Funasa anuncia R$ 20 milhões a mais para saúde indígena
A Funasa investirá R$ 20 milhões a mais este ano na saúde indígena em todo o Brasil, segundo informação do presidente da fundação, Danilo Fortes. O anúncio foi feito durante a apresentação do Plano de Gestão do órgão para 2008. O orçamento da Funasa em 2007 foi de R$ 1,5 bilhão. De acordo com Fortes, os Yanomami e a Reserva Indígena Dourados, entre outros grupos e terras indígenas, receberão atenção especial. "A área Yanomami, São Gabriel da Cachoeira (AM), o Vale do Javari (AM), a Reserva Indígena Dourados e a Aldeia Bororó (MS) são as que têm maior concentração de problemas. Pela distância, por serem áreas de fronteira, temos mais dificuldade de aplicação desses recursos. Essas áreas vão ter projetos especiais de aplicação imediata", afirmou Fortes - OESP, 17/2, Nacional, p.A13.
Índios Xavante sofrem com epidemia de diabetes
A população Xavante em Mato Grosso corre risco elevado de epidemia de diabetes tipo 2. De acordo com um estudo produzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há mais de 30 portadores da doença para cada mil índios. Em algumas tribos, o número sobe para 70 casos por mil habitantes. Essa taxa era praticamente nula há 10 anos. Os testes de glicemia foram feitos na Terra Indígena Sangradouro. Como conseqüência do diabetes tipo 2, índios são vítimas de enfarte e cegueira. "Se continuar, a epidemia será uma tragédia", afirma o endocrinologista João Paulo Botelho Vieira Filho, coordenador do estudo. De acordo com ele, falta medicamento. A solução para a epidemia seria a reeducação alimentar. Porém, segundo o pesquisador, nunca houve esforços suficientes nesse sentido na região - OESP, 16/2, Nacional, p.A12.
19 de fev. de 2008
Deputados visitam TI Yanomami para discutir mineração
Visita de deputados, que tinha o objetivo de identificar os prós e contras da exploração mineral em terras indígenas, acabou se transformando em evento de promoção da atividade. Indígenas reclamam de não terem sido avisados com antecedência da visita e manifestam repúdio ao garimpo e à mineração em suas terras.
Uma comitiva formada pelo presidente, o relator e alguns integrantes da Comissão Especial de Mineração em Terra Indígena da Câmara dos Deputados visitou, no último dia 14, a Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
A proposta era avaliar quais os possíveis impactos que, se autorizada, a atividade minerária poderia trazer para as populações indígenas locais. Porém, apesar do objetivo manifesto de “apreender in loco as consequências da exploração de recursos minerais na referida reserva”, a comitiva, guiada pelo Exército, realizou uma visita de poucas horas na terra indígena – que tem 9.664.980 hectares, o dobro do tamanho do Estado do Rio de Janeiro – a duas aldeias próximas às bases do Exército.
Marcada pela falta de comunicação entre os deputados e os indígenas, que ficaram sabendo na véspera que uma comitiva se dirigia à região, a visita enfrentou contratempos. Em Xirimihwiki, na região de Surucucus, onde vivem mais de 2.000 indígenas, a comitiva foi recebida pelo tuxaua e por alguns jovens, pois a maior parte da comunidade havia saído para pescar e caçar.
Segundo Relatório da Hutukara Associação Yanomami (HAY), após a abertura feita pelo General Eliezer Monteiro Filho, comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva no Estado, o presidente da Comissão Especial, Deputado Édio Lopes (PMDB/RR) explicou que a mineração em terras indígenas era permitida pela Constituição Federal e traria benefícios aos índios, como ajuda em educação e saúde. O tuxaua Paraná, líder da maloca Xirimihwiki, respondeu com a lembrança da morte de muitos Yanomami quando sua terra foi invadida por garimpeiros: “Os Yanomami não querem a mineração porque sabem que ela vai destruir a floresta e os rios”. Diante da posição contrária, o tuxaua teria sido convidado a visitar outros países, como o Canadá, para conhecer como a mineração havia melhorado a vida de outros índios, o que foi rejeitado.
Em outra reunião, a Comitiva foi recebida por aproximadamente 200 Sanuma e Ye'kuana, em Auaris, região habitada por cerca de 2.100 indígenas. A conversa começou com a ponderação do General Monteiro Filho sobre a importância do assunto para os índios. Em seguida, o líder Ye`kuana Marco Antônio declarou que “mineração não é bom porque vai mexer na terra, subsolo para tirar ouro, diamante, cassiterita, ferro, colocar para muito longe os animais, prejudicar os rios e as águas de beber e tomar banho, trazer muitas doenças, mudar o jeito de os índios viverem na floresta. Isto não é bom para nós. O que precisamos é melhorar saúde, educação”.
