30 de mar. de 2011

Autêntica apoia 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil promove pela oitava vez o Concurso Tamoios de Escritores Indígenas. A fim de incentivar a produção literária e a leitura entre crianças e jovens, aFNLIJ tem organizado vários concursos para professores e escritores. Este 8º Concurso Tamoios, fruto de parceria entre a Fundação e o INBRAPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, por meio do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (NEArIN), poderá premiar um ou mais escritores indígenas, de acordo com a comissão julgadora. O(s) texto(s) premiado(s) será publicado pela Autêntica Editora.
O regulamento prevê que só poderão participar indígenas brasileiros residentes no País e que possam comprovar sua filiação indígena. O prazo para envio de originais para a sede da FNLIJvai até o dia 30 de abril e a entrega da premiação será realizada durante o “13º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens”, que ocorrerá no Rio de Janeiro, entre os dias 8 e 19 de junho de 2011.
Confira aqui o regulamento completo do concurso:
Para mais informações, entre em contato com nossa assessoria de imprensa pelo e-mailimprensa@autenticaeditora.com.br ou pelo telefone (31) 3222-6819

Eletronorte se recusa a cumprir sentença em favor de índios atingidos pela usina de Tucuruí



Usina de Tucuruí - Acervo Veja Digital
  
















O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) mandou manifestação à Justiça pedindo que a Eletronorte seja obrigada imediatamente a comprar terras para compensar a área que os índios akrãnkykatejês, conhecidos como gavião da montanha, perderam com a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí.
O caso tramita desde 1989 na Justiça Federal e teve decisão transitada em julgado – sem possibilidade de recurso. A decisão veio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília e originou uma ordem, em que o juiz Ronaldo Destêrro, da 9ª Vara Federal em Belém, determina à Eletronorte que compre as terras do Condomínio Bela Vista, um conjunto de fazendas já aprovado pela Funai e pelos índios.
A ordem judicial data de junho de 2010, mas, em vez de cumpri-la, a Eletronorte interpôs no mês passado embargos de declaração, tipo de recurso cabível apenas para esclarecer dúvidas quanto a uma sentença. “A leitura dos embargos revela o intuito meramente protelatório, como forma de adiar o efetivo cumprimento da ordem judicial emanada”, afirma o procurador da República Felício Pontes Jr na manifestação à Justiça.
A Eletronorte alega que desconhece “elementos básicos de um contrato de compra e venda imobiliária, como por exemplo, proprietário, valor, localização do cartório de registro de imóveis competente”. Acrescenta que a ordem de entregar o imóvel rural à comunidade indígena é de “difícil cumprimento: qual pessoa, física ou jurídica, representará a referida comunidade nesse ato?”
O MPF considera as alegações absurdas: “Durante todas as fases processuais, por inúmeras vezes, a ré Eletronorte manifestou-se nos autos quanto à área indicada pela comunidade indígena e emitiu até um parecer em que pedia apoio da Funai para trabalhos de melhoria da qualidade ambiental”. Em dezembro de 2009, inclusive, houve reunião da Eletronorte com a Funai, os índios e o MPF para definir a escolha das terras.
“É o típico comportamento do setor elétrico com as populações indígenas na Amazônia. Causam impactos irreversíveis no modo de vida dos índios e depois empurram com a barriga por décadas as indenizações, compensações e mitigações”, afirma Felício Pontes Jr, que acompanha o caso dos Gavião da Montanha.
Saga – Os índios akrãnkykatejês, ou gavião da montanha, moravam na região onde hoje existe o lago de quase 3 mil quilômetros quadrados da hidrelétrica de Tucuruí. Expulsos pela construção da usina, a montanha sagrada que os identificava foi submersa e a eles restou se mudarem para a Terra Indígena Mãe Maria, onde morava outro grupo de índios gavião, próximo da cidade de Marabá, no sudeste do Pará.
Desde o enchimento do lago da Usina de Tucuruí há controvérsias sobre a remoção do povo gavião da montanha, com acusações contra a Eletronorte de que usou de violência e ardis desonestos contra os índios para obrigá-los a deixar as terras, reconhecidas pelo governo paraense como indígenas desde 1945. O processo judicial contra a empresa, para obrigá-la a comprar terras equivalentes para a população indígena foi iniciado em 1989.
O MPF ressalta na manifestação enviada à Justiça “que as compensações materializadas no curso do processo com a sentença terminativa revestem-se da condição de minimizar os danos causados pela UHE-Tucuruí, jamais compensar integralmente, posto que o patrimônio intangível, os vínculos culturais desenvolvidos na terra inundada não se traduzem em valores econômicos, tampouco se revestem de um critério financeiro aferível”.
O processo tramita com o número 89.00.01377-7.
(Ministério Público Federal no Pará, EcoDebate, 30/03/2011)Ambiente Já Info.





