18 de ago. de 2011
Estímulo à leitura
Sara Saar
Do Diário do Grande ABC
Estimular a leitura deve ser ação partilhada entre escola e família. "Alguns pais não têm tempo; outros, paciência. Nem sempre leem, ou seja, criam ambiente propício para a leitura", conta Miriam, que cresceu cercada de livros. Segundo a escritora, é preciso ler histórias para as crianças antes de dormir assim como levá-las a bibliotecas e livrarias.
No dia 10, Miriam retorna à feira para lançamentos de outros títulos, agora indicados para crianças de sete e oito anos. Entre eles, estão as obras "A Rainha da Cocada Preta" e "Só Se Você Prometer".
PÚBLICOOntem quase todo o público ainda era formado por professores e alunos da rede municipal de ensino. A expectativa da organização é de que a Felit atraia as famílias durante o fim de semana. "Os pais são exemplos para os filhos. Trazer as crianças à feira significa dar testemunho de que se importam com a leitura", afirma a secretária geral do evento, Elizabeth Serra.
LITERATURA INDÍGENA
Um dos estandes da feira é dedicado à literatura indígena. Organizado pelo Inbrapi (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual), o espaço oferece ao público a oportunidade de conhecer a diversidade das culturas indígenas por meio de vivências que envolvem contações de histórias, danças e cantos.
"De alguns anos para cá, percebo que as crianças já não fazem perguntas como: "Você é índio de verdade?"", afirma o escritor Elias Yaguakãg, autor de livros como "Historinhas Marupiaras". Para ele, a literatura já quebrou paradigmas. "Nos livros, você encontra a essência das culturas", afirma.
1ª Felit (Feira Literária de São Bernardo)
12 de ago. de 2011
Índios botocudos podem ser descendentes diretos dos habitantes de Lagoa Santa, os primeiros de que se tem registro no Brasil
Publicada em 06/08/2011 às 09h39m
RIO - Selvagens, sanguinários e estranhos. Esses adjetivos, comumente aplicados aos botocudos, mostram como a história nunca foi muito generosa com estes índios, cujo nome vem dos discos (botoques) que usam para alongar o formato de lábios e orelhas. Vítimas de um genocídio que, em 300 anos, reduziu sua população a poucas dezenas de pessoas, eles podem ser descendentes diretos dos habitantes de Lagoa Santa (MG), os primeiros que se têm registro no Brasil. A suspeita remonta à dois séculos, mas só agora a ciência consegue juntar evidências do parentesco.
A prova mais recente será detalhada em um artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional, nas bancas a partir da próxima quinta-feira. A pesquisa, do Instituto de Biociências (IB) da USP, comparou a morfologia do crânio de Luzia - o esqueleto mais antigo das Américas, com cerca de 11 mil anos - com o de diversos grupamentos indígenas, como marajoaras, tupis e construtores de sambaquis. Os botocudos têm mais semelhanças com a primeira brasileira.
Índios podem ser herdeiros de Luzia
- São características dificilmente observáveis a olho nu - pondera Danilo Vicensotto, pesquisador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do IB-USP. - Quando transformamos as medidas cranianas em dados, parece mais claro. Se compararmos o busto da Luzia e a foto de um nativo americano atual, é possível perceber transformações no formato dos olhos e nas características faciais, por exemplo. Mas esta distinção no pacote biológico é menor quando Luzia é posta ao lado dos botocudos.
Vicensotto admite que é necessário colher mais provas - leia-se, estudar outros crânios e aguardar avanços na análise genética. Seu levantamento, porém, ao menos mantém acesa a possibilidade de que os índios de lábios largos, se não tão antigos quanto Luzia, ao menos podem ter sido seus herdeiros, até 8 mil anos atrás.
Os discos eram marcas que diferenciavam os botocudos dos tupis. Foto: Biblioteca Nacional Digital
O debate sobre a origem dos botocudos começou no final do século XIX, quando um conjunto de técnicas, usadas para medir o corpo, sugeriram que essas tribos eram descendentes diretos dos homens de Lagoa Santa. Poucas décadas depois, no entanto, as conclusões desse estudo foram rechaçadas. A polêmica só voltou à baila nos últimos 15 anos, após o geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisar o DNA mitocondrial desse grupo. Ao constatar como o material genético dos sobreviventes desta população mudou com os séculos, ele aventou a possibilidade de que existem aspectos biológicos ligando-os aos pioneiros do Novo Mundo.
- Não existe um antagonismo entre a análise do DNA e a morfologia do crânio, que é estudada agora, são trabalhos complementares - julga. - Infelizmente o estado de conservação precário do sítio arqueológico não permite a coleta de DNA dos habitantes de Lagoa Santa. Ainda assim, não podemos descartar a possibilidade de que eles tenham interagido com os botocudos.
