Importante fragmento da entrevista concedida por Daniel Munduruku durante o I Festival de Ilustração e Literatura da Bahia. Uma reflexão sobre a nossa sociedade e a importancia de olhar para nosso passado e as pessoas que o fizeram.
Publicado por: Apus Filmes
4 de jul. de 2013
1 de jul. de 2013
TEU CORPO
(Da série "Crônicas do Outro EU"
TEU CORPO
Cada gota de suor que desliza de teu corpo traz o sal que tempera a lascívia do meu.
Cada gota d água que escorre na hora do banho traz em si o desejo que saliva de minha boca e percorre as curvas desajeitadas do corpo que é teu.
Te olho com gula. Te devoro, desvãos. Te cortejo, te desejo, te ponho as mãos. Maculo teu corpo santo com a devassidão de meus pecados. Te penso minha, ilusão.
E aqui e agora onde está teu corpo, fome do meu corpo? E tua alma, ausente que és? Como ser somente o que sou sem ser o que reverberas em mim?
Oh, grande amor, meu mundo é tão só! É tão teu!
29 de jun. de 2013
NÃO VOU LIGAR MAIS PARA
TI
Cansei. Não atenderei mais tuas
chamadas. Cansei de servir de inspiração para os textos que escreves. É
torturante saber que sempre falas de mim com um pouco de amor e uma overdose de
mágoas.
Não atenderei mais tuas ligações. Elas
são sempre vazias de sentido. Também não te ligarei mais. És sempre tão literal
que me cansa ser alvo de textos - curtos ou longos - que falam de um amor que
nunca é ou nunca foi.
Tu me deixas muito confuso, cafuzo.
Falas pelas entrelinhas de mim mesmo ao simples som de minha voz ao atender tua
ligação. Como podes ser tão sedenta de minhas palavras? Como podes me usar
desse jeito?
Não vou mais ligar para ti. Nem uma
única vez irei ligar mais para ti. Tenho que resistir à saudade que me
atormenta e que alimenta tua escrita. Não posso mais ser teu muso inspirador,
pois já fui tanto e tantas vezes! Tenho que me esforçar para não lembrar de ti
com vontade de te ligar, ouvir tua voz macia e teu riso sedutor. Tenho que
deixar de fitar teus grandes e deliciosos olhos que encantam e me adoçam a
boca.
Não. Não posso mais ligar para ti
quando estiver dirigindo. Eu sempre hei de falar coisas que não devo e depois
reclamar do que disse. E ainda terei que te ouvir falando grosserias em meus
ouvidos.
Dessa vez é definitivo: não vou mais
ligar para ti.
28 de jun. de 2013
Escritor juarense Marcelo Manhuari lançou seu livro em evento no Rio de Janeiro.
O escritor indígena juarense, Marcelo Manhuari, lançou no 15° Encontro da Fundação Nacional do Livro Juvenil que aconteceu no Rio de Janeiro, o seu livro “A cidade das águas profundas”. O evento foi acompanhado por vários parceiros do movimento da literatura indígena.
O livro “A cidade das águas profundas” foi publicado pela editora Melhoramentos, que sempre dá oportunidades para novos escritores, e particularmente aos indígenas. Quem tomou conhecimento do material de Marcelo, foi o próprio Daniel Mundurucu que após analisar o conteúdo indicou a editora e se incumbiu de ser o agente literário da obra.
Ao todo são pelo menos três mil exemplares já impressos, que serão distribuídos em todo território nacional, o material inicialmente distribuído pela própria editora e comercializado nas principais livrarias do pais.
No vale do Arinos, com o lançamento do livro de Marcelo Manhuari, surgiu a ideia da criação da Associação de Artistas Escritores Indigenas para facilitar o trabalho de lançamento e divulgação de obras literárias.
Fonte: Acesse Noticias
26 de jun. de 2013
Exposição ¡Mira!, no Centro Cultural UFMG, revela arte contemporânea indígena da América do Sul.
Pinturas, desenhos, cerâmicas, esculturas, vídeos e fotografias estarão expostos durante dois meses em um dos mais antigos edifícios (recém-restaurado) do centro histórico da capital mineira. A proposta do Centro Cultural é trazer ao público as novas estéticas dos povos ameríndios, definida pela produção artística que alia saber tradicional às modernas tecnologias.
“As artes visuais que alguns indígenas estão fazendo, expondo e vendendo entram em nosso mercado, na cidade grande, como objetos e signos de outras realidades”, explica Maria Inês de Almeida, curadora e coordenadora da exposição. “O que distingue suas peças dos objetos e signos tradicionais, frutos da cultura oral, são a tensão e a perturbação, algo que um indivíduo é capaz de expressar quando vê o mundo de longe”, completa a diretora do Centro Cultural.
¡Mira! é resultado de pesquisa realizada por equipe formada por antropólogos, comunicadores e indigenistas, que percorreu milhares de quilômetros em busca da arte indígena latino-americana. Foram levantadas mais de 300 obras de 75 artistas de 30 etnias diferentes. Depois, um conselho curador, composto por especialistas em artes visuais, escolheu mais de 100 obras para a exposição.
Atividades
Na semana de abertura, seminário sobre as artes e culturas indígenas em sua relação com a contemporaneidade será composto de oito mesas de debates, em que artistas da exposição, indígenas convidados, pesquisadores e educadores conversarão sobre diferentes temas. A discussão vai girar principalmente em torno das relações entre as artes indígena e ocidental: ruptura da tradição, continuidade, ou diálogo? Quais as técnicas e as estéticas que os indígenas assimilam? O que índios trazem de inovação para a arte ocidental?
No pátio do Centro Cultural, uma oficina de tururi – tela feita com a fibra da entrecasca de uma árvore – será ministrada por artistas da etnia Ticuna, e haverá também bate-papos informais com artistas integrantes da exposição, que vão demonstrar seus processos de trabalho.
Segundo a organização do evento, através de múltiplas linguagens, a exposição ¡Mira! Promove, em caráter inédito, o intercâmbio entre as novas experiências artísticas desenvolvidas pelos povos indígenas da América do Sul e ainda oferece ao público a oportunidade de conhecer o pensamento e a perspectiva indígena em meio às artes visuais contemporâneas.
O Centro Cultural UFMG fica na Av. Santos Dumont, 174, Centro de Belo Horizonte. Informações: (31) 3409-8290.
(Com assessoria de comunicação da exposição)
Matéria original: https://www.ufmg.br/online/arquivos/028646.shtml
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