Hidrelétricas ameaçam ritual e sobrevivência de indígenas que consomem apenas peixe

Os Enawenê Nawê, do Mato Grosso, realizam todos os anos o ritual de pescaria que dura vários meses. Ritual é reconhecido pelo Iphan

Manaus, 29 de Março de 2011
ACRITICA.COM

Indígenas Enawenê Nawê estão com sua sobrevivência cultural, espiritual e física ameaçada por hidrelétricas
Indígenas Enawenê Nawê estão com sua sobrevivência cultural, espiritual e física ameaçada por hidrelétricas (Divulgação/Survival Internacional )

Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural brasileiro, o ritual Yãkwa (pescaria anual), dos indígenas Enawenê Nawê, do Mato Grosso, está com sua existência ameaçada por causa das obras de hidrelétricas previstas para a região.

Os Enawenê Nawê, diferente de outras etnias indígenas, não consomem carne vermelha, apenas proteína de peixe.

No ritual, eles armazenam o peixe para a aldeia que deve durar até a próxima pescaria, no ano seguinte. O peixe também faz parte da cultura e da manifestação espiritual deste povo.

O ritual de pescaria (que chega a durar meses) acontece sempre neste período do ano (a atividade ainda está acontecendo), mas já há preocupação com a drástica redução dos peixes no rio Juruena.

Segundo Sarah Shenker, da ong Survival Internacional, que esta semana divulgou um alerta sobre as ameaças ao ritual, os indígenas estão preocupados por causa da falta de peixe registrada nos dois últimos anos.

“Em 2011, o ritual começou há duas semanas. Ainda está acontecendo. Mas eles não sabiam se vão encontrar peixe este ano para mandar para sua aldeia”, disse Sarah, em entrevista por email ao critica.com.

De acordo com o mais recente documento divulgado pela ONG Survival Internacional, os índios Enawenê Nawê temem que as 80 hidrelétricas planejadas para a bacia do rio Juruena extinguem os peixes e, por conseguinte, sua própria existência cultural e física.

Conforme a Survival, nos anos anteriores os Enawenê Nawê foram confrontados com uma falta de alimentos catastrófica, e a empresa responsável, do grupo André Maggi, pela construção da barragem foi obrigada a comprar 3 mil kg de peixes para os índios.

Há, contudo, um temor recorrente devido ao planejamento de que novas hidrelétricas sejam construídas na área de influência do rio Juruena.

Peixes

Durante o ritial Wãkwa, os indígenas passam meses na floresta. Eles constroem complexos barramentos com madeiras para capturar peixes. Estes são defumados e transportados em canoas à sua aldeia.

A Survival reitera que o Yãkwa é uma parte vital da cultura espiritual dos índios e é crucial para sua dieta alimentar, já que, diferente de quase todos os povos indígenas, os Enawene Nawe não comem carne vermelha.

Em 2008, os Enawenê Nawê enviaram uma carta às Nações Unidas protestando contra as barragens. “Não queremos as barragens sujando nossa água, matando nossos peixes, invadindo nossas terras”.

Conforme informações da Survival, os indígenas já montaram bloqueios e invadiram um canteiro de obras de uma das barragens.

O Diretor da Survival Internacional, Stephen Corry, afirmou que se trata de uma amarga ironia que enquanto o Yãkwa é atualmente reconhecido como ritual integrante à herança cultural brasileira, ele logo poderá deixar de existir. “Todo modo de vida dos Enawenê Nawê está ameaçado”, disse.

28 de mar. de 2011

MUNDURUKANDO - Livro novo de Daniel Munduruku! Lançamento Uk`a Editorial!


























Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estímulo para seu crescimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silêncio.
Professores batem a mão na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos.
Educadores são Um.

 O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas, porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Essa é a razão de ser do educador. Essa é sua esperança. E, para tanto, o educador precisa ser inteiro, precisa ser completo, precisa estar em sintonia consigo mesmo e como o universo.


Daniel Munduruku nos apresenta, neste volume, ensaios, entrevistas, artigos e pensamentos que o têm transformado em um dos principais pensadores indígenas do Brasil.
Mundurukando é um verdadeiro passeio pela nossa alma ancestral.



Lançamento Uk`a Editorial.
Pedidos / Orçamentos: dmunduruku@gmail.com 

26 de mar. de 2011

Literatura amazônica ganha duas novas obras neste fim de semana

Larissa Veloso


Os autores Zemaria Pinto e Ely Macuxi lançam seus livros em Manaus neste fim de semana.

Manaus - Dois livros com temática amazonense serão lançados neste sábado (26). 'O Conto Amazonense', do escritor paraense Zemaria Pinto, é um estudo teórico e prático sobre a arte criar contos. O lançamento acontece na Valer, na Avenida Ramos Ferreira, no Centro, às 10h. Já o professor e escritor Ely Macuxi recebe os leitores às 9h, na Livraria Paulinas, na Avenida 7 de Setembro, também no Centro.

A parte teórica do livro de Zemaria Pinto conta com um guia de leitura e um pequeno manual de iniciação para leitores e interessados na arte de fazer contos. O autor define conto como uma história bem definida, com poucos personagens, tempo e ação muito concentrados, passados num só ambiente (Ao contrário de um romance, no qual o espaço e o tempo são ampliados).

Na parte prática, um capítulo dedicado ao conto no amazonas, o leitor encontra histórias como 'Baíra e sua namorada', uma narrativa baseada na mitologia dos índios Cauaiua-Parintintin.

