31 de mar. de 2010

Bonifácio José Baniwa assume Secretaria de Estado para os Povos Indígenas


Fonte: Portal Amazônia, com informações da Seind

Foto: Divulgação/Seind











MANAUS -
Waku sese, que significa muito obrigado em sateré-mawé. Foi desta forma que o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé oficializou o desligamento dele como titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), nesta quarta-feira (31), no Fazendário Clube.


Tornar o movimento indígena cada vez mais forte e sólido no Amazonas. Este foi o tom do discurso de despedida feito, de forma emocionada, por Jecinaldo, durante o almoço que marcou o lançamento da agenda de atividades da Seind para 2010.

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O ex-presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi) e então secretário Executivo da Seind, Bonifácio José Baniwa, assume interinamente a Seind. Ainda nesta quarta-feira, Jecinaldo entregou a carta de desincompatibilização ao governador Eduardo Braga. 

Antes de apresentar a Agenda, o sateré fez um balanço das atividades da Seind nesses quase sete meses de criação do órgão. Ele falou dos avanços e perspectivas da pasta para este ano.

Ações

Lembrou que entre as principais ações programadas estão a Inclusão Digital em Terras e Comunidades Indígenas; o Projeto Propriedade de Saberes e afirmação da Identidade Étnica; os projetos do Território da Cidadania Indígena no Alto e Médio Rio Negro e também no Madeira; e o Fortalecimento do Arranjo Produtivo do Artesanato Indígena no Alto Solimões, Vale do Javari e Médio Purus.

- Agradeço a confiança do governador e das organizações e lideranças indígenas em poder contribuir de forma participativa com o governo, disse.

- O Boni é do Rio Negro e o José Mário (Mura) do Madeira, eles vão continuar o projeto que nasceu das lutas indígenas, comentou.

Representantes

O evento teve a participação de representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Casa Civil, Coordenação das Organizações Indígenas Brasileira (Coiab) e Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Para o líder do Governo na ALE, deputado Sinésio Campos, um dos que lutaram pela criação da Seind, a secretaria chegou para ficar e tem demonstrado isso nesses sete meses.

- Esta secretaria está discutindo políticas públicas de inclusão social no Estado que tem a maior população indígena do Brasil, destacou.

- Por isso é bom que os outros estados criem suas secretarias, pois o Amazonas está dando um exemplo de cidadania, acrescentou.

Oficina com a Funai

Uma outra atividade da Agenda-Seind é a oficina que o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), e a Fundação Nacional do Índio (Funai) promovem nos próximos dias 7 e 8, em Manaus.

O objetivo é promover condições para um planejamento de atividades integradas, de modo a otimizar a gestão de ações de políticas públicas, além de identificar processos de acompanhamento e de orientação à implementação de agendas compartilhadas junto aos povos indígenas.

O evento é um dos resultados do Termo de Cooperação Técnica firmado entre o órgão e a instituição no último mês de dezembro, durante a realização do Fórum Amazonas Indígena (Forind), e faz parte da agenda de atividades da Seind para 2010.

Programação

A oficina começa às 8h30, no Lord Manaus Hotel. A abertura dos trabalhos será feita pelo presidente da Funai, Márcio Meira, e o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé.

Entre os temas a serem debatidos estão a atuação da Funai no Amazonas e as ações previstas no Plano Plurianual (PPA); panorama da Seind sobre a atuação do Governo do Estado junto aos povos e comunidades indígenas; gestões territorial e ambiental das terras indígenas; e promoção dos povos indígenas no Amazonas, na perspectiva de valorização do patrimônio sócio-cultural indígena. (JK)

Palestrantes indígenas sugerem sistema educacional específico


Ministério da Educação


Edson Brito é professor indígena do povo guarani, em São Paulo. O educador, filho de pais da etnia caiapó, veio à Conferência Nacional de Educação (Conae) trazer uma sugestão: que as avaliações educacionais para os indígenas seja diferente das avaliações dos não-indígenas.

“Nossas escolas, na maioria das vezes, se saem mal em avaliações estaduais e federais. Ficam taxadas de ruins”, salienta.

