1 de nov. de 2010

SÃO AS TRAPAÇAS DA SORTE
[Por Daniel Munduruku]

A eleição presidencial confirmou a lógica. Aconteceu como havia de acontecer mesmo com o segundo turno trazendo à tona baixarias e outros lagartos. O Brasil continua na direção estabelecida nos últimos oito anos. O que há de ser, não se sabe. Sabemos o que já está à mostra e que pode ser bom para uns e ruim para outros. São as trapaças da sorte, diria o poeta.
Essas “trapaças da sorte” são privilégios que alguns setores acabam recebendo em detrimento de outros. Tudo dependendo, é claro do ponto de vista. Vale lembrar que “o ponto de vista é apenas a vista de um ponto”. Cito algumas delas:
Trapaças da sorte são políticas que privilegiam o desenvolvimento do país a qualquer preço ao custo da destruição do meio ambiente e das pessoas e comunidades que dele dependem para sua sobrevivência.
São as políticas de inclusão social que doam dinheiro às pessoas e não as educam para a autonomia cidadã, tais como as diferentes bolsas distribuídas às famílias.
São as políticas culturais que dão significativas importâncias às manifestações populares e lhes oferecem empoderamento capaz de elevá-las a status de arte.
São as políticas de cotas que privilegiam jovens negros e indígenas, mas que deixam parte da população empobrecida fora das universidades. Estes jovens privilegiados precisam ser cobrados pela oportunidade que lhes é oferecida para que não pensem que são melhores que os outros.
São as políticas de educação que oferecem qualidade duvidosa aos estudantes criando a impressão de que nunca sairemos da categoria de terceiro mundo, alienados e inglórios.
São as políticas de formação para o trabalho que gera trabalhadores em série, mas formam poucos para exercerem função política transformadora.
São os programas sociais que não oferecem o mínimo de qualidade de vida para a maioria da população que ainda vive sem saneamento básico ou água tratada.
São os sistemas de saúde que continuam ignorando as necessidades da população atuando apenas como agente de combate à doença e não como promotores da saúde das pessoas.
Haveria outras tantas a serem citadas. Elas estão presentes em todos os níveis de poder. Não falamos da corrupção dos poderes e da reforma política necessária e urgente; do atendimento às crianças e jovens. Nada dissemos sobre o descompromisso com as pessoas idosas ou com deficiências. Não tocamos no desenvolvimento sustentável contra a política de expansão predatória. Apenas lembramos que não se pode abusar das “trapaças da sorte”.
É certo que a nova presidenta terá à sua frente o desafio de tornar o país transparente e voltado para sua população criando políticas em que as pessoas não sejam vítimas destas trapaças que a sorte oferece. Seria bom que nossa população recebesse a sorte de ser educada nos princípios da ética do empoderamento: cada ser humano agindo conforme sua consciência e não movido por interesses na manutenção de um status conseguido graças as “trapaças da sorte”.
Pense nisso.

III SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS DE HISTÓRIA E CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS E INDÍGENAS (Campina Grande/PB 16 a 19/11)

Comentário DM:
Segue um interessante evento que tratará a questão indígena no contexto da lei 11.465. Embora não trate diretamente da lei, o conteúdo parecer ser útil para os que trabalham questões ligadas a esta temática.
A lamentar somente a falta de intelectuais indígenas nas mesas de exposições. Também não há, aqui, nenhuma ementa sobre o evento. Outras informações no site abaixo:
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Programação