Já em 'Ipaty, o curumim selvagem', do professor e escritor indígena Ely Macuxi narra as aventuras do pequeno Ipaty. O dia-a-dia dos Macuxi, que vivem nas serras de Roraima, perto da fronteira com a Venezuela, é contado pelo próprio curumim, mesclando suas histórias com os mitos e tradições da tribo.

Para o autor, a intenção é levar aos leitores informações sobre este povo, do qual é descendente, de forma lúdica, e mostrando que é possível usufruir dos recursos naturais sem destruí-los. O livro é ilustrado por Maurício Negro, que é pesquisador de culturas indígenas.

Caravana literária promove a cultura dos povos indígenas em Manaus

 Foto: Eraldo Lopes 
Kleiton Renzo . portal@d24am.com

Em Manaus, os escritores realizam o primeiro movimento no Centro de Educação de Tempo Integral/Ceti “Gilberto Mestrinho”, no bairro do Educandos, zona Sul da capital.

Manaus - A cidade de Manaus recebe nesta quinta-feira (25) a Caravana Mekukradja: Literatura Indígena em Movimento, promovida pela Fundação Nacional das Artes (Funarte) e através da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (Seduc-AM) a caravana leva ao conhecimento dos estudantes a literatura produzida por escritores indígenas.

Em Manaus, os escritores realizam o primeiro movimento no Centro de Educação de Tempo Integral/Ceti “Gilberto Mestrinho”, no bairro do Educandos, zona Sul, onde além da apresentaçao bibliográfica, serão desenvolvidas oficinas de cultura indígena, ciclo de palestras e saraus literários.

As atividades de hoje serão desenvolvidas em três horários, pela manhã (de 9h às 11h) e à tarde (14h às 17h) para os alunos do ensino médio de diversas escolas da área central de Manaus, com apresentação dos llivros e uma conversa para apresentar os convidados do caravana.

Vozes

Os estudantes poderão conhecer a história de profissionais das etnias Terena, Macuxi e Munduruku. Entre eles a escritora e mestranda de História, Rosi Whaikon, o escritor e Doutor em Educação, Daniel Munduruku, a radialista e doutoranda em Educação, Naine Terena, o professor e poeta, Roni Wasiri, a poetisa e mestranda em Geografia, Márcia Vieira, e também o professor, Eli Macuxi.

À noite, de 19h20 às 21h30, será realizada palestra com o coordenador da Caravana Mekukradja, Daniel Munduruku, sobre a Lei N° 11.645 de março de 2008, que inclui na grade curricular de ensino fundamental e médio a "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena".

Para Daniel Munduruku, a aplicação da lei que institui a disciplina indígena e afro-brasileira no currículo dos alunos não é "nenhum presente", é antes de tudo, uma vitória "pela luta dos velhos que começou há 300, 500 anos atrás".

"Isso é uma luta muito antiga, e tão pouco nenhum presente. É uma conquista, porque os indígenas nunca conseguiram nada de mão beijada. E acredito que é fundamental para o desenvolvimento dessas crianças, conhecer a ancestralidade do povo em que vive", diz

Para sexta-feira (26) está programado um Sarau Literário, das 19h30 às 22h, aberto ao público, onde os livros e poesias indígenas serão discutidos pelos participantes.

"Nosso objetivo principal é colocar esses estudantes frente à uma literatura indígena, não somente feita de livros, mas de movimento dos corpos, pela música, pela dança. O livro, serve apenas como um produto de todas as nossas criações", explica Danile Manduruku.

Semana Indígena

De acordo com o Gerente de Educação Indígena da Seduc, Alva Rosa, A Caravana Mekukradja marca o início da 'Semana Indígena' que o estado pretende realizar em abril nas escolas da rede de ensino.

A programação está prevista para iniciar em 8 de abril, e se estenderá até o dia 15, em todas as escolas da rede estadual de Manaus e em escolas de oitos municipios, são eles São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Eirunepé, Barreirinha e Manicoré.

"Iremos discutir nas escolas o tema 'Educação Escolar Indígena: Um Novo Olhar Rumo à Transformação" e em cada dia será feito uma palestra, sobre o assunto. Até o dia 19 de abril, quando será realizado um grande encontro com representantes do MEC, do conselho nacional de Educação Indígena de Brasília, e mais o Conselho de Educação Indígena do Amazonas", comenta Alva Rosa.



Matéria completa: D24AM.COM

22 de mar. de 2011

‘Caravana Mekukradjá’ difunde literatura indígena na Amazônia

Projeto que busca divulgar a literatura produzida pelos povos indígenas promove encontro entre autores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus

JONY CLAY BORGES


Daniel Munduruku é um dos autores que participa da caravana (Reprodução)


Já há bastante tempo os povos indígenas do Brasil superaram as barreiras da língua e dos costumes e instituíram representantes também na literatura do País. Vários desses representantes participam da “Caravana Mekukradjá – Literatura indígena em movimento”, que chega a Manaus nesta quinta-feira (24).

A iniciativa, que busca difundir a literatura produzida pelos povos indígenas, promoverá oficinas e um sarau literário com escritores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus na Escola Estadual Professor Gilberto Mestrinho, em Educandos.

A programação da “Caravana Mekukradjá” começa na quinta, com duas oficinas voltadas para alunos do Ensino Fundamental (das 9h às 11h) e do Ensino Médio (das 14h às 17h).

