29 de jul. de 2013
27 de jul. de 2013
O Papa e Eu
O Papa e Eu
Estive frente a frente com o papa João Paulo II. Isso aconteceu
em 1980 e eu tinha 16 anos.
À época eu havia acabado de entrar no seminário diocesano Pio
X na cidade de Ananindeua, no Pará. Minha vontade era ser salesiano, mas não fui
aceito e o destino se encarregou de
me colocar no seminário diocesano para viver essa experiência.
Como sempre acontece nas visitas papais, entre uma atividade
e outra o pontífice se retira para um descanso. Em sua passagem por Belém sua
comitiva escolhera nosso seminário para acolher o santo descanso do santo
padre. A notícia nos pegou todos de surpresa. Claro, ficamos eufóricos e
trabalhamos desesperadamente para organizar a casa para receber o símbolo maior
de nossa religião. Cheios de efusivas alegrias nos dedicamos plenamente para
aquele momento.
Eu ingressara na instituição justo naquele ano. Era,
portanto, um novato e muito pouco sabia sobre as hierarquias e protocolos a
serem seguidos e, confesso, me importava muito pouco com todos aqueles
detalhes. Estava naquele lugar para ser santo. Talvez pudesse aproveitar aquela
oportunidade para encontrar-me com um. Era isso que eu pensava.
Lembro como se fosse hoje. João Paulo II entrou no seminário
com passos firmes. Ao longo do corredor que o conduziria para seus aposentos,
os seminaristas formamos um corredor polonês (muito apropriado para a visita de
um polonês) e enquanto ele passava ia abençoando-nos de forma sorridente e
feliz. Como novato que era me foi reservado um lugar bem ao final do corredor,
local que provavelmente nem seria contemplado pelos olhares do pontífice. E seria
assim se na hora H eu não tivesse me projetado à frente para tornar-me visível.
Ele parece ter notado meu esforço. Pegou levemente em minha mão, olhou-me nos
olhos e fez o sinal da cruz sobre minha testa e pousou sua mão sobre minha
cabeça e assim permaneceu por infindáveis cinco segundos. Depois permitiu que
lhe beijasse a mão enquanto adentrava em seu quarto.
Não preciso dizer o tamanho de minha felicidade. O novato
tinha recebido a maior atenção do papa que a maioria dos veteranos! O sinal
feito em minha testa era uma assinatura. Sentia-me marcado para um futuro que
me parecia surpreendente.
O tempo passou. Anos depois saí do seminário e do ideal que
perseguia. Achei que a hora era para outras experiências. Havia coisas que
precisava viver para sentir-me parte do mundo. Havia chegado ao limite de minha
paciência clerical. Era o ano de 1986. Outro sinal me havia aparecido no
horizonte e despertara em mim novos desejos. Achei que era a mão do destino me chamando para outra tarefa.
Lembro que, ao tomar a decisão de deixar o seminário, revivi
meu encontro com o papa. Em minha meditação comecei a pensar que a benção papal
tinha um prazo de validade. Ela não era para a vida inteira e nem
necessariamente para o que eu queria. Aquela benção era também um alerta: o
mundo precisava de minha sanidade e não de minha santidade. Precisava de minha
palavra, não de minha conformidade. Precisava de meus sonhos e não de minhas realizações.
Eu estava marcado, mas não prisioneiro.
Ao acompanhar timidamente a presença do papa Francisco ao
Brasil algo na minha testa começou a formigar novamente. Parece que ele veio
trazer um novo alento de esperança. Veio resgatar a sanidade ao mundo. Ele anda
repetindo por aí o que tenho dito desde sempre seguindo o modelo que aprendi
dos meus avós indígenas: a necessidade de olhar para as crianças, como crianças
e não como adultos em miniaturas; os jovens, como jovens e não como marionetes;
os velhos, como fonte de inspiração e não como restos. Ele está dizendo para não
nos permitirmos permanecer na forma para sermos iguais, mas sermos criativos e
dar mais crédito aos nossos sonhos, desde que eles não nos escravizem na tola
ideia de que ser alguém é ter sucesso financeiro. Acho que ele também recebeu o
sinal do destino. Ele é um de nós!
