20 de abr. de 2010

Usina Belo Monte: Alternativas energéticas para um Brasil sustentável.

Com a vitória do consórcio liderado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e a Queiroz Galvão, chega ao final uma novela que começou no período da ditadura, mas especificamente em 1975. A construção da usina Belo Monte, no rio Xingu, no estado do Pará, é motivo de discordância entre ambientalistas, índios, comunidades ribeirinhas e o governo e as principais indústrias do setor elétrico. Enquanto uns argumentam que a hidrelétrica - considerada a terceira maior do mundo - vai tirar o Brasil do sufoco, evitando apagões como o de 2001, outros acreditam que os benefícios trazidos por esse empreendimento será muito menor do que os impactos socioambientais de se embarreirar um dos maiores afluentes do rio Amazonas. Belo Monte é realmente necessária? Ou há alternativas sustentáveis, que causem menor impacto?
Até mesmo o leilão que decidiu qual consórcio iria construir a hidrelétrica foi realizado depois de muita briga. Só na semana passada, o Tribunal Federal do Pará cassou a autorização e, logo depois, o Ministério Público recorreu da decisão e validou o leilão. No início deste mês, o consórcio formado pelas gigantes da construção civil, Odebrecht e Camargo Correa desistiu de participar da disputa. De acordo com as empresas, um estudo rigoroso das condições do edital e as respostas que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou sobre as questões feitas pelos técnicos das duas construtoras foram a razão da desistência.
De acordo com a Eletronorte, Belo Monte, com valo estimado em R$ 19 bilhões, seria "um excelente investimento" se for associada ao Sistema Elétrico Brasileiro, com capacidade de gerar 11.233 megawatts, com um reservatório de 516 km² e ainda contaria com uma segunda casa de força. Ela serviria para melhorar o aproveitamento da vazão do rio e, segundo a estatal, reduzir os impactos ambientais, porque precisa de menor volume de água para ser movimentada além de produzir mais 27,5 megawatts por km². Como identificado nos estudos da empresa, esse seria um dos melhores aproveitamentos do mundo, se considerado, por exemplo, com a usina de Tucuruí (2,8 megawatts) ou Itaipu (8,6 megawatts). A Eletronorte ainda prevê outros seis barramentos só no rio Xingu.
"Espero que grande parte desta energia seja consumida no próprio Pará, mas isso ainda é um sonho. No cenário atual, ela será incluída dentro do Sistema Elétrico Brasileiro, e acho que a tendência natural será utilizar a energia não usada no Pará para suprir o Nordeste, para suprir todo o país", afirmava José Muniz Lopes, presidente da Eletronorte, em 2002.
Contra a corrente
Assim que Belo Monte começou a ser pensada, em meado da década de 1970, ambientalistas de todo o mundo, além de índios e comunidades ribeirinhas se mobilizaram para impedir que a hidrelétrica fosse construída.  Em 1986, o Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010 é concluído. Nele, é proposta a construção de 165 usinas hidrelétricas até 2010, 40 delas só na Amazônia Legal (área que engloba nove estados brasileiros com floresta amazônica), com o aumento de potência nacional de 43 mil megawatts para 160 mil. O texto desta que "pela sua dimensão, o aproveitamento do Rio Xingu se constituirá, possivelmente, no maior projeto nacional no final deste século e começo do próximo".
No início de 1989, como resposta a este documento, é realizado o 1º Encontro dos Povos Indígenas, em Altamira, no Pará. O objetivo era protestar contra as decisões tomadas na Amazônia sem a participação dos índios, além de um manifesto contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu. O encontro acabou ganhando uma imprevista notoriedade com a participação de 650 índios de diversas partes do país, políticos, cerca de 300 ambientalistas e 150 jornalistas.