No mesmo dia, das 19h20 às 21h30, haverá um bate-papo com universitários e professores com o objetivo de discutir a Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura indígena nas escolas do País.

Na sexta-feira, dia 25, das 19h30 às 22h, será realizado um sarau literário, aberto ao público em geral, em que os escritores indígenas e o público participante terão um momento de diálogo e de descontração.

“A ideia (do sarau) é ser um momento não acadêmico. Vamos ter recitação, canto, dança, música, essa diversidade toda”, adianta o escritor Daniel Munduruku, coordenador da “Caravana Mekukradjá”.

Além dele, que também é Doutor em Educação, participam da ação Ely Macuxi, escritor, professor e assessor em Educação em Manaus; Naine Terena, radialista, produtora cultural e doutoranda em Educação; Rony Wasiri Guará, professor, poeta, artista plástico e contador de histórias; e Rosi Whaikon, escritora e mestranda em Antropologia Social.

Além da palavra
De acordo com Daniel, a iniciativa – contemplada com Bolsa de Circulação Literária pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) – busca levar pessoas de todas as idades a vivenciar “uma literatura que não é apenas escrita, mas também vivida”.

“Mesclamos debates com oficinas para crianças e jovens. Por meio delas queremos que eles convivam com a gente, para perceber que a literatura não se resuma à parte escrita, mas a literatura dos povos indígenas é sobretudo ritual, é feita de ritos, palavras, oralidade, dança, canto”, declara o escritor.

A ideia de movimento, que marca a caravana, caracteriza a literatura produzida pelos povos indígenas, na visão de Daniel.

“Queremos mostrar uma literatura que se move, feita pelo movimento dos corpos das pessoas, dos grupos indígenas, e que eventualmente usa também a plataforma escrita”, destaca o autor.

No ensino
O escritor Ely Macuxi destaca a importância de se debater a Lei 11.645/2008, o que está na pauta do evento. “Geralmente há muita desinformação com relação às questões da cultura indígena.Procuraremos informá-los e trabalhar dando orientações visando permitir que eles transmitam um conhecimento mais real sobre a questão indígena”, destaca o autor, lembrando que a legislação que obriga a inclusão de história e cultura indígenas no currículo escolar já está em vigor.

“Todos os professores já deveriam ter recebido essa formação, mas sabemos que isso não aconteceu ainda. Por conta disso realizamos esses encontros em todo o Brasil”.

Fonte: Acrítica UOL

21 de mar. de 2011

Aplicação da Lei Maria da Penha entre povos indígenas será discutida no Amazonas


Proposta é ampliar a participação masculina nos debates  sobre a 

 legislação que coíbe a violência doméstica

ELAÍZE FARIAS

Reunião em Brasília onde indígenas discutiram e definiram calendário regional de eventos sobre Lei Maria da Penha
Reunião em Brasília onde indígenas discutiram e definiram calendário regional de eventos sobre Lei Maria da Penha (Divulgação/Funai )
A aplicação da Lei Maria da Penha entre os povos indígenas vai ser discutida em todas as regiões do país durante seminários e oficinas de capacitação promovidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) marcados para começar em abril.
O calendário foi discutido em reunião encerrada nesta sexta-feira (18), em Brasília. A proposta é incorporar os homens indígenas nos debates.
Miquelina Barreto, gerente das mulheres da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (Seind) disse que a capacitação de mulheres para que elas possam atuar nos comitês regionais da Funai como agentes multiplicadoras serão realizadas a partir de abril.
Na região Norte, tanto os seminários quanto as capacitações estão marcadas para ocorrer em junho, em Manaus.  
Segundo Miquelina, que também é integrante do Departamento de Promoção aos Direitos dos Povos Indígenas (Depi) da Seind, a discussão sobre a Lei Maria da Penha é necessária porque ela precisa levar em consideração as diferenças culturais não apenas entre o indígena e o não-indígena, mas também entre os próprias etnias, que também se distinguem entre si.
“A gente quer buscar uma forma de aplicar a Lei Maria da Penha. Mas cada povo tem sua tradição e cada um deles tem sua especificidade”, disse ela, em entrevista por telefone, de Brasília, ao portal acritica.com.
De acordo com o secretário adjunto da Seind José Mário Mura, que também esteve presente nas discussões em Brasília, a retomada dos debates sobre a Lei Maria da Penha vai priorizar a participação masculina. Segundo ele, "agora é a vez dos homens". 
Violência 
A Lei Maria da Penha foi decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Governo Lula em 7 de agosto de 2006.
Ela cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
A lei dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Fonte: A crítica.com

19 de mar. de 2011

Expedição identifica cavernas sagradas dos índios yanomami no Pico da Neblina, no Amazonas


Cecav e IMCBio realizam expedição inédita para cadastrar cavernas,
em um projeto denominado Levantamento Etnoespeleológico