16 DE NOVEMBRO DE 2010 (TERÇA-FEIRA)
Endereço: Rua Antônio Guedes de Andrade 190
Catolé – Campina Grande (CEDUC I)
08:30 às 11:30 – Credenciamento
Grupo de Capoeira com Aldo Morcego
Exposição: África Inspiração
Pintor: Leonardo Pontes
Exposição Fotográfica
Profa. Dra. Lúcia de Fátima Júlio (disponível durante todo o evento)
Exposição de Arte em Isopor
Tiago Herculano da Silva (disponível durante todo o evento)
14:00 às 18:00 - Oficinas
18:30 às 19:00 - Solenidade de abertura 
Apresentação da Banda Filarmônica
19:30 - Conferência de abertura: Lei federal 10.639/03: os desafios da promoção de igualdade racial na educação.
Conferencista: Prof. Dr. Paulino de Jesus Fragoso (UDESC)
Coordenadora: Profa. Dranda. Margareth Maria de Melo (UEPB/UERJ)

17 DE NOVEMBRO DE 2010 (QUARTA-FEIRA)
08:00 às 08:30 - Grupo África Brasil (coordenação: Lucia de Fátima Júlio)
08:30 às 10:00 - Palestra: A educação para inter-relação étnico religiosa: em busca da tolerância e da paz
Palestrante: Dom José Maria Pires
Coordenador: Prof. Dr. José Benjamin Pereira Filho (UEPB)
10:30 às12:00 - Mesa-redonda: Diálogo entre culturas: perspectivas para pensar a educação afro-brasileira e indígena
Profa. Dra. Rita Gomes do Nascimento (CNE/CEBE/CNPC)
Profa. Dra. Mirian de Albquerque Aquino (UFPB)
Prof. Dr. Elio Chaves Flores (UFPB)
Profa. Doutoranda. Ivonildes da Silva Fonseca (UEPB)
Prof. Msc. José Pereira Júnior (UEPB/UFCG) (mediador)
14:00 às 16:00 - Espaços de diálogo
16:15 às 18:15 - Minicursos
18:30 - Apresentação Voz e Violão com Juliana Soares
18:30 às 20:30 – Minicursos Noturnos
19:30 - Mesa-redonda: O ensino da história e cultura africana e afro-brasileira na escola: modos e formas de inclusão
Profa. Dra. Rosilda Alves Bezerra (UEPB) (mediadora)
Prof. Dr. Paulo Vinicius Batista da Silva (UFPR/ANPED)
Prof. Dr. Jocélio Teles dos Santos (UFBA/CEAO)
Prof. Dr. Luiz Tomás Domingos (UFPB)
Prof. Dr. Waldeci Ferreira Chagas (UEPB)