Apesar de toda estrutura, o que mais chamou atenção foi o gesto da índia Tuíra que se levantou da platéia e encostou a lâmina de seu facão no rosto do então diretor da Eletronorte, José Muniz Lopes. A cena foi reproduzida em vários jornais de todo o mundo e se tonou histórica. O evento foi encerrado sem uma decisão final sobre a usina, mas com o lançamento da Campanha Nacional em Defesa dos Povos e da Floresta Amazônica, que exigia a revisão dos projetos de desenvolvimento da região.
Impactos socioambientais
"O projeto não pode ser aprovado de forma emergencial antes de um estudo independente amplamente divulgado que contenha informação precisa quanto à potência total gerada, ao número real de atingidos, à necessidade de complementação do projeto com um complexo de hidrelétricas no Rio Xingu, e ao posicionamento dos povos indígenas, que devem ter respeitado o seu direito de veto." Assim o documento formulado pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, durante a avaliação dos 10 anos da Rio 92, em maio de 2002, pediu  a revogação da condição estratégica da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e elaborou a plataforma mínima para o setor energético brasileiro.
De acordo com levantamentos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),  Belo Monte vai afetar direta e indiretamente milhares de pessoas. Desde as comunidades isoladas que precisam do rio Xingu para se locomoverem, índios que terão que ser removidos das áreas que ficarão debaixo d’água até o ecossistema da região.
Para a professora de geografia da PUC-Rio e especialista em hidrologia e climatologia, Adriana Silgueira, a remoção de centenas de famílias das áreas alagadas rompe as raízes com o ambiente em que elas viviam e com a forma de se relacionar. Adriana também cita a criação do Movimento dos Atingidos por Barragens, que reúne as populações que não foram realocadas pelo governo depois de perderem suas terras e seu meio de sustento.
"As pessoas criam raízes com o meio ambiente e tem uma forma de se relacionar com esse meio. Elas vivem da terra e, com a construção da barragem, essas relações são rompidas".
No caso da reservas indígenas, Adriana considera a remoção ainda mais grave, pois os diferentes povos têm relações de afetividade e fé com o lugar que habitam.
"As reservas indígenas dão a entender que são grandes jaulas, mas isso é um mal necessário, é um espaço onde eles podem reproduzir suas culturas. Se eles tiverem que sair, seus ritos, que estão ligados aquele ponto especial, tudo terá que ser abandonado", afirmou.
Apesar de todos esses impactos, Adriana reconhece que a construção de Belo Monte vai dar ao Brasil um potencial energético ainda maior, mesmo considerando essa capacidade subutilizada.
"Tem muito impacto, mas gera muito energia. Tudo depende do objetivo que essa energia vai ser usada. Não podemos nos espelha em Tucuruí, que foi um desastre".
O Ministério do Meio Ambiente liberou, em fevereiro deste ano, a licença ambiental para a construção da usina, porém, as questões centrais para avaliar a obra não foram totalmente esclarecidas. O parecer dos técnicos do Ibama, feito no final de novembro de 2009, indica que os estudos não conseguem prever os impactos na vida dos peixes em um trecho de mais de 100 km de rio e, consequentemente, não indica o que pode acontecer com as pessoas que dependem desse alimento, como as comunidades indígenas ribeirinhas.
A professora Adriana Silgueira acredita que os impactos ambientais desse projeto começam no alagamento da floresta. Ela explica que as árvores, por estarem debaixo da água, vão começar a se decompor e, com isso, liberar gases tóxicos, como o metano - um dos principais agravadores do efeito estufa -, e isso contaminaria a água do rio, ameaçando o ecossistema marinho. Outro ônus ambiental observado pela professora é a alteração da vida dos seres vivos do local onde a barragem será construída. De acordo com Adriana, os animais estão adaptados a um tipo de vazão e muitas hidrelétricas acabam transferindo esse processo para outra parte do rio.