Manaus, 18 de Março de 2011

ELAÍZE FARIAS

    Pico da Neblina, no Amazonas, possui uma diversidade de cavernas desconhecidas da maioria da população
    Pico da Neblina, no Amazonas, possui uma diversidade de cavernas desconhecidas da maioria da população (Divulgação/Acervo Parna Pico da Neblina.)
    Expedição inédita realizada no final do ano passado no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas, identificou cinco cavernas que são consideradas sagradas pelos indígenas da etnia yanomami – além de ser um parque federal, a área é uma terra indígena demarcada.
    As cavernas localizadas na região do Alto Rio Negro, apesar do conhecimento dos indígenas, ainda não haviam sido cadastradas pelo Centro Nacional de Conservação e Pesquisas de Cavernas (Cecav), órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pela expedição.
    Embora tenha sido realizada há três meses, somente nesta semana a expedição foi divulgada pelo ICMBio.
    Com o cadastro das cavernas, espera-se assegurar a preservação da área, conforme explicações de José Carlos Reino, analista do Cecav e coordenador da expedição, em entrevista ao acritica.com.
    O projeto Levantamento Etnoespeleológico também deverá compor o etnozoneamento e o Plano de Manejo da Unidade.
    Diferente de outras áreas semelhantes, as cavernas do Pico da Neblina (localizadas na base) não são espaços meramente físicos. A importância espiritual que os yanomami dão ao local confere um status especial às cavernas.
    Mitos
    Daí o cuidado que o Cecav e o ICMBio estão tendo para divulgar os dados encontrados no local.
    “A gente ainda não colocou as coordenadas geográficas, nem divulga fotografias do que foi encontrado. Por enquanto, a gente está sistematizando os dados para apresentar primeiramente aos indígenas”, disse Reino.
    Algumas informações, contudo, podem ser reveladas. Segundo Reino, as cavernas são de pequenas dimensões e têm um rico ecossistema.
    O conjunto geral é denominado de granitóides (referente à gratito). A expedição, que demanda uma expressiva logística, foi realizada ao longo de 60 quilômetros de extensão.
    Além do cadastro oficial das cavernas, os participantes da expedição querem dar continuidade ao projeto com a construção de uma publicação com relatos das histórias e dos mitos identificados na relação entre os yanomami com as cavernas.
    Sagrado
    Embora toda expedição em uma unidade de conservação federal seja realizada também com vistas ao desenvolvimento de um plano de manejo, é pouco provável que as cavernas do Pico da Neblina possam ser utilizadas para atividades turísticas, segundo Reino.
    “Eles (indígenas) não querem isso. As cavernas são sagradas para eles. O que eles querem é poder reviver a história e os mitos associadas às cavernas para as próximas gerações para que eles não sejam esquecidos”, disse o analista.
    Yanomami
    A primeira fase da expedição contou com uma assembleia geral para pedir autorização dos yanomami. Em seguida, os indígenas participaram ativamente como protagonistas da atividade.
    “Foram os próprios yanomami que levaram a equipe. Mas antes, a gente apresentou o projeto a eles, para ver se concordavam em nos deixar entrar. Eles permitiram e nos acompanharam”, disse Márcia Abrão, analista do Parna Pico da Neblina, cuja sede fica em São Gabriel da Cachoeira, interior do Amazonas.
    Moradores das comunidades Maturacá e Ariabú, no Parque, os indígenas foram os guias da expedição até as cavernas – no início da atividade, o cacique Joaquim Figueiredo também ofereceu proteção espiritual à expedição.
     “Antes de sairmos em busca das cavernas, o cacique disse que deixou um sinal (uma luz) na cabeça de cada um de nós, para que fossemos identificados pelos espíritos. Assim, todas as cavernas do planeta onde haja esses espíritos receberão uma fumaça avisando que os exploradores irão com um sinal de luz na cabeça, para que não haja mal algum a eles”, conta Marcia.
    Rio Negro
    O Cecav planeja realizar outras expedições no Alto Rio Negro, desta vez no região do rio Maiá e Morro dos Seis Lagos.
    Conforme Reino, devido aos cortes no orçamento feito pelo governo federal ainda não está definido se o projeto de prosseguir na expedição ainda este ano.


    Fonte: A crítica UOL

    18 de mar. de 2011

    Celebram Dia da Criança Indígena na Venezuela

     Caracas, 18 mar (Prensa Latina) O Dia da Criança Indígena estará dedicado hoje ao reconhecimento e inclusão dos povos originários nas políticas sociais impulsionadas pelo governo venezuelano.

      Nas diferentes regiões com comunidades ancestrais se realizarão festejos e jogos tradicionais para celebrar esta data, como o arco-e-flecha, corrida de sacos e de velocidade, entre outros.

    Além disso, nas celebrações se poderá degustar comidas e bebidas tradicionais e haverá exibição de danças, representações, entre outras.

    Com diversas atividades, a cada ano, as crianças das etnias, Arawak, Warao, Pumé, Bari, Yekuana, Yanomami, Kariña, Pemón, Panare, Wayúu, Añú, Jibi, entre outras, celebram este importante dia.

    Há 30 anos, a data só se dedicava ao Dia da Criança Wayúu e era celebrada no município Guajira, estado de Zulia.

    A festividade foi crescendo e começou chegar a grandes cidades como Maracaibo, para converter-se em um dia nacional.

    Na Venezuela, antes de 1999, durante a chamada Quarto República, os povos ancestrais estavam esquecidos e foi somente com a chegada de Chávez à presidência, que se implementaram políticas inclusivas em benefício destas populações.

