não se rompe com a morte dos antepassados.
Ao contrário: os vivos continuam a se relacionar com os que se foram. Continuam ligados não apenas à memória dos mortos, como nós, mas ao terreno onde morreram e foram enterrados, pois ali eles ainda estão. Não se abandona a terra que abriga os corpos dos antepassados, dos companheiros e filhos, dos que morreram de velhice, de doença ou de tiro, ao proteger o mesmo cemitério indígena onde repousam antepassados ainda mais remotos.
Por isso mesmo a maior maldade que os pistoleiros poderiam ter feito foi sumir com o corpo do cacique Nísio Gomes, no acampamentoGuaviry (MS) em 2011, depois de atirarem nele de frente, à queima-roupa. Eles chegaram e chamaram o cacique, que se apresentou de pronto, sabendo que, se fugisse, a família inteira seria atacada.
O corpo foi jogado na caçamba da caminhonete e nunca se soube para onde foi levado. Mais um motivo para o povo do Guaviry não se mover do lugar onde o sangue ficou misturado com a terra.
Não entendi ainda a coragem resignada dos guaranis-kayowás de Mato Grosso do Sul. Será que eles não sabem que suas chances são mínimas?
O que eles reivindicam não é a propriedade, é o pertencimento. Não é a terra "deles", embora saibam que a lei do branco exige papel passado. Não é a propriedade, é a terra à qual eles pertencem.
Essa língua é mais estrangeira ao capitalista do que a própria língua indígena. A terra não é posse, não se troca por dinheiro, não serve para especular. Serve para você saber quem você é.
Vincent Carelli, o criador do projeto Vídeo nas Aldeias, chama de martírio a disposição de resistência pacífica dos guaranis-kayowás. Pelo jeito, pretendem levar a briga até o fim.
A família de Damiana se afasta em direção aos barracos. Um de nós diz "boa-noite", sem pensar. Isso é coisa que se diga a quem não sabe se vai ter dia seguinte?

Desdobramentos da Conjuntura Indigenista: Governo investe na desmobilização dos povos

"O governo federal dá sinais cada vez mais evidentes de que comanda as fileiras anti-indígenas na direção de dificultar e inviabilizar o reconhecimento e a demarcação das terras indígenas e de abrir caminho para acelerar a exploração das terras demarcadas, de forma especial por meio da implementação de empreendimentos de infra-estrutura e geração de energia". O comentário é de Cleber César Buzatto, secretário executivo do Cimi, em artigo publicado pelo Cimi, 25-11-2013.
Eis o artigo.
Representantes de setores do governo vem cumprindo tarefas de forma coordenada na perspectiva de executar a estratégia definida no núcleo político instalado no Palácio do Planalto, que envolve, além da presidenta da República, os ministérios da Casa Civil, da Energia, da Agricultura e do Planejamento.
Em relação à questão fundiária, a tarefa vem sendo cumprida primordialmente pelo Ministério da Justiça, na pessoa do ministro José Eduardo Cardoso. São dois os instrumentos principais usados neste sentido, a saber, a moratória nas demarcações, com flagrante desrespeito às normas legais vigentes, e a tentativa de alterar o procedimento de demarcação de terras indígenas.
Mais de 20 processos de demarcação estão parados sobre a mesa do ministro a espera de sua decisão acerca da assinatura de portarias declaratórias da tradicionalidade indígena das respectivas terras. O decreto 1775/96 estabelece prazo de trinta dias para a tomada de decisão pelo ministro. Há casos que aguardam essa decisão há anos. Da mesma forma, diversos processos aguardam decretos de homologação por parte da Presidenta Dilma. Sem interesse de resolver de fato a questão, o governo tem apostado na instalação das chamadas “mesas de negociação” como forma de atenuar as cobranças por parte dos povos.
Concomitantemente, em audiência na Comissão de Agricultura do Senado, no dia 21 de novembro, Cardoso prometeu à bancada ruralista daquela Casa que editará uma portaria com as novas regras de demarcação de terras indígenas no país “com acordo ou sem acordo”. A intenção é a de atender demanda dos ruralistas que cobram participação de órgãos públicos alinhados no procedimento de demarcação, a exemplo da Embrapa e do Ministério da Agricultura. Nesse momento, o governo busca, desesperadamente, legitimar essa iniciativa. Lideranças e organizações indígenas devem ficar atentas para não caírem em armações neste sentido.
Quanto aos empreendimentos, a tarefa está sendo cumprida fundamentalmente pela Advocacia Geral da União, na pessoa do MinistroLuis Inácio Adams, e pela Secretaria Geral da Presidência da República, nas pessoas do Ministro Gilberto Carvalho e do Secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos. Os instrumentos que estão sendo usados, no caso, são a Portaria 303/12 e a “regulamentação” da Convenção 169 da OIT.
Embora o Supremo Tribunal Federal tenha decidido que as “Condicionantes” estabelecidas no julgamento da Petição 3388 não se aplicam às demais terras indígenas do Brasil, Adams tem declarado publicamente que a Portaria 303/12 entrará em vigor, de direito, no dia seguinte à publicação de acórdão do STF, segundo com o que estabelece a Portaria 415/12 da própria AGU. Informações obtidas junto a integrante do próprio governo dão conta de que procuradores federais estão sendo “orientados” pela AGU a cumprirem, de fato, a Portaria 303/12.
Ao mesmo tempo, a convite da Secretaria Geral da Presidência, membros da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidos com Carvalho e Maldos, também no dia 21 de novembro. Na pauta, um dos temas mais sensíveis para o governo atualmente, a “regulamentação” da Convenção 169 da OIT. De acordo com um dos membros da coordenação da APIB, na ocasião, os citados representantes do governo teriam oferecido a criação de um “fundo” de apoio às organizações indígenas. Em contrapartida, no entanto, a organização deveria concordar com a retomada do processo de regulamentação da Convenção 169.
Como é sabido, os povos indígenas se afastaram do referido processo de regulamentação, em 2012, devido justamente à edição daPortaria 303 por parte do Executivo federal. Como fica evidente, essa movimentação do governo junto à APIB visa substituir a condição política estabelecida pelos povos indígenas para retomar as discussões sobre a Convenção 169, a saber, a revogação da Portaria 303/12, por uma “oferta” financeira às organizações indígenas.
Embora tentadora num primeiro momento, a resposta da APIB a esta proposta governamental deve considerar, entre outros aspectos, o fato de que o governo busca a construção de um cenário ideal, num futuro próximo, para acelerar os empreendimentos e outras formas de exploração sobre as terras indígenas, a saber, a Portaria 303/12 em vigor de fato e de direito, a Convenção 169 da OIT regulamentada sem direito de veto e as organizações indígenas dependentes financeiramente do governo, o que poderia inviabilizar a resistência e a mobilização política que os povos vem demonstrando contra o ataque aos seus direitos.
Essa estratégia de “desmobilização” social aplicada aos povos indígenas, nesse momento de risco iminente de retrocessos em relação aos seus direitos, é uma ação política traiçoeira e moralmente vergonhosa por parte do poder Executivo federal. Isso porque são exatamente as mobilizações dos povos que vem empoderando o movimento indígena na defesa e pela implementação de seus direitos, enfrentando as violentas investidas dos ruralistas, das empreiteiras, das mineradoras e de outros grupos econômicos interessados em continuar explorando e ou iniciar a exploração de suas terras.
O que se espera do governo brasileiro é que cumpra os ditames constitucionais, reconheça e respeite a organização social, os costumes, crenças e tradições dos povos indígenas, bem como, retome a demarcação de suas terras. É inaceitável que continue atentando contra seus direitos e tentando desmobilizar os povos na defesa dos mesmos.

