19 de mar. de 2011

Expedição identifica cavernas sagradas dos índios yanomami no Pico da Neblina, no Amazonas


Cecav e IMCBio realizam expedição inédita para cadastrar cavernas,
em um projeto denominado Levantamento Etnoespeleológico

Manaus, 18 de Março de 2011

ELAÍZE FARIAS

    Pico da Neblina, no Amazonas, possui uma diversidade de cavernas desconhecidas da maioria da população
    Pico da Neblina, no Amazonas, possui uma diversidade de cavernas desconhecidas da maioria da população (Divulgação/Acervo Parna Pico da Neblina.)
    Expedição inédita realizada no final do ano passado no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas, identificou cinco cavernas que são consideradas sagradas pelos indígenas da etnia yanomami – além de ser um parque federal, a área é uma terra indígena demarcada.
    As cavernas localizadas na região do Alto Rio Negro, apesar do conhecimento dos indígenas, ainda não haviam sido cadastradas pelo Centro Nacional de Conservação e Pesquisas de Cavernas (Cecav), órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pela expedição.
    Embora tenha sido realizada há três meses, somente nesta semana a expedição foi divulgada pelo ICMBio.
    Com o cadastro das cavernas, espera-se assegurar a preservação da área, conforme explicações de José Carlos Reino, analista do Cecav e coordenador da expedição, em entrevista ao acritica.com.
    O projeto Levantamento Etnoespeleológico também deverá compor o etnozoneamento e o Plano de Manejo da Unidade.
    Diferente de outras áreas semelhantes, as cavernas do Pico da Neblina (localizadas na base) não são espaços meramente físicos. A importância espiritual que os yanomami dão ao local confere um status especial às cavernas.
    Mitos
    Daí o cuidado que o Cecav e o ICMBio estão tendo para divulgar os dados encontrados no local.
    “A gente ainda não colocou as coordenadas geográficas, nem divulga fotografias do que foi encontrado. Por enquanto, a gente está sistematizando os dados para apresentar primeiramente aos indígenas”, disse Reino.
    Algumas informações, contudo, podem ser reveladas. Segundo Reino, as cavernas são de pequenas dimensões e têm um rico ecossistema.
    O conjunto geral é denominado de granitóides (referente à gratito). A expedição, que demanda uma expressiva logística, foi realizada ao longo de 60 quilômetros de extensão.
    Além do cadastro oficial das cavernas, os participantes da expedição querem dar continuidade ao projeto com a construção de uma publicação com relatos das histórias e dos mitos identificados na relação entre os yanomami com as cavernas.
    Sagrado
    Embora toda expedição em uma unidade de conservação federal seja realizada também com vistas ao desenvolvimento de um plano de manejo, é pouco provável que as cavernas do Pico da Neblina possam ser utilizadas para atividades turísticas, segundo Reino.
    “Eles (indígenas) não querem isso. As cavernas são sagradas para eles. O que eles querem é poder reviver a história e os mitos associadas às cavernas para as próximas gerações para que eles não sejam esquecidos”, disse o analista.
    Yanomami
    A primeira fase da expedição contou com uma assembleia geral para pedir autorização dos yanomami. Em seguida, os indígenas participaram ativamente como protagonistas da atividade.
    “Foram os próprios yanomami que levaram a equipe. Mas antes, a gente apresentou o projeto a eles, para ver se concordavam em nos deixar entrar. Eles permitiram e nos acompanharam”, disse Márcia Abrão, analista do Parna Pico da Neblina, cuja sede fica em São Gabriel da Cachoeira, interior do Amazonas.
    Moradores das comunidades Maturacá e Ariabú, no Parque, os indígenas foram os guias da expedição até as cavernas – no início da atividade, o cacique Joaquim Figueiredo também ofereceu proteção espiritual à expedição.
     “Antes de sairmos em busca das cavernas, o cacique disse que deixou um sinal (uma luz) na cabeça de cada um de nós, para que fossemos identificados pelos espíritos. Assim, todas as cavernas do planeta onde haja esses espíritos receberão uma fumaça avisando que os exploradores irão com um sinal de luz na cabeça, para que não haja mal algum a eles”, conta Marcia.
    Rio Negro
    O Cecav planeja realizar outras expedições no Alto Rio Negro, desta vez no região do rio Maiá e Morro dos Seis Lagos.
    Conforme Reino, devido aos cortes no orçamento feito pelo governo federal ainda não está definido se o projeto de prosseguir na expedição ainda este ano.