    Em particular, garante-se o acesso de meninos e meninas à educação, à saúde e outros serviços essenciais.

    Dentro dos avanços com relação à reivindicação das comunidades originárias da Venezuela destaca-se a criação do Ministério para os Povos Indígenas.

    Além disso, uma série de normativas como a Lei do Artesão e Artesã, a do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades e a Lei de Idiomas Indígenas.

    A Constituição de 1999 reconhece os direitos inalienáveis dos povos ancestrais, fixa as bases para um desenvolvimento equilibrado das etnias sobreviventes, salvando sua cultura, cosmovisão, medicina e costumes em geral.

    Também contempla o respeito aos lugares que por milhares de anos utilizam para viver e se desenvolver.

    mv/otf/es
    Prensa Latina

    Menchú visita Bolívia para debater direitos de indígenas

    Imagen activa La Paz, 18 mar (PRENSA LATINA) A guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz (1992), iniciou uma visita à Bolívia para analisar os direitos dos povos indígenas em seu país, a nação anfitriã e Equador, confirmou hoje uma fonte da chancelaria.

      O encontro, denominado Intercâmbio Sul-Sul entre Guatemala, Bolívia e Equador", tem por objetivo avaliar avanços em correspondência com convênios internacionais que beneficiam aos originários.

     Nessa cita, que concluirá nessa sexta-feira, os participantes debaterão mais sobre as autonomias indígenas, a livre determinação dos povos e seus direitos sobre os recursos naturais.

    Menchú aproveitou esse foro para reunir-se ontem, quinta-feira, com o chanceler boliviano, David Choquehuanca.

    asg/ga/asc
    Prensa Latina

    17 de mar. de 2011

    Nota de falecimento‏

    Repasso com pesar e luto.
    Peret foi, sem dúvida, um grande companheiro.
    Que os espíritos ancestrais possam acolhê-lo.
    Com tristeza.
    DM


    Segue a nota:
    É com grande pesar que venho informar que na madrugada de hoje faleceu João Américo Peret. Um grande amigo, pai, avó, Um verdadeiro guerreiro que sempre fez muito por todos a sua volta e principalmente quando se falava de cultura indigena.

    Sentiremos muito a sua falta, mas você sempre estará em nossos corações.

    Descanse em paz me querido!

    Patricia Peret



    João Américo Peret
    Indigenista/Escritor/Jornalista

    12 de mar. de 2011

    Teto de escola indígena desaba

     Treze alunos de escola indígena faziam trabalho no momento em que a viga de sustentação do teto ruiu sobre a sala de aula, em Capuan. Eles foram atendidos no hospital de Caucaia e uma adolescente segue em observação.
    Viga ruiu, trazendo abaixo do forro de PVC falhas na madeira (FOTO: RAFAEL CAVALCANTE) 
    Viga ruiu, trazendo abaixo do forro de PVC falhas na madeira (FOTO: RAFAEL CAVALCANTE)
     Treze adolescentes entre 15 e 17 anos da comunidade indígena Tapeba situada no distrito de Capuan, em Caucaia, ficaram feridos com o desabamento do teto de uma das salas de aula da Escola Diferenciada Índios da Terra, ocorrido no início da tarde de ontem. Alunos do 6º ano, eles estavam na classe com outros nove colegas fazendo um trabalho solicitado pela professora quando o acidente ocorreu. 

     Era por volta das 14h40min, e os 20 alunos presentes já estavam próximos de sair para o intervalo quando os escombros vieram abaixo. Entre os atingidos uma garota grávida de dois meses, e a adolescente Jéssica Soares, de 15 anos, que sofreu forte pancada na cabeça, e machucou pernas e dedos. Todos os atingidos foram encaminhados para o Hospital Municipal Abelardo Gadelha, onde receberem os primeiros socorros.


     Seis adolescentes que foram atingidos superficialmente foram liberados poucas horas depois. Outros seis que sofreram pancadas em partes diversas do corpo precisaram ser transferidos para outra unidade de saúde a fim de se submeterem a um raio-x. O aparelho do Hospital Abelardo Gadelha estava quebrado. Já a aluna Jéssica teve que ser submetida a uma pequena cirurgia na mão machucada, e por isso passaria a noite em observação.


     De acordo com Rita de Cássia Cruz do Nascimento, diretora da escola, há tempos o prédio, que foi inaugurado há cinco anos, vem sofrendo com goteiras. Conforme disse, por ser uma edificação alta, não havia possibilidade de ninguém da comunidade subir para fazer os reparos. Porém, ofícios já haviam sido enviados a Secretaria da Educação do Estado (Seduc) solicitando providências, afirmou ela.


     O desabamento ocorreu por conta de uma viga que quebrou e trouxe toda a estrutura abaixo. O forro composto de PVC escondia possíveis falhas na madeira de sustentação das telhas. Pedro Henrique Sampaio, coordenador da 1a Crede (Coordenadoria Regional de Educação), órgão da Seduc, explicou que a escola foi entregue em 2006 e desde então vinha recebendo frequentes manutenções.


     Sampaio afirmou que já no final do ano passado foram investidos R$ 15 mil numa reforma do prédio da escola, incluindo a construção de uma cobertura para o pátio. Ele adiantou que segunda-feira uma equipe de engenheiros da Seduc irá ao local a fim de fazer um completo diagnóstico estrutural do imóvel. Será retirado o forro de todas as salas de aula para avaliar a coberta.

