26 de jun. de 2013

Exposição ¡Mira!, no Centro Cultural UFMG, revela arte contemporânea indígena da América do Sul.



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O Centro Cultural UFMG inaugura na próxima sexta, 14 de junho, a exposição ¡Mira! – Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas. A mostra reunirá, pela primeira vez no país, obras de artistas indígenas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru. O evento se estenderá até 11 de agosto, e a entrada será gratuita.
Pinturas, desenhos, cerâmicas, esculturas, vídeos e fotografias estarão expostos durante dois meses em um dos mais antigos edifícios (recém-restaurado) do centro histórico da capital mineira. A proposta do Centro Cultural é trazer ao público as novas estéticas dos povos ameríndios, definida pela produção artística que alia saber tradicional às modernas tecnologias.
“As artes visuais que alguns indígenas estão fazendo, expondo e vendendo entram em nosso mercado, na cidade grande, como objetos e signos de outras realidades”, explica Maria Inês de Almeida, curadora e coordenadora da exposição. “O que distingue suas peças dos objetos e signos tradicionais, frutos da cultura oral, são a tensão e a perturbação, algo que um indivíduo é capaz de expressar quando vê o mundo de longe”, completa a diretora do Centro Cultural.
¡Mira! é resultado de pesquisa realizada por equipe formada por antropólogos, comunicadores e indigenistas, que percorreu milhares de quilômetros em busca da arte indígena latino-americana. Foram levantadas mais de 300 obras de 75 artistas de 30 etnias diferentes. Depois, um conselho curador, composto por especialistas em artes visuais, escolheu mais de 100 obras para a exposição.

Atividades
Na semana de abertura, seminário sobre as artes e culturas indígenas em sua relação com a        contemporaneidade será composto de oito mesas de debates, em que artistas da exposição, indígenas      convidados, pesquisadores e educadores conversarão sobre diferentes temas. A discussão vai girar principalmente em torno das relações entre as artes indígena e ocidental: ruptura da tradição, continuidade, ou diálogo? Quais as técnicas e as estéticas que os indígenas assimilam? O que índios trazem de inovação para a arte ocidental?

No pátio do Centro Cultural, uma oficina de tururi – tela feita com a fibra da entrecasca de uma árvore – será ministrada por artistas da etnia Ticuna, e haverá também bate-papos informais com artistas integrantes da exposição, que vão demonstrar seus processos de trabalho.
Segundo a organização do evento, através de múltiplas linguagens, a exposição ¡Mira! Promove, em caráter inédito, o intercâmbio entre as novas experiências artísticas desenvolvidas pelos povos indígenas da América do Sul e ainda oferece ao público a oportunidade de conhecer o pensamento e a perspectiva indígena em meio às artes visuais contemporâneas.

O Centro Cultural UFMG fica na Av. Santos Dumont, 174, Centro de Belo Horizonte. Informações: (31) 3409-8290.
(Com assessoria de comunicação da exposição)

Matéria original: https://www.ufmg.br/online/arquivos/028646.shtml

24 de jun. de 2013

Escritores e Artistas Indígenas fundam a DIROÁ - AssEArIn


Eu e Edson Kayapó fomos convidados pelo Diretor do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, Daniel Munduruku, e pelo Coordenador do  Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas - NEArIn, Cristino Wapichana, para coordenarmos os trabalhos de concepção, constituição, fundação, eleição e posse de uma Associação que congregasse os escritores e artistas indígenas dos mais diversos povos indígenas no Brasil, inicialmente, os oriundos do NEArIn, que vêm se reunindo ao longo de 10º através do Encontro de Escritores e Artistas – EEAI, em eventos compartilhados com o Salão do Livro para Crianças e Jovens da (FNLIJ) - Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil evento, na cidade do Rio de Janeiro.

Após as três assembleias nos dias 10, 11  e 13 de junho, com esta finalidade, foi fundada para a representatividade legal dos escritores e artistas indígenas a bem da literatura indígena e das comunidades dos povos indígenas e do povo Brasileiro a DIROÁ – Associação de Escritores e Artistas Indígenas – AssEArIn.

