Estamos numa época difícil. O tempo todo estão querendo que a gente escolha um lado para ficar, para defender ou para se posicionar. Parece uma guerra. Talvez seja uma guerra mesmo. Pois bem, para não dizer que não falei das flores, eis o meu.
QUAL
GOLPE VOCÊ ESCOLHERIA?
(Daniel
Munduruku)
N
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ão
falo em nome dos povos indígenas. Nunca falei. Algumas pessoas até me cobraram
isso convidando-me para “representar” os indígenas em eventos, passeatas,
cultos ecumênicos, jogos de futebol. Nunca aceitei. Não sou “o índio de
plantão” para satisfazer curiosidades. Digo sempre – e repito aqui – que não
tenho legitimidade para falar em nome de outrem. Aliás, como diriam pensadores
mais célebres, não vejo dignidade em falar por quem quer que seja.
Dito
isso, gostaria de dizer que sou contra o golpe. Se depender de mim, não vai ter
golpe. Digo essas palavras que saem da minha boca (ou da minha escrita). São
minhas palavras e não representam outras tantas palavras oriundas de pessoas
que militam no movimento indígena que podem pensar diferente (e este é um direito
que defenderei sempre).