    O quê
    ENTENDA A NOTÍCIA
    A Escola indígena dos Tapebas, em Capuan, conta com quatro salas de aula. Na Unidade de ensino são mantidas classes do Ensino Infantil ao Ensino Médio. A comunidade informou que vem reivindicando à Seduc a construção de outras quatro salas de aula a fim de aumentar a capacidade.

    Rosa Sá



    rosa@opovo.com.br



    11 de mar. de 2011

    Poeta gaúcho é candidato à vaga de Scliar


     Gaúcho de Uruguaiana, o poeta Luiz de Miranda (foto) lançou oficialmente nessa sexta-feira o seu nome como candidato à cadeira número 31 da Academia Brasileira de Letras. A vaga pertencia ao também gaúcho Moacyr Scliar, que morreu no último dia 27.

     Para disputar uma cadeira na academia, o autor precisa ter livro publicado e ser brasileiro. Miranda, com 29 livros, costuma se intitular como “o autor da obra poética mais extensa do mundo”. Já são 2.706 páginas publicadas. O poeta conquistou, no ano passado, o prêmio Açorianos de Literatura, com seu último lançamento, Monolítico, Memória que não Morre. Em 12 de abril Miranda lança em Porto Alegre mais um livro, Vozes do Sul do Mundo. 



     Antes dele, outros dois autores se candidataram à cadeira 31. Um deles é o jornalista de O Globo Merval Pereira e o outro é o escritor Antônio Torres, autor de Um táxi para Viena d’Áustria. Cogita-se que tenha início nesta semana um movimento, encabeçado pelo escritor Charles Kiefer, para lançar a candidatura de Luiz Antônio de Assis Brasil, romancista e atual secretário de Cultura do Rio Grande do Sul.
    Gazeta do Sul

    Povos indígenas pedem apoio federal para extração da castanha do Brasil

     Com o objetivo de conseguir apoio do Governo Federal para a colheita da safra 2011 da Castanha do Brasil, um grupo de índios da Associação dos Povos Indígenas Wai-wai (APIW) estiveram recentemente reunidos com a delegada Federal do Desenvolvimento Agrário de Roraima, Célia Regina Sousa.

     De acordo com Geraldo Pereira, vice-presidente da associação, as dificuldades dos 200 catadores indígenas durante a extração das amêndoas é o trabalho logístico. “A nossa reivindicação é a ajuda com combustível, óleo de motor, alimentação para os trabalhadores e ferramentas para quebrar a castanha”, explicou.

     Geraldo ressaltou que no ano passado com o valor adquirido pela safra de 2010, a associação dos povos indígenas além de quitar todas as despesas assumidas no ano passado, a comunidade comprou todo o maquinário para a safra desse ano. “Estamos trabalhando com um orçamento em torno de R$ 40 mil, tudo isso, para superar a quantia de R$ 365 mil atingido no ano de 2010”, informou.
    Conforme o vice-presidente, o ciclo de coleta da castanha acontece em meados de maio. Geraldo disse que, embora os custos não estejam fechados, o investimento para 2011 será superior a do ano passado. “Acreditamos que o trabalho será dobrado, já que a área da plantação nativa chega a 250 mil hectares. A extensão territorial cobre duas comunidades indígenas”, comentou o vice-presidente.

     “A carta com as reivindicações da associação dos povos indígenas serão apresentados durante uma reunião em Brasília ainda este mês”, comunicou a delegada do MDA/RR.

     Conforme João de Deus, técnico da Fundação Nacional do Índio que dar suporte aos índios no arado a terra, explicou que na próxima semana terá várias reuniões com a Conab, para orientar as comunidades sobre o armazenamento dos produtos coletados. “As reuniões acontecem entre 14 e 19 de março, em cinco comunidades indígenas”, citou.

     Na segunda-feira dia 14, a comunidade do Xarí será a primeira a receber orientações de como depositar de forma correta as castanhas. A população que vive no Anauá será os próximos a reunir com a Conab, no dia 15.

     Já nos dias 16, 17 e 18, as reuniões ocorrem respectivamente nas comunidades do Soma, Macara e Jatapuzinho.

    BV News

    9 de mar. de 2011

    Ministério do Meio Ambiente contempla mulheres Rikbaktsa


     Fonte:Direção de Jornalismo /AscomMMA

    Mulheres de 26 comunidades do País vão receber os recursos para aplicar em projetos voltados à conservação ambiental e à segurança alimentar

    Mulheres indígenas de 26 comunidades do País vão receber R$ 1,3 milhão para execução de projetos voltados à conservação ambiental e à segurança alimentar. Dez já atenderam às exigências dos contratos a serem firmados entre a Carteira Indígena, do Ministério do Meio Ambiente, e as associações contempladas pela chamada pública direcionada a demandas exclusivamente femininas. Entre as propostas apresentadas, se destacam a produção de roças orgânicas, de tecidos feitos com fibras naturais e a reprodução de sementes que fazem parte de cultivos tradicionais.