18 DE NOVEMBRO DE 2010 (QUINTA-FEIRA)
08:00 às 08:30 - Apresentação do Grupo Maracagrande
08:30 às 10:00 - Painel: A diversidade cultural na escola: o lugar dos afro-brasileiros e indígenas
Profa. Msc. Maria Gudmar dos Santos (Fórum da Diversidade Etnicorracial)
Sra. Eliane Bento da Silva (Comunidade do Matias) Caboclinho
Profa. Msc. Maria do Socorro Pimentel (MNU-PB)
Profa. Dra. Lúcia de Fátima Júlio (Secretaria de Educação de Alagoa Grande)
Profa. Maria Luiza Inácio Pereira (MNU-PB)
Prof. Msndo Euclides Ferreira da Costa (Centro de Cultura Zumbi dos Palmares/UFPE)
Profa. Dranda Margareth Maria de Melo (UEPB/UERJ) (mediadora)
10:30 às 12:00 Mesa-Redonda: Experiências quilombolas, indígenas e de terreiro: educação, religiosidade e políticas públicas
Sra. Mãe Renilda Yá Doné de Oxossi (Ilé Tata do Axé/FICAMB)
Profa. Dra. Elizabeth Christina de Andrade Lima (UFCG)
Prof. Dr. José Antonio Novaes da Silva (UFPB)
Profa. Dra. Maria Lindaci Gomes de Souza (UEPB) (mediadora)
14:00 às 16:00 - Espaços de diálogo
16:15 às 18:15 - Minicursos
18:30 – Voz e violão com Ari Rodrigues e Edvânia Aguiar
18:30 às 20:30 – Mini cursos Noturnos
19:30 Mesa-Redonda: A lei 10.639 e a história e cultura afro-brasileira e africana na educação
Profa. Dra. Vanda Lúcia Praxedes (UFMG)
Profa. Dra. Dayse Cabral Moura (UFPE)
Prof. Dr. Amauri Mendes Pereira (UEZO)
Prof. Dr. Luciano Mendonça (UFCG)
Prof. Dr. Jomar Ricardo da Silva (UEPB) (mediador)
19 DE NOVEMBRO DE 2010 (SEXTA-FEIRA)
08:00 às 08:30 - Cerimônia do Toré com as Comadres da Aldéia
Lagoa do Mato
08:30 às 10:00 Palestra: Povos indígenas: o direito ao reconhecimento as diferenças.
Palestrante: Prof. Dr. Edson Hely Silva (UFPE)
Coordenador: Prof. Dr. Josemir Camilo de Melo (UEPB)
10:30 às 12:00 - Mesa-redonda: Educação escolar indígena: dilemas e perspectivas
Profa. Dra. Mercia Rejane Rangel Batista (UFCG)
Profa. Dranda Hellen Cristina Picanço Simas (FEPEAM/UFPB)
Prof. Dr. Renato Monteiro Athias (UFPE)
Profa. Dra. Maria Luiza Fernandes (UFCG)
Profa. Dra. Juciene Ricarte Apolinário (UFCG) (mediadora)
14:00 às 16:00 Espaços de diálogo
16:15 às 18:15 Minicursos
18:30 às 20:30 - Minicursos Noturnos
18:30 - Grupo de Teatro e capoeira Virgínia Passos
* Maiores informações:
contato@neabiuepb.com.br

29 de out. de 2010

Cinep lança livro “Olhares Indígenas Contemporâneos” com temas sobre educação, lingüística, mobilização, resistência e direitos indígenas

Comentário DM:
O livro indicado abaixo tem um valor simbólico muito importante porque apresenta visão qualificada sobre os temas que se propõe discutir. Nele as pessoas interessados na temática da educação indígena [especialmente a educação superior indígena]. É uma aquisição valiosa. Tem meu aval.
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Caros parentes,

pedimos seu apoio na divulgação do livro "Olhares Indígenas Contemporâneos".
Esta é uma publicação do Cinep que integra uma iniciativa conjunta com a
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), na qual está incluída a
criação de um site e de uma revista semestral voltados prioritariamente ao
tema do ensino superior indígena. O livro "Olhares Indígenas Contemporâneos"
mostra o resultado do trabalho acadêmico de cinco pesquisadores indígenas
que cursaram pós-graduação (dois no doutorado e três no mestrado), além de
mostrar os resultados de uma pesquisa sobre o perfil dos estudantes
indígenas universitários do Brasil.

O apoio de vcs divulgando tanto junto ao movimento indígena, quanto nas
páginas e listas de contatos das intituições indígenas vem fortalecer esta
iniciativa, valorizando o pensamento indígena e motivando, cada vez mais, o
ingresso de indígenas no ensino superior.

Segue, em anexo, um resumo sobre o livro que pode ser enviado a todos seus
contatos.

Também quem tiver interesse em apoiar adquirindo um exemplar entre em
contato com a Jô Oliveira pelo email jo@cinep.org.br ou pelo telefone (61)
3225.4349.

Esperamos contar com a sua colaboração!

Obrigada,

Equipe Cinep


Cinep lança livro “Olhares Indígenas Contemporâneos” com temas sobre
educação, lingüística, mobilização, resistência e direitos indígenas*

* *

O Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) lança o livro *Olhares
Indígenas Contemporâneos*, uma coletânea que reúne seis artigos de autores
indígenas produzidos a partir de teses de doutorado e dissertações de
mestrado, defendidas entre 2008 e 2010, e de uma pesquisa sobre o perfil dos
estudantes universitários indígenas no Brasil.

