Prezados/as,
Amanhã estarei no Sesc Santana a partir das 14h30 para bate papo com as crianças do Projeto Curumim.
Conferir no link: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=245926
Na quarta feira farei a conferência de abertura do X Congresso Nacional do Meio Ambiente de Poços de Caldas.
http://meioambientepocos.com.br/portal/
20 de mai. de 2013
19 de mai. de 2013
SOLIDÃO
Solidão é coisa séria. Hoje me sinto só. Há
um vazio que mora em mim como nunca senti antes. Não sei. Acho que sempre fui
um solitário. Me deu vontade de fumar um cigarro só para ver que formato a
fumaça irá criar. Isso é coisa de solitário.
A solidão pode ser um grande remédio.
Normalmente é uma doença. Ela forma uma espécie de condicionamento mental do
qual não se consegue sair com facilidade.
Tenho medo da solidão, como tenho medo do
Deus que tudo vê. Talvez seja pelo fato de que Deus e a solidão sejam a mesma
coisa. Não existe a solidão por si só, nem Deus. Existe, talvez, o estar só,
aquele momento em que não desejamos ver ou ouvir quem quer que seja. Acho que
estou só. Minha mente vagueia por caminhos hostis e me abandona na hora exata
de ver a pessoa amada.
15 de mai. de 2013
Você "falar" minha língua?
Estava eu numa cerimônia política em que se discutiria a implantação de políticas públicas para os indígenas da cidade de São Paulo. Eu havia sido convidado, junto com os parentes guarani da capital, para fazermos parte daquele evento.
Eu coloquei um blazer bem confortável, pois fazia frio. Enfeitei minha cabeça com um belo cocar que havia trazido de minha aldeia dias antes. Aproveitei que os parentes guarani estavam todos pintados com sua marca tradicional e fiz em mim uma pintura característica de meu povo. Assim me apresentei.
A cerimônia correu uma maravilha e todos estávamos relativamente contentes com o desfecho e a hora era de comemoração pela conquista alcançada. E foi aí que aconteceu uma cena muito surreal, coisa que se contarem a gente não acredita. Vou contar, pois a vivi.
Olívio Jekupé, escritor Guarani, e eu nos postamos de pé para observar o movimento que aquela hora estava bastante frenético. No palco do evento algumas atrações se revezavam mostrando a diversidade de manifestações culturais. Eram grupos do movimento negro, de culturas populares, ciganos, entre outros. Ficamos ali meio encolhidos e por conta do frio cruzei meus braços numa pose a lá touro sentado. Fiquei assim imperturbável por alguns minutos até que me dei conta que à minha frente estava postada uma senhora que me observava com cara de quem não estava entendendo nada. Me olhava como se mirasse uma escultura grega de carne e osso.
Quando dei por mim e percebi a situação, fiz uma cara bem sisuda, minha melhor cara de mau e a fitei. Ela levou tamanho susto que deu um passo para trás. Depois foi se achegando até que criou coragem para falar.
- Você fala a minha língua?
Não estranhei a pergunta. Afinal, neste trabalho que desenvolvo há muito anos, aprendi não estranhar nada especialmente quando a pergunta é feita por crianças. Mas neste caso, balancei. E resolvi não responder. Pior que isso: ignorei como se não fosse comigo. Permaneci ali, de pé e com os braços cruzados exercitando minha fama de mau.
A senhora continuava postada à minha frente. Não arredou pé e também não demorou muito para que meus amigos que estavam por perto se aproximassem ainda mais para ver o desenrolar da cena. Alguns já até riam tentando adivinhar o desfecho. De repente, a senhora – que não devia ter mais de um metro e meio de altura e tinha cabelos vermelhos – voltou ao “ataque” falando um pouco mais alto, mais lento e acompanhada de mímica.
- Você fala a minha língua?
Tive que fazer um esforço danado para não soltar uma sonora gargalhada. A cena era muito cômica e os parentes indígenas já não se aguentavam mais. Mesmo Olívio – que sabia o que eu estava pretendendo – não interferiu e deixou rolar. Para variar fiquei imóvel diante da pequena senhora que continuava sem acreditar que estava diante de um “selvagem” que sequer sabia se articular em português.
Mas ela precisava tirar a prova dos nove.
- Você falar [gestos, mímicas, trejeitos bocais] minha língua?
Nessa altura ninguém mais se aguentava. Sequer acreditavam naquilo acontecendo.
Vendo que não conseguia arrancar de mim uma única palavra em português, a nobre senhora apenas virou-se para o Olívio Jekupé e disse:
- Acho que ele não ouve direito.
E foi embora sem esperar nenhuma explicação.
13 de mai. de 2013
UFSCar promove colóquio sobre Literatura Indígena
Segunda edição do Caxiri na Cuia aborda oralidade, escrita e filmografia dos povos brasileiros
publicado em 07/05/2013 18:12 | Da Redação K3
Começa nesta quarta-feira (8) e segue até sábado (11) na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena. O objetivo do encontro é ampliar o debate a respeito da literatura e da cultura indígena na universidade e também entre professores dos ensinos Fundamental e Médio.
UFSCar tem cerca de cem alunos indígenas
Foto: João Moura
Foto: João Moura
Fonte: K3
UFSCAR PROMOVE COLÓQUIO SOBRE LITERATURA INDÍGENA
Segunda edição do Caxiri na Cuia aborda oralidade, escrita e filmografia dos povos brasileiros
publicado em 07/05/2013 18:12 | Da Redação K3
Começa nesta quarta-feira (8) e segue até sábado (11) na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o II Caxiri na Cuia: Colóquios com a Literatura Indígena. O objetivo do encontro é ampliar o debate a respeito da literatura e da cultura indígena na universidade e também entre professores dos ensinos Fundamental e Médio.
UFSCar tem cerca de cem alunos indígenas
Foto: João Moura
Foto: João Moura
Fonte: K3
Assinar:
Postagens (Atom)
MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26
Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...
-
MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos o...
-
Educar é fazer sonhar. Essa forma de falar sobre a Educação Indígena foi sendo construída à medida que fui refletindo sobre minha infância e...
-
(Daniel Munduruku) Hoje vi um beija flor assentado no batente de minha janela. Ele riu para mim com suas asas a mil. Pensei ...