A viagem inesperada e a falta de organização para discutir um tema de forte impacto sobre a vida das comunidades indígenas contrariou algumas lideranças indígenas. O líder e professor Rezende Sanuma afirma que “a comunidade não sabia, não havia sido consultada se queria receber as autoridades e se queria discutir sobre mineração”. Para ele, a comitiva “estava chegando sem convite da comunidade” e mesmo o Exército não poderia trazer ninguém para conversar com eles sem consultar os indígenas, “pois isso é um desrespeito aos índios”. A HAY, no relatório, menciona também a ausência da Funai e do Ministério Público Federal para acompanhar o debate.
Minério e morte
O forte sentimento dos Yanomami contra a exploração mineral é resultado da maciça invasão garimpeira, intensificada no período em que o autor do Projeto de Lei de Mineração, Romero Jucá, foi presidente da Funai, entre maio de 1986 a setembro de 1988.
O garimpo levou de 30 a 40 mil garimpeiros a terra indígena e, com a chegada de doenças e a introdução de armas de fogo, causou a morte de centenas de Yanomami.
Uma comitiva formada pelo presidente, o relator e alguns integrantes da Comissão Especial de Mineração em Terra Indígena da Câmara dos Deputados visitou, no último dia 14, a Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
A proposta era avaliar quais os possíveis impactos que, se autorizada, a atividade minerária poderia trazer para as populações indígenas locais. Porém, apesar do objetivo manifesto de “apreender in loco as consequências da exploração de recursos minerais na referida reserva”, a comitiva, guiada pelo Exército, realizou uma visita de poucas horas na terra indígena – que tem 9.664.980 hectares, o dobro do tamanho do Estado do Rio de Janeiro – a duas aldeias próximas às bases do Exército.
Marcada pela falta de comunicação entre os deputados e os indígenas, que ficaram sabendo na véspera que uma comitiva se dirigia à região, a visita enfrentou contratempos. Em Xirimihwiki, na região de Surucucus, onde vivem mais de 2.000 indígenas, a comitiva foi recebida pelo tuxaua e por alguns jovens, pois a maior parte da comunidade havia saído para pescar e caçar.
Segundo Relatório da Hutukara Associação Yanomami (HAY), após a abertura feita pelo General Eliezer Monteiro Filho, comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva no Estado, o presidente da Comissão Especial, Deputado Édio Lopes (PMDB/RR) explicou que a mineração em terras indígenas era permitida pela Constituição Federal e traria benefícios aos índios, como ajuda em educação e saúde. O tuxaua Paraná, líder da maloca Xirimihwiki, respondeu com a lembrança da morte de muitos Yanomami quando sua terra foi invadida por garimpeiros: “Os Yanomami não querem a mineração porque sabem que ela vai destruir a floresta e os rios”. Diante da posição contrária, o tuxaua teria sido convidado a visitar outros países, como o Canadá, para conhecer como a mineração havia melhorado a vida de outros índios, o que foi rejeitado.
Em outra reunião, a Comitiva foi recebida por aproximadamente 200 Sanuma e Ye'kuana, em Auaris, região habitada por cerca de 2.100 indígenas. A conversa começou com a ponderação do General Monteiro Filho sobre a importância do assunto para os índios. Em seguida, o líder Ye`kuana Marco Antônio declarou que “mineração não é bom porque vai mexer na terra, subsolo para tirar ouro, diamante, cassiterita, ferro, colocar para muito longe os animais, prejudicar os rios e as águas de beber e tomar banho, trazer muitas doenças, mudar o jeito de os índios viverem na floresta. Isto não é bom para nós. O que precisamos é melhorar saúde, educação”.
A viagem inesperada e a falta de organização para discutir um tema de forte impacto sobre a vida das comunidades indígenas contrariou algumas lideranças indígenas. O líder e professor Rezende Sanuma afirma que “a comunidade não sabia, não havia sido consultada se queria receber as autoridades e se queria discutir sobre mineração”. Para ele, a comitiva “estava chegando sem convite da comunidade” e mesmo o Exército não poderia trazer ninguém para conversar com eles sem consultar os indígenas, “pois isso é um desrespeito aos índios”. A HAY, no relatório, menciona também a ausência da Funai e do Ministério Público Federal para acompanhar o debate.
Minério e morte
O forte sentimento dos Yanomami contra a exploração mineral é resultado da maciça invasão garimpeira, intensificada no período em que o autor do Projeto de Lei de Mineração, Romero Jucá, foi presidente da Funai, entre maio de 1986 a setembro de 1988.
O garimpo levou de 30 a 40 mil garimpeiros a terra indígena e, com a chegada de doenças e a introdução de armas de fogo, causou a morte de centenas de Yanomami.
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