Seu nome de significado indígena - Uma tentativa de socializar sobre a nominação DIROÁ, a qual foi uassim escolhida em seguidas rodas de conversas, e decidida na tarde do dia 13 de junho de 2013.

DIROÁ. Na tradição dos povos do Rio Negro, enfaticamente, entre os Tariano e Desana -, os Diroá são seres fantásticos, encantados, místicos, grandes pensadores que têm a dimensão dual do ser humano, portanto, podem fazer o Bem e o Mal, e, ao controlar entes e situações, podem transformar atitudes negativas em positivas. Na  língua Xavante tem o sentido de Grupo de Formação (inicial) para diversos fins de suas vidas e seu cotidiano.

Os escritores e artistas indígenas são criadores que têm como princípio a dimensão humana de produzir nas artes a filosofia e estética  do belo em sintonia cosmológica de sua ancestralidade e sua contemporaneidade, dentro e fora de suas comunidades.

Enfim, no dia de junho de 2013, às 15h00, fundamos, elegemos e demos posse a Diretoria da DIROÁ – AssEArIn, cujo, primeiro mandato ficou assim constituído:

Primeiro Presidente: Cristino Pereira dos Santos; Segundo Presidente: Edson Machado de Brito; Primeiro Secretário: Rosilene Fonseca Pereira; Segundo Secretário: Maria das Graças Ferreira; Primeiro Tesoureiro: Manoel Fernandes Moura; Segundo Tesoureiro: Carlos Tiago dos Santos; Coordenadores Regionais do Norte: Jaime Moura Fernandes e Elias Seixas Reis; do Nordeste: Ademario Souza Ribeiro; do Centro-oeste: José Márcio Xavier de Queiroz, Marcelo Manhuari Munduruku e Caimi Waiassé Xavante; do Sul e Sudeste: Olívio Zeferino da Silva.

De acordo com o Estatuto em seu Art. 15º Associados fundadores da DIROÁ - AssEArIn são aqueles que participaram de sua criação, assinaram o livro de presença e se comprometeram com as suas finalidades e os indicados pelos assembleianos, como Fundadores Beneméritos, em ordem alfabética: Ailton Krenak, Álvaro Tukano, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Elizabeth D'angelo Serra, Graça Graúna e Raoni Menkture.
Fotos diversos do processo:








Celebrando nossos ancestrais e na contemporaneidade ampliando as fronteiras e parcerias para que a Literatura e Saberes indígenas sejam conhecidas e valorizadas em meio a esse mega caldeirão da diversidade étnico e cultural do Brasil.

Até breve!

Ademario Ribeiro
Sertanejo das Terras dos Payayá, filho de Amélia Souza Ribeiro e de Alberto Severiano Ribeiro (in memoriam)... Escritor (poeta e teatrólogo), diretor teatral, educador ambiental, pesquisador dos povos indígenas e pedagogo. Membro, conselheiro e fundador de diversos coletivos entre estes: ONG ARUANÃ, Associação Muzanzu do Quilombo Pitanga de Palmares, entre outras organizações. Tem publicações diversas em jornais e sites.


Matéria original: http://ademarioar.blogspot.com.br/2013/06/escritores-e-artistas-indigenas-fundam.htmli
Reprodução somente mediante comunicação prévia e citação da fonte. 