"As árvores estariam ameaçadas de extinção, elas não têm a capacidade de adaptação tão rápida como o necessário nesses casos. Muitas vezes é feita a remoção dos animais, mas pensando no ponto de vista de sobrevivência, há risco", afirma.
O assoreamento do rio também é apontado por Adriana como um dos pontos mais graves. De acordo com a especialista, quando o rio não tem barragem, a carga de sedimentos flui com as chuvas, mas quando um desvio é construído, esses segmentos se acumulam no fundo da represa.
O artigo 231 da Constituição Federal de 1988 prevê que o aproveitamento de recursos hídricos em terras indígenas só pode ser feito com a autorização do Congresso Nacional e depois das comunidades afetadas serem ouvidas. Levando em consideração a briga entre os índios e a Eletronorte, essa lei não vem sendo cumprida. A importância desse artigo só foi reconhecida pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2002, ministro Marco Aurélio Mello, que negou o pedido da União para cassar a liminar que suspendia o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), feito pela Eletrobras. Na prática, só uma lei ordinária poderia tirar a posse dessas terras das mãos dos indígenas.
Porém, por causa do apagão de 2001, o governo de Fernando Henrique Cardoso editou a Medida Provisória 2.152-2, conhecida como MP do Apagão, que, entre outras ações, determina que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleça um licenciamento simplificado de empreendimentos do setor elétrico, classificados como de "baixo impacto ambiental". Nesta época também é criado o Relatório Ambiental Simplificado, que se aplica às obras que não precisarão do EIA.
Alternativas
Para o professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Bernardo Vainer, a construção de Belo Monte é desnecessária, pois os impactos causados pelas obras, se comparados com a geração de energia da usina, é infinitamente maior. De acordo com Vainer, este empreendimento responde aos interesses de determinados grupos financeiros e não beneficiaria toda a sociedade. Uma prova da tese do professor é o estudo da ONG International Rivers Network, que comprovou que as empresa de alumínio utilizam 8% de toda energia elétrica do país e cerca de 2% no mundo. Aproximadamente 50% da energia elétrica no Brasil é consumida por indústrias, sendo que 30% se restringe a seis setores: cimento, aço, alumínio, ferro-ligas, petroquímica e papel e celulose.
"A experiência internacional e brasileira mostra que o projeto custa quatro vezes mais que o previsto e isso mobiliza interesses muito poderosos, como os das grandes empreiteiras e empresas do setor elétrico. Tudo isso é protegido pelo Estado brasileiro, que oferece financiamentos, através do BNDES, a juros baixos, ou seja, uma enorme mobilização de recursos públicos para um interesse privado", afirmou.
Assim com a professora Adriana Silgueira, Vainer também acredita que, com o barramento do rio Xingu, a biodiversidade que só existe naquele local fica muito comprometida. De acordo com o pesquisador, nós transformamos rios em fontes de energia que não será consumida no Brasil, mas exportada para países como o Japão em forma de alumínio. E, um dos erros que Vainer considera como "lamentável" é acabar com esses recursos sem que a população opine sobre o tema.
"O rio é fundamental, tem uma biodiversidade inigualável. Só no Xingu há uma biodiversidade quatro vezes maior do que a de todas as bacias da Europa juntas e a construção dessa barragem é uma declaração de morte dessas espécies do local".
Há diversas alternativas para a construção de Belo Monte e não precisa ser um país rico para utilizar energia 100% limpa. Na Argentina, por exemplo, 10% da energia produzida vem da força dos ventos. No caso do Brasil, de acordo com Carlos Bernardo Vainer, falta investimento nesta área, que não gerariam grandes negócios na área da construção civil, mas diminuiria os impactos ambientais do Sistema Elétrico Brasileiro. Além disso, Vainer propõe uma mudança mais profunda na sociedade, atingindo o modelo de produção brasileiro que, enquanto as grandes potências produzem materiais sofisticados, ainda está exportando matérias-primas aparentemente sem muito valor.
