Em São Gabriel da Cachoeira, índio vota em índio
São Gabriel da Cachoeira, o terceiro maior município do País, no extremo Norte do Estado do Amazonas, tem 109 mil km2 onde vivem espalhadas 700 comunidades indígenas de 23 etnias diferentes. O município mais indígena do Brasil elegeu no primeiro turno um prefeito e um vice índios - Pedro Garcia, do PT, é tariana e seu vice, André Baniwa, do PV, pertence aos baniwa. Eles irão comandar um território onde vivem 45 mil habitantes e terão como desafios: melhorar o sistema de Saúde, dar sentido à Educação e atender à demanda por saneamento. Pedro Garcia é o quarto índio que chega a prefeito no Brasil. Mas esta é a primeira vez que se elegem titular e vice indígenas. Eles derrubaram a crença que "índio não vota em índio" - Valor Econômico, 23/10, Política, p.A10.
Uribe admite que polícia atirou contra marcha de indígenas
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu ontem que a polícia disparou contra a marcha de 10 mil indígenas que partiu na terça-feira da cidade de Piendamó, no Departamento de Cáuca, e pretende chegar a Cali no domingo. Desde o início da marcha, há quatro dias, os choques com a polícia já provocaram a morte de três manifestantes, além de ferimentos em 100 indígenas e em pelo menos 70 policiais. Embora Uribe tenha confirmado os disparos, ele continua negando que a polícia esteja envolvida nas mortes. A marcha indígena ganhou ontem o apoio de uma das principais centrais sindicais do país, a CUT, que decretou greve deixando 10 milhões de estudantes sem aulas e a interrompendo outros serviços por 24 horas em todo o país - OESP, 24/10, Internacional, p.A18.
24 de out. de 2008
Almir Surui ganha prêmio internacional
Recebi a mensagem abaixo que repasso a todos e todas. É uma alegria saber que o parente Suruí ganhou esse importante prêmio internacional. Minhas congratulações ao nobre Almir.
DM
O indígena Almir Narayamoga Surui, de Cacoal da Terra Indígena Sete de Setembro, ganhou o Prêmio de Defensor dos Direitos Humanos.
O prêmio será entregue no Victoria Hall (teatro mais importante de Genebra na Suiça, com um concerto da Orquestra Suiça, que tocará Villa-lobos e Mozart, seguidos do artista brasileiro-suiço José Barrense-Dias que é o responsável para entregar o Prëmio a Almir.
Este prêmio foi dado por sua luta em defesa do meio ambiente e contra o desmatamento na Amazônia, além de sua luta para salvar os indios isolados.
Para Rondônia e Cacoal, é um orgulho ter um filho da terra recebendo um dos prêmios mais importante da Europa, que foi dado a Dalai Lama e agora é dado ao indígena Almir Surui.
Ivaneide Bandeira Cardozo
Associação de Defesa Etnoambiental - Kanindé
Mais uma Universidade Federal aprova política de cotas
Aracaju - SE - A Universidade Federal de Sergipe (UFS), aprovou por
meio do seu Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) o
Programa de Ações Afirmativas (Paaf), que garante a implementação da
política de cotas para negros e indígenas, a partir do Processo
Seletivo Seriado de 2010. Com a de Sergipe chega a 53 o número de
instituições públicas a adotarem ações afirmativas no país.
O Programa garante a reserva de 50% das vagas para
estudantes de
escolas públicas. Desse total, 70% serão destinadas a estudantes
autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Também será reservada
vaga por curso aos portadores de necessidades especiais.
Segundo o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho (foto), a
aprovação do sistema "é mais um reflexo da política de expansão e
inclusão vivida pelas universidades públicas nos últimos anos".
"Acredito que nossas políticas de ações afirmativas – neste caso, as
cotas – é um coroamento para tornar a universidade mais inclusiva.
Começamos com o aumento do número de vagas e, posteriormente, a
ampliação de vagas nos cursos noturnos. Viabilizamos a
interiorização da universidade, através do sistema a distância, e
padronizamos o horário de ofertas dos cursos diurnos. Agora,
aderimos às cotas. Todas essas medidas tornam a universidade mais
receptiva", disse Subrinho.
