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Reflexão da Darlene Taukane

Amig@s, segue abaixo a resposta que Darlene deu ao artigo de João Pacheco. Aproveitem.
abraços
Ser autêntico ou não ser autêntico, eis a questão!
Quem se habilita a ser o immetro dos povos indigenas? Afinal, merecemos ou não, a medição, a delimitação do selo de garantia da nossa qualidade de ser indígena? Atira a primeira pedra quem se habilta a fazer tudo isso.
Eis a questão.
Ontem mesmo estive participando de uma reunião junto de alguns povos indigenas de MT. E o discurso da maioria dos participantes era de auto afirmação de eram "lideranças de base"  e por isso precisavam ser mais ouvidos do que a minoria de nós, os indios da cidade, com esse discurso enfático e sorrateiro se afirma de que as pessoas indigenas que moram e vivem na cidade, não são pessoas de base e subentende que não são pessoas da aldeia. Entre os povos já existe essa dicussão de liderança de base X liderança do indigena na cidade, infelizmente.
Antes já ouvia muitos dos não indígenas a se referirem aos indigenas esse termo de base, princi palmente se referem até hoje aos jovens que vieram estudar na cidade, quando esses procuram seus direitos de atendimento na aquisição de material escolar e na parte de saude entre outros...
Mas o que me preocupa mais ainda é a reprodução desse conceito dos próprios indígenas em seus discursos conscientes ou aleatórios?
Nessa mesma reunião de ontem que participei, fiz uma ressalva nesse "conceito ou discurso", não sei como qualificá-lo ainda, mas a questão é como eu vejo:
 1-) discurso descabido e sem precedente, indio discrirminando o índio;
2-) discurso discriminatório e invejoso dos que fazem acontecer a luta dos povos indígenas, seja na arte, na literatura, no discurso bem elaborado e bem conduzido aos ouvidos de quem precisa ouvir as nossas vozes, de quem declama uma boa poesia, de quem realiza um bom evento, e assim sucessivamente naquilo que os povos sabem fazer bem feito;
3-) E por último, temos  que refletir, alertar e  conceituar a politicagem do termo de "liderança ou lideranças de base". Como diz, o antropólogo João Pacheco, quando é que somos ou não somos autenticos, em 1500, hoje ou 2154?

Darlene Taukane é indígena Kura-Bakairi, professora e mestre em educação indígena.

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Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

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Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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