"O modelo econômico tem que ser revisto, pois exportar produtos eletrointensivos em pleno século XXI é o mesmo que exportar café no século XIX . Os outros países estão em uma área de fronteira do conhecimento, exporta energia é exporta floresta", disse.
O pesquisador ainda toca em um ponto que causa discordância. Para ele, não é necessário construir nenhuma hidrelétrica se for, por exemplo, aproveitada a iluminação do sol.  O professor aponta que a adoção de energia totalmente limpa seria mais eficiente do que a construção de usinas e consequente assoreamento dos rios. Vainer acredita que a opção para a destruição da Amazônia é a escolha de que tipo de sociedade queremos ser: desejamos acabar com as florestas e rios ou queremos a preservação da nossa natureza?
"É uma chantagem permanente que se faz na sociedade. Cerca de 30% da energia vai para o sistema produtor e as pessoas ficam sem eletricidade. É para os grandes grupos que estamos entregando a nossa energia. Temos que nos perguntar sobre a divisão das riquezas na sociedade, porque isso se demonstra na divisão da energia. É possível se fazer uma reforma agrária de energia".
Além disso, Vainer aponta o desperdício nas linhas de transmissão e a privatização das empresas de energia, no governo Fernando Henrique Cardoso, como um dos maiores problemas do setor. Estima-se que no Brasil o desperdício nas linhas de transmissão - 15% ou 54 milhões de MW/h - seja quatro vezes maior do que na Europa. Porém, para que esse gasto fosse evitado, seria necessário melhorar o isolamento nas linhas e substituir equipamentos defeituosos, como os transformadores.
"Foi uma tragédia entregar um bem do povo ao setor privado. Eles só querem lucro e com a ausência do Estado, não há um controle social do serviço. Uma parcela importante dos nossos rios estão nas mãos dessas empresas".
De acordo com as conclusões do seminário internacional Fontes Alternativas de Energia e Eficiência Energética - Opção para uma Política Energética Sustentável no Brasil, organizado em junho de 2002 pela Fundação Heinrich Böll e a ONG Coalização Rios Vivos, apesar de projetos de lei em tramitação e dos recentemente aprovados - como o que cria o Programa Prioritário de Desenvolvimento da Energia Eólica no Nordeste e o que institui o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica -, ainda falta um marco regulatório que oriente o setor. Isso porque constantes mudanças e anúncio de normas e medidas provisórias criam um clima de incerteza para os investidores e têm inibido a ampliação de negócios em fontes alternativas de energia no Brasil.
A visão do ex-presidente da Eletrobras José Muniz Lopes comprova a tese de que o Brasil não quer descobrir novas formas de produzi energia, mas dar mais forças para as usinas hidrelétricas.
"Todo ano são mais 3 milhões de pessoas incorporadas à população em condições de trabalhar, e vamos atender a esse crescimento como? Com células fotovoltáicas, com biomassa, com energia solar? Por que os mais desenvolvidos não fazem isso? Porque não tem escala para isso. O grande diferencial do Brasil é o potencial hidrelétrico. Mas, se essas opções não saírem, vamos ter que ir para energia nuclear ou gás combustível, mas gás de onde? Os Estados Unidos têm gás, carvão, dominam o petróleo do mundo, e o Brasil domina o quê? Em Joanesburgo, durante a Rio + 10, nenhum país desenvolvido quis assumir isso. Por que nós vamos querer? Não estou defendendo a posição dos Estados Unidos. Mas estou dizendo o seguinte: será que eles estão errados e nós estamos certos ou nós estamos errados? Não sei. É para ser avaliado."