A razão, segundo Brito, é de que o ensino nas escolas indígenas não segue o padrão das outras escolas de educação básica; é diferenciado por ser bilíngue e voltado para culturas específicas.

O coordenador de educação escolar indígena do Ministério da Educação, Gersen dos Santos, afirmou, nesta terça-feira, 30, durante um dos colóquios da Conae, que as ações na área indígena ganham um novo rumo, o da construção de um sistema próprio de educação. “Esse sistema deverá levar em conta as especificidades de cada povo e a noção de territorialidade”, disse.

Segundo Gersen, o território é a base de um povo e vai além do aspecto geográfico; contém a identidade e a cultura de cada etnia. “Escola diferenciada só tem sentido se fortalecer a vida coletiva”, ressaltou.

Hoje, a gestão do ensino dos povos cabe ao ente federado no qual estão localizados. “O problema desse sistema é que a educação escolar será diferente para uma mesma etnia. Os xavantes, por exemplo, estão espalhados por vários municípios do Mato Grosso e há etnias que se encontram em mais de um estado.”

Para o coordenador, a escola para os indígenas tem que se basear no conceito de território etnoeducacional, que ultrapassa o modelo de estados e municípios.

Maria das Dores de Oliveira, representante do Conselho Nacional de Educação (CNE), citou os avanços das discussões na área, realizadas durante a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (Coneei), em novembro de 2009.

À época, foram debatidos o respeito à diversidade dos povos, os processos próprios de aprendizagem e a utilização das línguas maternas no ensino. “Agora, os resultados devem ser agregados à Conae”, sugeriu. Assessoria de Comunicação Social

Deputada Janete integra Federação para cidadania dos povos indígenas

 
Brasília, 31/03/2010 – Diretoria e conselhos da Federação Indígena Brasileira – FIB – reuniram-se em solenidade de posse no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A FIB é presidida pelo professor Alfredo Silva, Eli Leão Catachunga (vice-presidente) e Maria Janete de Souza (tesoureira) que tomaram posse em setembro do ano passado junto com os conselhos deliberativo, consultivo e assessorias. A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) foi convidada pelo presidente e integra o conselho consultivo da entidade, que trabalha pela organização social, política e econômica das comunidades indígenas.

“É preciso consolidar os direitos das populações indígenas, como cidadãos e cidadãs brasileiras, respeitando e valorizando suas peculiaridades e diferenças culturais entre si e com os não índios, suas terras demarcadas e seus espaços históricos tradicionais, além de torná-los cidadãos plenos de direitos e soberanos nas suas decisões. Os povos indígenas do meu estado e os povos indígenas do Brasil tem renovado meu compromisso na mobilização permanente pela consolidação dos seus direitos seus direitos e com sua causa”, afirma a deputada Janete Capiberibe.

Após a solenidade que aconteceu dia 23 de março, os convidados foram recepcionados em jantar com pratos típico da Amazônia, por onde inicia-se o trabalho da FIB. Abaixo, os membros da Federação Indígena Brasileira, cuja sede é em Brasília e o trabalho pode ser acompanhado em http://fibbrasil.blogspot.com/.

1. Alfredo B.P.Silva - presidente - Brasília-DF
2. Eli Leão Catachunga - Vice-presidente - Brasília -DF
3. Maria Janete O. Souza - Tesoureira - Brasília -DF
4. Jacimar Oliveira Gouvea - Conselho Fiscal - AM
5. Edson Oliveira Santos - Conselho Fiscal - MT
6. João Alfredo P. Silva - Conselho Fiscal - RR
7. Kohalue Kajará - Conselho Deliberativo - TO
8. Carlos A. Pereira - Conselho Deliberativo - RR
9. Wilsom Matos da Silva - Conselho Deliberativo - MS
10. Joana Euda Barbosa - Conselho Deliberativo - TO
11. Marcos Mariano Justino Terena - Conselho Deliberativo - Brasília-DF
12. Anmily Paula dos Santos Martins - Conselho Consultivo - RJ
13. Edson Santos - Conselho Consultivo - Brasília -DF
14. Hariessa Cristina Villas Boas - Conselho Consultivo - RJ
15. Maria Helena Veronese Rodrigues -Conselho Consultivo - RR
16. Vanessa Grazziotim - Conselho Consultivo - AM
17. Alexandro da Anunciação Reis - Conselho Consultivo - Brasília-DF
18. Francisco Joaci Freitas Luz - Conselho Consultivo - RR
19. Emília Fernandes - Rio Grande do Sul -RS
20. Janete Góes Capiberibe - Conselho Consultivo - AP
21. Alda Freire de Carvalho - Conselho Consultivo - Brasília - DF
22- Eliane Thaines Bodah - Assessoria Internacional
23. Ingrid Nicholl - Assessoria Internacional
 