Acusados de “guerrilheiros” pela Justiça, indígenas Guarani afirmam que irão resistir contra nova reintegração de posse em Yvy Katu


Há 45 dias acampados em seu próprio território, os Guarani Ñandeva não dão sinal de que irão ceder às pressões de fazendeiros e às reintegrações de posse contra as ocupações de 14 propriedades que incidem sobre a Terra Indígena Yvy Katu. Localizada entre municípios de Japorã e Iguatemi, fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, a área foi declarada como terra indígena em 2005 pelo governo federal.

A reportagem é de Ruy Sposati e publicada pelo CIMI, 25-11-2013.

Segundo a comunidade, 100% dos 7,5 mil hectares antes ocupados por fazendas está sob o controle dos Guarani. Os fazendeiros utilizavam a terra para criação de gado, que já foi retirado das fazendas pelos proprietários. Estradas e vicinais estão sob o controle dos indígenas. Ao menos duas vezes por semana, famílias e lideranças de todas as áreas retomada se reúnem em assembleias para discutir o dia-a-dia dos acampamentos, compartilhar informações e notícias de jornais locais, e decidir os rumos da luta pela demarcação de Yvy Katu.
Os guerreiros se allinham com suas crianças, arcos, flechas, facões, maracás e lanças; as mulheres com suas taquaras e bebês a tira-colo; as crianças com espadas de brinquedo e galões de água. Uma Nãndesy abençoa a cada um dos indígenas enfileirados, bem como suas armas tradicionais e seus pés. Muitos vestem máscaras, por temer se tornarem alvo de ameaças e ataques individuais dos “seguranças" contratados por fazendeiros.
Em meio a um longo discurso em Guarani durante uma assembleia na última sexta-feira, 22, o trecho em português gritado por uma mulher de 65 anos sintetizou com clareza a posição unânime da comunidade em resistir, sob quaisquer circunstâncias: “Estou aqui com meu povo. Nós somos 5 mil. Aqui tem homens, mulheres, crianças. Nós vamos ficar aqui. Nós não vamos sair. Que venham 20, 40, 200, 1000 tratores. Vocês querem nos matar e nós estamos prontos para morrer. Essa é a minha palavra”.
Durante a reunião, os indígenas tomaram conhecimento de que a Justiça Federal de Naviraí concedera, no último dia 18, mais uma reintegração de posse contra a comunidade, em favor da Agropecuária Pedra Branca. Na decisão, a Justiça afirma que a atuação dos indígenas carrega "características de guerrilha e forte oposição ao Estado”. Esta é a segunda reintegração desde o início das novas retomadas, em primeiro de outubro.

A outra decisão judicial veio em favor do proprietário da fazenda Chaparral, Luiz Carlos Tormena, no dia 31 de outubro. Após "tentativa" de execução da ordem de expulsão pela Polícia Federal no dia 6 de novembro - considerada truculenta pelo Conselho do Aty Guasu, grande assembleia Guarani e Kaoiwá do Mato Grosso do Sul -, a Justiça determinou um prazo de dez dias para que os indígenas saíssem voluntariamente das propriedades ocupadas. O prazo venceu na última sexta - e os indígenas não deixaram a Chaparral. Ali, a reintegração é iminente.

“O povo guarani está bastante unido e pronto para resistir a qualquer tipo de ataque ou ameaça”, explica uma das lideranças, que prefere não ser identificada e nem fotografada. "Temos 800 crianças nas escolas que não estão estudando por causa das ameaças. Estamos todos juntos e prontos para morrer”.
 
Os indígenas relatam ataques, disparos e intimidações por parte de fazendeiros da região, contrastando com o apoio que os indígenas tem recebido da comunidade local - a prefeitura e a presidência da Câmara dos Vereadores de Japorã apóiem abertamente a luta dos Ñandeva. Durante a assembleia de sexta, ao menos dez veículos tentaram trespassar o bloqueio de uma das vicinais que atravessa o acampamento, a menos de 50 metros da reunião.

Antes de retomarem o território de Yvy Katu, os indígenas estavam ocupando apenas 10% da área total reivindicada, por força de decisão judicial. "Nós aceitamos esse acordo [da Justiça] com o compromisso de que enquanto estaríamos nos 10%, a demarcação da terra seria concluída. Mas nós entendemos que foi um erro aceitar esse acordo, porque nos enganaram, porque depois disso tudo ficou parado como estava. Então agora nós só vamos aceitar acordo de 100%. 100% da terra é nossa, nós não vamos sair mais”.

“Jogaram na mídia que conseguiram 500 cabeças de gado pra leilão, para adquirir recursos principalmente para segurança. Quando falam isso, querem dizer jagunço, nós entendemos”, comenta a liderança, a respeito do Leilão da Resistência, organizado por associações de criadores de gado e produtores rurais do estado. "Se acontecer uma tragédia, nós responsabilizamos o governo".

Organizações sociais lançaram uma carta aberta à presidenta Dilma Rousseff exigindo uma intervenção federal no Mato Grosso do Sul, acusando proprietários rurais de estarem "organizando força paramilitar para atentar contra a vida de coletividades e contra o Estado de direito no Brasil”.