    Fonte: A crítica UOL

    18 de mar. de 2011

    Celebram Dia da Criança Indígena na Venezuela

     Caracas, 18 mar (Prensa Latina) O Dia da Criança Indígena estará dedicado hoje ao reconhecimento e inclusão dos povos originários nas políticas sociais impulsionadas pelo governo venezuelano.

      Nas diferentes regiões com comunidades ancestrais se realizarão festejos e jogos tradicionais para celebrar esta data, como o arco-e-flecha, corrida de sacos e de velocidade, entre outros.

    Além disso, nas celebrações se poderá degustar comidas e bebidas tradicionais e haverá exibição de danças, representações, entre outras.

    Com diversas atividades, a cada ano, as crianças das etnias, Arawak, Warao, Pumé, Bari, Yekuana, Yanomami, Kariña, Pemón, Panare, Wayúu, Añú, Jibi, entre outras, celebram este importante dia.

    Há 30 anos, a data só se dedicava ao Dia da Criança Wayúu e era celebrada no município Guajira, estado de Zulia.

    A festividade foi crescendo e começou chegar a grandes cidades como Maracaibo, para converter-se em um dia nacional.

    Na Venezuela, antes de 1999, durante a chamada Quarto República, os povos ancestrais estavam esquecidos e foi somente com a chegada de Chávez à presidência, que se implementaram políticas inclusivas em benefício destas populações.

    Em particular, garante-se o acesso de meninos e meninas à educação, à saúde e outros serviços essenciais.

    Dentro dos avanços com relação à reivindicação das comunidades originárias da Venezuela destaca-se a criação do Ministério para os Povos Indígenas.

    Além disso, uma série de normativas como a Lei do Artesão e Artesã, a do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades e a Lei de Idiomas Indígenas.

    A Constituição de 1999 reconhece os direitos inalienáveis dos povos ancestrais, fixa as bases para um desenvolvimento equilibrado das etnias sobreviventes, salvando sua cultura, cosmovisão, medicina e costumes em geral.

    Também contempla o respeito aos lugares que por milhares de anos utilizam para viver e se desenvolver.

    mv/otf/es
    Prensa Latina

    Menchú visita Bolívia para debater direitos de indígenas

    Imagen activa La Paz, 18 mar (PRENSA LATINA) A guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz (1992), iniciou uma visita à Bolívia para analisar os direitos dos povos indígenas em seu país, a nação anfitriã e Equador, confirmou hoje uma fonte da chancelaria.

      O encontro, denominado Intercâmbio Sul-Sul entre Guatemala, Bolívia e Equador", tem por objetivo avaliar avanços em correspondência com convênios internacionais que beneficiam aos originários.

     Nessa cita, que concluirá nessa sexta-feira, os participantes debaterão mais sobre as autonomias indígenas, a livre determinação dos povos e seus direitos sobre os recursos naturais.

    Menchú aproveitou esse foro para reunir-se ontem, quinta-feira, com o chanceler boliviano, David Choquehuanca.

    asg/ga/asc
    Prensa Latina

    17 de mar. de 2011

    Nota de falecimento‏

    Repasso com pesar e luto.
    Peret foi, sem dúvida, um grande companheiro.
    Que os espíritos ancestrais possam acolhê-lo.
    Com tristeza.
    DM


    Segue a nota:
    É com grande pesar que venho informar que na madrugada de hoje faleceu João Américo Peret. Um grande amigo, pai, avó, Um verdadeiro guerreiro que sempre fez muito por todos a sua volta e principalmente quando se falava de cultura indigena.

