Entrevista para o Programa Milênio - Globo News
Cinco mil anos de história. 250 povos e 180 línguas. 800 mil pessoas. 0,4% da população brasileira. Essa é a dimensão do movimento indígena de hoje. A riqueza e o conhecimento sobre a terra que hoje compreendemos como Brasil aos poucos vão se perdendo e a ideia de civilização, herdada do século XIV, coloca o índio como algo a ser assimilado ou isolado. A identidade do indígena foi, durante muito tempo, definida em termos negativos. É o preguiçoso, o que atrapalha o progresso, alguém que não está dentro dos fluxos civilizatórios do Ocidente. Daniel Munduruku mostra que há muito mais do outro lado da linha que divide nossa história e que vale a pena ir além do limite imposto pelos relatos dos conquistadores. Tanto para o indígena quanto para todos os brasileiros. A reformulação da identidade indígena renova o conceito de brasilidade e enriquece o panorama cultural do país.
A partir da década de 1970, os povos indígenas se redescobriram como um movimento pan-indígena. Surgiram a UNI (União das Nações Indígenas), o COIAB, (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a Aliança dos Povos da Floresta e muitos outros movimentos e ONGs. O índio ganhou status de ator político, com reivindicações, expectativas e consciente de suas particularidades. Munduruku diz que os indígenas querem estar dentro do Brasil, mas querem manter suas crenças, sua espiritualidade, suas tradições. Querem contribuir para o crescimento do país de forma ativa, ao invés de serem carregados para o futuro. É o que falta para a democracia brasileira deixar de ser um ensaio, como coloca nosso entrevistado.
Daniel Munduruku é um educador. Ele percebeu que a melhor maneira de reescrever nosso passado é transformar quem vai pensar o Brasil no futuro. Ele recebe crianças em seu sítio para transmitir um pouco da cultura indígena e é autor de mais de 40 livros infantis. Ao estabelecer um diálogo entre essas várias histórias que se entrelaçam, ele abre espaço para um Brasil mais inclusivo e consciente de suas origens.
http://g1.globo.com/platb/globo-news-milenio/2011/07/12/o-brasil-nao-comeca-a-partir-de-1500/
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