Histórico

Os Guarani reivindicam a conclusão da demarcação da Terra Indígena Yvy Katu, com 9,4 mil hectares.

Estudos da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de uma perícia judicial comprovaram que os Ñandeva ocupavam a área de Yvy Katu no período da colonização da região, de onde foram expulsos em meados de 1928. A maioria dos indígenas foi confinada na reserva de Porto Lindo, localizada no município de Japorã, junto de outras famílias Guarani do sul do estado.

Iniciada há 29 anos, a demarcação da Terra Indígena Yvy Katu, na qual a reserva de Porto Lindo está incorporada, foi interrompida diversas vezes por recursos judiciais. Em 2003, para pressionar o governo e o judiciário, os indígenas realizaram a primeira retomada de seu território tradicional, expulsando não-indígenas de 14 diferentes fazendas na área reivindicada.

Em junho de 2005, o Ministério da Justiça editou a Portaria no. 1289, declarando os 9,4 mil hectares de Yvy Katu como de posse permanente dos indígenas. A demarcação física já foi realizada, faltando apenas a homologação pela Presidência da República, ato final da demarcação. Os indígenas ocupam, atualmente, 10% do total da área demarcada, por força de decisão judicial.

Em março deste ano, a Justiça considerou nulos os títulos de propriedade incidentes sobre a Terra Indígena Yvy Katu, atestando a validade do processo demarcatório da área.

Reserva não escapa de ação de madeireiros

Nesta semana, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira - possivelmente acompanhada da presidente Dilma Rousseff -, deverá pousar numa vila isolada do interior de Melgaço, no nordeste do Pará, para um encontro com representantes de comunidades agroextrativistas da Amazônia. Se prestar atenção no voo, poderá ver uma série de estradas e clareiras clandestinas que se embrenham pelas matas da região como uma metástase, usada para extração ilegal de madeira.

A reportagem é de Herton Escobar, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 23-11-2013.

Nem as unidades de conservação estão imunes ao câncer, como o Estado pôde comprovar na Reserva Extrativista (Resex) de Gurupá-Melgaço, a poucos quilômetros de onde o encontro será realizado.
Para os moradores da reserva, a ação dos madeireiros não é nenhuma novidade. Eles já se acostumaram ao barulho das motosserras no interior da mata e ao trânsito dos caminhões carregados de toras pelos ramais de terra da unidade.
Há quem seja conivente com os madeireiros em troca de dinheiro - R$ 50 a R$ 100 por árvore. Entre as lideranças da reserva, porém, o sentimento é de revolta, com a ousadia dos madeireiros e a inoperância do poder público.
"A reserva está largada à própria sorte", resume o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agroextrativistas de GurupáHeraldo Pantoja. "As comunidades não têm luz, educação, saúde, transporte, assistência técnica, nada. Aí vem um madeireiro e oferece R$ 50 para derrubar uma árvore, o cara aceita."
Quem se cala diante do problema assiste aos recursos naturais da floresta se exaurindo. Quem se atreve a denunciar não recebe ajuda e ainda corre o risco de ser jurado de morte. "Nossa luta é para manter a floresta em pé. Mas as famílias precisam melhorar de vida, senão, fica difícil", afirma Pantoja.
"Nosso povo é muito vulnerável a qualquer um que chega oferecendo algum aumento de renda", diz Manoel Pena, de 58 anos, uma das principais lideranças comunitárias da região.
Melgaço é o município com pior índice de desenvolvimento humano (IDH) do País, e Gurupá não fica muito atrás. Cerca de 800 famílias vivem na Resex, que abrange 1.450 km² (do tamanho da cidade de São Paulo), sobrevivendo quase que exclusivamente de produtos florestais, como o açaí, o palmito, o pescado e a produção de mandioca.
A presença dos madeireiros na reserva, segundo Pena, é apenas o sintoma de um problema maior e mais grave, que é a ausência do poder público. Com a criação da Resex, em 2006, a expectativa era de que os madeireiros seriam expulsos e que no lugar deles entraria o poder público, trazendo saúde, educação, transporte, energia e assistência técnica, para ampliar a produção e melhorar a qualidade de vida das comunidades.
Nada disso aconteceu. Passados sete anos, a reserva continua a existir apenas no papel.
"O que está em jogo não é só a madeira, é um modelo inteiro de conservação e desenvolvimento sustentável apoiado nas comunidades tradicionais", avalia Danicley de Aguiar, ativista do Greenpeace que viveu vários anos em Gurupá. "O governo criou a Resex, mas não deu o passo seguinte, que é implementá-la. As políticas públicas não chegaram, e isso é muito frustrante para as comunidades."
Soluções
O presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, reconhece o problema, presente em outras Resex da Amazônia. "É verdade que existe uma enorme carência de políticas públicas nessas áreas", afirma Vizentin. "Não há nenhum tipo de abstração em relação a isso."
Um plano nacional de apoio ao agroextrativismo, segundo ele, está em fase final de elaboração, com a participação de vários ministérios. Os detalhes deverão ser apresentados às comunidades justamente no evento desta semana em Melgaço - o 2.º Chamado da Floresta, na quinta e sexta-feira.
Uma das estratégias centrais será a abertura de editais para a contratação de serviços de assistência técnica às comunidades, com o intuito de ampliar, agregar valor e garantir a sustentabilidade dos produtos florestais. Outras medidas envolverão a adequação de políticas públicas nacionais de saúde, educação, energia e moradia à realidade dessas comunidades, cujas necessidades socioeconômicas estão sendo mapeadas uma a uma.

O Estado vem agindo em detrimento dos povos tradicionais no Cerrado

Conforme discussões do segundo dia do Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais do Cerrado, organizado pela CPT, a atuação do Estado tem sido em detrimento dos direitos dos povos e comunidades tradicionais no cerrado e em outros biomas. Além disso, é subestimada a importância do cerrado dentro do conjunto de biomas brasileiros, apesar de mais de 90% dos rios do país nascerem no cerrado.
A reportagem foi publicada por CombateRacismoAmbiental, 23-11-2013.