Programa
O Programa de Ações Afirmativas da
Universidade sergipana tem
duração prevista de dez anos e passará por uma avaliação da
Universidade após a formatura das primeiras turmas nos primeiros
cinco anos, por uma comissão criada com o objetivo de monitorar o
funcionamento, e sugerir ajustes e modificações.
meio do seu Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) o
Programa de Ações Afirmativas (Paaf), que garante a implementação da
política de cotas para negros e indígenas, a partir do Processo
Seletivo Seriado de 2010. Com a de Sergipe chega a 53 o número de
instituições públicas a adotarem ações afirmativas no país.
O Programa garante a reserva de 50% das vagas para
estudantes de
escolas públicas. Desse total, 70% serão destinadas a estudantes
autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Também será reservada
vaga por curso aos portadores de necessidades especiais.
Segundo o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho (foto), a
aprovação do sistema "é mais um reflexo da política de expansão e
inclusão vivida pelas universidades públicas nos últimos anos".
"Acredito que nossas políticas de ações afirmativas – neste caso, as
cotas – é um coroamento para tornar a universidade mais inclusiva.
Começamos com o aumento do número de vagas e, posteriormente, a
ampliação de vagas nos cursos noturnos. Viabilizamos a
interiorização da universidade, através do sistema a distância, e
padronizamos o horário de ofertas dos cursos diurnos. Agora,
aderimos às cotas. Todas essas medidas tornam a universidade mais
receptiva", disse Subrinho.
Programa
O Programa de Ações Afirmativas da
Universidade sergipana tem
duração prevista de dez anos e passará por uma avaliação da
Universidade após a formatura das primeiras turmas nos primeiros
cinco anos, por uma comissão criada com o objetivo de monitorar o
funcionamento, e sugerir ajustes e modificações.
21 de out. de 2008
Ler é somar-se ao mundo
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A leitura tem sido propagandeada como um bom instrumento para nos tornar mais participantes do mundo e das decisões que acabam afetando nossas vidas. É verdade. Também acredito nisso. Mas isso não pode ser dito apenas a respeito da leitura que se faz nos livros. Há outras tantas formas de ler o mundo que devem ser levadas em consideração para não se correr o risco de parecer arrogantes.
Penso por exemplo, na leitura de mundo que fazem os povos tradicionais. Considerados ágrafos durante muito tempo não se pode negar a eles uma sabedoria que vai além da compreensão capitalista da transformação da realidade.
Para a sociedade capitalista a transformação do mundo tem a ver com o domínio da natureza e com o consumo que isso gera. É a política posta em prática quase sempre quando se diz que é preciso interferir no mundo de maneira inclusivista. Políticas de inclusão são, normalmente, desenvolvidas visando tornar o diferente - índio, negro, pobre, deficiente.. - um igual. É tornar o diferente adepto do sistema que sempre o excluiu. É, portanto, uma política de subtração. De negação. A meu ver, claro, isso é péssimo, pois anula as diferenças tão necessárias para o jogo da boa convivência.
Já a leitura que os povos tradicionais fazem da realidade é soma. Eles nunca pensam que devemos dominar a realidade ou transformá-la no sentido de destruí-la ao nosso favor, mas viver com ela os compassos que o Criador desenhou para nossa caminhada.
Ler é somar-se ao mundo. É conhecê-lo. É respeitá-lo. O mundo é uma entidade viva que conta com nossa solidariedade para continuar a nos manter vivos.
No dizer do povo Guarani é preciso assumir uma postura de guardiões do planeta. E para isso precisamos estar atentos para que o céu não caia sobre nossas cabeças. Por isso nossos povos cantam e dançam com a esperança de “manter o céu suspenso”.
15 de out. de 2008
EDUCAR É PARA POUCOS
Minha homenagem ao dia dos confessores de sonhos mais conhecidos como Professores.
Educar é um ato heróico em qualquer cultura.
Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança.
Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro.
Talvez por isso seja algo para poucos.
Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias.
Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:
Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos,
Educadores são Um.
O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo.
Por isso é para poucos, mas não devia ser assim. O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas. O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico. Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar “vender” seus talentos para manterem-se vivos.
Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi “pensada” de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.
É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo. É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã.
Educar é um ato heróico em qualquer cultura.
Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança.
Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro.
Talvez por isso seja algo para poucos.
Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias.
Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:
Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos,
Educadores são Um.
O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo.
Por isso é para poucos, mas não devia ser assim. O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas. O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico. Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar “vender” seus talentos para manterem-se vivos.
Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi “pensada” de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.
É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo. É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã.
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