27 de jul. de 2013

O Papa e Eu

O Papa e Eu
Estive frente a frente com o papa João Paulo II. Isso aconteceu em 1980 e eu tinha 16 anos.
À época eu havia acabado de entrar no seminário diocesano Pio X na cidade de Ananindeua, no Pará. Minha vontade era ser salesiano, mas não fui aceito e o destino se encarregou de me colocar no seminário diocesano para viver essa experiência.
Como sempre acontece nas visitas papais, entre uma atividade e outra o pontífice se retira para um descanso. Em sua passagem por Belém sua comitiva escolhera nosso seminário para acolher o santo descanso do santo padre. A notícia nos pegou todos de surpresa. Claro, ficamos eufóricos e trabalhamos desesperadamente para organizar a casa para receber o símbolo maior de nossa religião. Cheios de efusivas alegrias nos dedicamos plenamente para aquele momento.
Eu ingressara na instituição justo naquele ano. Era, portanto, um novato e muito pouco sabia sobre as hierarquias e protocolos a serem seguidos e, confesso, me importava muito pouco com todos aqueles detalhes. Estava naquele lugar para ser santo. Talvez pudesse aproveitar aquela oportunidade para encontrar-me com um. Era isso que eu pensava.
Lembro como se fosse hoje. João Paulo II entrou no seminário com passos firmes. Ao longo do corredor que o conduziria para seus aposentos, os seminaristas formamos um corredor polonês (muito apropriado para a visita de um polonês) e enquanto ele passava ia abençoando-nos de forma sorridente e feliz. Como novato que era me foi reservado um lugar bem ao final do corredor, local que provavelmente nem seria contemplado pelos olhares do pontífice. E seria assim se na hora H eu não tivesse me projetado à frente para tornar-me visível. Ele parece ter notado meu esforço. Pegou levemente em minha mão, olhou-me nos olhos e fez o sinal da cruz sobre minha testa e pousou sua mão sobre minha cabeça e assim permaneceu por infindáveis cinco segundos. Depois permitiu que lhe beijasse a mão enquanto adentrava em seu quarto.
Não preciso dizer o tamanho de minha felicidade. O novato tinha recebido a maior atenção do papa que a maioria dos veteranos! O sinal feito em minha testa era uma assinatura. Sentia-me marcado para um futuro que me parecia surpreendente.
O tempo passou. Anos depois saí do seminário e do ideal que perseguia. Achei que a hora era para outras experiências. Havia coisas que precisava viver para sentir-me parte do mundo. Havia chegado ao limite de minha paciência clerical. Era o ano de 1986. Outro sinal me havia aparecido no horizonte e despertara em mim novos desejos. Achei que era a mão do destino me chamando para outra tarefa.
Lembro que, ao tomar a decisão de deixar o seminário, revivi meu encontro com o papa. Em minha meditação comecei a pensar que a benção papal tinha um prazo de validade. Ela não era para a vida inteira e nem necessariamente para o que eu queria. Aquela benção era também um alerta: o mundo precisava de minha sanidade e não de minha santidade. Precisava de minha palavra, não de minha conformidade. Precisava de meus sonhos e não de minhas realizações. Eu estava marcado, mas não prisioneiro.

Ao acompanhar timidamente a presença do papa Francisco ao Brasil algo na minha testa começou a formigar novamente. Parece que ele veio trazer um novo alento de esperança. Veio resgatar a sanidade ao mundo. Ele anda repetindo por aí o que tenho dito desde sempre seguindo o modelo que aprendi dos meus avós indígenas: a necessidade de olhar para as crianças, como crianças e não como adultos em miniaturas; os jovens, como jovens e não como marionetes; os velhos, como fonte de inspiração e não como restos. Ele está dizendo para não nos permitirmos permanecer na forma para sermos iguais, mas sermos criativos e dar mais crédito aos nossos sonhos, desde que eles não nos escravizem na tola ideia de que ser alguém é ter sucesso financeiro. Acho que ele também recebeu o sinal do destino. Ele é um de nós!

14 de jul. de 2013

Escritor Tiago Hakiy retrata Amazônia em obras autorais

Entre as influências do escritor estão Thiago de Mello, Daniel Munduruku, Yaguare Yamam, Vinícius de Moraes e Anibal Beça