VOYEUR


Ela abre a porta de maneira tão vulgar que o deixa sempre atônito.
- Vulgar – ela pergunta – o que quer dizer com isso? Vulgar é a puta-que-o-pariu. Nada há de vulgar no meu ato de abrir a porta!
Ele não responde. O silêncio mudo é melhor que o silêncio falado. Prefere assim. É um método que aprendeu no tempo em que queria ser monge budista. É melhor calar diante da explosão  e contemplá-la que enfrentá-la e morrer. Morre-se tanto e tantas vezes nessa vida!!!
Preferia que ela não fosse vulgar ao abrir a porta. Preferia que ela fosse refinada, final, gentil. Abrir com leveza e finesse como faziam as madames da televisão. Como fazia a dama Fernanda Montenegro. Aquela sabe envelhecer com brio! Sabe ser uma dama! Sabe abrir uma porta com primor!
Faz tempo que a observa. Ela nem sabe disso. Virou um voyeur de sua própria mulher. A espia quando dorme após longo dia de trabalho. Sente sua respiração, dividindo o ar entre as narinas e a boca, vez ou outra solta um gemido.
- Pensou em mim – ele pensa iludido.
Outras vezes abre a porta do banheiro sem que ela perceba. Dentro do box ela se ensaboa sem notar que está sendo observada. Seus olhos fechados confessam seus pensamentos enquanto suas mãos percorrem o corpo molhado. Quando abre os olhos se depara com os dele pousados no corpo branco e desnudo.
Ele já a ficou espiando enquanto lava louças ou roupas na área de serviços. Acha que é uma visão do paraíso olhá-la assim, sem ser visto. Pensa que o que vê é seu: a pele branca, a bunda levemente arrebitada enquanto se curva sobre a máquina de lavar. A concupiscência de seu desejo quer tocá-la com sofreguidão. Nem sempre resiste. Ela sempre manda que pare. Ele sabe que não é verdade. Ela gosta. Faz-se apenas de difícil para não dar o braço a torcer. Ela finge não ter concupiscência. Ele nunca soube porquê.
Ele gosta de vê-la trabalhando sobre a mesa da cozinha. Espalha todo o material. Diz que é para ter uma visão de conjunto. Ele ri. Conhece-a.
Faz tempo que ele a engana. Faz tempo que ela sabe. Ela o prende. Grilhões impostos por doses de afetos perdidos. Bolas de ferro invisíveis amarrados a seus pés. Ele é voyeur; ela, senhora da senzala. Ele espia querendo encontrar-se nela; ela o amarra com seu cântico dos cânticos; ele, preso por vontade própria; ela, livre; ele pássaro; ela, linda; ele, só.

Então, por que? Porque tem que ser tão vulgar ao abrir a maldita porta?

21 de jun. de 2013

10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas - 12 de Junho de 2013

 
Prezados, aí vai uma pouco da participação de Daniel Munduruku no 10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas -"Buscando Horizontes. Gerando Metamorfoses.", evento que é um dos idealizadores.
O Instituto Uka Casa dos Saberes Ancestrais, agradece à todos os participantes do nosso 10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas!
Foram duas semanas de trabalho em que passaram pelo stand do NEARIN no 15º Salão FNLIJ do Livro, alguns dos principais escritores, artistas e lideranças indígenas do Brasil, que trouxeram valiosas contribuições a respeito dos novos rumos deste movimento e celebraram juntos conosco essa data especial.
O auge do evento aconteceu no dia 12 de Junho, quando aconteceu nosso Seminário: "Buscando horizontes. Gerando metamorfoses". Que contou com a participação de grandes acadêmicos brasileiros que estudam e apoiam a Literatura Indígena.
A organização parabeniza à todos, pelas falas, pelas novas publicações dos autores indígenas, pelas perfomances com o público, pelo texto vencedor Concurso Tamoios, pelos debates internos, novos projetos, e pelos 10 anos do Encontro de Escritores e Artistas Indígenas.
Esta é uma conquista também dos Povos Indígenas brasileiros que a cada ano ganham mais voz, e se fazem ouvir através da palavra escrita que seus filhos direcionam às suas raízes.

Vida longa para a Literatura Indígena brasileira!
Um salve para todos os artistas indígenas!

Até o nosso próximo encontro!
 
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14 de jun. de 2013

Mundurukando a partir da foto de menino Munduruku de Juara/MT

Mundurukar é
Contemplar o tempo que passa pequeno.
Sentir a brisa do vento que acaricia o espírito.
Solfejar as notas harmônicas do universo.
Sentir o coração da deusa pulsar e acompanhar o doce movimento da vida que teima em sobreviver.
Harmonizar o Crer e o Compreender num mesmo espaço em conflito.
Descobrir o novo a cada dia.
Saber dizer o belo a quem se que quer bem.
Saber dizer o belo a quem não se quer tão bem.
Saber dizer Amém, Aleluia, Shalom, sim e não.
Saber Ser
Saber-se SER.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...