14 de jul. de 2013
Escritor Tiago Hakiy retrata Amazônia em obras autorais
Entre as influências do escritor estão Thiago de Mello, Daniel Munduruku, Yaguare Yamam, Vinícius de Moraes e Anibal Beça
Matéria original: Portal Amazônia
MANAUS - A cultura indígena é rica em lendas e mistérios. De geração em geração, os indígenas perpetuam as histórias de seu povo. Com o livro 'Guaynê derrota a Cobra Grande - Uma História Indígena', o escritor amazonense Tiago Hakiy, descendente da tribo sateré-mawé, mostra aos brasileiros parte do encanto da região amazônica.
Natural de Barreirinha (distante a 331 quilômetros de Manaus), o escritor Tiago Hakiy é um dos destaques da literatura local. O encanto do escritor pelas palavras começou quando o mesmo descobriu o mundo da leitura. “Escrever é a minha paixão, e eu não escreveria com o mesmo sentimento se eu fosse citar outro local que não a região onde vivo: a Amazônia. É impossível não escrever sobre nossa terra. Tudo é inspiração poética", revelou Hakiy.
Um outro Thiago, conterrâneo e amante das palavras, é a inspiração de Hakiy . "O poeta Thiago de Mello também é de Barreirinha, mas ele é filho das águas do Paraná dos Ramos e eu do Rio Andirá. A figura dele como escritor e poeta foi fundamental para moldar meus sonhos, minha carreira. E suas obras, influenciaram consideravelmente o meu primeiro livro. E com seus versos e canto de esperança, ele conseguiu escrever sua história na literatura brasileira", revelou o escritor.
Outros autores também contribuíram para os trabalhos de Hakiy. Entre eles destacam-se José Lins do Rego, Guimarães Rosa, Moacir Sclyar, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Anibal Beça. Elson Farias, Jorge Tufic, Luiz Barcellar, Milto Hatoum também são inspirações para o escritor. Já Daniel Munduruku e Yaguare Yamam, o autor considera 'companheiros de luta, representantes louváveis da literatura indígena'.
Auxílio
Para Tiago, o Brasil é um País de poucos leitores. "Na região Norte esta realidade é mais visível. Além da ínfima divulgação das obras, o trabalho gráfico de livros para o público infanto-juvenil, realizado pelas editoras locais, está aquém de outros lugares do país. O Estado e os municípios dificilmente compram com regularidade obras de autores regionais", contou.
Além de exercer o papel de escritor, Tiago também é poeta e contador de história. Ao ser questionado sobre qual função é sua preferida, ele logo respondeu. "Nasci poeta, e a poesia está na alma, no coração e no suor de meus textos. A poética sempre esteve presente no que eu escrevo. Contar história é mais uma forma de transmitir a cultura e a poesia do lugar onde vivo", revelou.
Obras
Atualmente, Tiago trabalha na divulgação do livro 'Guaynê derrota a Cobra Grande - Uma História Indígena', texto que foi ganhador do concurso Tamoios, realizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ)- Seção brasileira do International Board on Books for Youg People (IBBY). Ao longo da carreira, o autor escreveu mais três obras: 'Awyató-pót - Histórias indígenas para crianças', 'Petrópolis', 'Águas do Andirá'. Para o futuro, ele quer escrever mais duas obras e continuar divulgando as belezas da região amazônicapor meio das letras e palavras.
4 de jul. de 2013
Daniel Munduruku - Festival de Ilustração e Literatura da Bahia
1 de jul. de 2013
TEU CORPO
(Da série "Crônicas do Outro EU"
TEU CORPO
Cada gota de suor que desliza de teu corpo traz o sal que tempera a lascívia do meu.
Cada gota d água que escorre na hora do banho traz em si o desejo que saliva de minha boca e percorre as curvas desajeitadas do corpo que é teu.
Te olho com gula. Te devoro, desvãos. Te cortejo, te desejo, te ponho as mãos. Maculo teu corpo santo com a devassidão de meus pecados. Te penso minha, ilusão.
E aqui e agora onde está teu corpo, fome do meu corpo? E tua alma, ausente que és? Como ser somente o que sou sem ser o que reverberas em mim?
Oh, grande amor, meu mundo é tão só! É tão teu!
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