Matéria original: Portal Amazônia
MANAUS - A cultura indígena é rica em lendas e mistérios. De geração em geração, os indígenas perpetuam as histórias de seu povo. Com o livro 'Guaynê derrota a Cobra Grande - Uma História Indígena', o escritor amazonense Tiago Hakiy, descendente da tribo sateré-mawé, mostra aos brasileiros parte do encanto da região amazônica.
Tiago é destaque no cenário literário do Amazonas. Foto: Arquivo Pessoal
Tiago é destaque no cenário literário do Amazonas. Foto: Arquivo Pessoal
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O escritor Tiago Haiky. Foto: Arquivo Pessoal
Além de escritor, Tiago também é poeta e contador de história. Foto: Arquivo Pessoal
Tiago é destaque no cenário literário do Amazonas. Foto: Arquivo Pessoal
Natural de Barreirinha (distante a 331 quilômetros de Manaus), o escritor Tiago Hakiy é um dos destaques da literatura local. O encanto do escritor pelas palavras começou quando o mesmo descobriu o mundo da leitura. “Escrever é a minha paixão, e eu não escreveria com o mesmo sentimento se eu fosse citar outro local que não a região onde vivo: a Amazônia. É impossível não escrever sobre nossa terra. Tudo é inspiração poética", revelou Hakiy.
Um outro Thiago,  conterrâneo e amante das palavras, é a inspiração de Hakiy . "O poeta Thiago de Mello também é de Barreirinha, mas ele é filho das águas do Paraná dos Ramos e eu do Rio Andirá. A figura dele como escritor e poeta foi fundamental para moldar meus sonhos, minha carreira. E suas obras, influenciaram consideravelmente o meu primeiro livro. E com seus versos e canto de esperança, ele conseguiu escrever sua história na literatura brasileira", revelou o escritor.     
Outros autores também contribuíram para os trabalhos de Hakiy. Entre eles destacam-se José Lins do Rego, Guimarães Rosa, Moacir Sclyar, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Anibal Beça.  Elson Farias, Jorge Tufic, Luiz Barcellar, Milto Hatoum também são inspirações para o escritor. Já Daniel Munduruku e Yaguare Yamam, o autor considera 'companheiros de luta, representantes louváveis da literatura indígena'.
Auxílio
Para Tiago, o Brasil é um País de poucos leitores. "Na região Norte esta realidade é mais visível. Além da ínfima divulgação das obras, o trabalho gráfico de livros para o público infanto-juvenil, realizado pelas editoras locais, está aquém de outros lugares do país. O Estado e os municípios dificilmente compram com regularidade obras de autores regionais", contou.
Além de exercer o papel de escritor, Tiago também é poeta e contador de história. Ao ser questionado sobre qual função é sua preferida, ele logo respondeu. "Nasci poeta, e a poesia está na alma, no coração e no suor de meus textos. A poética sempre esteve presente no que eu escrevo. Contar história é mais uma forma de transmitir a cultura e a poesia do lugar onde vivo", revelou.
Obras
Atualmente, Tiago trabalha na divulgação do livro 'Guaynê derrota a Cobra Grande - Uma História Indígena', texto que foi ganhador do concurso Tamoios, realizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ)- Seção brasileira do International Board on Books for Youg People (IBBY). Ao longo da carreira, o autor escreveu mais três obras: 'Awyató-pót - Histórias indígenas para crianças', 'Petrópolis', 'Águas do Andirá'. Para o futuro, ele quer escrever mais duas obras e continuar divulgando as belezas da região amazônicapor meio das letras e palavras. 

4 de jul. de 2013

Daniel Munduruku - Festival de Ilustração e Literatura da Bahia

Importante fragmento da entrevista concedida por Daniel Munduruku durante o I Festival de Ilustração e Literatura da Bahia. Uma reflexão sobre a nossa sociedade e a importancia de olhar para nosso passado e as pessoas que o fizeram.

Publicado por: Apus Filmes

1 de jul. de 2013

TEU CORPO

(Da série "Crônicas do Outro EU"
TEU CORPO
Cada gota de suor que desliza de teu corpo traz o sal que tempera a lascívia do meu.

Cada gota d água que escorre na hora do banho traz em si o desejo que saliva de minha boca e percorre as curvas desajeitadas do corpo que é teu.
Te olho com gula. Te devoro, desvãos. Te cortejo, te desejo, te ponho as mãos. Maculo teu corpo santo com a devassidão de meus pecados. Te penso minha, ilusão.
E aqui e agora onde está teu corpo, fome do meu corpo? E tua alma, ausente que és? Como ser somente o que sou sem ser o que reverberas em mim?
Oh, grande amor, meu mundo é tão só! É tão teu!

29 de jun. de 2013

NÃO VOU LIGAR MAIS PARA TI

Cansei. Não atenderei mais tuas chamadas. Cansei de servir de inspiração para os textos que escreves. É torturante saber que sempre falas de mim com um pouco de amor e uma overdose de mágoas.
Não atenderei mais tuas ligações. Elas são sempre vazias de sentido. Também não te ligarei mais. És sempre tão literal que me cansa ser alvo de textos - curtos ou longos - que falam de um amor que nunca é ou nunca foi.
Tu me deixas muito confuso, cafuzo. Falas pelas entrelinhas de mim mesmo ao simples som de minha voz ao atender tua ligação. Como podes ser tão sedenta de minhas palavras? Como podes me usar desse jeito?
Não vou mais ligar para ti. Nem uma única vez irei ligar mais para ti. Tenho que resistir à saudade que me atormenta e que alimenta tua escrita. Não posso mais ser teu muso inspirador, pois já fui tanto e tantas vezes! Tenho que me esforçar para não lembrar de ti com vontade de te ligar, ouvir tua voz macia e teu riso sedutor. Tenho que deixar de fitar teus grandes e deliciosos olhos que encantam e me adoçam a boca.
Não. Não posso mais ligar para ti quando estiver dirigindo. Eu sempre hei de falar coisas que não devo e depois reclamar do que disse. E ainda terei que te ouvir falando grosserias em meus ouvidos.
Dessa vez é definitivo: não vou mais ligar para ti. 
 

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...