29 de mar. de 2010

ONG quer punição para empresa brasileira acusada de desmatar área indígena

Da France Presse
A organização Survival Internacional pediu nesta segunda-feira que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expulse do Pacto Mundial presidido por ele a subsidiária de uma empresa de pecuária brasileira envolvida em um controverso projeto de desmatamento em uma área indígena no Paraguai.

"A pecuarista Yaguareté Porá é uma subsidiária de uma empresa brasileira que está destruindo as florestas no Paraguai pertencentes à tribo dos Ayoreo-Totobiegosode", afirma a organização de defesa dos povos indígenas em uma carta dirigida a Ban Ki-moon.

A Survival acusa a empresa de "flagrante violação" da Constituição paraguaia, do direito internacional e dos princípios aos quais se comprometeu ao assinar o Pacto Mundial em 2008, uma iniciativa voluntária promovida pela ONU mediante a qual as empresas comprometem-se a alinhar suas estratégias e operações com 10 princípios baseados em direitos humanos, trabalhistas, de meio ambiente e de luta contra a corrupção.

"A Yaguareté não honrou seus compromissos em matéria de direitos humanos. Pedimos ao Pacto Mundial que a expulse ou, caso contrário, (o grupo) correrá o risco de perder sua integridade", declarou Stephen Corry, diretor da organização internacional com sede em Londres, citado no comunicado.

Segundo a Survival, a companhia apenas pretende conservar 16.784 hectares dos 78.549 hectares que possui em uma área de selva que faz parte do território dos Ayoreo-Totobiegosode, uma tribo isolada que vive na região oeste do Paraguai, na fronteira com o Brasil.

A organização indica que alguns membros da tribo que já foram contatados e lutam desde 1993 pela titularidade legal de suas terras denunciaram diversas vezes as operações da empresa pecuarista.

ra/js/lb/fp

28 de mar. de 2010

"A natureza é um parente que precisa ser cuidado"

Daniel Munduruku: relação de cuidado com a natureza (Foto: DIVULGAÇÃO)
Quando criança, Daniel Munduruku, que hoje é mestre e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, tinha vergonha de ser índio. ``O índio era visto como estorvo ao progresso, ao desenvolvimento``, explica. Mas seu avô o levou a fazer um passeio, longe da aldeia, para conhecer uma cachoeira. O vô pediu que ele ouvisse o que o rio tinha a dizer.

``Sentei e tentei ouvir. Mas o rio não falou``, brinca. Logo, o avô explicou que o rio nunca para diante de uma pedra ou obstáculo, que sempre tem pulsão para chegar ao grande rio. ``A gente acredita que, quando morre, a gente vai para a nascente do rio Tapajós``, acrescenta.

Daí, Daniel entendeu que o rio sempre conversa com os índios, que fazem rituais para conversar com os seres da natureza. ``A relação que o povo indígena tem com a natureza não é de superioridade. A natureza não é algo que vai ser transformado para gerar lucro. A natureza é um parente, que precisa ser cuidado e resgatado``, explica, citando que na cidade o homem não cultiva essa relação. Daniel contou a história também durante o evento de abertura do Movimento Cyan, na última segunda-feira, Dia Mundial da Água.

Para ele, o cuidar da natureza precisa ser despertado em todos. ``Campanhas, movimentos são coisas exteriores à gente. Enquanto não tomarmos isso como movimento interior da gente, vamos continuar sendo pessoas jogando palavras ao vento. Sinto-me feliz e honrado em participar de um povo que fala pouco, mas vive muito essa realidade``, completou. 
 
O Povo Online

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...