    Sentiremos muito a sua falta, mas você sempre estará em nossos corações.

    Descanse em paz me querido!

    Patricia Peret



    João Américo Peret
    Indigenista/Escritor/Jornalista

    12 de mar. de 2011

    Teto de escola indígena desaba

     Treze alunos de escola indígena faziam trabalho no momento em que a viga de sustentação do teto ruiu sobre a sala de aula, em Capuan. Eles foram atendidos no hospital de Caucaia e uma adolescente segue em observação.
    Viga ruiu, trazendo abaixo do forro de PVC falhas na madeira (FOTO: RAFAEL CAVALCANTE) 
    Viga ruiu, trazendo abaixo do forro de PVC falhas na madeira (FOTO: RAFAEL CAVALCANTE)
     Treze adolescentes entre 15 e 17 anos da comunidade indígena Tapeba situada no distrito de Capuan, em Caucaia, ficaram feridos com o desabamento do teto de uma das salas de aula da Escola Diferenciada Índios da Terra, ocorrido no início da tarde de ontem. Alunos do 6º ano, eles estavam na classe com outros nove colegas fazendo um trabalho solicitado pela professora quando o acidente ocorreu. 

     Era por volta das 14h40min, e os 20 alunos presentes já estavam próximos de sair para o intervalo quando os escombros vieram abaixo. Entre os atingidos uma garota grávida de dois meses, e a adolescente Jéssica Soares, de 15 anos, que sofreu forte pancada na cabeça, e machucou pernas e dedos. Todos os atingidos foram encaminhados para o Hospital Municipal Abelardo Gadelha, onde receberem os primeiros socorros.


     Seis adolescentes que foram atingidos superficialmente foram liberados poucas horas depois. Outros seis que sofreram pancadas em partes diversas do corpo precisaram ser transferidos para outra unidade de saúde a fim de se submeterem a um raio-x. O aparelho do Hospital Abelardo Gadelha estava quebrado. Já a aluna Jéssica teve que ser submetida a uma pequena cirurgia na mão machucada, e por isso passaria a noite em observação.


     De acordo com Rita de Cássia Cruz do Nascimento, diretora da escola, há tempos o prédio, que foi inaugurado há cinco anos, vem sofrendo com goteiras. Conforme disse, por ser uma edificação alta, não havia possibilidade de ninguém da comunidade subir para fazer os reparos. Porém, ofícios já haviam sido enviados a Secretaria da Educação do Estado (Seduc) solicitando providências, afirmou ela.


     O desabamento ocorreu por conta de uma viga que quebrou e trouxe toda a estrutura abaixo. O forro composto de PVC escondia possíveis falhas na madeira de sustentação das telhas. Pedro Henrique Sampaio, coordenador da 1a Crede (Coordenadoria Regional de Educação), órgão da Seduc, explicou que a escola foi entregue em 2006 e desde então vinha recebendo frequentes manutenções.


     Sampaio afirmou que já no final do ano passado foram investidos R$ 15 mil numa reforma do prédio da escola, incluindo a construção de uma cobertura para o pátio. Ele adiantou que segunda-feira uma equipe de engenheiros da Seduc irá ao local a fim de fazer um completo diagnóstico estrutural do imóvel. Será retirado o forro de todas as salas de aula para avaliar a coberta.

    O quê
    ENTENDA A NOTÍCIA
    A Escola indígena dos Tapebas, em Capuan, conta com quatro salas de aula. Na Unidade de ensino são mantidas classes do Ensino Infantil ao Ensino Médio. A comunidade informou que vem reivindicando à Seduc a construção de outras quatro salas de aula a fim de aumentar a capacidade.

    Rosa Sá



    rosa@opovo.com.br



    MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

      Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...