O Estado através de seus governos estaduais vem fazendo escolhas políticas. Essas escolhas são feitas no sentido de beneficiar os grupos mais abastados do país. Dados do IBGE, divulgados em setembro passado, mostram que o 1% referente aos mais ricos do país tiveram um crescimento em sua renda de 10,8%, enquanto o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas entre os 10% com rendimentos mais baixos, teve, em 2012, um aumento de 6,4%, em relação ao ano anterior. O rendimento dos mais ricos foi, portanto, 87 vezes maior do que o dos mais pobres em 2012, contra uma relação de 84 vezes em 2011.
Ou seja, o que mantém a desigualdade social continua da mesma forma, mesmo com os programas do governo de redistribuição de renda. Tatiana Dias Gomes, advogada da CPT Bahia, trouxe ainda a discussão sobre o orçamento do governo federal, pautado quase que exclusivamente a partir da garantia do pagamento da dívida pública. Mais ou menos 700 bilhões de reais por ano são destinados a esse fim, esse valor corresponde a mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, destinado a bancos nacionais e estrangeiros.
Enquanto isso, o orçamento destinado à realização da reforma agrária e ao crédito destinado a famílias assentadas míngua a cada ano que passa. Até setembro último o governo Dilma não havia desapropriado nenhuma área para a reforma agrária.
Em outubro, 8 imóveis foram declarados pelo governo como de interesse social nos estados da Bahia, Goiás, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Além disso, apenas uma área quilombola foi titulada nesse ano de 2013, situada no município de Cametá, no Pará.
Em relação a terras indígenas, durante todo o governo Dilma apenas 9 foram declaradas e 11 homologadas. Ao mesmo tempo, tramitam propostas legislativas que contrariam os direitos dos povos originários, como a PEC 215 que, entre outras coisas, para o Congresso Nacional a competência para a aprovação e demarcação de terras indígenas, e o PLP 227, que define elementos de interesse público da União ao demarcar uma terra indígena, como terras de fronteira e áreas antropizadas produtivas e que desempenhem sua função social.
Cerrado: a caixa d’água do país
O professor Ricardo Ferreira Ribeiro, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) trouxe a informação de que mais de 90% dos rios brasileiros nascem no cerrado. Esse bioma seria, portanto, a “caixa d’água” do país. Lembrando, ainda, que 12% da água doce do mundo está no Brasil.
Segundo o professor, o cerrado tem características que definiram durante os anos a presença humana nele, como diversidade de ambientes, sendo eles florestais, savânicos e campestres. Além disso, ao contrário do que muitos pensam, o cerrado é um dos biomas mais antigos do Brasil, conforme estudos entre 18 e 13 mil anos atrás já havia pessoas nessa região. A maioria dos sítios arqueológicos encontrados está nesse bioma. Os primeiros sinais de agricultura no cerrado datam de quatro mil anos, e os de artesanato de 3.500 anos.
Durante o processo de ocupação do país pelos portugueses, esses se mantiveram durante muito tempo apenas no litoral do país. Não adentravam para o interior do Brasil. Somente no final do século XVII e início do século XVIII, europeus e africanos passaram a desbravar o sertão brasileiro. A partir daí, a mineração, principalmente de ouro e diamantes se espalhou pelos estados de Minas gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia. Além dessa, outras transformações vieram no sertão no século XIX, através do comércio, da navegação e da construção de ferrovias.
O professor Ricardo salientou que o cerrado é um bioma que proporciona o desenvolvimento de atividades produtivas combinadas com estratégias de sobrevivência e manutenção do cerrado, entre elas estariam a agricultura em ambientes florestais, pecuária extensiva, caça, pesca, extração de mel, coleta de frutos e palmitos, entre outras. Populações camponesas, vaqueiros, indígenas, quilombolas, pescadores, entre outros, mostram que isso é possível.
Segundo o professor, a destruição do cerrado adquire números superiores aos observados na Amazônia, os 880.000 km² já desmatados no cerrado representam quase três vezes o impacto sobre o outro bioma.
O Encontro segue até amanhã, 24 de novembro, quando serão definidas ações estratégicas por região em prol da conservação do cerrado e pela luta em defesa dos direitos dos povos tradicionais que vivem no cerrado.

TÁ NA PAUTA

TÁ NA PAUTA
Tenho o hábito de ler vários livros ao mesmo tempo. Dependendo do lugar onde estou – em casa, no banco, na praça, no avião...- o livro muda. Quando estou sem um livro para ler fico inquieto, sinto um vazio, uma ausência: meio saudade, meio carência.
Em casa estou lendo Crime e Castigo[i] do russo Fiódor Dostoiévisk. É um livro que estava na minha biblioteca a algum tempo. Ele me olhava desconfiado e eu o olhava entediado. É um livro muito grande, grosso e pesado. Recentemente criei coragem e o retirei da estante e comecei a folheá-lo desinteressado. No entanto, logo nas primeiras páginas fiquei impressionado com a narrativa que o autor apresenta. Fui sendo seduzido aos poucos e, só então, decidi que iria encarar sua leitura. Decidi, no entanto, que seria uma leitura doméstica. O volume dele é grande demais para caber na mochila itinerante que carrego. O ruim disso tudo é que as vezes me pego pensando nele e fico com muita vontade de retomar a leitura. É um motivo a mais para voltar para casa.
Fora de casa levo livros mais fáceis de ler e carregar. Algumas vezes leio livros que tenham a ver com minha atuação militante. Atualmente leio coisas voltadas ao mundo da leitura. Recentemente adquiri o belo livro escrito por minha amiga Silvia Castrilon “O direito de ler e escrever”[ii] onde disserta sobre temas relevantes para quem lida com a formação dos formadores de leitores. Que leitura boa! Luminosa! Envolvente! Tudo de bom, como dizem os jovens. Pena que é curtinho e deixa um gosto de quero mais no leitor. Eu quero mais...
Nesta última viagem estava sem livro para ler. Para minha surpresa, andando pelo aeroporto de Cuiabá, encontrei uma loja que ostentava uma gôndola da editora L&PM. Fui lá e passei a conferir os volumes expostos. Foi quando me deparei com um único exemplar do livro de Martha Medeiros “Trem-Bala”[iii]. Como gosto de crônicas procurei negociar com a vendedora por se tratar de um livro de mostruário e já estava um pouco desgastado. Consegui um abatimento no preço e saí com meu novo exemplar embaixo do braço para ler no voo que me levaria para o interior do Mato Grosso.
Martha Medeiros é uma artista. Suas crônicas são deliciosas. Trazem um olhar feminino sobre as relações que fazem o leitor rir, refletir, digerir e até sonhar. Diversas vezes me peguei invejando o talento cronístico da escritora. Queria escrever desse jeito: dizer muito com tão poucas canetadas! É delicioso ler suas palavras. Estou adorando.