    Incentivo
    Ao noroeste do Mato Grosso, elas estão organizadas na Associação Indígena das Mulheres Rikbaktsa, criada para resgatar atividades etno-culturais. O território onde moram abrange os municípios de Brasnorte, Juara e Cotriguaçu. A associação vai receber R$ 47 mil do MMA para a realização de oficinas em que serão ensinadas atividades tradicionais com risco de desaparecer, como artesanato, cânticos e pinturas de corpo.
    Incentivar a cultura significa estimular a conservação ambiental, pois a iniciativa do MMA valoriza materiais da natureza necessários à confecção das peças de artesanato, bem como a utilização de plantas medicinais, que são abundantes somente com equilíbrio ecológico.
    "As mulheres são guardiãs das sementes, das ramas, das coisas", comenta a coordenadora da Carteira Indígena, Lylia Galetti. Ela observa que, no próprio texto da chamada pública, uma das justificativas é que os projetos protagonizados por mulheres costumam ter melhores resultados.
    Nas comunidades Rikbaktsa serão beneficiadas 50 famílias, em dez aldeias, nos próximos dez meses, em parceria do MMA com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
    A Carteira Indígena existe há oito anos e se propõe a desenvolver a competência técnica de comunidades para apresentação e desenvolvimento de projetos. Em novembro de 2010, a experiência foi apresentada no México, no Fórum Internacional "A dimensão de gênero nas mudanças climáticas e a gestão integral de riscos de desastres".
    Durante o encontro, Lylia Galetti destacou a crescente participação feminina no movimento indígena nacional e nos fóruns de políticas públicas indigenistas, "fruto da mobilização pelo reconhecimento de gênero nesses espaços políticos". Ela enfatizou que os impactos das mudanças climáticas sobre terras e povos indígenas tendem a sobressair nos debates de suas organizações, e que o diálogo com outros países deve ser estimulado.

    Conhecimentos tradicionais
    O conhecimento das Rikbaktsa é importante para a conservação de uma das porções mais significativas do Bioma Amazônico no Mato Grosso. Elas vivem em comunidades onde a natureza permite o extrativismo de castanha-do-Brasil, de óleos naturais, da coleta de sementes e da produção de artesanato com fibras naturais, mas enfrentam dificuldades, especialmente devido à perda significativa de seu território e ameaças de degradação ambiental.
    As índias escolheram quatro mulheres que detêm conhecimentos tradicionais do povo para ensinar aquelas que ainda não os possuem. Será valorizado, por exemplo, o caminhar na mata para identificar locais onde há abundância de árvores, sementes e capins utilizados no artesanato. Elas vão aprender a coletar corretamente esses materiais, para garantir a preservação das espécies. Também vão aprender a entoar cânticos típicos enquanto fazem suas tarefas diárias e a decifrar a relação entre cada pintura corporal e as cerimônias seculares.
    Sementes
    "Grande parte dos projetos demonstram preocupação com a sustentabilidade da terra e o bem-estar da família", afirma Valéria Paye, do povo Kaxuyana, que vive na área do Parque Tumucumaque, no Amapá. Como representante indígena no Conselho Nacional de Segurança Alimentar, ela fez parte do Comitê Gestor da Carteira Indígena no período em que foram selecionadas as propostas. "Em muitos projetos, ficou evidente a preocupação com as sementes. Em muitos lugares as sementes já se perderam, e elas falam que não adianta o que vem de fora, querem trabalhar com as suas próprias roças, com o que conhecem."
    O assunto tem sido preocupação em todo o País. Em setembro de 2010, a Carteira Indígena, em parceria com a Embrapa, apoiou a 8ª Feira de Sementes Tradicionais Krahô, que reuniu em Itacajá (TO) cerca de 2 mil índios, interessados especialmente em variedades de milho, para a troca de experiência. E, em dezembro, os Pareci que haviam participado da feira do Krahô realizaram sua própria feira, apoiada pelo MMA, em Paraíso (MT).

    Artesanato
    Apesar da influência de culturas dominantes, os povos indígenas preservam traços muito fortes da cultura de seus ancestrais. Os Guajajara demonstram isso por meio da arte da cestaria, das pinturas corporais e da produção de peças de algodão, por exemplo. Habitantes do Maranhão, eles totalizam mais de 20 mil pessoas. E os moradores da Aldeia Quieta vão ampliar suas atividades com recursos do MMA.
    Na aldeia vivem 74 pessoas que sobrevivem da venda de artesanato, do cultivo de roças próprias e da coleta de frutos, além de recursos que recebem como benefícios governamentais (aposentadoria, Bolsa Família). Com o projeto submetido ao MMA, os Guajajara querem, principalmente, fortalecer a posição feminina na aldeia, por meio do estímulo à atividade artesanal.
    Pelo projeto, o meio ambiente também será beneficiado com o plantio de aproximadamente 80 espécies nativas e variedades de algodão, trazendo de volta espécies raras e desaparecidas.
    Vale lembrar que, na Terra Indígena Arariboia, que abrange todas as comunidades Guajajara, o meio ambiente tem sofrido graves problemas, como a exploração ilegal de madeira, queimadas e degradação dos recursos hídricos. E, hoje, as mulheres precisam usar fios da indústria para tecer seus produtos, porque grande parte do algodão nativo não existe mais.

    MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

      Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...