A questão indígena: Caminhos e Desafios

Data:  23 de abril a 29 de maio de 2010
Horário:  das 19h às 22h
Carga Horária: 36 horas
Preço:
Não disponível
Local: Anfiteatro da Defensoria Pública da União
Endereço: Rua Fernando de Albuquerque, 155
Cidade: São Paulo (capital) - SP
Objetivo:

O curso espera fornecer ferramentas que permitam a implementação da lei 11.435/2008, que tornou obrigatório o estudo dos povos indígenas no currículo oficial das escolas de ensino fundamental e médio das redes públicas e privadas, além de já levar ao aluno conhecimentos sobre as várias culturas indígenas para poder defender seus direitos.
Público Alvo:
Professores de ensino fundamental e médio, membros da Defensoria do Estado e da União, lideranças indígenas, estudantes etc.
Programa:
23/04 (sexta-feira) – Abertura oficial
Tema: Desafios da questão indígena na escola
Palestrantes: Benedito Prezia e Edson Kaiapó
24/04 (sábado)
Tema: Conhecendo as várias culturas indígenas
Palestrantes: Niminon Suzel Pinheiro e Marcos Tupã
07/05 (sexta-feira)
Tema: Os povos do cerrado – Xavante Bororo
Palestrantes: Renate Vietler e Jurandir Siridiwê Xavante
08/05 (sábado)
Tema: Os indígenas do Nordeste e os povos resistentes
Palestrantes: Renato Pankararé e Dora Pankararu
14/05 (sexta)
Tema: Utopias indígenas
Palestrantes: Marilia Ghizzi Godoy e Rose Kariri
15/05 (sábado)
Tema: A contribuição indígena para a cultura brasileira
Palestrantes:  Benedito Prezia, Daniel Munduruku e Edson Kaiapó
21/05 (sexta-feira)
Tema: Questão indígena: uma questão política
Palestrantes:  Gerá, Lucia Helena Rangel e Rejane Pankarau.
22/05 (sábado)
Tema: Questão indígena em São Paulo e o acesso à justiça
Palestrantes: Emerson Guarani, Pedro Macena, Magna Kambé e representantes da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e Defensoria Pública da União.
29/05 (sábado)
Encontro dos Defensores Públicos com as lideranças indígenas no CECI Jaraguá, Centro de Educação e Cultura Indígena localizado na aldeia guarani Aldeia Tekoa Pyau, no Jaraguá, zona Norte da cidade de São Paulo.
Palestrante(s):
Benedito Prezia, Edson Kaiapó, Niminon Suzel Pinheiro, Marcos Tupã, Renate Vietler, Jurandir Siridiwê Xavante, Renato Pankararé, Dora Pankararu, Marilia Ghizzi Godoy, Rose Kariri, Daniel Munduruku, Edson Kaiapó, Gerá, Lucia Helena Rangel, Rejane Pankarau, Emerson Guarani, Pedro Macena, Magna Kambé.

Organizador: Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Telefone:  (à tarde)

FUNAI reconhece existência de povos indígenas no Piauí e promete assistência às comunidades locais.


Resultado do recente reconhecimento por parte da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) da existência de povos indígenas no Estado do Piauí tal como os índios Itacoatiara, em Piripiri, os Codó Cabeludo na região de Pedro II e os Cariris em Queimada Nova, a Coordenação Regional da Funai de Fortaleza, na pessoa do seu presidente Márcio Augusto Freitas de Meira, determinou, através da Portaria nº 344 a devida prestação assistencial às comunidades indígenas do Piauí.
Espera-se para o início do mês de maio a realização de reunião com representantes da Funai, Governo do Estado do Piauí, Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC) para discutir a criação de uma coordenação técnica local que possa dá a devida atenção a uma população antes subestimada.
"Recebo com alegria o reconhecimento da FUNAI da necessidade de garantir assistência à população indígena piauiense, ainda mais estando a FUNDAC na realização da VIII Semana dos Povos Indígenas do Piauí, esta semana. Vejo isso como resultado positivo de todo um processo de pesquisa, de reconstrução da nossa história, da visibilidade e autoreconhecimento das comunidades remanescentes. Desde 2003 que a fundação tem procurado apoiar e fomentar toda iniciativa que reconheça o índio como agente de sua própria história”, falou a presidente da FUNDAC, Sônia Terra.

A VIII Semana dos Povos Indígenas entra no seu segundo dia, nesta terça (20) com uma palestra da Prof.ª Mestra Joina Freitas que abordará o tema “Índios Tremembés”. Logo em seguida a palestra será sobre “Cultura Indígena e o Cotidiano Familiar”, ministrada por Aliã Wamiri que é uma descendente Guajajara e graduanda do curso de Artes da UFPI.

Durante toda a semana haverá uma visitação guiada pelo Museu do Piauí. A VIII Semana dos Povos Indígenas estará aberta ao público e as inscrições para as palestras podem ser realizadas através do email: museudopiaui@ig.com.br.