[i] Minha versão de Crime e Castigo foi publicada pela editora 34
[ii] Editora Pulo do Gato
[iii] Editora L&PM

20 de nov. de 2013

Daniel Munduruku participará da Feira do Livro de Mato Grosso



A poeta mais performática de MT, Luciene Carvalho, dá o recado na abertura da Feira
“Venha fazer da leitura o combustível para uma nova revolução” na Feira do Livro de Mato Grosso 2013, que acontece a partir desta quarta-feira (20/11) e prossegue até o dia 23. É uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC-MT), e tem vez no estacionamento do Pantanal Shopping. A participação é gratuita e a programação está repleta de ações culturais, com teatro, música, dança e poesia, com um “Sarau Lítero Musical”, distribuídos num palco central e um auditório.

O evento será se desenvolve a partir das 10h, nos quatro dias de Feira. Entre os destaques está a leitura dramatizada e o acesso a todo tipo de literatura. O homenageado é o escritor carioca, Wlademir Dias-Pino, que morou grande parte da sua vida em Cuiabá, mas reside no Rio de Janeiro atualmente.

Santiago Vilela, premiado escritor que reside em Sinop, estará presente
A abertura oficial será às 19h desta quarta, com a presença da secretária da SEC-MT, Janete Gomes Riva. O objetivo é levar o livro e a leitura ao maior número de pessoas possível, daí a sua realização num lugar naturalmente movimentado, que vai abrigar lançamentos de livros, noites de autógrafos, contação de história, oficinas, debates e distribuição de mais de três mil livros a estudantes de escolas públicas cadastrados ao vale-livro. No local, as tendas estarão dispostas de maneira planejada, privilegiando as visitas aos estandes das editoras.

Há quem se lembre da última edição do Literamérica, em 2007, uma feira Sul-americana de Livros, realizada pela SEC-MT, a última e maior feira de livros de Mato Grosso que, por falta de orçamento para sua execução, foi substituída pela FLINT – Feira de Literatura Indígena, a única do país.

Janete Gomes Riva, a Secretária de Estado de Cultura, observou, durante o ano de 2013, que vários segmentos culturais estavam carentes de ações de fomento, sobre as quais o Estado tem responsabilidade. “Buscando fortalecer o trabalho da coordenadoria Estadual de Bibliotecas, e junto com isso, divulgar e fortalecer o trabalho editorial de Mato Grosso, pensamos em uma feira que, ainda que modesta, vai ter em seu bojo eventos multidisciplinares, mostrando em seu conjunto toda a harmonia, satisfação e bem estar que a Cultura bem fomentada traz ao cidadão”, afirmou a Janete.

Neusa Baptista faz palestra e autografa sua obra
Participam da programação escritores mato-grossenses e nomes marcantes na literatura regional, como Luciene Caravalho, que fará a abertura do evento no “Dia da Consciência Negra” com o poema “Era Negra”. Também Rômulo Netto, Marilane Alves Costa, Neusa Baptista, Else Cavalcante, Leodete Miranda, Julier Sebastião da Silva, Odenir Pinto de Oliveira, João Eloy de Souza Neves, Ivens Cuiabano Scaff, Santiago Vilela, Wilson Brito e Melina Castro, o fotógrafo Rai Reis, Suely Siqueira, João Batista Conrado e Letícia Lobo.

A Feira vai contar com a presença do escritor indígena Daniel Munduruku, que vai autografar seu último livro, “Olho de Águia” e também será palestrante no dia 23 de novembro.

Clovis Matos, ferrenho batalhador da inclusão literária, estará na Feira
Bonecos gigantes, artistas mambembes, música, histórias encenadas e pintura indígena são atrações multidisciplinares, que junto com a literatura e a leitura, trabalham pela formação cultural e identitária do cidadão. A visitação de escolas públicas e particulares, e de muitas crianças acompanhadas por seus pais está sendo esperada.

Vale-livro

Para os alunos das escolas públicas cadastradas, a organização da Feira vai distribuir, gratuitamente, cerca de três mil livros entre eles, cedidos pelas editoras parceiras. O cadastramento das escolas está aberto, pelo telefone 3613-9240, ou pelo email hmcuiaba@hotmail.com.

Marcarão presença na Feira as principais editoras de Mato Grosso: Tantatinta, Carlini&Caniato, Edufmt e Entrelinhas. Estas empresas são as grandes responsáveis pela publicação da maioria dos livros de autores aqui da terra, e em nada perdem para o mercado editorial do eixo Rio-São Paulo, porque privilegiam não só a forma, mas também o conteúdo das publicações. Na oportunidade, vários livros serão lançados no mercado, com a presença dos autores e editores.

A SEC-MT e a Coordenação Estadual de Bibliotecas tem como parceiros, que tornam possível este evento: Pantanal Shopping; Editora Tantatinta; Editora Entrelinhas; Editora Carlini&Caniato; EDUFMT; Paulinas; Hospital de Câncer e professora Marli Deon Sette. (com assessoria) 

O escritor Daniel Munduruku faz palestra e lança obra


PROGRAMAÇÃO

DIA 20/11 
10h00 - Início da intervenção do Grupo Tibanaré, com cortejo pelo shopping convidando o público
14h00 às 18h00 – Abertura dos estandes, cortejo do Grupo Tibanaré pelo shopping, recepção das escolas convidadas e visita aos estandes
18h30 - Apresentação do Grupo Tibanaré dentro da Feira
19h30 - Cerimônia de Abertura no auditório
20h30 - No palco central, lançamento do livro "A pequena burguesia negra cuiabana", de Marilane Alves Costa, pedagoga, especialista em administração da educação pública e mestre em educação pela UFMT
20h30 - Rádio Web com a autora Marilane Alves Costa, no palco central sarau lítero-musical com Moisés Martins e Sarau Cuiabano
21h30 - Coquetel para convidados
22h00 - Encerramento das atividades