Hoje encaradas com curiosidade pela ciência, essas tribos não mereceram sossego dos portugueses desde que estes lançaram-se na exploração do interior brasileiro, entre os séculos XVII e XVIII, em busca de metais preciosos. Os botocudos eram vistos como obstáculo nesse desbravamento. Cartas régias conclamaram guerra a eles e apoiaram abertamente o seu massacre.
Até então concentradas no Brasil Central, entre o norte da Bahia e o sul mineiro, essas populações se viram obrigadas a ampliar seus limites para escapar do trabalho forçado. Tribos correram para Santa Catarina e outras, até então instaladas no Sudeste, foram vistas por padres franciscanos no Maranhão.
- Estas transformações, impostas pela colonização foram muito desfavoráveis aos índios - opina Jeanne Cordeiro, arqueóloga do Laboratório de Arqueologia Brasileira. - Os botocudos tornaram-se vulneráveis e perderam sua herança cultural. Não havia lendas e mitos de origem que os ligassem a esses novos espaços.
Esta falta de identidade reflete-se até hoje nas populações remanescentes, segundo Vicensotto. Nos dois povoados de botocudos ainda conhecidos, que reuniriam menos de 100 índios, os adultos lembram-se de apenas algumas palavras de seu idioma, recorrendo à língua portuguesa para se comunicarem com seus filhos.
Pouca disposição das tribos para negociar com portugueses explica o quase desaparecimento. Foto: Biblioteca Nacional Digital
Botocudos e tupis-guaranis têm idiomas de troncos linguísticos diferentes - e esta incompreensão é um dos motivos por trás da rivalidade histórica entre suas populações. O segundo grupo, no entanto, foi beneficiado por seu comportamento político, que permitiu alianças com o homem branco e um olhar mais benevolente, inclusive na literatura. Em "O guarani", obra que projetou o escritor romântico José Alencar, são os botocudos que atacam o personagem-título, herói do livro.
- Uma série de preconceitos foi atribuída a esta população até o meio do século passado - acusa Jeanne. - Os botocudos foram marginalizados por terem um compromisso com suas tradições e, assim, resistirem à colonização. Negros e brancos, nos últimos séculos, substituíram totalmente o povo nativo no Brasil. Trata-se de um fenômeno que jamais aconteceu, em época ou lugar algum.
Colonizadores e tupis: aliados
Já os tupis, segundo a arqueóloga, aproximaram-se visando à vitória em suas próprias disputas. Em terras fluminenses, por exemplo, as tribos do Rio e Cabo Frio eram rivais. Cada uma, então, aliou-se a um colonizador - a primeira buscou apoio dos portugueses; a outra negociou com os franceses.
Nem mesmo a preguiça, outra característica sempre atribuída aos índios, encontra eco no estilo de vida dos botocudos. Segundo estudos desse grupo, os adultos trabalhavam cerca de 12 horas diárias, em atividades que iam da caça e agricultura à cerâmica. Aos 13 anos, quando passava por um rito em que ganhava o botoque, o jovem assumia a obrigação de tornar-se útil para a tribo, exercendo alguma atividade que contribuísse para a subsistência de todos.
Eram tribos grandes, que chegavam a 600 pessoas, de organização extremamente complexa e mais descentralizada do que os tupis - conta Jeanne. - Infelizmente para os portugueses, os botocudos não contavam com qualquer noção de metalurgia. Ainda assim, foram feitos escravos. O resultado é que, hoje, seus povoados não têm sequer 10% do tamanho de séculos atrás.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com
9 de ago. de 2011
Hoje tem lançamento do livro "Tekoa - Conhecendo uma aldeia indígena" do escritor indígena Olivio Jekupé e do ilustrador Maurício Negro, na Feira Literária de São Bernardo do Campo - FELIT. Aproveitem para conhecer nosso estande na FELIT e demais obras dos autores indígenas. Vamos prestigiar a cultura e arte indígenas. Aguardamos vocês!
3 de ago. de 2011
FELIT terá a escritora potiguar Graça Graúna
Atualmente, Graça é professora adjunta na Universidade de Pernambuco (UPE), onde coordena o Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa (NEC), o Projeto de Capacitação em Literatura e Direitos Humanos (MEC-SECAD) e o Curso de Especialização para Formação de Professores Indígenas no Estado de Pernambuco (SEDUC-PE), junto ao Curso de Letras, Campus de Garanhuns.
Já publicou Canto Mestizo (Ed. Blocos) e Tessituras da Terra (Edições M.E).
Para conhecer mais sobre a autora, visite:
http://ggrauna.blogspot.com/
Já publicou Canto Mestizo (Ed. Blocos) e Tessituras da Terra (Edições M.E).
Para conhecer mais sobre a autora, visite:
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