O evento é uma realização da FUNDAC com o apoio da Associação Amigos do Museu do Piauí, Universidade Federal do Piauí – Curso Arqueologia e Memorial das Nações Indígenas. Para mais informações o telefone para contato é 3221-6027.
 
Fonte: 45Graus

17 de abr. de 2010

MPF tem mais de 160 investigações sobre violações aos direitos dos índios em Rondônia


Órgão quer garantir aos índios direitos fundamentais, como saúde, educação, registro civil, preservação cultural, terras tradicionais, compensações ambientais, entre outros.
Porto Velho (RO), 17.04.2010 – O Dia do Índio, lembrado na próxima segunda-feira, 19 de abril, motivou o Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia a divulgar suas ações na defesa dos 54 povos que vivem no estado. O órgão relata que atualmente sua atuação nas questões indígenas resulta em mais 160 inquéritos civis públicos (investigações) que estão em andamento, além de ações civis públicas e recomendações expedidas a órgãos públicos para garantir direitos fundamentais, como saúde, educação, registro civil, preservação cultural, terras tradicionais, compensações ambientais, entre outros.
Na área de educação, uma das conquistas recentes dos povos indígenas de todo o estado foi a elaboração conjunta de uma minuta do projeto de lei para criação da carreira pública de professor indígena. A minuta foi entregue em 15 de março ao Governo do Estado para ser enviada à Assembléia Legislativa como projeto de lei. O MPF foi um incentivador da elaboração da proposta e articulou povos indígenas, diversas instituições públicas e entidades da sociedade civil organizada. Se aprovado o futuro projeto de lei, o professor terá que ser indígena, aprovado em concurso público com provas de conteúdo específico. Construção de escolas indígenas, prestação de contas de convênios e de merenda escolar e formação de professores indígenas são outros assuntos acompanhados pelo MPF.
Cultura
A preservação da identidade cultural também tem acompanhamento pelo MPF. Um provimento do Tribunal de Justiça de Rondônia, em outubro do ano passado, atendeu ao pedido do MPF para garantir emissão de certidões de nascimento e óbito para indígenas em suas línguas tradicionais. Mas ainda há cartórios que se recusam a fazer o registro civil dos índios. Estes são casos em que o MPF atua para garantir o direito dos povos indígenas em preservar suas tradições e costumes, considerando que o nome é parte essencial da cultura de qualquer povo.
Segundo o MPF, o atendimento à saúde dos índios é um dos pontos críticos. Por isto há acompanhamentos específicos sobre prestação de atendimento pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), rede pública, vistoria em Casas de Saúde do Índio (Casai) e fornecimento de medicamentos.
Os inquéritos civis públicos em curso no MPF também tratam sobre demarcação de terras indígenas, revisão de limites, fiscalização por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai), extração de madeira, mineração, caça e pesca predatória, entre outros. Além disto, houve coordenação de operações visando o combate à exploração ilegal de madeira em terras indígenas, em especial nas áreas Sete de Setembro e Igarapé Loudes.
As investigações são também sobre compensações ambientais de empreendimentos que afetam terras indígenas, como as hidrelétricas do Madeira. O conflito entre índios Cinta-Larga e garimpeiros e pesquisa mineral na terra indígena Roosevelt também são alvos de investigação.
Em campo
Os três procuradores que atuam na defesa dos povos indígenas de Rondônia – Reginaldo Trindade, Lucyana Pepe e Daniel Fontenele – fizeram centenas de encontros e reuniões desde o começo de 2009. Eles e suas equipes visitaram aldeias, reuniram-se com órgãos públicos de várias esferas e atuaram no atendimento aos indígenas que procuram a instituição para apresentarem suas demandas, tanto individualmente quanto de forma coletiva.
Ações judiciais