DIA 21/11 
10h00 - Abertura dos estandes, no auditório, mesa redonda com o tema "Políticas Públicas e Formação de Leitores", com participação de Rosemar Eurico Coenga (professor), Clóvis Matos (produtor do projeto "Inclusão Literária e Cinema Circulante), e mediação de Yasmim Nadaf (professora doutora)
14h00 - No palco central, palestra e autógrafos com a escritora Neusa Baptista, apresentando o livro "Cabelo Ruim - A História de Três Meninas aprendendo a se aceitar"
14h30 - No palco central, oficina de tranças com Catende,Editora Tanta Tinta
15h00 - No palco central, espetáculo "O Pequeno Príncipe", com o grupo Teatro de Brinquedos
16h00 - No auditório, Aula de História de MT, com a autora Else Cavalcante (Carlini & Caniato); no palco central, Cantigas de Rock; no estande da Entrelinhas, lançamento do livro "Cartografia Geoambiental do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães - MT", de Leodete Miranda
19h00 - No palco central, lançamento do livro "Direito Penal e Meio Ambiente: um Estudo do Contexto Regional, com ênfase no caso Britânico e Brasileiro", de Julier Sebastião da Silva 19h30 - Rádio Web com o autor
20h00 - No palco central, espetáculo com a Cia. Mapinguary, com Alicce Oliveira e Carlos Godoy (UMES/SP)
21h00 - No palco central, Clube Jazz

DIA 22/1110h00 - Abertura dos estandes, cortejo de bonecos gigantes pelo shopping; no palco central, oficina "A arte de contar história", com Carlos Godoy; no auditório, lançamento do livro "Sinais de Chegada" (Carlini & Caniato), de Odenir Pinto de Oliveira
11h00 - No palco central, lançamento do livro "Chapada dos Guimarães - História Atualizada" (EDUFMT), de João Eloy de Souza Neves; Rádio Web com Carlos Godoy
14h00 - Cortejo dos bonecos gigantes pelo shopping; no palco central, apresentação cultural "Passarinho me Contou", com o Ponto de Cultura Ninho do Sol/Teatro Ogan de Campo Novo dos Parecis; no auditório, exibição do documentário "Tonny Cajazeira - o Astro do Maranhão", e o curta "Far-Nordeste" e bate papo com o diretor Dewis Caldas
15h00 - No palco central,sarau lítero-musical com a escritora Marta Cocco e Alvaro Mendes,com pout-porri de poemas e músicas de autores brasileiros
16h30 - No auditório, tarde de autógrafoscom o autor Ivens Cuiabano Scaff e exibição do documentário "Ivens Cuiabano Scaff, o poeta bem comportado", de João Carlos Manteufel 18h00 - No palco central, lançamento do livro "Selvagem" (Carlini & Caniato), de Santiago Vilela
18h30 - Apresentação cultural do Ponto de Cultura Leite de Pedra
19h00 - No estande da Editora Entrelinhas, lançamento do livro "Kathmandu: a história de uma liderança invisível", de Wilson Brito e Melina Castro
19h30 - No auditório, abertura oficial da TEIA - Fórum Estadual de Pontos de Cultura de MT;
20h00 - No estande da Tanta Tinta, lançamento do livro "Cuiabá, Tradição e Modernidade" (Carlini & Caniato), de Rai Reis
20h30 - No palco central, apresentação da Orquestra Jovem de MT, Ponto de Cultura Ciranda

DIA 23/11 
10h00 - Abetura do estandes; no palco central, histórias de Comadre Pitu, com Vital Siqueira; no estande Sala Indígena, Pintura Indigena
11h00 - No palco central, dramaturgia: leituras em cena, com Juliana Capilé e Tatiana Horevicht
14h00 - No palco central, contação de histórias com Vinícius Rangel
15h00 - No palco central, lançamento do livro "Corpos Algemados - o Lúdico e a Libertação do Corpo" (KCM), de Suely C. L. Siqueira; Rádio Web com a autora
16h00 - No palco central, oficina de stencil, com Babu Seteoito; lançamento do livro infantil "Aynda-Luz e a Serpente Alada e Outras Histórias" (Editora Entrelinhas), de João Batista Conrado
18h00 - No auditório, palestra com o autor indígena Daniel Munduruku, e lançamento do seu livro "Olhos de Águia", lançamento do livro "Sertão de Sangue" (Carlini & Caniato), de Rômulo Netto
19h00 - No estande da Entrelinhas, lançamento do livro "Lola; três mulheres e uma vida", de Letícia Lobo
20h00 - No palco central, espetáculo "Arlequim", com o Ponto de Cultura Faces, de Primavera do Leste; e Música/Orquestra, com o Ponto de Cultura Música para Todos, de Cáceres
21h00 - Chorinho, a com a Bandinha do Coreto



ABAIXO, chamada e imagem publicadas na capa na edição original deste texto

Começa nesta quarta-feira (20/11) e vai até sábado (23/11) a Feira do Livro de Mato Grosso, com uma ampla programação que integra artes como a música, o teatro, a pintura e o audiovisual. A iniciativa é da Secretaria de Estado de Cultura, com parcerias. O evento começará diariamente a partir das dez da manhã, no estacionamento do Pantanal Shopping. Um dos aspectos mais interessantes será a distribuição gratuita de cerca de três mil livros para alunos de escolas públicas cadastradas. A Feira, que será aberta no Dia Nacional da Consciência Negra, faz menção à data, e também inclui em sua programação a presença de um dos mais ativos autores indígenas do Brasil. Que tudo corra bem, que o público compareça e que as artes das letras impactem de forma positiva na sociedade mato-grossense. É o desejo do Tyrannus Melancholicus!!!

Os bonecões atuando como divulgadores da literatura em MT

10 de nov. de 2013

ORDEM DO MÉRITO CULTURAL 2014 - Daniel Munduruku

"Queridos e queridas, parceiros e parceiras, segue uma pequena lembrança da noite de entrega da Comenda da Grã-Cruz da Cultura Brasileira. 
Dizem que é a maior honraria que um mortal brasileiro pode ganhar do governo por sua atuação cultural. Eita!!!"