Rita Gomes do Nascimento, da etnia Potiguara, abre o volume com o artigo
“Performances e experiências de etnicidade: práticas pedagógicas Tapeba”, em
que discorre sobre as razões da proeminência dos professores indígenas como
mediadores políticos e representantes das comunidades indígenas junto à
sociedade envolvente.

Edilson Martins Melgueira, da etnia Baniwa, investiga os classificadores
nominais da língua baníwa, do rio Içana, buscando discutir conjuntamente
léxico, morfossintaxe e contexto discursivo, bem como refletir a maneira
Aruák Baníwa de ver, sentir e organizar os elementos que constituem seu
universo.

Florêncio Almeida Vaz Filho, do povo Maytapu, faz uma etnografia dos
processos de mobilização étnica envolvendo cerca de 40 comunidades na região
do baixo rio Tapajós, na Amazônia, que passaram a se identificar
publicamente como indígenas no final da década de 1990.

Vilmar Martins Moura Guarany, indígena Guarani, realiza uma análise sobre a
relação das áreas de meio ambiente e de direitos indígenas. Para isso, faz
uma descrição dos principais instrumentos e acordos internacionais
relacionados à definição do conceito de “desenvolvimento sustentável”.

Rosani de Fátima Fernandes, da etnia Kaingang, trata dos processos de
resistência e luta pela sobrevivência dos Gavião Kyikatejê, desde sua
transferência do atual estado do Maranhão até a constituição da reserva Mãe
Maria, no Pará, abordando a recuperação da sua autonomia, em 2000, em
relação aos Parkatejê.

O artigo final, assinado pelo Cinep, apresenta o perfil do estudante
indígena na universidade, montado a partir de uma pesquisa realizada pela
instituição com 481 acadêmicos indígenas, dentro de um universo estimado
hoje de 6.000 estudantes indígenas matriculados no ensino superior em todo o
Brasil.

Mesmo com uma presença crescente de indígenas no ensino superior, as teses e
dissertações produzidas por estes estudantes não têm recebido apoio para
divulgação e publicação. Muitas são as razões para este anonimato, uma das
quais é a forte concorrência das produções não indígenas sobre a temática
indígena, imperando no imaginário brasileiro a visão de que são os
estudiosos brancos que possuem os conhecimentos e as verdades sobre os povos
indígenas.

É com o propósito de dar um primeiro passo para mudar este cenário, que o
Cinep lança a coletânea *Olhares Indígenas Contemporâneos* que constitui o
primeiro volume da *Série Saberes Indígenas, *na qual pretende oferecer aos
estudantes, pesquisadores e profissionais indígenas um canal de divulgação
dos resultados de seus estudos e pesquisas, além de propiciar uma
oportunidade aos estudiosos e à opinião pública brasileira de conhecer um
pouco mais do mundo e da realidade indígena a partir do olhar e do
pensamento dos indígenas.

*O Cinep*

Fundado em 2005, o Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) é uma
associação civil, sem fins lucrativos, com sede em Brasília – DF. A entidade
foi criada para promover, apoiar e executar atividades de formação e
qualificação direcionadas a profissionais, lideranças e universitários
indígenas das diferentes regiões do país com o objetivo de qualificar e
orientar a formação política e acadêmica para a luta dos povos indígenas do
Brasil. Também faz parte do Cinep o Observatório de Direitos Indígenas
(Odin), que possui suas atividades coordenadas por um advogado indígena.

* *

*Serviço:*

Cada exemplar do livro *Olhares Indígenas Contemporâneos* custa R$30,00 à
venda na sede do Cinep, em Brasília: SRTVS – Centro Empresarial Assis
Chateaubriand – Quadra 701 – Conjunto 01 – Bloco 01 – nº38 – Sobreloja –
Salas 25/26.

Pedidos podem ser feitos pelo email jo@cinep.org.br ou pelo telefone (61)
3225.4349, tratar com Jô Oliveira

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...