As ações civis públicas movidas pelo MPF em favor dos indígenas abordam, entre outros assuntos, revisão de limites de áreas indígenas, assistência jurídica, reparação de danos ambientais e morais, compensação ambiental na área de impacto da BR-429.
Órgão quer garantir aos índios direitos fundamentais, como saúde, educação, registro civil, preservação cultural, terras tradicionais, compensações ambientais, entre outros
Porto Velho (RO), 17.04.2010 – O Dia do Índio, lembrado na próxima segunda-feira, 19 de abril, motivou o Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia a divulgar suas ações na defesa dos 54 povos que vivem no estado. O órgão relata que atualmente sua atuação nas questões indígenas resulta em mais 160 inquéritos civis públicos (investigações) que estão em andamento, além de ações civis públicas e recomendações expedidas a órgãos públicos para garantir direitos fundamentais, como saúde, educação, registro civil, preservação cultural, terras tradicionais, compensações ambientais, entre outros.
Na área de educação, uma das conquistas recentes dos povos indígenas de todo o estado foi a elaboração conjunta de uma minuta do projeto de lei para criação da carreira pública de professor indígena. A minuta foi entregue em 15 de março ao Governo do Estado para ser enviada à Assembléia Legislativa como projeto de lei. O MPF foi um incentivador da elaboração da proposta e articulou povos indígenas, diversas instituições públicas e entidades da sociedade civil organizada. Se aprovado o futuro projeto de lei, o professor terá que ser indígena, aprovado em concurso público com provas de conteúdo específico. Construção de escolas indígenas, prestação de contas de convênios e de merenda escolar e formação de professores indígenas são outros assuntos acompanhados pelo MPF.
Cultura
A preservação da identidade cultural também tem acompanhamento pelo MPF. Um provimento do Tribunal de Justiça de Rondônia, em outubro do ano passado, atendeu ao pedido do MPF para garantir emissão de certidões de nascimento e óbito para indígenas em suas línguas tradicionais. Mas ainda há cartórios que se recusam a fazer o registro civil dos índios. Estes são casos em que o MPF atua para garantir o direito dos povos indígenas em preservar suas tradições e costumes, considerando que o nome é parte essencial da cultura de qualquer povo.
Segundo o MPF, o atendimento à saúde dos índios é um dos pontos críticos. Por isto há acompanhamentos específicos sobre prestação de atendimento pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), rede pública, vistoria em Casas de Saúde do Índio (Casai) e fornecimento de medicamentos.
Os inquéritos civis públicos em curso no MPF também tratam sobre demarcação de terras indígenas, revisão de limites, fiscalização por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai), extração de madeira, mineração, caça e pesca predatória, entre outros. Além disto, houve coordenação de operações visando o combate à exploração ilegal de madeira em terras indígenas, em especial nas áreas Sete de Setembro e Igarapé Loudes.
As investigações são também sobre compensações ambientais de empreendimentos que afetam terras indígenas, como as hidrelétricas do Madeira. O conflito entre índios Cinta-Larga e garimpeiros e pesquisa mineral na terra indígena Roosevelt também são alvos de investigação.
Em campo
Os três procuradores que atuam na defesa dos povos indígenas de Rondônia – Reginaldo Trindade, Lucyana Pepe e Daniel Fontenele – fizeram centenas de encontros e reuniões desde o começo de 2009. Eles e suas equipes visitaram aldeias, reuniram-se com órgãos públicos de várias esferas e atuaram no atendimento aos indígenas que procuram a instituição para apresentarem suas demandas, tanto individualmente quanto de forma coletiva.
Ações judiciais
As ações civis públicas movidas pelo MPF em favor dos indígenas abordam, entre outros assuntos, revisão de limites de áreas indígenas, assistência jurídica, reparação de danos ambientais e morais, compensação ambiental na área de impacto da BR-429.