8 de nov. de 2013

Ordem do Mérito Cultural 2014 é entregue em São Paulo

Tomie Ohtake recebeu a medalha de Ordem do Mérito Cultural

06 de novembro de 2013 

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo

"Não gosto de coisas pequenas. Nem de pintar com a ponta dos dedos. Uso o corpo todo”, dizia o telão do Auditório do Ibirapuera na noite de terça-feira, 5, no momento exato em que a pintora Tomie Ohtake recebia um de seus maiores prêmios, a medalha de Ordem do Mérito Cultural. No Dia Nacional da Cultura, Tomie foi uma das grandes homenageadas da noite, ao lado do arquiteto Oscar Niemeyer.
A festa da OMC 2014, que contou com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy e do secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, e do secretário estadual de Cultura, Marcelo Araújo, também contou com performances de Denise Stoklos, do Grupo Parlapatões e de Elisa Ohtake - neta da homenageada.
Elisa apresentou a performance Estudos sobre a Vitalidade. “Na minha sala tem um quadro enorme da minha voz. Minha vontade sempre foi apagar a luz e dançar na frente deste quadro. Vou pedir para diminuir a luz o máximo que der e dançar na frente da minha vó”, disse a neta de Tomie. “Desde quando nasci, todos os domingos eu vou almoçar na casa da minha vó, que é cheio de quadros que ela está pintando, molduras... e a gente sempre começa comendo um tofu. E eu vou fazer algo que eu sempre tive vontade de fazer nestes domingos”, declamou a artista, ao tingir o palco do auditório (coberto com um grande plástico transparente) com as cores dos quadros de Tomie.
Em seguida, a cerimônia seguiu e foram condecorados nomes como a atriz Bárbara Paz, o ator Antônio Fagundes, e o cantor e compositor Erasmo Carlos, que receberam a medalha na classe cavaleiro.
Pouco mais adiante, a festa teve um de deus pontos altos com a apresentação dos Parlapatões. “A cerimônia conta com a presença do secretário municipal de cultura, a quem eu vou pedir que faça o Circo Piolim, o secretário estadual de cultural, a quem eu vou pedir R$ 100 milhões de edital, e a ministra da Cultural, a quem eu vou pedir 2% para a Cultura”, brincou Hugo Possolo, ator e um dos fundadores do Grupo Parlapatões, arrancando risos e aplausos da plateia.
Na continuação da cerimônia, os apresentadores da noite, a atriz Julia Lemmertz e o ator Ailton Graça, chamaram ao palco demais condecorados, como Paulo Borges, diretor e criado da São Paulo Fashion Week, a artista Walda Marques, ambos na Classe Cavaleiro, (Dona Zica),centenário - in memoriam, na classe Grâ-Cruz, e Antonio Abujamra, na classe Comendador, a produtora Lucy Barreto, também na classe Comendador, além do cartunista Laerte, também na classe Comendador.
Oscar Niemeyer, outro grande homenageado, foi apresentado com a frase: "Nós estamos livres para fazer hoje o passado de amanhã". Ao final, a escola de samba Vai Vai entrou no palco do auditório pela parede móvel ao fundo do palco e fechou a noite em clima de carnaval com um samba-enredo que Niemeyer compos aos 103 anos.
A OMC é o maior reconhecimento do Governo Federal a personalidades que contribuem para o desenvolvimento da identidade cultural brasileira. Apesar da ausência da presidenta Dilma Rousseff, a cerimônia também contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo; do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; e do prefeito da cidade, Fernando Haddad, entre outros.
Marta fala sobre Vale-Cultura
"Dez anos depois da Bolsa Família, é hora de alimentar a alma", comentou a ministra Marta, durante a abertura da cerimônia, referindo-se ao Vale-Cultura, que será oficializado no próximo dia 12. Marta ainda adiantou que a Vale do Rio Doce assinou um convênio com o Ministério da Cultura e vai fornecer o Vale-Cultura para seus funcionários, além disso, o MinC também firmou acordo com os bancos, que também oferecerão o benefício a seus empregados.
Confira a lista das personalidades homenageadas
NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Eleazar Segundo Afonso De Carvalho, centenário – in memoriam;
Henrique De Souza Filho (Henfil) -in memoriam;
Juvenal De Holanda Vasconcelos (Naná Vasconcelos);
Roberto Pires - in memoriam;
Rubem Braga,Centenário - in memoriam;
Antônio da Silva Fagundes Filho (Antônio Fagundes);
Sérgio Duarte Mamberti (Sérgio Mamberti) e
Walter Torreggiani Pinto (Walter Pinto),Centenário - in memoriam;
 
NA CLASSE COMENDADOR:
Antonio Abujamra;
Lucy Villela Barreto Borges (Lucy Barreto);
Marlos Mesquita Nobre De Almeida (Marlos Nobre);
Nilcemar Nogueira e
Ronaldo Correia De Brito.
 
NA CLASSE CAVALEIRO:
Antonio Hélio Cabral (Hélio Cabral);
Bárbara Raquel Paz (Bárbara Paz);
Erasmo Esteves (Erasmo Carlos);
Ivan Guimarães Lins (Ivan Lins);
Maria Adelaide De Almeida Santos Do Amaral (Maria Adelaide Amaral);
Maria De Lourdes Cândido Monteiro (Maria Cândido);
Maira Maria Haar (Mira Haar);
Paulo Roberto Borge Jorge (Paulo Borges);
Rosa Maria Dos Santos Alvez (Rosinha) e
Waldoneide Garcia Marques (Walda Marques).
 
SEM GRAU DE CLASSE
Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia;
Sociedade Junina Bumba Meu Boi da Liberdade;
Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Ayê;
Grupo Dança 1º Ato;
Grupo Gay da Bahia e
Maracambuco Fã Clube Batuque da Nação – Grupo Maracambuco.        
 
PROMOVER,
NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Carlos José Fontes Diegues (Cacá Diegues);
Daniel Monteiro Costa (Daniel Munduruku);
Euzébia Silva De Oliveira (Dona Zica),centenário - in memoriam;
José Alves Antunes Filho (Antunes Filho);
Maurice Carlos Capovilla (Carlos Capovilla);
Paulo Archias Mendes Da Rocha; E
Tomie Ohtake,centenário e
 
NA CLASSE COMENDADOR
Laerte Coutinho (Laerte)
 ADMITIR,
 NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Eleazar Segundo Afonso De Carvalho, centenário – in memoriam;
Henrique De Souza Filho (Henfil) -in memoriam;
Juvenal De Holanda Vasconcelos (Naná Vasconcelos);
Roberto Pires - in memoriam;
Rubem Braga,Centenário - in memoriam;
Antônio da Silva Fagundes Filho (Antônio Fagundes);
Sérgio Duarte Mamberti (Sérgio Mamberti) e
Walter Torreggiani Pinto (Walter Pinto),Centenário - in memoriam;
 
NA CLASSE COMENDADOR:
Antonio Abujamra;
Lucy Villela Barreto Borges (Lucy Barreto);
Marlos Mesquita Nobre De Almeida (Marlos Nobre);
Nilcemar Nogueira e
Ronaldo Correia De Brito.
 
NA CLASSE CAVALEIRO:
Antonio Hélio Cabral (Hélio Cabral);
Bárbara Raquel Paz (Bárbara Paz);
Erasmo Esteves (Erasmo Carlos);
Ivan Guimarães Lins (Ivan Lins);
Maria Adelaide De Almeida Santos Do Amaral (Maria Adelaide Amaral);
Maria De Lourdes Cândido Monteiro (Maria Cândido);
Mira Maria Haar (Mira Haar);
Paulo Roberto Borge Jorge (Paulo Borges);
Rosa Maria Dos Santos Alvez (Rosinha) e
Waldoneide Garcia Marques (Walda Marques).
 
SEM GRAU DE CLASSE
Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia;
Sociedade Junina Bumba Meu Boi da Liberdade;
Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Ayê;
Grupo Dança 1º Ato;
Grupo Gay da Bahia e
Maracambuco Fã Clube Batuque da Nação – Grupo Maracambuco.        
 
PROMOVER,
NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Carlos José Fontes Diegues (Cacá Diegues);
Daniel Monteiro Costa (Daniel Munduruku);
Euzébia Silva De Oliveira (Dona Zica),centenário - in memoriam;
José Alves Antunes Filho (Antunes Filho);
Maurice Carlos Capovilla (Carlos Capovilla);
Paulo Archias Mendes Da Rocha; E
Tomie Ohtake,centenário e
 
NA CLASSE COMENDADOR
Laerte Coutinho (Laerte)

4 de nov. de 2013

MinC divulga lista das personalidades agraciadas na OMC

Prezados amigos e amigas,
Com alegria comunico que meu nome foi indicado para receber a Ordem do
Mérito Cultural da Presidência da República na categoria Grã-Cruz (uma
vez que já sou Comendador rsrs).
A entrega da comenda será nesta terça feira, dia 05 de novembro (dia
nacional da cultura) no auditório do Ibirapuera.
Gostaria de agradecer a todos e todas que indicaram meu nome para
receber esta honraria que, penso, é fruto de um trabalho iniciado
pelos sábios ancestrais e continuado por nós tod@s.
Grande e festivo abraço


Xipat Oboré (Tudo de Bom!)
______________
Daniel Munduruku
www.institutouka.blogspot.com
www.danielmunduruku.blogspot.com
Currículo Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4125109E0


MinC divulga lista das personalidades agraciadas na OMC

Em 2013, 37 personalidades serão agraciadas pelo Ministério da Cultura na Ordem do Mérito Cultural (OMC). Esse evento acontece todos os anos desde 1995 e foi instituído por um decreto presidencial. O principal intuito é reconhecer personalidades que tenham contribuído à cultura brasileira. Os nomes foram publicados nesta sexta-feira (25) no Diário Oficial da União. As homenagens e entrega das medalhas será no dia 05 de novembro de 2013, em São Paulo, no auditório Ibirapuera. Este ano, os homenageados na OMC serão o arquiteto Oscar Niemeyer e a artista plástica Tomie Ohtake.

A escolha dos nomes foi realizada a partir de indicação da sociedade civil. Os apontados foram avaliados por uma comissão técnica, constituída por gestores das secretarias do Ministério da Cultura, que emite parecer conclusivo antes de encaminhá-los à consideração do Conselho da Ordem do Mérito Cultural. Integram o Conselho da OMC, a ministra de Estado da Cultura, que o preside na qualidade de chanceler, e os ministros de Estado das Relações Exteriores, da Educação e da Ciência e Tecnologia.

A OMC é concedida anualmente desde 1995 – ano em que foi instituído por meio de decreto – e a data do prêmio é escolhida em comemoração ao Dia Nacional da Cultura (05.11).

 Confira a lista das personalidades que serão homenageadas:

ADMITIR,

NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Eleazar Segundo Afonso De Carvalho, centenário – in memoriam;
Henrique De Souza Filho (Henfil) -in memoriam;
Juvenal De Holanda Vasconcelos (Naná Vasconcelos);
Roberto Pires - in memoriam;
Rubem Braga,Centenário - in memoriam;
Antônio da Silva Fagundes Filho (Antônio Fagundes);
Sérgio Duarte Mamberti (Sérgio Mamberti) e
Walter Torreggiani Pinto (Walter Pinto),Centenário - in memoriam;

NA CLASSE COMENDADOR:
Antonio Abujamra;
Lucy Villela Barreto Borges (Lucy Barreto);
Marlos Mesquita Nobre De Almeida (Marlos Nobre);
Nilcemar Nogueira e
Ronaldo Correia De Brito.

NA CLASSE CAVALEIRO:
Antonio Hélio Cabral (Hélio Cabral);
Bárbara Raquel Paz (Bárbara Paz);
Erasmo Esteves (Erasmo Carlos);
Ivan Guimarães Lins (Ivan Lins);
Maria Adelaide De Almeida Santos Do Amaral (Maria Adelaide Amaral);
Maria De Lourdes Cândido Monteiro (Maria Cândido);
Mira Maria Haar (Mira Haar);
Paulo Roberto Borge Jorge (Paulo Borges);
Rosa Maria Dos Santos Alvez (Rosinha) e
Waldoneide Garcia Marques (Walda Marques).

SEM GRAU DE CLASSE
Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia;
Sociedade Junina Bumba Meu Boi da Liberdade;
Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Ayê;
Grupo Dança 1º Ato;
Grupo Gay da Bahia e
Maracambuco Fã Clube Batuque da Nação – Grupo Maracambuco.

PROMOVER,

NA CLASSE GRÃ-CRUZ:
Carlos José Fontes Diegues (Cacá Diegues);
Daniel Monteiro Costa (Daniel Munduruku);
Euzébia Silva De Oliveira (Dona Zica),centenário - in memoriam;
José Alves Antunes Filho (Antunes Filho);
Maurice Carlos Capovilla (Carlos Capovilla);
Paulo Archias Mendes Da Rocha; E
Tomie Ohtake,centenário e

NA CLASSE COMENDADOR
Laerte Coutinho (Laerte)


    MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

      Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...