Fonte : MPF/RO    Autor : MPF-RO

Editora resgata cultura indígena da Amazônia


Kurumĩ Guaré, no Coração da Amazônia é uma das obras lançadas pela Editora FTD com temas indígenas

CAROLINE CANAZART
contato@agenciaamzonia.com.br
SÃO PAULO – Os povos indígenas nos remetem a origem de nossa cultura e sociedade, mas ao longo do tempo vimos esvaecer seus costumes e tradições, e hoje até mesmo seu povo luta para manter viva sua raiz nas novas gerações. No próximo dia 19 de abril é celebrado o Dia do Índio, e a Editora FTD apresenta em seu catálogo obras que apresentam a riqueza deste povo pelo olhar daqueles que viveram uma imersão, como o sertanista Orlando Villas Bôas e também de autores indígenas como Daniel Munduruku e Yaguarê Yamã.

O livro Orlando Villas Bôas – História e causos é uma autobiografia póstuma do famoso indigenista falecido em 2002 aos 88 anos. Trata-se de uma obra de fôlego, na qual Orlando relembra sua trajetória, da infância em Botucatu (SP) à aposentadoria na capital paulista, passando pelo extraordinário mergulho no mundo dos índios brasileiros que foi a Expedição Roncador–Xingu, liderada por Orlando com seus irmãos Cláudio e Leonardo.

No livro, Orlando faz pela primeira vez um registro sistemático de suas ideias e histórias, muitas delas já disponíveis de maneira dispersa em livros, entrevistas e reportagens. Só com o irmão Cláudio, por exemplo, Orlando publicou doze livros.

Outro que registrou suas experiências no Xingu foi Walde-Mar de Andrade e Silva, em Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros. O livro reúne 24 lendas indígenas entre elas a de Potyra, Yara e Tucumã, conhecidas pelo autor durante sua convivência de oito anos com as principais tribos da região.

A Editora FTD também reúne em seu acervo obras de escritores indígenas como o renomado Daniel Munduruku. Em Um Estranho Sonho de Futuro, o autor se transforma em personagem para dar vida a história de um adolescente urbano que decide embrenhar-se em uma aldeia indígena.

KURUMÎ GUARÉ

Garoto tipicamente urbano, Lucas vai conhecer uma realidade completamente diferente. Um lugar aonde em vez de ir ao supermercado, as pessoas têm de caçar, pescar ou coletar frutos das plantas para se alimentar. E Lucas aprendeu muitas coisas com a experiência. Percebeu, por exemplo, que os indígenas são menos egoístas, mais acolhedores e sinceros do que os homens da cidade grande.

Outra obra que partilha as tradições e valores dos povos da floresta com as crianças e adolescentes, é a de Yaguarê Yamã que conta como foi sua infância no livro Kurumĩ Guaré, no Coração da Amazônia. Para facilitar a compreensão dos termos utilizados pelo autor, o livro apresenta um glossário com o significado das expressões e palavras do idioma Nhengatu e outro com a tradução dos símbolos e gravuras, desenhadas pelo próprio autor, e presentes na obra.



Entre os rituais descritos no livro, Yaguarê conta como superou o rito de passagem para a maioridade, o tukãdera. O ritual consiste em colher algumas formigas e colocá-las dentro de uma luva e o menino veste a luva e dança junto com a tribo. Tukãdera é o nome de uma espécie de formiga da Amazônia cuja picada é muito dolorosa, dez vezes mais dolorida que a picada de uma vespa. De acordo com a cultura indígena, após o ritual, o jovem rapaz está curado de doenças, indolência e principalmente do medo.

Serviço

Orlando Villas Bôas – História e Causos
Páginas: 216 (versão livro-arte) - Preço sugerido: R$ 85,70
Páginas: 206 (versão prática) – Preço sugerido: R$ 65,70

Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros
Autor e ilustrador: Walde-Mar de Andrade e Silva
Preço sugerido: R$ 59,10

Um Estranho Sonho de Futuro
Autor Daniel Munduruku, com ilustração de André Sandoval
Páginas: 112
Preço sugerido: R$ 26,60

Kurumĩ Guaré, no Coração da Amazônia
Autor e ilustrador: Yaguarê Yamã
Páginas: 88
Preço sugerido: R$ 29,80

Editora FTD – SAC 0800-158555

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...